José Guilherme, o amigo 14 milhões de Ricardo Salgado

quer “licenciar megacentral solar no Alentejo“. Se for tão eficaz como daquela vez em que se esquivou à CPI do BES, ao MP e ao DIAP, sem que isso afectasse a marcação no barbeiro, tem tudo para correr bem.

Sentido de Estado e a memória curta da direita: o caso do irrevogável Paulo Portas

Agora que o chumbo está consumado, e voltando ao spin dos últimos dias, a propósito das críticas que foram sendo feitas à postura do BE e do PCP, esses bandalhos que estavam a enganar o país com uma encenação desavergonhada, confortavelmente instalados no bolso das moedas de António Costa, e que acabariam por vender o seu voto e a sua integridade por cinco tostões, mas que lá se juntaram aos seus detractores para sepultar o que restava da Geringonça – paz à sua alma! – vamos lá viajar até 2013. E vamos de submarino.

Aquando da demissão de Paulo Portas – que era irrevogável, assumia o próprio em comunicado – o país mergulhou numa crise política que significou um aumento de 8% dos juros da dívida pública, qualquer coisa como 2,3 mil milhões de euros. Foi este o preço da birra do último governo de direita: 2,3 mil milhões de euros. Acontece que as convicções de Portas, mais a irrevogabilidade da sua demissão, tinham, também elas, um preço, que Passos Coelho decidiu pagar: promoveu Portas e vice-primeiro-ministro e cedeu mais um ministério ao CDS-PP, desta feita o da Economia, com a pasta a ser entregue a Pires de Lima. E o irrevogável deixou de o ser.

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Ricardo Salgado e a ala psiquiátrica de Caxias

Irmgard Furchner, uma alemã de 96 anos que, aos 18, era secretária no campo de concentração de Stutthof, começou esta semana a ser julgada por alegadamente ter contribuído para a morte de 11412 vítimas da barbárie nazi. Atrás da secretária.

Furchner não é a primeira nonagenária a ser chamada pela justiça alemã, pese embora as dúvidas sobre o seu envolvimento directo naquelas mortes. Tinha 18 anos, estava, como a maior parte dos alemães daquele tempo, brainwashed pela propaganda nazi, cumpria as ordens – administrativas – que lhe eram impostas e é pouco provável que tenha disparado algum tiro ou ligado as câmaras de gás. Apesar de tudo isto, a justiça alemã não teve dúvidas nem vacilou. A justiça é para cumprir e os alemães não brincam. Talvez isso ajude a explicar muita coisa.

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BES, Odebrecht e Venezuela: uma história de poliamor

Vocês não adoram quando o capitalismo selvagem e o autoritarismo assassino dão as mãos e saltitam juntos, pelo prado fora, por entre flores e borboletas? Não sei quanto a vós, mas eu fico sempre de coração cheio, quase a transbordar. O Salgado a servir de muleta para a Odebrecht subornar um ministro do Maduro é um romance à moda antiga, apesar do potencial para se transformar num threesome. E não façam de conta que não sabem o que é um threesome, ok?

Temos os Ricardos Salgados que merecemos

Ricardo Salgado é a ilustração perfeita da casta de parasitas que o sistema capitalista criou em Portugal. Uma casta que abusa tanto quanto lhe permite a regulação, fraca ou inexistente, combinada com uma classe política tendencialmente servil e corrupta, como aquela que PS e PSD nos vêm oferecendo há 40 e pico anos, juntamente com uma justiça ineficiente, não por falta de competência dos seus operacionais, mas por manifesta falta de recursos para bater de frente contra o milhões que os Salgados nos sacam para pagar os melhores advogados, dos melhores escritórios, quase sempre em Lisboa, inevitavelmente ligados a PSD e PS, todos juntos a rodar na porta giratória. Bancos, escritórios de advogados, uma série de empresas e empresários que empreendem através da aquisição de deputados e autarcas, e um bloco central de moços de recados que ninguém escrutina nem quer escrutinar. Porque não têm como, porque não têm tempo, porque não têm recursos, porque têm medo, porque foram comprados, porque são idiotas úteis. Não há volta a dar: ou percebemos, de uma vez por todas, que isto só lá vai com uma sociedade civil educada, informada, mobilizada e organizada para combater este lamaçal, capaz de regular devidamente o sistema, ou ver Salgado na Sardenha de férias, depois de há duas ou três semanas não ter comparecido no tribunal devido à sua saúde debilitada, será o menor dos insultos a que seremos sujeitos. Pior: será um insulto merecido. Uma sociedade que se permite ser roubada e enganada de forma tão descarada, está mesmo a pedi-las.

