Em causa: a coragem dos Ministros da Energia em relação ao TCE

Ontem e hoje está a decorrer a reunião do Conselho de Ministros da Energia da UE. Em cima da mesa, devido à enorme pressão da sociedade civil, está o Tratado Carta de Energia (TCE) – o maior obstáculo à luta contra as alterações climáticas na Europa.

É este um momento especialmente explosivo, dois dias antes da Conferência da Carta da Energia, que se realiza quarta-feira/quinta-feira desta semana.

Conseguirão os Ministros aprovar uma estratégia para a retirada colectiva da UE do TCE?

Até agora, os governos têm-se remetido para o processo de modernização do TCE que está em curso. Mas as alterações relevantes ao tratado exigem unanimidade dos membros, o que, segundo revelam as negociações, não é atingível.

E não se trata apenas de acabar com a protecção a futuros investimentos em combustíveis fósseis. O TCE é incompatível com o Acordo de Paris, porque já actualmente protege muitíssimo mais emissões do que as possíveis, se a EU quiser cumprir o seu orçamento para alcançar o alvo de 1.5º. No TCE, estão já protegidas no período de 2018 até 2050 148 Gigatoneladas de CO2 ou equivalente. Ora, para ter 50% de probabilidade de evitar uma subida de 1.5º C, o volume total de emissões associado à União Europeia é de 30 Gigatoneladas – ou seja, a União Europeia apenas poderia emitir 20% das emissões protegidas pelo TCE.

Esta assustadora discrepância tem sido cada vez mais publicamente reconhecida, por exemplo:

No dia 9 de Dezembro, 30 milhões de jovens europeus enviaram uma carta pedindo-lhes que se retirem do TCE.  Mais de 400 cientistas e líderes climáticos levantaram as suas vozes em carta aberta contra o Tratado da Carta da Energia.

164 eurodeputados e deputados subscreveram uma declaração apelando à eliminação progressiva dos combustíveis fósseis e à retirada do TCE.

Até a Comissão Europeia já pôs publicamente a hipótese do abandono do TCE.

Aguardemos, pois, para saber se os Ministros da Energia terão, ou não, capacidade para se colocarem acima dos potentes lobbies pró-fósseis e ao lado dos cidadãos e do Planeta.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    1,5ºC, só se for em relação à temperatura (média global) actual. Abaixo dos 3ºC, acredito mais na revolução comunista.

  2. Elvimonte says:

    “Ora, para ter 50% de probabilidade de evitar uma subida de 1.5º C (…)”

    Uma subida relativamente a quê?

    Ao período quente romano?
    «The Roman Warm Period, or Roman Climatic Optimum, was a period of unusually warm weather in Europe and the North Atlantic that ran from approximately 250 BC to AD 400. … That and other literary fragments from the time confirm that the Greek climate then was basically the same as it was around AD 2000.»

    Ao período quente da Idade Média?
    «The Medieval Warm Period (MWP) also known as the Medieval Climate Optimum, or Medieval … The warm period became known as the Medieval Warm Period.»

    Ao período conhecido como Pequena Idade do Gelo?
    «The Little Ice Age is a period between about 1300 and 1870 during which Europe and North America were subjected to much colder winters than during the 20th century. The period can be divided in two phases, the first beginning around 1300 and continuing until the late 1400s.»

    E, já agora, em termos percentuais qual o valor de uma subida de 1,5 K na temperatura média global expressa na escala absoluta?

    Faço estas perguntas porque há pessoas muito ignorantes, que precisam de ser esclarecidas.

    • Paulo Marques says:

      Que é que interessa se já houve mais calor se os efeitos de uma alteração rápida e sem volta são visíveis a olho nú há mais de uma década e destroem a vida a um número cada vez maior de pessoas? Sim, a vida vai continuar, a humanidade também, boa sorte a adaptar a produção de comida e extracção de água para manter a maior parte.

      • Elvimonte says:

        Se algum dia se deslocar a Marte, tenha muito cuidado com o efeito de estufa, visto que a atmosfera do planeta é constituída por 95% de CO2.

        O facto da temperatura média à superfície ser cerca de -60 ºC (menos sessenta) é apenas um pormenor.

        Leve T-shirt, calções e chinelos.

        • Paulo Marques says:

          E a de Vénus é 465ºC com 96.5%, isso já não é tão conveniente. É quase como se houvesse outras razões para isso.
          Mas Terra, só há uma para continuar a tornar menos habitável.

          • Elvimonte says:

            O que está em causa é a alegada dependência da temperatura da concentração de CO2. Pelos factos que já referi, essa dependência não existe.

            Vénus ->pessão superf. =93 bar ——>temp. superf. =740 K
            Terra –>pressão superf. =1 bar ——->temp. superf. =288 K
            Marte ->pressão superf. =0,006 bar ->temp. superf. =213 K

            A correlação entre pressão e temperatura à superfície de corpos celestes com atmosferas espessas é dada aproximadamente por uma das equações de Poisson, que não dependem das pressões parciais de gases com efeito de estufa (nem da distância ao Sol).

            Provavelmente encontra na net informação a corroborar.

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