Operações “standard” para lesar o bem comum

Pagar imposto do Selo é para a arraia-miúda. À EDP basta-lhe declarar que a venda das barragens do Douro à Engie foi uma reestruturação empresarial e já as santas operações – cisão, seguida de fusão, que serviram para transferir activos da EDP para a Engie – ficam isentas de pagamento do Imposto do Selo.

Lembrando que a empresa está amparada neste processo, como habitualmente, por assessores jurídicos e financeiros, Stilwell (que falava com os analistas a propósito dos resultados da EDP, cujo lucro subiu 21%, para 510 milhões de euros, até Setembro), repetiu que se tratou de uma “operação standard”.

Ou seja, não se metam connosco. Aliás, o dinheiro fica bem melhor onde está; impostos para financiar o SNS, as escolas, a Cultura?? Era o que faltava.

A EDP é livre de fazer os seus negócios usando as arquitecturas legais para não pagar impostos, mas alguém tem dúvida??

Mas… desculpem, porque é que isto é legal?

 

 

Comments

  1. Alexandre Barreira says:

    ……é isso mesmo…….selo….ou não selo…..eis a questão….o “bife” tinha razão…..!!!

  2. Filipe Bastos says:

    O costume, Ana, o costume.

    V. é boa pessoa e não gosta de ouvir / ler (o que encara como) maximalismos contra a canalha que faz as leis, ou contra a que manda fazê-las e aplicá-las desta forma.

    Não há, no entanto, outra resposta: as coisas são assim porque a canalha as quer assim; e somos nós que o permitimos ao dar carta branca e rédea solta à canalha – aos partidos e governos, ao bordel paralamentar, à máfia das câmaras.

    Somos nós, a carneirada apática e otária que elege e tolera esta canalha, os derradeiros culpados. Mesmo eu, que sempre votei nulo, sou parcialmente responsável – a única forma de o não sermos é rebentar com esta podridão.

    Não há outra maneira, Ana. Nunca houve.

    • Ana Moreno says:

      Rebentar como, Filipe? Se é colocar bombas, não obrigada.

    • Filipe Bastos says:

      Sou também contra bombas. Mas estes pulhas não podem ficar a rir-se; não podem continuar impunes. A verdade é que se não os confrontarmos nada irá mudar.

      Como podem, por exemplo, um 44, um Relvas, um Bava ou um Salgado por aí andar à vontade? Como podem ir a uma loja, um restaurante, entrar num aeroporto ou num hotel sem receber a saudação que merecem? É essa certeza de impunidade que os incentiva a fazer cada vez pior.

      A mudança ideal, a que a Ana preconiza, exige uma população instruída, interessada, empenhada e muitas outras coisas que jamais seremos – pelo menos no nosso tempo de vida.

    • Filipe Bastos says:

      P.S. Nos meus exemplos – 44, Bava, etc. – não mencionei o mais óbvio e pertinente ao post: o Mamão Mexia.

      Como pode tal pulha, tal chulão, tal traidor continuar à solta e de saúde? Como pode estar a gozar os milhões sem ser sequer incomodado, tal como os pulhíticos que ele comprou?

      Diz o povo que tem cu tem medo. Eles têm cu, mas não têm medo. Entende porque nada irá mudar, Ana?

    • Paulo Marques says:

      Não tem nada a ver com a província, este mamão explica. https://www.youtube.com/watch?v=Ghx0sq_gXK4

      • Filipe Bastos says:

        Não sei porque refere a província, e não vejo a relação entre o que escrevi (ou o post) e o tecnofeudalismo do vídeo; mas se a sua resposta fosse clara é que seria estranho.

        V. deve ser um seguidor fiel do Fakis, é mesmo o seu tipo de esquerda Ferrero Rocher. O Zizek, mais intelectualóide, deve também fasciná-lo. Podia ser bem pior; ambos têm os seus méritos. Mas há outro que fará o seu género.

        É um tipo chamado Mark Blyth: escocês, vive e ensina nos EUA. Se ainda não o conhece, procure-o que vai adorar.

        • Paulo Marques says:

          Porque, como sempre, não é só cá. Nem nasce cá. E se tivesse visto, não só percebia isso, como percebia que é por desenho.
          Tou a ver que o presidente e o PS têm razão, os eleitores não percebem, de facto, a ponta de um corno. Nem querem perceber.
          E sim, prefiro o Blyth, sempre percebeu o neoliberalismo do século XXI mais cedo, e abraçou o MMT, mas não quer dizer que outros não vão desbravando.

        • Filipe Bastos says:

          Não é só cá? Quem disse que era? E o que é que isso muda? E que tem o tecnofeudalismo a ver com a EDP, ou com o seu controlo dos governos do Centrão?

          Deve haver 30 vídeos do Fakis mais adequados ao tema do que esse que v. escolheu.

          Alminha, sei da MMT vai para vinte anos. já ouvi centenas de debates do Fakis, do Zizek, do Blyth, Chomsky e outros dos seus santinhos. Na sua esquerda Ferrero Rocher talvez isso seja suficiente. Na minha não.

          Tem razão, a maioria da carneirada pouco sabe; por isso ainda vota. Mas v. também vota. E que mania é essa de julgar o interlocutor ignorante? É algum complexo que v. tem, precisa de sentir-se sábio e especial?

          • Paulo Marques says:

            Então é mesmo desejo de ser uma jangada de pedra, visto que, rejeitando as regras, como o equity funding (que nada tem de “controlo do centrão”, só com a China), deixamos de ter parceiros?
            Ainda é mais doido que que eu pensava.

