verdade = ƒ(x),  x ∈ {tempo, espaço}

A solução encontrada para o Novo Banco é questionável? Claro que é. Mas o modo como Montenegro e Cristas abordaram a questão é intelectualmente miserável e eticamente repugnante. Quanto ao grau de amnésia patenteado, trata-se já de um problema médico, pelo que não me vale uma palavra.

A oferta do BES aos americanos e a hipocrisia de António Costa

Vinha aqui escrever que o Governo ia vender o BES ao desbarato, mas António Costa conseguiu ultrapassar as minhas expectativas. Afinal, não vai vendê-lo ao desbarato. Vai simplesmente oferecê-lo a um grupo americano especializado na especulação financeira.
Como sempre, serão os contribuintes a pagar a factura através de uma garantia de 4 mil milhões . Não me interessa o nome que o primeiro-ministro lhe dá, como não me interessam os seus jogos de palavras e as suas mentiras. Em termos de hipocrisia, António Costa não é melhor do que Passos Coelho.

E quer esta senhora ser presidente da CM de Lisboa

A vida política portuguesa é insólita. Volta e meia temos um destes episódios, bizarros, que nem a maquilhagem mais espessa consegue dissimular, mas aos quais grande parte dos portugueses assistem, impávidos, como se nada fosse. Temos esta senhora, Dra. Assunção Cristas, que lidera um partido, o CDS-PP, que apesar de pequeno, tem enorme influência na banca, nos grandes escritórios de advogados e nas grandes empresas, e que dá uma entrevista ao Público onde confessa, sem grandes rodeios, que estava muito descansada de férias e recebeu um pedido urgente da ministra das Finanças. Era preciso aprovar um decreto-lei, que a senhora Cristas desconhecia por completo, e que assinou de cruz, como se nada fosse. [Read more…]

PSD em alerta: CDS entra na corrida pelo grande prémio Parvoíce do Mês

As votações estão abertas, caro leitor. Vote já na sua parvoíce favorita:

  1. A teoria da conspiração de Paula Teixeira da Cruz
  2. O tiro de caçadeira de canos serrados que Duarte Marques deu no próprio pé
  3. A negligência financeira de Assunção Cristas

Vote já e habilite-se a ganhar uma embalagem de radicalismo do amor. Limitado ao stock existente.

Imagem via Uma Página Numa Rede Social

Assinou de cruz, com a que reciclou do voto

Cristas aprovou projecto de resolução do BES sem o ler“. Cada cavadela, cada minhoca. 

Zangam-se as comadres

descobrem-se as verdades?

Porque será que tudo vai dar ao BES?

Já em 2004, quando se falou no negócio dos submarinos, aquele que teve condenados pelo pagamento de luvas na Alemanha, mas que em Portugal ninguém terá recebido, pelo que o caso acabou encerrado, o esquema teria sido feito através da Escom, que pertencia ao BES.
Sabe-se agora que cerca de 7,8 mil milhões de Euros transferidos para offshore entre 2011 e 2014, tiveram origem no BES. O próprio presidente do BES terá retirado algumas centenas de milhões de Euros nas últimas semanas. [Read more…]

Carlos Costa e a “mão humana”

Carlos Costa deu uma entrevista sobre o que podia ter, ou não ter, feito quanto ao BES. Enfim, é o rescaldo da reportagem da SIC  “Assalto ao Castelo“.


Defendeu, novamente, que o enquadramento legal de então não lhe permitia retirar a idoneidade a Ricardo Salgado. Mas teve os pareceres jurídicos dos técnicos do BdP e do jurista Pedro Maia a dizer que sim, que podia retirar a idoneidade ao presidente do BES. Argumentou, ainda, que só o poderia fazer, na altura, com sentença transitada em julgado. Mas isso não foi impedimento para que, antes, Filipe Pinhal, Christopher Beck, Tavares Moreira, João Rendeiro e Armando Vara (*)  vissem a sua idoneidade retirada e, consequentemente, fossem impedidos de exercer actividade bancária. [Read more…]

Acho bem.

Carlos Costa pede para ser ouvido para se defender de “acusações distorcidas”. Haja deputados que se preparem.

