Sabes que cheira (ainda mais) a esturro

quando José Sócrates sai em defesa de Manuel Pinho. Birds of a feather…

Aquelas coincidências do camandro

perto de 8000 milhões correspondem a operações ordenadas a partir do colapsado Banco Espírito Santo (BES), sendo que 98% dos fluxos de capital colocados em offshores em 2014 (o ano da derrocada do banco) ficaram omissos da base de dados.

As coincidências começam logo aqui. Havia um banco em vias de ser intervencionado e 98% das transferências do BES para offshores caíram no apagão. Sendo que 80% do apagão corresponde ao BES.

O “apagão” que se verificou no registo das transferências realizadas de 2011 a 2014 só ocorreu consecutivamente em três dos quatro anos nos ficheiros informáticos XML submetidos por dois bancos, o BES e o Montepio. O relatório de auditoria elaborado pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF) – que atribui os erros a uma “combinação complexa de factores tecnológicos” e considerou “improvável” ter existido mão humana no processamento parcial dos dados – referiu que os problemas aconteceram em três anos apenas em duas entidades financeiras.

Eis a coincidência explicada. Uma “combinação complexa de factores tecnológicos”. Com improvável intervenção de mão humana. Será, então, à mão divina a quem devemos apontar culpas? Na minha terra, o software ainda não nasce sozinho e há erros que vêm mesmo a calhar.

E o fisco, tão eficaz a lembrar-me que tenho uma factura para confirmar se o soro que comprei no supermercado tem receita médica ou não, deixa passar um buracão destes em três anos consecutivos?

Só tenho pena que estas coincidências tenham apenas incidência em possuidores de contas em offshores. Espero que o Bloco de Esquerda detecte esta desigualdade e que, prontamente, proponha uma lei para todos terem a sua conta fora de terra.

As citações são de uma notícia do Público.

Manuel Pinho: a minha humilde homenagem a um trabalhador singular

mp

No dia em que se celebra o Trabalhador, poucos portugueses serão tão dignos de homenagem como Manuel Pinho. O homem, o académico, o político independente, que se entregou de corpo e alma às funções ministeriais para as quais foi chamado, que desempenhou com mérito e distinção.

Porém, o ex-ministro foi mais do que um político excepcional. Durante o seu mandato, conta-nos a revista Visão, Manuel Pinho não se rendeu ao ócio ou à preguiça, nem nos raros momentos que lhe restavam, depois de toda a azáfama governativa e das coisas do dia-a-dia de um homem normal. Não. Nos tempos mortos, tão mortos que quase não se encontrava registo deles, Manuel Pinho trabalhava para ajudar a desenvolver e a elevar a banca portuguesa. Ministro durante o dia, consultor do BES nas horas vagas. Pela módica pechincha de 14 mil e tal euros mensais. O Ronaldo faz isso em duas horas. E o Capelo Rego está ali no canto a rir-se. [Read more…]

A Operação Marquês segundo a SIC

Nos últimos dias a SIC emitiu uma série de reportagens sobre a Operação Marquês. Ficam aqui, para vossa conveniência, essas reportagens:

2018-04-16 – Arguidos da Operação Marquês têm até 3 de setembro para pedir abertura da instrução

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Esta tipa não se enxerga?

O CDS-PP pretende que o ministro das Finanças e o Governador do Banco de Portugal prestem esclarecimentos após o parecer da Comissão Europeia sobre a venda do Novo Banco.

A pergunta é retórica.

3.9 mil milhões de euros em cima de outros 3.9 mil milhões de euros

7.8 mil milhões será o montante injectado no Novo Banco quando o Estado português colocar mais 3.9 mil milhões de euros neste banco para cobrir as imparidades, aos quais se fala de ainda virem a ser precisos outros 400 milhõese para cenas e coisas. Esta injecção de dinheiro resulta do acordo com a Comissão Europeia para capitalizar o buraco Novo Banco, criado com a jura de nenhum português lá precisar de colocar um cêntimo.

É oportuno recordar as palavras do Governador do Banco de Portugal, do ex-primeiro-ministro Passos Coelho e de toda a tropa de comentadores da direita, David Dinis e Raúl Vaz incluídos, que lançaram louvores à decisão ímpar, segundo eles, de o Governador e o Governo de então terem tido a coragem de enfrentar Ricardo Salgado, tese repetida ad nauseum, quando da retirada de Passos Coelho do Parlamento, através da qual os soldadinhos de chumbo procuraram lançar o spin de ainda se estar para ver a dimensão do grande líder tecnoformado.