Quem tudo quer, tudo Sardenha

Imagem do JN

A displicência com que o capitalista-mor, ou Rei Sol-Salgado do Reino Lusitano, “descansa” na Sardenha devia revoltar cada um de nós. 

Depois de ter sido dispensado de estar presente em tribunal, face às circunstâncias da pandemia de covid-19, Ricardo Salgado foi visto a passear, calma e pacientemente, vestido com o seu linho principesco e de pochete na mão, ao lado da sua presumível esposa, na boa, velha e barata ilha da Sardenha. Como é óbvio e presumível, viajaram em segunda classe, sendo que chegados a Itália ficaram hospedados num radical hostel, partilhando um beliche num quarto com mais oito pessoas, em regime de meia-pensão.

É até curioso – caso de estudo, quem sabe, mas deixo para a Ciência resolver – a capacidade que um pobre e humilde homem tem de pôr de lado a sua “idade avançada”, a qual o impede de comparecer em tribunal (a quarenta quilómetros de sua casa), para, no fim do mês de Julho – como toda a plebe – ir de férias para a Sardenha. Já pensamos todos no que este pobre homem sofre? [Read more…]

Do Pontapé na Boca*

Primeiro foi o apoio de Jorge Nuno Pinto da Costa a Ana Gomes (eleições presidenciais). Depois foi o editorial no Porto Canal sobre Adão e Silva. Por fim, o editorial sobre Daniel Oliveira. O FC Porto Institucional é, hoje, a principal oposição a António Costa e ao seu governo. Nem Rio (ainda está vivo?) nem a IL, CDS ou Chega se aproximam. Já o PCP e o BE não podem. E o PR depende dos dias. Sem esquecer as declarações de Jorge Nuno Pinto da Costa sobre António Costa: “Se não os consegue demitir, demita-se”.

O que leva o FC Porto Institucional a seguir este caminho? A crise que se abateu sobre o Futebol por causa da pandemia? A falta de apoio de instituições públicas? Os apoios de Costa a Luís Filipe Vieira? A tripla BES-BPN-LFV? Tudo isto por junto ou atacado? Não sei. O que sei é que, uma vez mais, está o FC Porto Institucional a desempenhar o papel que caberia a outros. Só que “esses outros” estão em hibernação. Para mal da democracia. Já foi assim no momento em que o Porto Canal precisava do apoio das Instituições (privadas) da região e nada. Teve de ser o FC Porto a salvar o canal de uma morte anunciada. O mundo está estranho…

 

*Expressão gentilmente palmada ao João Mendes

Conversas vadias 16

A décima sexta edição destas “Conversas vadias” rondou: Reino Unido, Lista Verde, pandemia, Portugal, turismo, Champions, tio Joaquim, Lisboa, Porto, PSP, traduções, SIC Notícias, vacinas, EUA, Bélgica, Regionalização, poder local, história, ciência, José Gomes Ferreira, teses, conspirações, BES, Sérgio Conceição, China, Tiananmen, homenagens, Benfica, Jorge Jesus, pandemia, “pandumia”, planetas, Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, censura, Iniciativa Liberal, controlo de informação, liberdade, internet, e as recomendações dos vadios a não perder.