Assalto ao Castelo – Reportagem SIC sobre o colapso do BES e o papel do BdP

A SIC teve acesso a documentos vindos do “Castelo”, metáfora visual para o Banco de Portugal (BdP). Todos com o selo de confidencial, vindos directamente do departamento mais sensível do BdP, a Supervisão Micro-Prudencial.

Ao longo da reportagem, é explicado, brevemente, o passado do BES, bem como a constante promiscuidade entre o poder político e o banco. Define-se o que é a idoneidade dos banqueiros e os poderes que o BdP tem para a remover, assim implicando a demissão dos cargos.

BES - ligação política (clicar para ampliar)

BES – (alguma da) ligação política

Num desses documentos confidenciais, os técnicos do BdP afirmavam que uma “actuação tempestiva” poderia vir a ser necessária. Vários factos são apresentados para consubstanciar uma coisa simples: O Governador do BdP, Carlos Costa, soube dos riscos inerentes ao GES pelo menos nove meses antes da resolução do BES mas optou por não agir. [Read more…]

Os livros que Cavaco deixou por escrever

Mais importantes para o público em geral do que a sonolência que se abatia sobre Cavaco quando conversava com Soares no Palácio de Belém ou a falta de cavaco passado a José Sócrates para revelar, sem escrúpulos, sem um único pingo de vergonha, sem perder aquele ar de presidente-de-facção-pai-do-passos, com uma ordinarice tamanha e com uma falta (até hoje, infelizmente) de sentido de Estado e de modo de estar na vida, conversas que jamais deveriam ser reveladas com o propósito expresso e declarado de ajustar contas com o primeiro-ministro com o qual nunca conseguiu trabalhar, foram os livros que Cavaco deixou por escrever.

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Uma história de TERROR!

bes

Carlos Paz

BES / NovoBanco – Algo está PROFUNDAMENTE ERRADO!
Não pode ser SÓ incompetência. Não é possível!

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Para percebermos um pouco do que se está a passar (é impossível perceber tudo – é tão mau que não existe NENHUMA explicação plausível, aceitável, credível, etc…) vale a pena revisitarmos um pouco a história de tudo o que se passou:

A – Período BES/GES

1) Sob a direção de Ricardo Salgado, José Maria Ricciardi, José Manuel Espírito Santo, Ricardo Abecassis, Fernando Manuel Espírito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo, António Ricciardi, Pedro Mosqueira do Amaral e Amílcar Morais Pires, entre outros, o Grupo Espírito Santo (GES) fez uma gestão de tal forma desastrada de todos os seus investimentos que entrou em processo de colapso financeiro;
2) O referido colapso financeiro foi sendo escondido ao longo dos anos através de uma série de operações que drenaram os fundos do BES para o GES;
3) Este processo correu SEMPRE sem que a supervisão do Banco de Portugal (BdP), dirigida primeiro por Vitor Constâncio e depois por Carlos Costa, se apercebesse do que quer que seja daquilo que se estava a passar (desvios massivos de dinheiro do BES e dos seus Clientes para esconder os PÉSSIMOS resultados de Gestão do GES);
4) Depois de totalmente destruído o GES, o BES estava perto da falência, numa altura em que todos no mercado falavam disso (auditores, jornalistas, comentadores, etc…), MENOS o regulador/supervisor (Carlos Costa e o seu BdP);
5) Em último estertor os supracitados gestores do GES/BES, com a anuência de Carlos Costa e do BdP, promoveram um processo de aumento de capital do BES – recordemos que Banco estava tecnicamente falido, mas estava a ser protegido pela INCOMPETÊNCIA (para bem da nossa sanidade mental coletiva enquanto Nação, vamos acreditar que nessa época os atos e as decisões decorreram SÓ de pura incompetência) de regulação e supervisão do BdP;
6) Este processo de aumento de capital de um Banco que estava FALIDO teve o alto patrocínio do Banco de Portugal (de Carlos Costa), da CMVM (de Carlos Tavares), do poder político (Cavaco Silva e Maria Luis Albuquerque) e de diversos jornalistas e comentadores (como Marcelo Rebelo de Sousa, amigo e visita de casa da “família”);
7) Nesta altura Carlos Costa (e o BdP) já se tinha apercebido de indícios de Gestão Danosa no BES (em favor do GES e de amigos) mas não tinha coragem para afastar Ricardo Salgado e a sua clique da Administração do Banco – nessa altura Carlos Costa pede (e paga com o NOSSO dinheiro) diversos pareceres jurídicos para provarem que NÃO podia afastar Ricardo Salgado, tendo no entanto a maioria dos jurisconsultos consultados optado por referir que Carlos Costa, se quisesse, podia MESMO afastar Ricardo Salgado;
8) A Administração do BES apercebeu-se que já NADA seria possível fazer para salvar o Banco (BES) tendo havido alguém (ainda se espera um esclarecimento das autoridades judiciais) que promoveu uma imensa purga de fundos, numa única semana, que arruinou definitivamente o Banco;
9) Apercebendo-se tarde, demasiado tarde, do ENORME problema que tinha entre mãos, Carlos Costa afasta finalmente Ricardo Salgado que nomeia para seu substituto o seu próprio braço direito (Amilcar Morais Pires, Administrador Financeiro do BES) que estava envolvido em TODO o processo e, aparentemente (continuamos a aguardar esclarecimentos das autoridades judiciais), em TODAS as decisões;
10) O Banco entra numa espiral negativa e no final da semana fatídica da purga de fundos (nunca esclarecida pelas autoridades judiciais), Carlos Costa é finalmente obrigado a agir (o BdP já não podia continuar a fingir que não percebia o que se estava a passar);
11) Carlos Costa que tinha feito parte da equipa de Durão Barroso em Bruxelas, recorre às autoridades Europeias e promove a montagem, com o patrocínio (ou o comando, nunca o saberemos) da Comissão Europeia e do BCE, de uma operação de “resolução bancária” para o BES;
12) Convém aqui recordar que, apesar de ser este o modelo definido pela TROIKA para os problemas dos Bancos Europeus, este tipo de solução foi ensaiada no BES e NUNCA mais voltou a ser usada em lado nenhum da Europa (mesmo no BANIF em que o “nome” foi o mesmo, a operação foi muito distinta). [Read more…]

Este banco não é para novos

antero

Cavaco Silva ainda tentou avisar que isto podia correr mal, mas quem a sabia toda era o Antero. Venderam-nos uma mentira, e o país engolindo e pagando, ao sabor das contradições que se multiplicavam, quiseram fazer de nós otários, o que de resto até acabaram por fazer com assinalável distinção, ou não estivéssemos todos a pagar a engenhosa solução encontrada pelo anterior governo, com a preciosa ajuda do amigo do Banco de Portugal, anunciaram vendas, que se aproximariam de alguns milhares de milhões, sem nunca se concretizarem, e juraram a pés juntos que tal empreendimento não custaria um cêntimo aos contribuintes. Como o outro senhor que também nacionalizou um banco com a mesma promessa, um banco que acabou comprado por um outro ao qual agora preside. [Read more…]

