A culpa é da Greta

Uma investigação do jornal britânico The Guardian revela que a factura a pagar pelos vários desastres ambientais que ocorreram durante o ano que agora termina, como os incêndios devastadores na Austrália e na Califórnia, ultrapassa os 150 mil milhões de euros. Mas esta é apenas a fatia quantificável, sendo que o total real é bastante superior a este valor.

Outro dado relevante é que o conjunto destes gravíssimos problemas ambientais foram agravados pelas alterações climáticas. A isto devemos juntar mais de 3500 mortes, 13,5 milhões de deslocados e refugiados ambientais, muitos deles provenientes de África, parte dos quais sepultados no Mediterrâneo, sem direito a honras fúnebres.

Não vale a pena enfiar o chapéu de alumínio até às orelhas e fingir que não ouvimos. Os danos que estamos a causar ao ambiente, que os nossos padrões de consumo estão a causar no ambiente, em particular o aumento médio da temperatura do globo, tem um custo. Fazem com que as tempestades sejam mais fortes, mais duradouras. Na Ásia, a época das monções foi extraordinariamente mais intensa, levando, por exemplo, a que um quarto do Bangladesh tenha ficado submerso.

Gostava de ter a segurança de poder dizer que isto ainda vai piorar antes de melhorar, mas as perspectivas são apenas de piorar antes de piorar ainda mais. Estamos a dar cabo do planeta a uma velocidade e ainda há quem dê ouvidos ao negacionismo irresponsável e palerma. Mas a culpa é da Greta, que é muito chata e está sempre muito zangada.

Comments

  1. JgMenos says:

    «Os danos que estamos a causar ao ambiente, que os nossos padrões de consumo estão a causar no ambiente»

    Aguarda-se a todo o momento a apresentação de padrões de consumo que sejam adequados a uma situação ecológicamente sustentável.

    Por todo o lado se reclamam redistribuições e subidas de nível de vida (consumo) muito justas e urgentes…

  2. Elvimonte says:

    Escreve o autor: «Outro dado relevante é que o conjunto destes gravíssimos problemas ambientais foram agravados pelas alterações climáticas.»

    Mas que alterações climáticas?

    As relativas à 5300 anos atrás, quando Ötzi, o Homem do Gelo, terá escalado os Alpes, numa época em que apenas os picos mais altos da cadeia montanhosa eram gelados? (vd. artigo científico publicado na Scientific Reports).

    As relativas ao período quente romano?
    «The Roman Warm Period, or Roman Climatic Optimum, was a period of unusually warm weather in Europe and the North Atlantic that ran from approximately 250 BC to AD 400. … That and other literary fragments from the time confirm that the Greek climate then was basically the same as it was around AD 2000.»

    As relativas ao período quente da Idade Média?
    «The Medieval Warm Period (MWP) also known as the Medieval Climate Optimum, or Medieval … The warm period became known as the Medieval Warm Period.»

    As relativas ao período conhecido como Pequena Idade do Gelo?
    «The Little Ice Age is a period between about 1300 and 1870 during which Europe and North America were subjected to much colder winters than during the 20th century. The period can be divided in two phases, the first beginning around 1300 and continuing until the late 1400s.»

    Parece-me que o “camarada cassete” autor do post se refere a este último período, dada a conveniência de se colocar a origem do referencial nesta última época climática fria para sobrevalorizar o actual período em que nos encontramos, omitindo galhardamente a paleo-climatologia e toda a história de constantes alterações climáticas anteriores.

    E para que não persista na ignorância, “camarada cassete”, vá ao site ourworldindata, da Universidade de Oxford, e coloque em gráficos a frequência anual de tempestades e as áreas ardidas anualmente na Califórnia e na Austrália. Talvez assim deixe de repetir os disparates da cassete que lhe meteram na cabeça.

    • Paulo Marques says:

      Ainda não te mudaste para Vénus? Deve estar mais fresquinho do que cá.
      O que vale é o nosso clima temperado, entre os 0º e os 40º.

    • Paulo Marques says:

      Os países a ficar debaixo de água vão deixar de se preocupar, afinal, tudo se vai resolver. Os países a ficar sem água também, é só rezar pela chuva. Deverá vir logo a seguir aos votos na Georgia.

      • Elvimonte says:

        Países a ficarem debaixo de água? Isso deve ser dos seus sonhos húmidos, tal é a quantidade de água que mete.

        Entretanto, nas Maldivas, já submersas há 20 anos segundo as previsões:

        «Transport minister Aishath Nahula told local media that construction of airports on the islands of Kulhudhuffushi in Haa Dhaal atoll, Funadhoo in Shaviyani atoll, Maafaru in Noonu atoll, Madivaru in Lhaviyani atoll and Maavarulu in Gaaf Dhaal atoll is nearing completion. …May 20, 2019»
        (Maldives to open five new airports in 2019 – Maldives Insider)

        Trata-se portanto de aeroportos para… submarinos.

        E na Suécia, que até nisto é uma carta fora do baralho, o nível do mar continua a descer. Assim como no Canadá e na parte norte dos EUA. Já na Florida o nível do mar continua a subir. Tudo isto até que glaciares com 1 km de espessura voltem a cobrir Nova Iorque e Paris.

