Obrigado, Pedro

Foram dezenas de anos, centenas de governantes, milhões e milhões e milhões de euros nossos. Todos lhe disseram que sim. Até aparecer alguém. Alguém para quem integridade não era uma palavra vã. Alguém para quem o interesse nacional era a única razão da sua magistratura. Obrigado Pedro Passos Coelho.

Sei que nestes tempos de hegemonia formal, artificial e forçada de esquerda, vai ser impossível reconhecer que a queda deste criminoso se deve ao único governante deste País que disse não a Ricardo Salgado. Mas quer o assumam ou não, a factualidade histórica é indesmentível e a memória futura será inexorável. Pode não ser já ou proximamente. Mas acontecerá.

E não tenham dúvidas. Dizer não a Salgado foi tarefa hercúlea. O sim que durante anos e anos estava assegurado por favores, criou um sistema de interesses maciço, ubíquo e avassalador. Era a determinação de um homem contra a agenda de tantos. E se esse homem não fosse Pedro Passos Coelho, aquele “império do mal” teria prevalecido.

Aliás, a prova do que disse é perfeitamente perceptível ainda hoje. Porque aquela rede, infelizmente, ainda não foi desmantelada. Ela está lá. Ela sobrevive. Com outras cabeças, mas com os mesmos operacionais: os governantes que lhes dizem que sim.

A facilidade com que este governo injecta dinheiro nosso no Novo Banco por força das cláusulas de uma venda que negociou e assinou, garantiria a sobrevivência de Salgado. E quem diz Novo Banco, diz TAP, Efacec, novo aeroporto, TGV, etc.

Comments


  1. Segue-se a indignação da esquerdalhada…

    • POIS! says:

      Pois segue!

      Ou não estivessemos na presença de um afamado astrólogo, cuja grande especialidade é ler o futuro interpretando as borras de vinho tinto no fundo de um garrafão de cinco litros.

      • Paulo Marques says:

        Obrigado, Pedrocas, por deixares a batata quente a escaldar para quem vier a seguir depois de encarreirares os membros do governo que mais cumpriu as contas depois da desvalorização interna.
        Mas o Carlos também tem razão, acabe-se com o estado e deixe-se cada um à sua sorte e deixa de haver corrupção e corruptores. E estado de direito, mas ao menos são livres, até alguém lhes dar um tiro.

    • abaixoapadralhada says:

      JgMenos

      Não estávamos à espera da “Indignação” dos Sa Lazarentos, seja da versão original como é o teu caso, seja dos “clones” armados em liberoides como para aí parece estar na moda.

      Abaixo a padralhada, sejam eles Papistas, Evangelicos, Protestantes ou mesmo “Maomes”.

      Abaixo a padralhada, chiça, como se diz na minha terra

    • abaixoapadralhada says:

      “Segue-se a indignação da esquerdalhada”

      Porque será que o caríssimo sr JgMenos, acha anormal a indignação, dos que ele apelida de “esquerdalhada” ?

      Ele próprio, tem mostrado aqui a sua indignação contra coisas com que não concorda e ninguém o perseguiu por isso.

      Isto só poderá ser percebido, porque ele achar que não existe neste momento em Portugal, direito a que ninguém se indigne , seja “esquerdalhada” como ele chama a quem não professa os seus ideais políticos,seja qualquer outra pessoa, com ideologia de esquerda, de direita ou nenhuma, quando não concorda com qualquer situação ou evento.

      Para isso, já nos chegou o tempo das trevas do Salazar, em que as pessoas tinham que concordar com tudo o que a ditadura impunha, ou eram expulsas da função publica e até de outros lugares e perseguidas pela Policia Politica.
      Mas se é esse regime que o caríssimo Sr JgMenos pretende para Portugal, que o diga abertamente e aqui é um bom sitio.
      Aqui ou noutro lugar, ninguém o vai perseguir por isso

    • José Peralta says:

      Jgmenos diz :

      “Segue-se a indignação da esquerdalhada”

      É a direitalha a que o “menos” pertence, tentando, em desespero de causa, transformar em “herói”, o aldrabão-mór coelho…que também se escapou a um julgamento sobre as negociatas da Tecnoforma, passando sorrateiro, entre os pingos de chuva…

      Mas o “menos” ainda engana alguém ?

  2. Rui Naldinho says:

    “Para além de Ricardo Salgado e da acusação de associação criminosa há o problema do próprio sistema que permite isto vá acontecendo, através de escritórios de advogados perfeitamente legítimos, de empresas em offshore perfeitamente legítimas, e de ligações igualmente sempre legítimas que depois contribuem para criar este caldo” de interesses, disse Mariana Mortágua, na TVI.
    “O caso BES não é o problema de um administrador ou de uma empresa. São as maiores empresas do país. Isto é o regime”, prosseguiu a deputada. E relembrou que “não é por acaso que, a partir deste caso, somos transportados para outros” numa verdadeira “porta giratória”, diz, relembrando os vários ministros e secretários de Estado do PS, PSD e CDS que transitaram entre governos e lugares executivos no universo Espírito Santo.