E quem foram os vadios? Foram António Fernando Nabais, Carlos Araújo Alves, Francisco Miguel Valada, João Mendes, José Mário Teixeira e Orlando de Sousa. Mais a ausência especial de Fernando Moreira de Sá, que está à espera que chova para regressar ao meio de nós (ámen).

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Conversas vadias 16







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Cinco tostões sobre a passagem do inimputável Luís Filipe Vieira pela comissão de inquérito ao Novo Banco

Foto: António Cotrim@Expresso

Na semana passada, Luís Filipe Vieira deu o ar da sua imensa graça na comissão de inquérito ao Novo Banco. Sobre a sua passagem por aquele show de variedades, já tudo foi dito, escrito e esmiuçado. Não obstante, aqui ficam cinco tostões sobre o que vi e que a equipa do Isto é Gozar com Quem Trabalha fez o favor de esmiuçar:

  1. Sem surpresas, Vieira apresentou-se amnésico, fanfarrão e não hesitou no momento de puxar pela cartada Benfica para se vitimizar. Esta comissão de inquérito, que corre o risco de resultar em rigorosamente nada, é um hino à impunidade e a uma certa reverência por fatos caros, status social e nomes de família pomposos, outrora amplamente elogiados pela imprensa económica, hoje convertidos em socialistas, uma vez caídos em desgraça. Tirando Cecília Meireles, o puxão de orelhas de Fernando Negrão a Luís Filipe Vieira e a habitual MVP nestas andanças, Mariana Mortágua, o cenário não inspira. Cotrim de Figueiredo esteve particularmente infeliz. [Read more…]

É tudo muito liberal, mas…

… quando o assunto é o capital, a coisa muda de figura.

A prestação do deputado João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, durante a sessão de inquérito de ontem, em que foi ouvido Luís Filipe Vieira, para mim não foi uma desilusão. Porquanto, só se desilude quem iludido está.

Antes, foi uma confirmação do que eu penso da Iniciativa Liberal: “vinho novo em odres velhos”.

Por isso, quanto ao que aconteceu ontem na audição parlamentar de Luís Filipe Vieira a instâncias de João Cotrim Figueiredo, eu até poderei ser suspeito para falar do deputado da Iniciativa Liberal.

Mas, o nosso Fernando Moreira de Sá, não

Aquela tentativa, a que o nosso Francisco Salvador Figueiredo chama de momento de humor, por parte de João Cotrim Figueiredo, ao dizer “Nesta segunda ronda vou aproveitar para fazer a segunda pergunta que os portugueses mais querem saber, sendo que obviamente a primeira é saber como é que se gasta 100 milhões numa época e se fica em terceiro“, foi infeliz, mas propositada.

Enquanto português, por mim, o Benfica até pode gastar 500 milhões e ficar em último: desde que nenhum desse dinheiro saia do meu bolso ou do Orçamento do Estado, é-me totalmente indiferente.

Falo por mim, sabendo que falo, também, o que muitos outros portugueses pensam. Incluindo liberais, que defendem que tal matéria diz respeito aos privados e não ao Estado.

A questão é que com essa espécie de humor, João Cotrim Figueiredo acabou por brincar numa audição de uma comissão de inquérito, que visa, também, apurar quem e como enriqueceu à custa do empobrecimento de um povo. E, quando a Iniciativa Liberal, tanto apregoa moralismo sobre como se gasta ou deve gastar o dinheiro público.

Então, qual foi o propósito de  João Cotrim Figueiredo, ao brincar com um assunto grave e num momento sério, e que deveria ser caro à Iniciativa Liberal?

Não tenhamos ilusões: para conseguir mais um “soundbite”.

Porque, no fim de contas, é a isso que a Iniciativa Liberal se resume: cartazes e “soundbites”.

Mas, não pode brincar com coisas sérias? [Read more…]

A inveja entre calimeros

“Outros andam aí a passear com iates e aviões privados”. Isto dito por alguém que para ir ao Brasil buscar treinadores freta um jacto privado….

Luis Filipe Vieira, Promovalor e BES entram num bar….