Os lesados do BES e os lesados do ME

Santana Castilho*

Sem direito a perguntas, logo sem a maçada de dizer quem paga, quem assume as garantias e se o milagre agrava ou não as contas públicas, António Costa anunciou, em conferência de imprensa, a solução do decantado problema dos lesados do BES. Perito que é em dar boas novas e virar páginas, quando o vi numa escolinha, pronto para a mensagem de Natal, admiti, por momentos, que ia anunciar a solução para os lesados do ME. Qual quê!
Em 30 de Novembro último, o Ministério da Educação tornou pública a intenção de abrir um concurso para integrar nos quadros os docentes com um mínimo de vinte anos de serviço e cinco ou mais contratos a termo resolutivo, celebrados nos últimos seis anos. São estes e muitos outros, precários de uma vida, os lesados do ME, um ministério que vive há anos fora da lei, explorando miseravelmente quem o serve e concebendo maliciosamente soluções que iludem, sem resolver. É disto que trata a proposta, glosada com as coreografias governamentais e sindicais habituais e o pesadelo de sempre.
São duros os meus qualificativos? Que é, senão déspota, quem exige aos outros um contrato estável ao cabo de três anos de serviço, mas permite vinte para si e, ainda assim, os armadilha com requisitos desprezíveis? Que é, senão desprezível, a subtileza de persistir em considerar que os contratos anuais e sucessivos tenham que ser no mesmo grupo de recrutamento? Que é, senão iníquo, ardiloso e inconstitucional, deixar para trás docentes com maior antiguidade, só porque já foram vítimas de injustiças anteriores? Que é, senão inaceitável, a utilização abusiva de milhares de contratos de serviço de duração temporária, ano após ano, que violam o Direito da União Europeia (Diretiva 1999/70/CE), como, aliás, foi reconhecido pelo respectivo Tribunal de Justiça?
Desde há muito que os concursos de professores geram injustiças e criam castas, por via de sucessivas mudanças de regras, donde a ponderação da iniquidade desapareceu. Tudo indica que assim será, uma vez mais, com alguma coisa a mudar para que tudo continue na mesma, tónica aliás dominante da actual aposta na Educação. [Read more…]

«Apesar das garantias de António Costa, a factura dos lesados do BES chegará aos contribuintes»

Triunfante, o primeiro-ministro António Costa anunciou que tinha chegado a um acordo com os lesados do BES. Dizendo uma frase que tem sido muito repetida nos últimos anos: não haverá custos para os contribuintes.
Como é óbvio, haverá. E não interessa se se chama Passos Coelho ou António Costa, PS ou PSD, BCP, BES ou Banif. No fim, são sempre os contribuintes que pagam os dislates dos Bancos.
Neste caso, então, as coisas já são feitas de tal forma às claras que o Governo nem tenta esconder.
Repare-se: os lesados recebem de imediato 75% do valor que investiram no BES. E a partir daí será um tal de Fundo de Indemnizações que irá tentará recuperar em Tribunal esse dinheiro. Em Tribunal. Correndo o risco de as decisões serem desfavoráveis, de se prolongarem no tempo durante anos e de simplesmente não haver dinheiro que permita recuperar o dinheiro pago aos lesados. O Estado, claro, é o fiador e chegar-se-á frente se as coisas correrem mal. São só 268 milhões, coisa pouca.
Para defender a solução magicada pelo seu amigo, o extraordinário Diogo Lacerda Machado, o primeiro-ministro socorreu-se no Parlamento de um estudo da Universidade Católica. Curiosamente, o que esse estudo diz é precisamente o contrário: que são poucas as hipóteses de esta solução não contar para as contas do Estado e que o melhor é contar com esse dinheiro para o défice. «Apesar das garantias de António Costa, directa ou indirectamente a factura dos lesados do BES chegará aos contribuintes».
Que é como quem diz, mudam as moscas que nos governam, mas a merda, essa, continua a ser a mesma.

Que grande lata, Maria Luís

mla

Igualmente mau e insultuoso é acusar António Costa de despejar milhões do BES, caso estivesse no lugar de Passos quando o banco se desmoronou. Não que eu duvide que Costa fosse capaz, algo que já não podemos comprovar na prática, mas a simples especulação, vinda de alguém que afirmou aos portugueses, com a mesma convicção que o seu governo nos garantia que receberíamos a devolução de 35% da sobretaxa no final de 2015, que a intervenção do governo que integrou no BES não custaria um cêntimo aos contribuintes, depois dos milhões que lá enterrou, requer uma lata tremenda. Quando é para fazer estas figuras, não dará para escolher um porta-voz mais credível?

Foto@Dinheiro Vivo

A arte de subir na vida

bes

Como o indivíduo na imagem, muitos foram os que subiram na vida pela outrora farta escadaria do BES. Hoje, mil esquemas a falcatruas depois, o BES já não existe. Existe um Novo Banco, onde foram despejados quase 4000 milhões de euros dos nossos parcos impostos para limpar o rasto de porcaria que os donos disto tudo deixaram para trás, que não vê solução à vista. Um buraco, mais um, nas aspirações deste país em sair do buraco. Quanto aos tipos que subiram na vida, muitas vezes montados nas costas de políticos servis e corruptos, nada de particularmente grave lhes aconteceu. Estão todos em liberdade, vivem desafogadamente, apesar da maçada que foi passar o património para o nome da esposa ou dos filhos, e continuam a pavonear-se pelo pútrido circuito social de tias e botox, entre a ocasional caridadezinha e os fins-de-semana na Comporta, onde brincam aos pobrezinhos. Podiam estar todos presos sem um tostão furado no bolso? Podiam, mas não era a mesma coisa. O que é uma pena.