    “O BES era o Banco do regime. Quantas campanhas terá financiado o BES? Conhecemos a de Cavaco Silva. Mas quantas campanhas foram financiadas pelo BES e outras empresas através destes esquemas?”, questionou ainda.

    Desde 2013 que se identificaram problemas na ESI. “Era um veículo para tapar buracos de vários negócios e estava falida, com prejuízos de 4.200 milhões acumulados entre 2004 e 2013”, explicou ainda.
    Donos disto tudo acusados de crimes avaliados em 11.800 mil milhões de euros
    O que Ricardo Salgado fez foi “montar um esquema para financiar o seu próprio Grupo”. Este financiamento ocorria “através dos clientes do BES com a venda de dívida ao balcão”, bem como como financiamento intra-grupo através do Panamá, recorrendo a offshores para ficcionar financiamento entre empresas. Mas também “foi utilizada a “Portugal Telecom, que financiou o grupo através de lucros e empréstimos” e, por fim, o próprio sistema de “maquilhar contas, inventando ativos e escondendo dívidas”, explica Mariana Mortágua.

    Mas esta é apenas “uma parte do caso” cujas ramificações incluem a lavagem de dinheiro em Angola, a Venezuela, negócios imobiliários com ligações à Caixa Geral de Depósitos e Battaglia, a Portugal Telecom, e outras como o caso Monte Branco.
    “Para além de maquilhagem de contas e associação criminosa, este é um caso de branqueamento de capitais (onde se inclui o caso dos submarinos, adquiridos através de offshores), bem como a Akoya Asset Management com o caso Monte Branco”.

    • luis barreiro says:

      As marianas mortáguas berram nas tvs mas na hora de tomar as reais medidas que entalam estes corruptos, como a delação premiada são as primeiras a defender os corruptos. Na tv uma coisa para o o público, no governo lambem as botas aos corru+tos.

      • POIS! says:

        Pois pois!

        A delação premiada é uma coisa muito boa. É pôr os corruptos bonzinhos e honestos a denunciar os corruptos maus e desonestos. No Brasil tem dado um resultadão, por isso é que o Clã Bolsonaro continua no poder e o Moro (um verdadeiro ás da delação premiada) já se foi. No passado também já pôs retintos mafiosos italianos, depois de mandarem matar milhares, a viver calmamente nas Caraíbas, assim tipo D. Nuno Álvares Pereira que foi para um convento e até acabou santo depois de ter partido uma data de cabeças e rasgado uma data de gajos corruptos, pedófilos e tal.

        Quanto ao resto, e como toda a gente sabe, a AR antigamente era composta por 230 corruptos. Agora é composta por 229 e um homem de uma brancura a toda a prova que passou toda a vida num partido de corruptos com a missão de os desmascarar, só que ainda não teve tempo. E o mesmo vai fazer com o futebol e um clube que quer ser Dono dos Árbitros Todos. Mas só quando tiver tempo.

      • José Peralta says:

        Luís Barreiro

        Você deve ter chegado de Marte há pouco tempo !

        Porque não viu, as “marianas mortáguas”, nas comissões parlamentares respectivas, a inquirir, com toda a autoridade e competência, dada pelo estudo zeloso dos “dossiers”, a entalar corruptos, como Zeinal Bava, Ricardo Salgado ou aquele paspalhão patético, Joe Berardo !

        E de tal maneira o fez, que deixou alguns “sem fala”, sem argumentos…

        Você, “NÃO VIU”, mas passou nos noticiários de todas as Televisões e Rádios, e no canal televisivo AR-TV !

        Mas tem “desculpa”! “Não viu” porque certamente, na ocasião, andava… “em órbita” !

      • Paulo Marques says:

        As “reais medidas” eram acabar com o sigilo bancário quando a PJ quer investigar e acabar com os inúmeros mecanismos legais de lavar e esconder dinheiro.
        O resto são balelas.

  3. POIS! says:

    Pois, certamente por lapso, acho que falta uma palavra no título do “post”.

    Deveria ser “Foste obrigado, Pedro”.

    Seguido de outro intitulado “Obrigadinho Pedro e não te incomodes mais c’a gente”.

    • Patolas says:

      Obrigado, Pedro, por nos deixares um saco sem fundo!
      O artigo do Daniel Deusdado no DN de hoje é elucidativo do que aconteceu.