Mas esta já se vê, com efeito. Aí estão os quase dez mil milhões de euros para pagar uma solução que o Banco de Portugal achava ser a melhor e que obteve a concordância do governo Passos Coelho / Paulo Portas / Assunção Cristas, a tal que assinou de cruz na praia. Mas, como disse recentemente o ex-grande líder laranja, a reforma que ficou por fazer foi a do código do trabalho. Prioridades.

Aproxima-se outro candidato a buraco tapado pelos contribuintes: o Montepio Geral. Abram os olhos, portugueses. Ou então, caso contrário, prepararem-se para abrir a carteira.

Como vai o fundo pagar o empréstimo do estado?

Fundo de Resolução dá como perdidos os €4,9 mil milhões injectados no Novo Banco em 2014

2 pesos e 2 medidas é que não pode ser, explicações precisam-se…

54 mil Euros pagos em 6 prestações a 3 familiares entre 2009 e 2011, por alguém que tem declarados rendimentos de trabalho dependente na ordem dos 200 mil Euros não parece à primeira vista um assunto de grande relevância. [Read more…]

Ricardo Salgado e Cavaco Silva

Desenganem-se aqueles que julgam que daqui sairá alguma acusação de que Cavaco Silva foi um politico corrupto, até porque todos sabemos que seria preciso, ao comum dos mortais, nascer duas vezes para ser mais honesto que o político mais político de todos os políticos, que apesar da sua condição gosta de falar dos políticos e da situação deste país como se não fosse nada com ele.

Acontece que, e à luz dos mais recentes desenvolvimentos em torno da operação/processo/caso Marquês, sabemos hoje que existem fortes indícios – vá, vamos todos fazer de conta que respeitamos o princípio da presunção da inocência – de que Ricardo Salgado abriu os cordões à bolsa para corromper grandes figurões como José Sócrates, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, apenas para citar alguns nomes. E que, para aqui chegar, foi preciso mover mundos e fundos, que levantam questões pertinentes sobre aquilo que parece a microscópica ponta de um gigantesco icebergue. [Read more…]

Querem pôr o Ricardo Salgado a pão e água. Comunistas!

Fotografia via Imprensa Falsa

Apesar do inestimável contributo para a destruição do Grupo Espírito Santo, e em particular daquele que era o seu filho pródigo, o BES, que nos custou uns quantos milhares de milhões de euros, que continuaremos a pagar, de múltiplas formas, por muitos e longos anos, Ricardo Salgado, outrora Dono Disto Tudo, recebe uma simpática pensão de 90 mil euros. É sempre reconfortante perceber que, no admirável mundo podre da elite financeira, destruir um banco traz consequências destas. Ainda bem que existem mecanismos para desmotivar quem lhe quiser seguir as pisadas.  [Read more…]

Ficava-lhe bem dar o exemplo, Marquês Pereira Coutinho

Andava eu a ler sobre calotes ao BES, hoje Novo Banco, a propósito desta interessante posta do Ricardo. Vou por ali abaixo, Luís Filipe Vieira, José de Mello, Joe Berardo, Vasco Pereira Coutinho…Vasco Pereira Coutinho? O nome diz-me qualquer coisa, mas acho que existem vários e são todos bem-sucedidos. Qual será este?  [Read more…]

Tem a certeza que quer falar sobre ligeireza e irresponsabilidade, deputada Cristas?

A ex-ministra que aprovou o projecto de resolução do BES sem saber muito bem do que se tratava, assinando de cruz com a própria admitiu, veio por estes dias acusar o primeiro-ministro de ligeireza e irresponsabilidade no que toca aos temas da Segurança e da Educação. Sobre o primeiro, com o foco de Assunção Cristas a apontar para o impasse nas secretas e para a ameaça terrorista, desconheço a existência de motivos para alarme. Aliás, a falta de notícias sobre o tema leva-me a crer que, das duas uma: ou os serviços de segurança têm sido extremamente eficazes a antecipar e desmontar potenciais ameaças, ou serão os terroristas que não têm grande interesse em gastar os seus parcos recursos no Rectângulo. A ausência de chefia nas secretas, por si só, não me parece motivo de grande preocupação. Com certeza que as suas funções estão asseguradas, ainda que de forma interina. [Read more…]

CDS-PP: não se passa nada.

 

Submarinos, Paulo Portas, Escom, contrapartidas, Jacinto Leite Capelo Rego e BES. Não se passa nada.