        E não deverá faltar muito, porque os períodos inter-glaciais perduram por cerca de 10 000 anos, tudo por culpa dos ciclos de Milankovitch (entre outras minudências).

    • POIS! says:

      O que será, pois?

      Isto de “Elvimonte””?

      Ah! Pois tá bem! É uma nova marca de leitor de cassettes!

      Experimentem meter-lhe uma na ranhura que ele lê tudo na perfeição e ainda debita reportório próprio! Um colosso, este Monte!


  3. Não é preciso ser muito inteligente para perceber que os milhões de carros e camiões a circular, os muitos milhares de aviões e navios, as gigantescas usinas e cimenteiras, as petrolíferas e congéneres a lançar na atmosfera toneladas de GEE, nunca poderiam alterar o clima coisíssima nenhuma. Pensar o contrário é coisa de otários e perigosos terroristas decrescimentistas.

    • Paulo Marques says:

      Claro que não, apesar dos estudos que compram dizerem o contrário. Querem ir à falência, tal a incompetência.

  4. Filipe Bastos says:

    É daqueles casos ‘uma coisa não impede a outra’, né?

    O problema é real, e não é certamente culpa da Greta. Mas esta não deixa de ser a criatura mais overhyped do planeta: uma criança bizarra e irritante, cujas inanidades são endeusadas por uma carneirada PC desejosa de limpar a sua consciência suja.

    Alguns até deixam de comer carne, mas nenhum abdica dos iphones, gadgets e farpelas feitas por semi-escravos no outro lado do mundo, das ricas viagens e getaways via Airbnb, das compras na Amazon e outros templos do capitalismo.

    E a questão do JgMenos, embora recebida com a abertura aqui habitual, é pertinente: que solução, João Mendes?

    Qual o consumo adequado, como irá ser – democraticamente – aceite, e como será explicado aos milhares de milhões que hoje sonham com o nosso consumo actual?

    • Paulo Marques says:

      Pois não, e sabe porquê? Porque é praticamente irrelevante para as emissões do país o que enumera.
      Que solução? Só há uma, mudar a economia para favorecer opções mais verdes, proibir outras, e garantir que há transição laboral sem continuar a viver pior em cada geração.
      https://www.youtube.com/watch?v=ahbpzsjLGZI ou https://gimms.org.uk/wp-content/uploads/2019/09/MMT-and-the-Green-New-Deal-Bill-Mitchell.pdf

      É isto que está em cima da mesa? Não, “não há dinheiro” (enquanto há para muitas outras coisas), é preciso esperar pelo mercado e que a iniciativa individual resolva enquanto se aumenta impostos a acrescentar aos custos que as pessoas têm a suportar do mesmo.
      Assim, de facto, não funciona. E fazem bem os camisas amarelas em dizê-lo com a violência necessária. E dá vontade de rir ouvir falar no anémico plano europeu que é incumprível com o financiamento existente. Mas os custos só vão aumentar.

    • Paulo Marques says:

      Realmente, a Greta ia ficar em casa e postar, mas tinha muita concorrência ao prémio nobel do situacionismo e deu-lhe para mobilizar pessoas invés de mandar toda a gente à merda. É preciso ter lata.

  5. JgMenos says:

    Quando o clima muda – seja qual for a razão – há consequências.

    Não falta quem normalize a situação invocando o passado, mas não consta que se digam dispostos a suportar as consequências.

    Outros, a título de minorar essas consequências, logo dizem o que há-de ser feito, enumerando um rol de actividades restritivas, o que os leva, na eleição seguinte, a votar em quem lhes garanta que outros pagarão o preço das restrições.

    Haverá consequências e todos pagarão como sempre ocorreu históricamente.

    • Paulo Marques says:

      Historicamente, não pagam todos. Hoje, não pagam todos, como não pagam todos haver uma pandemia.
      Tem razão sobre por o custo nos outros, daí sair essencial uma transição justa planeada, com o uso daquela coisa que os bancos centrais criam todos os dias a velocidade cada vez maior.
      Ou isso ou paga-se a mitigação mais cara, da mesma forma que se paga mais caro (em recursos, não na coisa infinita, bem entendido) os cortes e privatizações do querido líder.

  6. Amora de Bruegas says:

    Da Greta não será, mas é de certeza daqueles que enchem a boca com as alterações, mas que de concreto nada fazem, caso dos nossos socialistas governantes, responsáveis pela matança de mais de 100 pessoas nos incêndios evitáveis (!) de 2017. Porque não foram ainda levados a Tribunal, julgados e condenados? Porque há (acéfalos) que ainda os apoie?

    • Paulo Marques says:

      A responsabilidade pelo desenrolar é discutível, agora o incêndio em si evitável? Mas já ninguém estuda hoje em dia?

    • Paulo Marques says:

      Já agora, os governantes do Oregon também são socialistas assassinos? Conheço uma pessoa que passou exactamente pelo mesmo há poucos meses, e a resposta do estado ainda foi pior.
      Boca cheia…