      • POIS! says:

        Pois tem razão.

        Esqueci-me de agradecer o saco. Sou eu que sou assim, um bocado desprendido. Se fosse, por exemplo, ex-secretária lá do grupo parlamentar talvez a gratidão fosse maior.


  4. Espantosamente demorada a reacção ao papel de PPC.
    Os instintos esquerdalhos já não são o que eram?

    • POIS! says:

      Pois, vá lá pessoal! Comentem!

      Não deixem o JgMenos o resto do dia a tocar na ampulheta!

    • Paulo Marques says:

      Deixar a batata quente, bem como o seu custo, não fosse estragar as contas completamente ao lado, para quem vier a seguir?

  5. Rui Naldinho says:

    Calvão da Silva, Presidente do Conselho Jurisdicional do PSD, atestou idoneidade de Ricardo Salgado

    O autor de um dos pareceres entregues por Ricardo Salgado ao Banco de Portugal para justificar a manutenção da sua idoneidade no setor bancário foi João Calvão da Silva, revelou esta quarta-feira o jornal i. Este professor da Universidade de Coimbra e especialista em direito bancário já foi governante e deputado do PSD. Com a chegada de Passos Coelho à liderança do partido, João Calvão da Silva foi eleito no Congresso de 2010 para presidir ao Conselho de Jurisdição do PSD. Tal como o atual primeiro-ministro, foi reeleito no cargo nos dois Congressos seguintes, em 2012 e 2014. Calvão da Silva apoiou Passos Coelho na disputa pela liderança do PSD em 2010 e surgiu nesse ano como um dos autores do polémico projeto de revisão constitucional, que a nova direção não tardou a colocar na gaveta.

    “O parecer assinado pelo dirigente laranja diz que a oferta do construtor José Guilherme “foi por conselho dado [por Salgado] a título pessoal, fora do exercício das funções e por causa das funções de administrador bancário”. Mas Calvão da Silva foi mais longe e justificou a prenda milionária com o “bom princípio geral de uma sociedade que quer ser uma comunidade – comum unidade –, com espírito de entreajuda e solidariedade”.

    Segundo o jornal i, o parecer jurídico de Calvão da Silva foi encomendado por Ricardo Salgado para convencer Carlos Costa a não lhe retirar a idoneidade, condição necessária para se manter à frente do BES. Em causa estava o dinheiro recebido pelo então líder do BES através de uma offshore e que depois beneficiou da amnistia fiscal do Regime Excecional de Regularização Tributária (RERT).

    O parecer assinado pelo dirigente laranja diz que a oferta do construtor José Guilherme “foi por conselho dado [por Salgado] a título pessoal, fora do exercício das funções e por causa das funções de administrador bancário”. Mas Calvão da Silva foi mais longe e justificou a prenda milionária com o “bom princípio geral de uma sociedade que quer ser uma comunidade – comum unidade –, com espírito de entreajuda e solidariedade”.

    Há duas semanas, Carlos Costa foi ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES, tendo afirmado que “não tinha poderes” para retirar a idoneidade a Ricardo Salgado. “Se pudesse, tirava-lhe a idoneidade”, lamentou o governador do Banco de Portugal aos deputados. O problema foi terem aparecido “dois grandes juristas de Coimbra a mostrar que o Banco de Portugal não podia fazer o que queria fazer”, prosseguiu Carlos Costa, referindo-se ao parecer de Calvão da Silva e a um outro, da autoria de Pedro Maia. Maia já veio publicamente refutar as palavras do governador, dizendo que o seu parecer defendia exatamente o contrário do que Carlos Costa disse aos deputados, para além de dizer respeito a uma altura – novembro de 2013 – em que não eram públicos os casos mais graves envolvendo a gestão do BES.


  6. Este post é dos Monty Python?

  7. Daniel says:

    Obrigado Pedro por deixares aos portugueses uma prenda como o Novo Banco – o tal que tu dizias que não iria precisar de dinheiro dos contribuintes!!
    Este artigo é só ironia e sarcasmo do bom!…

  8. Julio Rolo Santos says:

    Votei nele mas primeiras eleições mas desisti mas segundas. Para mim não foi honesto porque disse que não ia cortar nas reformas e aposentações e foi o que fez logo que chegou ao poder. Senti na pele o corte na aposentação. Em contrapartida só posso estar grato a este governo que repôs o que Passos Coelho me havia retirado. Contrariamente ao autor deste post não o posso imaginar no poder por estes próximos cem anos, para bem do país e dos portugueses.

    • Paulo Marques says:

      Porque raio é que havia de confiar em alguém direita, quando só conhecem um mecanismo para controlar a economia?

  9. Paulo Alves says:

    Este blogue agora aposta no humor?

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