Portucale, Telmo Correia, Herdade da Comporta, despacho de última hora, abate de sobreiros, Abel Pinheiro e BES. Não se passa nada.

Casino de Lisboa, Telmo Correia, Estoril-Sol, despacho de última hora, Abel Pinheiro, Paulo Portas e uma tal de “coisa”. Não se passa nada.

Helicópteros, Paulo Portas, 60 mil cópias de documentos, contrato tóxico e BES. Não se passa nada.

Apesar da presença assídua de Telmo Correia, Abel Pinheiro e dos famosos despachos de última hora, dois nomes sobressaem entre os restantes: Paulo Portas e BES. E era isto que vos vinha cá dizer. Não admira que este vídeo incomode tanta gente no Largo do Caldas. E na Comporta. Mas não se passa nada.

via Uma Página Numa Rede Social

 

verdade = ƒ(x),  x ∈ {tempo, espaço}

A solução encontrada para o Novo Banco é questionável? Claro que é. Mas o modo como Montenegro e Cristas abordaram a questão é intelectualmente miserável e eticamente repugnante. Quanto ao grau de amnésia patenteado, trata-se já de um problema médico, pelo que não me vale uma palavra.

A oferta do BES aos americanos e a hipocrisia de António Costa

Vinha aqui escrever que o Governo ia vender o BES ao desbarato, mas António Costa conseguiu ultrapassar as minhas expectativas. Afinal, não vai vendê-lo ao desbarato. Vai simplesmente oferecê-lo a um grupo americano especializado na especulação financeira.
Como sempre, serão os contribuintes a pagar a factura através de uma garantia de 4 mil milhões . Não me interessa o nome que o primeiro-ministro lhe dá, como não me interessam os seus jogos de palavras e as suas mentiras. Em termos de hipocrisia, António Costa não é melhor do que Passos Coelho.

E quer esta senhora ser presidente da CM de Lisboa

A vida política portuguesa é insólita. Volta e meia temos um destes episódios, bizarros, que nem a maquilhagem mais espessa consegue dissimular, mas aos quais grande parte dos portugueses assistem, impávidos, como se nada fosse. Temos esta senhora, Dra. Assunção Cristas, que lidera um partido, o CDS-PP, que apesar de pequeno, tem enorme influência na banca, nos grandes escritórios de advogados e nas grandes empresas, e que dá uma entrevista ao Público onde confessa, sem grandes rodeios, que estava muito descansada de férias e recebeu um pedido urgente da ministra das Finanças. Era preciso aprovar um decreto-lei, que a senhora Cristas desconhecia por completo, e que assinou de cruz, como se nada fosse. [Read more…]

PSD em alerta: CDS entra na corrida pelo grande prémio Parvoíce do Mês

As votações estão abertas, caro leitor. Vote já na sua parvoíce favorita:

  1. A teoria da conspiração de Paula Teixeira da Cruz
  2. O tiro de caçadeira de canos serrados que Duarte Marques deu no próprio pé
  3. A negligência financeira de Assunção Cristas

Vote já e habilite-se a ganhar uma embalagem de radicalismo do amor. Limitado ao stock existente.

Imagem via Uma Página Numa Rede Social

Assinou de cruz, com a que reciclou do voto

Cristas aprovou projecto de resolução do BES sem o ler“. Cada cavadela, cada minhoca. 

Zangam-se as comadres

descobrem-se as verdades?

Porque será que tudo vai dar ao BES?

Já em 2004, quando se falou no negócio dos submarinos, aquele que teve condenados pelo pagamento de luvas na Alemanha, mas que em Portugal ninguém terá recebido, pelo que o caso acabou encerrado, o esquema teria sido feito através da Escom, que pertencia ao BES.
Sabe-se agora que cerca de 7,8 mil milhões de Euros transferidos para offshore entre 2011 e 2014, tiveram origem no BES. O próprio presidente do BES terá retirado algumas centenas de milhões de Euros nas últimas semanas. [Read more…]

Carlos Costa e a “mão humana”

Carlos Costa deu uma entrevista sobre o que podia ter, ou não ter, feito quanto ao BES. Enfim, é o rescaldo da reportagem da SIC  “Assalto ao Castelo“.