Resumo dos primeiros minutos da ida de Luis Filipe Vieira (dono da Promovalor e presidente do Benfica) à Assembleia da República (caso devedores do BES):

“Foi o BES. Não me lembro. Foi a pandemia. Não sei. Foi o BES. Foi a crise de 2011. Não me lembro. Do Brasil é com o meu sócio. Não conheço. O meu sócio é que os conhece. Não temos conhecimento de nada disso. Se quiserem enviem as perguntas por escrito”. É isto. A culpa vai ser do motorista.

É o Novo Banco, estúpido!

Entretanto, no Novo Banco, regista-se novo prejuízo, na casa dos 1300 milhões de euros e, paralelamente, distribuem-se 2 milhões em prémios pela equipa de gestão, premiando assim o excelente desempenho a acumular péssimos resultados, perante o silêncio sepulcral de um governo alegadamente de esquerda. Depois aparece um palerma qualquer, esbaforido, a arrancar cabelos e a gritar que a culpa é do socialismo, do Marx e da Venezuela, e que a solução é o Ventura. É mais ou menos neste ponto que estamos.

PQP – O depoimento de Pedro Queiroz Pereira

A capa da Sábado de hoje mereceu um silêncio ensurdecedor. Não só das televisões como também nas redes sociais. A excepção, pelo menos na minha timeline, foi o Rui Calafate. Como ele refere, “Eu não ponho em causa a idoneidade de Marcelo, mas se fosse qualquer outro envolvido, e eu não gosto de dois pesos e duas medidas, já o tribunal popular o carimbava de corrupto”.

Segundo o testemunho de Pedro Queiroz Pereira (conhecido como PêQêPê), Ricardo Salgado (BES) supostamente teria “comprado” Marcelo Rebelo de Sousa contratando a sua namorada: O dr. Ricardo Salgado pegou no departamento jurídico do Grupo Espírito Santo e mandou entregar trabalho de cobranças à dra. Rita Amaral Cabral”, descreveu Queiroz Pereira, no depoimento citado pela Sábado. “Se for ao escritório da dra. Rita Amaral Cabral, verá que mais de metade, 60%, do trabalho era o BES que lho dava, o que era uma forma de comprar o professor Marcelo Rebelo de Sousa”

É uma acusação grave. Que se torna ainda mais grave quando estamos a falar do actual Presidente da República. E no meio de todo este turbilhão judicial, é mais uma machadada na imagem da justiça e da política portuguesa. Exige-se o cabal esclarecimento. Se é verdade que Marcelo Rebelo de Sousa o merece, os portugueses e aqueles que, como eu, sempre acreditaram na sua seriedade, ainda mais. O silêncio, nesta matéria, é absolutamente ensurdecedor.

Próximo dia 25 de Abril: É dia da Revolta!

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A parida ínfima formiga

José Oliveira

Hoje cumpriu-se um dos dias mais negros da justiça lusa. O Juiz Ivo Rosa, durante horas demoliu paciente e rigorosamente a maior parte da montagem dos actos acusatórios da Operação Marquês, explicando em detalhe o que estava mal, o que havia prescrito e porquê, a invalidade das provas, a improcedência das acusações, o vazio de muitos crimes imputados, a ausência de sustentação do argumentário do Min. Público, enfim, a demonstração cabal de que a montanha (os muitos anos de instrução do processo) não pariu sequer um rato, nem um ratinho, mas antes uma ínfima formiga.

Os arguidos devem estar a dar pulos de contentes.

A conclusão que se impõe parece óbvia. Os agentes do Min. Público não percebem nada de instrução processual, não sabem validar provas, não conhecem as molduras legais e mostram-se completamente incompetentes para construir uma acusação com pés e cabeça.

É uma verdadeira vergonha que a justiça tenha de mandar “em paz” os bandidos porque quem de direito não soube ou não foi capaz ou não quis elaborar um processo segundo as regras.

A pergunta final não pode ser evitada: o que é que esses caramelos andam por lá fazer? Não há ninguém que os ponha na ordem?