  3. Rui Naldinho says:

    Era nisto que também deveríamos votar no dia 30 de Janeiro de 2022. Mas para isso tínhamos de ser mais evoluídos.
    Votar contra esta forma encapotada de corrupção. Corrupção não é só receber dinheiro num offshore qualquer, ou na conta do tio taxista na Suíça, ou do amigo Silva, por serviços prestados a uma qualquer entidade, de forma leviana. Corrupção é também favorecer alguém com subterfúgios jurídicos que não estão ao alcance dos demais, prejudicando o erário público de forma declarada.
    É por isso que quando elegemos deputados, mais do que a velha clubite laranja, rosa, vermelha ou azul celeste, estamos a escolher o indivíduo advogado, economista, engenheiro, médico, etc,etc, que veio para legislar a favor de alguém, seja ela empresa, associação, ou um grupo em particular, alguém que um dia após a sua saída do cargo de deputado ou governante, irá ser recompensado directa ou indirectamente, pelos serviços prestados. O mais comum para não darem nas vistas é um filho/a a ocupar um lugar de topo numa dessas beneficiárias.

    • Rui Naldinho says:

      Não há coincidências. Tudo é cirúrgico como se de uma intervenção médica de alto risco se tratasse.
      Este é o verdadeiro Portugal onde sete milhões de otários são enganados sempre que vão votar. A CS de reverência faz o seu papel. Intoxicar. Porque na óptica deles, CS, o voto consciente é o voto intoxicado. Se quiserem, catequizado.
      Não é para isso que os patrões lhes pagam o mísero ordenado?

  4. JgMenos says:

    Acontece muito raramente que, por incompetência dos governos, é possível dar um passo sem levar com um imposto em cima!
    E mesmo assim é preciso fazer umas deambulações prévias, o chamado caminho das pedras do pântano fiscal

    • British says:

      What ?

    • POIS! says:

      Pois não duvido!

      Meus senhores, fala um saber de experiência feito.

      Sim, JgMenos não deambulou, não fez o caminho. Faz parte do próprio caminho!

      E apanha com cada botifarra em cima!

  5. JgMenos says:

    Quando tudo que é imposto de define como ‘bem comum’, estamos no pântano esquerdalho.

    • POIS! says:

      Pois pois!

      Quando tudo que é imposto de define como ‘roubo á mão armada’, estamos no pântano direitalho.

      Mas basta o azarzito de apanhar um cancrozito e logo correm para os hospitais do SNS antes que seja tarde.

      O segurinhos ainda lhes dão a primeira dozezita, mas ficam-se por aí…

    • Paulo Marques says:

      Quando tudo que é subsídio e rentismo de sefine como ‘bem comum’, estamos no paraíso direitolo que nos trouxe a isto.

  6. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Devia fazer a pergunta ao PS, ao PCP e ao BE, que governaram o país nos últimos seis anos.

    • POIS! says:

      Pois desculpe lá mas…

      Ao BE? Quem é que denunciou publicamente o negócio (na sequência do Movimento Terras de Miranda)?

      E o PCP também também se opôs, desde a primeira hora, à negociata. Propôs até que ela fosse impedida pelo Governo, usando as prerrogativas legais ao seu alcance.

      Ao PS pode perguntar V. Exa. Se obtiver alguma resposta digna desse nome, diga! Estamos todos em pulgas!

  7. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Ou ao Sócrates e ao seu ministro Manuel Pinho.

    • POIS! says:

      Pois pois!

      Sim senhor, a esses dois!

      E aos Catrogas Mexias nada? Só se a vigarice e a esperteza saloia forem desculpadas por se tratar de “privados”.

      Com um bocado de sorte ainda deviam ser premiados como “gestores do século”. Pode ser com aquele prémio que recebeu o Bava.

  8. Elvimonte says:

    Finalmente a Ana Moreno escreve algo “fora da caixa” que foge à costumeira “cassete”.

    No entanto, tenho que lhe recordar comentário que fiz há uns meses num dos seus posts:

    «Ora aqui está mais uma prova da idiotice da camarada Ana “cassete” Moreno. Mais uma vez a desviar com cortinas de fumo a atenção da realidade que nos interessa.

    Entre o essencial e o acessório, ela insurge-se contra o acessório do folclore governativo. Entre todo um corpo de delito ela escolhe exibir o pintelho.

    Dos 100 milhões de euros fiscalmente subtraídos da venda de barragens da EDP ela não fala.

    Sobre o processo disciplinar de que foi alvo o funcionário da AT que recolheu os elementos que deram origem ao processo ela nada diz.

    Na falta de desenvolvimentos processuais conhecidos ela cala-se.

    De CMEC, rendas excessivas comprovadas por estudo da Universidade Cambrigde, afastamento do governo do secretário de estado que encomendou o estudo, ela nem deve ter conhecimento.

    Não posso deixar de dar razão a José Saramago quando dizia: “Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda.»
    (https://aventar.eu/2021/07/31/what-santos-silva-e-edp/#comments)

    Finalmente parece que existe um ponto de convergência. Finalmente.

    • POIS! says:

      Pois sim, comparsa cartucho Stereo8 Elvimont D’Ordure.

      “Ponto de convergência”? Como é possível convergir com V. Exa. no dia de hoje?

      O “MIjacão” não está fechado?

    • Tuga says:

      Boa tarde Sr Dr Elvimente

      A defender a mafia Mexias, esta claro.

      Percebe-se perfeitamente a coerência

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