Defendeu, novamente, que o enquadramento legal de então não lhe permitia retirar a idoneidade a Ricardo Salgado. Mas teve os pareceres jurídicos dos técnicos do BdP e do jurista Pedro Maia a dizer que sim, que podia retirar a idoneidade ao presidente do BES. Argumentou, ainda, que só o poderia fazer, na altura, com sentença transitada em julgado. Mas isso não foi impedimento para que, antes, Filipe Pinhal, Christopher Beck, Tavares Moreira, João Rendeiro e Armando Vara (*)  vissem a sua idoneidade retirada e, consequentemente, fossem impedidos de exercer actividade bancária. [Read more…]

Acho bem.

Carlos Costa pede para ser ouvido para se defender de “acusações distorcidas”. Haja deputados que se preparem.

Assalto ao Castelo – Reportagem SIC sobre o colapso do BES e o papel do BdP

A SIC teve acesso a documentos vindos do “Castelo”, metáfora visual para o Banco de Portugal (BdP). Todos com o selo de confidencial, vindos directamente do departamento mais sensível do BdP, a Supervisão Micro-Prudencial.

Ao longo da reportagem, é explicado, brevemente, o passado do BES, bem como a constante promiscuidade entre o poder político e o banco. Define-se o que é a idoneidade dos banqueiros e os poderes que o BdP tem para a remover, assim implicando a demissão dos cargos.

BES - ligação política (clicar para ampliar)

BES – (alguma da) ligação política

Num desses documentos confidenciais, os técnicos do BdP afirmavam que uma “actuação tempestiva” poderia vir a ser necessária. Vários factos são apresentados para consubstanciar uma coisa simples: O Governador do BdP, Carlos Costa, soube dos riscos inerentes ao GES pelo menos nove meses antes da resolução do BES mas optou por não agir. [Read more…]

Os livros que Cavaco deixou por escrever

Mais importantes para o público em geral do que a sonolência que se abatia sobre Cavaco quando conversava com Soares no Palácio de Belém ou a falta de cavaco passado a José Sócrates para revelar, sem escrúpulos, sem um único pingo de vergonha, sem perder aquele ar de presidente-de-facção-pai-do-passos, com uma ordinarice tamanha e com uma falta (até hoje, infelizmente) de sentido de Estado e de modo de estar na vida, conversas que jamais deveriam ser reveladas com o propósito expresso e declarado de ajustar contas com o primeiro-ministro com o qual nunca conseguiu trabalhar, foram os livros que Cavaco deixou por escrever.

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Uma história de TERROR!

bes

Carlos Paz

BES / NovoBanco – Algo está PROFUNDAMENTE ERRADO!
Não pode ser SÓ incompetência. Não é possível!

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Para percebermos um pouco do que se está a passar (é impossível perceber tudo – é tão mau que não existe NENHUMA explicação plausível, aceitável, credível, etc…) vale a pena revisitarmos um pouco a história de tudo o que se passou:

A – Período BES/GES

1) Sob a direção de Ricardo Salgado, José Maria Ricciardi, José Manuel Espírito Santo, Ricardo Abecassis, Fernando Manuel Espírito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo, António Ricciardi, Pedro Mosqueira do Amaral e Amílcar Morais Pires, entre outros, o Grupo Espírito Santo (GES) fez uma gestão de tal forma desastrada de todos os seus investimentos que entrou em processo de colapso financeiro;
2) O referido colapso financeiro foi sendo escondido ao longo dos anos através de uma série de operações que drenaram os fundos do BES para o GES;
3) Este processo correu SEMPRE sem que a supervisão do Banco de Portugal (BdP), dirigida primeiro por Vitor Constâncio e depois por Carlos Costa, se apercebesse do que quer que seja daquilo que se estava a passar (desvios massivos de dinheiro do BES e dos seus Clientes para esconder os PÉSSIMOS resultados de Gestão do GES);
4) Depois de totalmente destruído o GES, o BES estava perto da falência, numa altura em que todos no mercado falavam disso (auditores, jornalistas, comentadores, etc…), MENOS o regulador/supervisor (Carlos Costa e o seu BdP);
5) Em último estertor os supracitados gestores do GES/BES, com a anuência de Carlos Costa e do BdP, promoveram um processo de aumento de capital do BES – recordemos que Banco estava tecnicamente falido, mas estava a ser protegido pela INCOMPETÊNCIA (para bem da nossa sanidade mental coletiva enquanto Nação, vamos acreditar que nessa época os atos e as decisões decorreram SÓ de pura incompetência) de regulação e supervisão do BdP;
6) Este processo de aumento de capital de um Banco que estava FALIDO teve o alto patrocínio do Banco de Portugal (de Carlos Costa), da CMVM (de Carlos Tavares), do poder político (Cavaco Silva e Maria Luis Albuquerque) e de diversos jornalistas e comentadores (como Marcelo Rebelo de Sousa, amigo e visita de casa da “família”);
7) Nesta altura Carlos Costa (e o BdP) já se tinha apercebido de indícios de Gestão Danosa no BES (em favor do GES e de amigos) mas não tinha coragem para afastar Ricardo Salgado e a sua clique da Administração do Banco – nessa altura Carlos Costa pede (e paga com o NOSSO dinheiro) diversos pareceres jurídicos para provarem que NÃO podia afastar Ricardo Salgado, tendo no entanto a maioria dos jurisconsultos consultados optado por referir que Carlos Costa, se quisesse, podia MESMO afastar Ricardo Salgado;
8) A Administração do BES apercebeu-se que já NADA seria possível fazer para salvar o Banco (BES) tendo havido alguém (ainda se espera um esclarecimento das autoridades judiciais) que promoveu uma imensa purga de fundos, numa única semana, que arruinou definitivamente o Banco;
9) Apercebendo-se tarde, demasiado tarde, do ENORME problema que tinha entre mãos, Carlos Costa afasta finalmente Ricardo Salgado que nomeia para seu substituto o seu próprio braço direito (Amilcar Morais Pires, Administrador Financeiro do BES) que estava envolvido em TODO o processo e, aparentemente (continuamos a aguardar esclarecimentos das autoridades judiciais), em TODAS as decisões;
10) O Banco entra numa espiral negativa e no final da semana fatídica da purga de fundos (nunca esclarecida pelas autoridades judiciais), Carlos Costa é finalmente obrigado a agir (o BdP já não podia continuar a fingir que não percebia o que se estava a passar);
11) Carlos Costa que tinha feito parte da equipa de Durão Barroso em Bruxelas, recorre às autoridades Europeias e promove a montagem, com o patrocínio (ou o comando, nunca o saberemos) da Comissão Europeia e do BCE, de uma operação de “resolução bancária” para o BES;
12) Convém aqui recordar que, apesar de ser este o modelo definido pela TROIKA para os problemas dos Bancos Europeus, este tipo de solução foi ensaiada no BES e NUNCA mais voltou a ser usada em lado nenhum da Europa (mesmo no BANIF em que o “nome” foi o mesmo, a operação foi muito distinta). [Read more…]

Este banco não é para novos

antero

Cavaco Silva ainda tentou avisar que isto podia correr mal, mas quem a sabia toda era o Antero. Venderam-nos uma mentira, e o país engolindo e pagando, ao sabor das contradições que se multiplicavam, quiseram fazer de nós otários, o que de resto até acabaram por fazer com assinalável distinção, ou não estivéssemos todos a pagar a engenhosa solução encontrada pelo anterior governo, com a preciosa ajuda do amigo do Banco de Portugal, anunciaram vendas, que se aproximariam de alguns milhares de milhões, sem nunca se concretizarem, e juraram a pés juntos que tal empreendimento não custaria um cêntimo aos contribuintes. Como o outro senhor que também nacionalizou um banco com a mesma promessa, um banco que acabou comprado por um outro ao qual agora preside. [Read more…]

Os lesados do BES e os lesados do ME

Santana Castilho*

Sem direito a perguntas, logo sem a maçada de dizer quem paga, quem assume as garantias e se o milagre agrava ou não as contas públicas, António Costa anunciou, em conferência de imprensa, a solução do decantado problema dos lesados do BES. Perito que é em dar boas novas e virar páginas, quando o vi numa escolinha, pronto para a mensagem de Natal, admiti, por momentos, que ia anunciar a solução para os lesados do ME. Qual quê!
Em 30 de Novembro último, o Ministério da Educação tornou pública a intenção de abrir um concurso para integrar nos quadros os docentes com um mínimo de vinte anos de serviço e cinco ou mais contratos a termo resolutivo, celebrados nos últimos seis anos. São estes e muitos outros, precários de uma vida, os lesados do ME, um ministério que vive há anos fora da lei, explorando miseravelmente quem o serve e concebendo maliciosamente soluções que iludem, sem resolver. É disto que trata a proposta, glosada com as coreografias governamentais e sindicais habituais e o pesadelo de sempre.
São duros os meus qualificativos? Que é, senão déspota, quem exige aos outros um contrato estável ao cabo de três anos de serviço, mas permite vinte para si e, ainda assim, os armadilha com requisitos desprezíveis? Que é, senão desprezível, a subtileza de persistir em considerar que os contratos anuais e sucessivos tenham que ser no mesmo grupo de recrutamento? Que é, senão iníquo, ardiloso e inconstitucional, deixar para trás docentes com maior antiguidade, só porque já foram vítimas de injustiças anteriores? Que é, senão inaceitável, a utilização abusiva de milhares de contratos de serviço de duração temporária, ano após ano, que violam o Direito da União Europeia (Diretiva 1999/70/CE), como, aliás, foi reconhecido pelo respectivo Tribunal de Justiça?
Desde há muito que os concursos de professores geram injustiças e criam castas, por via de sucessivas mudanças de regras, donde a ponderação da iniquidade desapareceu. Tudo indica que assim será, uma vez mais, com alguma coisa a mudar para que tudo continue na mesma, tónica aliás dominante da actual aposta na Educação. [Read more…]