Ainda lhe vamos pagar uma indemnização

A imagem é de 2009, numa paródia minha ao livro de Eduarda Maio “Sócrates: O Menino de Ouro do PS”.

E não o é mesmo? Hoje conseguiu o seu maior feito político. Demonstrar que em Portugal a Justiça é uma ilusão. E que esta é o grande problema do País onde nunca a classe política verdadeiramente mexeu.

É a negação da Justiça que permite a existência dos BPNs, BANIFs e BES. Ou a chico-espertice de um artigo mudar precisamente quando a EDP se preparava para vender as barragens. Ou todos os truques autárquicos que caem em saco roto. Isto só para ilustrar alguns temas da política. Porque a Justiça não é só um problema na política. É-o no dia-a-dia, quando cada um de nós tem algo para resolver e tem que ponderar se o custo e duração do processo tal justifica.

Agora, vá preparando o seu bolso. Depois do julgamento na praça pública, com direito a prisão em directo, este nado-morto em forma de acusação não irá morrer hoje. Tivessem vergonha na cara e hoje haveria muita gente a se demitir.

O resto já o disse certeiramente Fernando Moreira de Sá.

Portugal morreu. RIP.

Podem dizer o que quiserem. Podem correr e saltar. Gritar e esbracejar. Rir ou chorar. Não vale a pena. Se o Juiz Ivo Rosa está certo, a justiça está podre. Se o Juiz Ivo Rosa está errado, a justiça está igualmente podre. Porquê? Simples:

Se o juiz Ivo Rosa estiver certo nos fundamentos da sua sentença, escusam de vir dizer que temos um Ministério Público incompetente, uma Policia Judiciária azelha e um Juiz Carlos Alexandre que é uma marionete. Não. O que ali está é muito pior. É uma manipulação para decapitar um antigo Primeiro Ministro, o seu partido, o maior banco privada à época. Foi uma tentativa de Golpe de Estado. É um país podre onde só nos resta partir para a desobediência civil e a luta armada para depor toda esta corja.

Se o juiz Ivo Rosa estiver a manipular os factos, então a gravidade não é menor. Estamos perante uma justiça corrompida nos seus alicerces. Estamos perante a prova provada que existe uma justiça para os poderosos e outra, totalmente diferente, para os restantes portugueses. É a total podridão e só nos resta seguir o mesmo caminho: desobediência civil e luta armada.

Como não acredito em nada e muito menos na capacidade dos portugueses se revoltarem para lá do fora de jogo mal assinalado, só resta enviar as mais sentidas condolências perante o anúncio de que Portugal morreu. Agora, só vos resta continuar a pagar. Seja impostos, multa por estar dentro do carro a comer uma sandes, taxas e taxinhas e os salários de toda esta malta que vive no Estado e do Estado. E agora, se não se importam, vou ali ver os Donos da Bola que já bastou passar o dia todo a ver os Donos Disto Tudo a rir. Rir a bom rir de todos nós, os pacóvios.

Rest in Peace.

Então e a lista de jornalistas prometida?

No meio de toda esta pandemia não se consegue estar atento a todas as notícias. Por isso deixo a pergunta: o Expresso já publicou a famosa lista de jornalistas avençados do BES? É para um amigo…

Obrigado, Cavaco!

Na capa do DN desta semana, o homem que foi financiado várias vezes pelos Espírito Santo, e que, talvez por isso, nos assegurava, a poucos dias do início da derrocada, que o BES estava sólido, posa em frente ao seu elefante branco, que derrapou qualquer coisa como 500%, não se aproximando, ainda assim, do assalto que alguns criminosos seus amigos protagonizaram via BPN, com o qual Cavaco fez bom dinheiro através da compra e venda de acções. Se Portugal é lanterna vermelha do Euro, não podemos deixar de lhe agradecer o inestimável contributo.