A reeucaliptização da banca

reucaliptização

Existem enormes paralelismos entre um eucaliptal e a banca. Desde logo, ambos secam tudo à sua volta, a água no primeiro caso, o dinheiro dos portugueses no segundo. Registam o pico de ocorrências no calor da época veraneante de Agosto, como se constata com o incêndio do BES, a 3 de Agosto de 2014, e com as labaredas à vista na CGD, a 25 de Agosto de 2016. E é quando tudo arde, na floresta e na banca, que se ouve o chamamento pelo salvamento público e se descobrem miríades de peritos com diagnósticos e soluções que, quando apenas sobram cinzas, logo caem em esquecimento. É ainda neste período de desgraça que se constata que aqueles com a responsabilidade para prevenirem a catástrofe não o fizeram, apesar dos sucessivos sinais de perigo. 
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Banco roubado, tranquinhas à porta

Lisboa, 09/05/2013 - Entrevista Dinheiro Vivo / TSF : Tudo é Economia, com Ricardo Salgado (Diana Quintela / Global Imagens)

O juíz Carlos Alexandre ordenou o arresto do saldo das contas bancárias de vários membros do gangue Espírito Santo. O objectivo é obter recursos para indemnizar os lesados pelos metralhas da Comporta

Trata-se, uma vez mais, de uma medida que peca por tardia (a esta altura do campeonato, os delinquentes já tiveram tempo de escoar uns quantos milhões para paraísos fiscais, entre outros esquemas que a máfia neoliberal todos os dias engendra para potenciar o assalto e a exploração) e, parece-me, por ser pouco ambiciosa. É que nestas coisas da bandidagem financeira, que eles são difíceis de apanhar, sempre que um banco afunda e o contribuinte é chamado a pagar, todos os responsáveis directos deviam ver imediatamente os seus bens congelados, como se faz aos terroristas internacionais, o que devia incluir bens entretanto passados para o nome da esposa, dos filhos ou do sobrinho que vive nas Caimão. Tudo. Infelizmente, vivemos num país onde este tipo de criminalidade é tolerada e até incentivada, o que leva a que gangsters como Ricardo Salgado, Oliveira e Costa ou Dias Loureiro se encontrem em liberdade e sempre em cima do último grande negócio do momento.  Impunes, a facturar, e sempre a jeito de um sentido elogio do um qualquer político desonesto.

Já agora, de que partido é mesmo aquele indivíduo que fez a defesa da prenda de 14 milhões de euros do empresário José Guilherme a Ricardo Salgado? Se calhar, só desta vez, punha-se o Calvão a funcionar.

Foto: Diana Quintela/Global Imagens@Dinheiro Vivo

Uma palmadinha na mão de Ricardo Salgado

RSCC

Ver Ricardo Salgado a ser condenado pelo Banco de Portugal a pagar uma multa de 4 milhões de euros, como pena pela venda de papel comercial do GES a clientes do BES, mostra que o ex-Dono Disto Tudo ainda é o Dono de Muita Coisa. Ricardo Salgado chegou a receber “presentes” de 14 milhões de euros, de José Guilherme. Para Salgado, 4 milhões de euros é um valor simbólico, uma mera palmadinha na mão.

A venda de papel comercial do GES, um grupo falido e que nada valia, lesou mais de duas mil pessoas, a quem o ruinoso negócio roubou um total de cerca de 500 milhões de euros. Muitas das pessoas que foram enganadas e levadas a subscrever o negócio perderam as poupanças de toda a sua vida de trabalho. Ver Salgado a livrar-se deste problema, pagando 4 milhões de euros, equivale a dizer que, efectivamente, o crime compensa.