«Apesar das garantias de António Costa, a factura dos lesados do BES chegará aos contribuintes»

Triunfante, o primeiro-ministro António Costa anunciou que tinha chegado a um acordo com os lesados do BES. Dizendo uma frase que tem sido muito repetida nos últimos anos: não haverá custos para os contribuintes.
Como é óbvio, haverá. E não interessa se se chama Passos Coelho ou António Costa, PS ou PSD, BCP, BES ou Banif. No fim, são sempre os contribuintes que pagam os dislates dos Bancos.
Neste caso, então, as coisas já são feitas de tal forma às claras que o Governo nem tenta esconder.
Repare-se: os lesados recebem de imediato 75% do valor que investiram no BES. E a partir daí será um tal de Fundo de Indemnizações que irá tentará recuperar em Tribunal esse dinheiro. Em Tribunal. Correndo o risco de as decisões serem desfavoráveis, de se prolongarem no tempo durante anos e de simplesmente não haver dinheiro que permita recuperar o dinheiro pago aos lesados. O Estado, claro, é o fiador e chegar-se-á frente se as coisas correrem mal. São só 268 milhões, coisa pouca.
Para defender a solução magicada pelo seu amigo, o extraordinário Diogo Lacerda Machado, o primeiro-ministro socorreu-se no Parlamento de um estudo da Universidade Católica. Curiosamente, o que esse estudo diz é precisamente o contrário: que são poucas as hipóteses de esta solução não contar para as contas do Estado e que o melhor é contar com esse dinheiro para o défice. «Apesar das garantias de António Costa, directa ou indirectamente a factura dos lesados do BES chegará aos contribuintes».
Que é como quem diz, mudam as moscas que nos governam, mas a merda, essa, continua a ser a mesma.

Que grande lata, Maria Luís

mla

Igualmente mau e insultuoso é acusar António Costa de despejar milhões do BES, caso estivesse no lugar de Passos quando o banco se desmoronou. Não que eu duvide que Costa fosse capaz, algo que já não podemos comprovar na prática, mas a simples especulação, vinda de alguém que afirmou aos portugueses, com a mesma convicção que o seu governo nos garantia que receberíamos a devolução de 35% da sobretaxa no final de 2015, que a intervenção do governo que integrou no BES não custaria um cêntimo aos contribuintes, depois dos milhões que lá enterrou, requer uma lata tremenda. Quando é para fazer estas figuras, não dará para escolher um porta-voz mais credível?

Foto@Dinheiro Vivo

A arte de subir na vida

bes

Como o indivíduo na imagem, muitos foram os que subiram na vida pela outrora farta escadaria do BES. Hoje, mil esquemas a falcatruas depois, o BES já não existe. Existe um Novo Banco, onde foram despejados quase 4000 milhões de euros dos nossos parcos impostos para limpar o rasto de porcaria que os donos disto tudo deixaram para trás, que não vê solução à vista. Um buraco, mais um, nas aspirações deste país em sair do buraco. Quanto aos tipos que subiram na vida, muitas vezes montados nas costas de políticos servis e corruptos, nada de particularmente grave lhes aconteceu. Estão todos em liberdade, vivem desafogadamente, apesar da maçada que foi passar o património para o nome da esposa ou dos filhos, e continuam a pavonear-se pelo pútrido circuito social de tias e botox, entre a ocasional caridadezinha e os fins-de-semana na Comporta, onde brincam aos pobrezinhos. Podiam estar todos presos sem um tostão furado no bolso? Podiam, mas não era a mesma coisa. O que é uma pena.