À custa das nossas possibilidades

NB

Ricardo Araújo Pereira sintetizou o embuste na perfeição, numa das últimas edições do Governo Sombra: imaginem que eu tenho um quilo de maçãs, que me custou 2€, e vendo-o a uma pessoa, que eu não sei quem é, por 1€. E essa pessoa diz-me assim “tens 1€ que me emprestes?”, para me pagar o euro. Eu empresto, e depois peço ao fundo de resolução o euro que falta.

Não, não é nada estranho. Acontece todos os dias, em todo o lado onde o capitalismo é quem mais ordena. Desta vez soube-se, porque, convenhamos, o Novo Banco é um banco em decadência, desde a sua criação, e há muito dinheiro dos cofres públicos que se perdeu por lá, para não falar no Salgado, no Sócrates e nos restantes indivíduos que pilharam o GES, depois do GES ter pilhado meio mundo. E quando estamos a falar de pessoas e entidades caídas em desgraça, a coragem dos holofotes mediáticos tende a aumenta substancialmente. [Read more…]

Um sapo para o Chega

CH

Eis o sapo que os adeptos do Chega se preparam para engolir, após terem lido a reportagem da Visão e descoberto que o seu herói anti-sistema e anti-elite se reúne com o sistema no nada elitista Hotel Palácio, no Estoril, de onde regressa cheio de dinheiro e apoios de banqueiros e empresários do sistema, alguns deles com passado ligado a instituições tão nobres como o BES.

Chega de quê?

Universo Espírito Santo – Acusação

Balcão do Banco Espírito Santo na Rua Augusta, Lisboa (2014).

Balcão do Banco Espírito Santo na Rua Augusta, Lisboa (2014)

A 14 de Julho foi tornada pública a acusação do “Caso BES”. A imprensa tem vindo a debitar partes desta acusação ao longo dos últimos dias. No entanto este é um documento importante para referência futura. Penso, por isso, que deve estar disponível na integra, livre para ser estudado e interpretado por todos, agora e no futuro.

Pode fazer o download na ligação seguinte:


2020-07-14 Despacho de Acusação BES

Obrigado, Pedro

Foram dezenas de anos, centenas de governantes, milhões e milhões e milhões de euros nossos. Todos lhe disseram que sim. Até aparecer alguém. Alguém para quem integridade não era uma palavra vã. Alguém para quem o interesse nacional era a única razão da sua magistratura. Obrigado Pedro Passos Coelho.

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A porta rotativa nunca mais será a mesma

A julgar como certas a informações divulgadas pela imprensa portuguesa, Ricardo Salgado terá escrito um livro de memórias, durante o confinamento de luxo que viveu durante estes seis anos, durante os quais decorreram os vários processos que o visam directamente. Estou expectante, e até disposto a desembolsar mais alguns euros, para ler a vingança do banqueiro. E imagino a quantidade de políticos a quem não deve caber um feijão, perante a possibilidade de verem as suas traquinices público-privadas expostas em praça pública. A porta rotativa nunca mais será a mesma.

Cavaco Silva deve uma explicação ao país. Sem bolo-rei na boca

CSRS

Já era conhecido o papel determinante de Ricardo Salgado e de outros aristocratas da família, nas duas eleições ganhas por Cavaco Silva para a presidência da República, na qualidade de principais patrocinadores das campanhas eleitorais do político mais político da história da política portuguesa. Já é longa, a relação que une Cavaco e Salgado.

Hoje ficamos a saber que esse financiamento, pelo menos no que à eleição de 2011 diz respeito, terá sido canalizado através da ES Enterprises, também conhecido como saco azul do GES, sediado nas paradisíacas e fiscalmente evasivas Ilhas Virgens Britânicas. Compreendem-se agora um pouco melhor as declarações de Cavaco, na antecâmara da queda do império Espírito Santo, quando assegurava que os portugueses podiam confiar no BES. Cavaco não tinha razão de queixa. [Read more…]