E é nestas alturas que dá jeito ter Carlos Costa como governador da entidade que supervisionava a actividade de Ricardo Salgado e que, agora, livra o ex-banqueiro desta situação com uma multa simbólica. Apesar da sua absoluta inutilidade como regulador da actividade bancária, Carlos Costa foi sempre defendido pelo PSD, que escolheu reconduzir o Governador no cargo, enquanto durou o Governo de Direita. Aliás, não foi por acaso que o jurista que saiu em defesa de Salgado, no caso do “presente” de 14 milhões de euros, foi João Calvão da Silva, o homem que Passos Coelho escolheu para Ministro da Administração Interna, após as Legislativas de 2015.

Entretanto, os lesados do BES poderão vir a perder cerca de metade de todo o dinheiro que perderam com a compra do papel comercial do GES, o que, para muitas famílias, poderá ser ruinoso. Quanto a Ricardo Salgado, apesar da multa simbólica, a defesa do ex-líder do BES já anunciou que irá recorrer da sentença aplicada pelo BdP. Na prática, isto significa que há fortes probabilidades de que a multa de 4 milhões de euros será reduzida para um valor bem inferior.

Dá que pensar, não dá?

Via Uma Página Numa Rede Social

BES, Banif e a inutilidade do Banco de Portugal

Banksters

A banca portuguesa é sempre sólida e generosa com os seus administradores e accionistas até ao dia em que a bolha rebenta e os comuns mortais são chamados para a resgatar dela própria, sem que nunca se encontrem culpados ou se confisque o resultado da pilhagem da mafia bancária. Eles comem tudo, não deixam nada e ainda ficamos nós sem nada que comer. [Read more…]

O que esconde Carlos Costa?

CCBdP

O governador do Banco de Portugal (BdP) insiste em não disponibilizar um conjunto de documentos solicitados pelos deputados no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso Banif, que inclui o já célebre e aparentemente secretíssimo relatório do Boston Consulting Group sobre as falhas na actuação do BdP no caso da queda do BES. O BdP argumenta tratar-se de um documento sigiloso, ao qual só o próprio BdP poderá ter acesso, obstruindo desta forma o apuramento da verdade sobre mais uma catástrofe bancária que os contribuintes, representados pelo Parlamento, pagaram e continuam a pagar. Não nos estão a contar a história toda. O que esconde Carlos Costa?

Porque é que Passos defende Carlos Costa?

carlos costa

Carlos Costa não aceita ser confrontado com as suas decisões. Não aceita que lhe perguntem diretamente se os 700 milhões de euros que obrigou o BES a constituir para salvaguardar as aplicações que muitos investidores fizeram em papel comercial do GES não queriam exatamente significar que essas aplicações estavam salvaguardadas. Não aceita que lhe perguntem porque é que, sabendo o que se estava a passar no GES, guardou durante largos meses essa informação para si, sem a partilhar com a CMVM. Não aceita que lhe perguntem se concordou com a estratégia de Vítor Bento para o Novo Banco (recuperá-lo num prazo de três a cinco anos) ou se pura e simplesmente mudou de repente de opinião e decidiu que o banco tinha de ser vendido em seis meses. Não aceita que lhe perguntem se essa sua mudança de opinião não teve a ver com o interesse do Governo PSD/CDS em encerrar o dossiê antes das eleições de 4 de outubro de 2015. Não aceita que lhe perguntem como é que havia 17 interessados no Novo Banco e depois apenas três e depois a venda falhou de forma clamorosa. Não aceita que lhe perguntem porque passou três emissões de dívida sénior do Novo Banco para o BES “mau” em vez de fazer um corte igual de 16% para todas as emissões. Não aceita que lhe perguntem como foi possível o caso do Banif ter chegado ao beco sem saída a que chegou. Não aceita que lhe perguntem o que fez o Banco de Portugal perante as oito propostas de resolver o problema que foram entregues em Bruxelas, todas chumbadas. Não aceita que lhe perguntem porque pagou 300 mil euros à BCG para avaliar a atuação do supervisor no caso BES e agora se recusa terminantemente a divulgar as conclusões do relatório. E não aceita que lhe perguntem como não foi ele a impedir a venda de uma sucursal do Novo Banco em Cabo Verde a uma empresa ligada a José Veiga (só o fez agora) e sim o Ministério Público, que ordenou a detenção do empresário quando o negócio estava prestes a ser assinado. [Nicolau Santos,  Expresso Diário, 18/02/2016]

