Manifesto anti-Natal

Faltam três dias para o Natal. Significa que chegou a hora do meu Manifesto contra o Natal. Atenção, eu celebro e até aprecio todo o espírito da época, mas não posso deixar de notar nos motivos que nos levam a fazer desta data tão especial.

O Natal é a maior prova de que o Homem tem noção da sua falibilidade. Iludimo-nos com a ideia de que o mundo está cada vez mais feito pelas pessoas, mas ainda continuamos a rejeitar a nossa natureza. Somos capazes de considerar a época do ano em que celebramos o nascimento de alguém que não conhecemos mais importante do que o nosso próprio aniversário.

Todos nós temos pensamentos reprováveis e instintos deploráveis. É o controlo sobre eles que faz de nós boas pessoas ou não. Implícita ou explicitamente, temos a noção dos nossos defeitos como seres errantes e precisamos de desculpas como o Natal, a Páscoa ou até mesmo aniversários.

Nesta época, podemos ver um dos grandes males do capitalismo geral em que vivemos. Sim, porque quando há liberdade, há espaço para o bom e para o mau. É nesta época que os sentimentos das pessoas são materializados de todas as maneiras. Somos obrigados a dar presentes por causa de uma data e não pela pessoa em si. Somos obrigados a estar bem dispostos na Consoada. Se pensarmos nisto sem qualquer preconceito ou tribalismo, não faz sentido. Não é o calendário que tem emoções, somos nós.

Durante o ano, nunca temos tempo para nada. Muito trabalho. Muitos estudos. Chega mais um aniversário de Jesus Cristo e todos nos lembramos que temos de mandar umas palavras aos nossos queridos amigos e familiares.

Estamos totalmente desprovidos de respeito por nós. O beijo que querem dar ao vosso avô daqui a uns dias? Dêem hoje no fim do trabalho, porque vos apetece. Não porque o mundo nos fez acreditar que esta é a data da família.

A conhecida frase “O Natal é quando o Homem quiser” nunca fez tanto sentido. É mesmo quando o Homem quiser, porque quando estamos com os nossos da forma mais pura, é como nascer outra vez, seja em Dezembro ou Março.

Não sou contra o Natal. Gosto disto, menos dos doces e das músicas de centro comercial. Mas, racionalmente, não devia.

Que o dia 24 seja feliz, principalmente porque no dia anterior é FC Porto vs coisos e não há Natal feliz sem um esmagamento.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Festejar o nascimento… de quem nasceu em Março? Na, eu festejo o solstício e as férias. Até porque hoje em dia temos mais do que a Música no Coração para acompanhar.

    • Pimba! says:

      … o Jesus nasceu em Setembro, é nessa altura que os pastores andam com os rebanhos pelo monte.

      Aliás, teria nascido, se fosse real. Mas nem isso.
      Portanto pode-se inventar o que se quiser!!!

  2. Albano de Campos says:

    Subscrevo na integra o seu manifesto, Francisco Figueiredo !
    Este Natal do Pai-Natal materialista, k eskece a celebração do nascimento de Jesus Cristo, a mim não me diz nada !!
    Votos de 1 Santo Natal c/ mta saúde

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