Rui Pinto: Os próximos leaks


Não faltará muito para os próximos leaks virem a público: Vistos Gold, Escom, BES…
Claro que não servirão para nada. Tudo obtido ilegalmente. Tudo obra de um criminoso que rouba e trunca. Tudo para guardar na gaveta.
Os poderosos não devem ser incomodados…
Matem o mensageiro, ele é o culpado. O resto não interessa. Roubaram milhões e continuam em liberdade? Mataram? Violaram e ameaçaram de morte?
Tudo coisas de somenos. De pouca importância. Pedir dinheiro em troca de silêncio a uma sociedade mafiosa sediada em Malta, isso sim, é muito mais grave do que matar, violar, roubar milhões.
Prisão preventiva.
Prisão perpétua.
Pena de morte.
Quando o Rui Pinto acordar enforcado na prisão, dirão que foi suicídio. E aí sim, o país poderá dormir descansado. Todos os seus males terão sido expurgados. Os portugueses dormirão em paz.

Carlos Costa está a receber acima das suas possibilidades, não está?

GV

via Expresso

O BES, o banco mau e o banco bom que daí resultaram, o Banif, o periclitante Montepio, os sucessivos buracos e empréstimos estratosféricos concedidos pela CGD aos Berardos desta vida, não raras vezes sem contrapartidas. Carlos Costa está há quase 10 anos à frente do Banco de Portugal, que supostamente deveria regular o sistema bancário, e as tragédias sucedem-se. É caso para dizer que poderá estar a receber acima das suas possibilidades. E das possibilidades do país.

Chamem-lhe populismo, mas não é nada fácil justificar os 16,9 mil euros mensais que este senhor aufere. Até porque a regulação bancária, como se tem visto, é anedota nacional. E o papel do Banco de Portugal, em particular no caso BES, foi absolutamente irresponsável, a roçar o criminoso. Depois admirem-se que o discurso dos venturas pega. Ninguém, pelo menos no mundo real e face às circunstâncias conhecidas, compreende um salário destes.

*****

P.S: A imprensa nacional destaca o facto de Carlos Costa não ter sido aumentado, depois de três anos consecutivos de aumentos salariais. Eu, no lugar dele, entrava em greve por melhores condições laborais.

O sigilo bancário

Vox populi dixit, roubas um tostão e és um ladrão, roubas um milhão e és um sabichão. Inventei isto agora mas diversas variantes dizem a mesma coisa. Seja na versão do idoso que roubou uma lata de atum e viu o seu nome escarrado na comunicação social, seja no tom eufemístico com que os gestores de topo são tratados nas comissões de inquérito a cada falso ataque de amnésia.

O Banco de Portugal entrou novamente neste jogo ao não divulgar os nomes dos devedores que receberam os milhares de milhões de euros roubados aos rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem. Segundo o seu representante máximo, Carlos Costa, tal deveu-se aos riscos de violar o sigilo bancário. Os biliões, como dizem os americanos, têm direito à proteção que o vulgar cidadão não tem. Experimente o leitor não pagar o IMI e logo verá quanto tempo decorrerá até ver o seu nome inscrito nas listas públicas de devedores ao fisco.

A incapacidade, para não adjectivar de forma mais incisiva, que os sucessivos governos têm demonstrado ao não conseguirem lidar com os parasitas do regime é o seu maior fracasso. E será, certamente, o estrume onde a extrema-direita há-de crescer.

Cavaco Silva, o (alegado?) financiamento ilegal do saco azul do GES e as questões que se impõem

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Era uma vez um saco azul chamado ES Enterprises. Um saco azul que serviu, segundo a investigação da Operação Marquês e do caso EDP, para financiar ilustres figuras da nossa praça, como Zeinal Bava, Manuel Pinho ou o incontornável José Sócrates, e um conjunto de jornalistas, por ele avençados, caso que foi revelado pelo escândalo Panama Papers e que o Expresso anunciou com toda a pompa, apesar de, até à data nada mais ter dito a esse respeito. Seria aquele animado grupo que foi esquiar a convite do BES? Não sabemos. Ou será que sabemos? [Read more…]