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Novo Banco reestrutura dívida a amigo de Ricardo Salgado

NB

Há reestruturações de dívida e reestruturações de dívida. Se a dívida a reestruturar for, por exemplo, a de uma nação como Portugal, imediatamente se eleva um coro de moralistas liberais e conservadores que protesta com veemência, ora por se tratar de uma irresponsabilidade, ora porque se trata de um mau sinal para os investidores, ora porque as dívidas são para pagar porque os devedores devem ser indivíduos de palavra e os credores não lhes pediram que se endividassem. Mesmo quando o próprio FMI afirma que a dívida de uma nação como Portugal devia ter sido reestruturada por ser insustentável. [Read more…]

O supra-sumo dos Ricardos Salgados

Najib-Razak

Lembra-se da prenda de 14 milhões euros que José Guilherme – aquele empresário que nos deve 121 milhões de euros via BES e que escapou à comissão de inquérito ao banco, alegando problemas de saúde que o impediam de viajar para Lisboa, excepto no caso de precisar de cortar o cabelo – deu a Ricardo Salgado, e que tanto trabalhou deu ao ex-ministro a prazo do PàF para explicar? Coisa de pobre. O primeiro-ministro da Malásia recebeu uma prenda de 681 milhões de dólares – sim, leu bem – do regime totalitário saudita mas, ao contrário do amigalhaço do recém-eleito presidente da República, não tentou esconder o motivo da oferenda: servia para ajudar Najib Razak a ganhar as eleições deste ano. Servia porque aparentemente foram devolvidos 620 milhões. Só não se sabe o que aconteceu aos restantes 61. Mas não se passa nada. O procurador-geral da Malásia, nomeado por Razak, já decidiu que não existe ali qualquer indício de criminalidade. Mais ou menos o que se passa por cá.

A revolução bolivariana chega ao Banco de Portugal

PPC CC

Durante meses, os profetas da desgraça leais ao anterior governo anunciavam a catástrofe que adviria de um governo de esquerda. Após as eleições, e principalmente depois da implementação da solução encontrada à esquerda, os mesmos catastrofistas hastearam a bandeira do caos que se instalaria na economia portuguesa, que para sua enorme tristeza tardava e tarda em chegar. Nem a queda do BANIF, que o anterior governo se esforçou por mascarar e adiar para que o inevitável não prejudicasse o resultado eleitoral, teve o impacto esperado nos juros da dívida. [Read more…]

Da intocável elite caloteira

BPN

Escreve Nicolau Santos, no Expresso Diário de 28 de Dezembro:

Perguntam os meus colegas: «Sabe quem é Emídio Catum? É um desses empresários da construção, que estava na lista de créditos do BES com empresas que entretanto faliram. Curiosamente, Catum estava também na lista dos maiores devedores ao BPN, com empresas de construção e imobiliário que também faliram». E como atuava Catum? «O padrão é o mesmo: empresas pedem crédito, não o pagam, vão à falência, têm administradores judiciais, não pagam nem têm mais ativos para pagar, o prejuízo fica no banco, o banco é intervencionado, o prejuízo passa para o Estado». Simples, não é, caro leitor?

A pergunta que se segue é: e o tal de Catum está preso? Não, claro que não. E assim, de Catum em Catum, ficámos nós que pagamos impostos com uma enorme dívida para pagar que um dia destes vai levar o Governo a aumentar de novo os impostos ou a cortar salários ou a baixar prestações sociais. Mas se fosse só o Catum… Infelizmente, não. Até as empresas de Luís Filipe Vieira deixaram uma dívida de 17 milhões do BPN à Parvalorem, do Estado, e tinham ainda por pagar 600 milhões de crédito do BES. O ex-líder da bancada parlamentar do PSD, Duarte Lima, deixou perdas tanto no Novo Banco como no BPN. Arlindo Carvalho, ex-ministro cavaquista, também está acusado por ilícitos relacionados com crédito concedido pelo BPN para compra de terrenos. E um dos homens fortes do cavaquismo, Dias Loureiro é arguido desde 2009 por compras de empresas em Porto Rico e Marrocos, suspeita de crimes fiscais e burlas. Mas seis anos depois, o Ministério Público ainda não acusou Dias Loureiro, nem o processo foi arquivado.

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Refletindo sobre o Banif e BES. Mais perguntas.

A propósito do artigo “Porque não um bail-in?“, gostaria de deixar mais algumas perguntas e reflexões suplementares, nomeadamente, sobre o impacto que tudo isto pode vir a ter – com elevada probabilidade – no contribuinte, na imagem e confiança em Portugal, e no nosso futuro a médio e longo prazo. Eu gosto de fazer perguntas e procurar respostas. Isso é saudável, recomendo mesmo que todos o façam, pois isso pode ajudar a evitar calafrios futuros e faturas surpresa gigantescas para pagar pelo contribuinte.

A verdade é que alguns meses depois da resolução do BES – feita a 3 de Agosto de 2014 -, o Banco de Portugal vem agora assumir que não foi eficaz na capitalização do Novo Banco, isto é, fez mal as contas. Na decisão de ontem e em complemento da resolução do BES, o Banco de Portugal alterou a decisão original (diz agora que faz um complemento) e reclassificou a dívida sénior passando-a do Novo Banco para o BES (Banco Mau). Com isso resolve problemas atuais de balanço, reduzindo o passivo em 1985 milhões de euros, antecipando de forma parcial a nova Diretiva Europeia de bail-in e contrariando as decisões de 3 de Agosto de 2014. Ora, parece evidente que no caso do Banif – onde se faz um intervenção com dinheiro dos contribuintes e de investidores – e agora do Novo Banco – recorrendo somente a investidores -, o Banco de Portugal não quis que ficassem sobre a alçada da nova diretiva Europeia de bail-in (entra em vigor no dia 1 de Janeiro de 2016). Porquê?

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Piratas e Marcelos, Velhos e Novos: a sustentabilidade que nos vendem e o mundo real

RS MRS

Corria o ano da graça de 2013. Em Setembro, o Jornal de Negócios noticiava a entrada do BES no índice mundial de sustentabilidade do Dow Jones, integrando assim um restrito grupo de 23 instituições bancárias de topo. A classificação obtida pelo banco liderado por Ricardo Salgado, 85 pontos, suplantava a média (58 pontos) e fixava-se pouco abaixo da classificação líder mundial, com 93 pontos. Cinco meses depois, em Fevereiro de 2014, o BES apresentava prejuízos na ordem dos 518 milhões de euros. Em Julho do mesmo ano, o prejuízo encontrava-se já na casa dos 3570 milhões de euros*. Em Agosto passado, segundo o Expresso, os prejuízos do banco ascendiam já a 9 mil milhões de euros e a factura continua a aumentar. Mas isso não será novidade para o caro leitor. Até porque a factura está a sair do seu bolso. Por muito que lhe tentem vender o embuste da intervenção lucrativa ou o tentem fazer de otário. Resta saber quem são os piratas que elaboram estes índices. Valem tanto como a palavra do ex-primeiro-ministro. [Read more…]

Cavaco, a referência

Não é novidade, mas não é demais avivar a memória, via um oportuno trabalho de confrontação.

Eis o homem, que se auto-retratou como pertencendo à boa moeda, a activamente ludibriar os portugueses e, depois, a negar, tal Judas. Atente-se no ar crispado de quem não aceita ser confrontado. Diz que a jornalista está a mentir (não estava), quando é ele próprio que cai em mentira.

Aqui está o político das duas maiorias absolutas e das duas presidências . Sem dúvida que os portugueses lhe deram sucessivamente o poder, erro que felizmente nunca cometi – haja memória.

Cavaco, o político que sempre fez questão de se posicionar como não-político, num antítese de si mesmo, ficará na história, essa que ele procurou que lhe fosse dócil, como a referência da mesquinhez, o Presidente do seu umbigo.