Concessão das barragens da EDP: a anatomia de um golpe

Retóricas novilinguísticas sobre socialismos e liberalismos à parte, o caso da concessão das barragens no rio Douro pela EDP à Engie é um daqueles sinais, por demais evidentes, de um longo historial de vassalagem do Estado aos mais poderosos interesses privados. Este negócio, que remonta a 2019, traduziu-se numa venda na ordem dos 2.200.000.000€, estando sujeito ao pagamento de Imposto de Selo de 5% do valor total da transacção, os tais 110 milhões de euros de que tanto temos ouvido falar nos telejornais.

No ano seguinte, estávamos nós já demasiadamente ocupados com vírus e outras pandemias, o governo decide alterar o artigo 60 do Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF) alargando a isenção do Imposto de Selo a qualquer estabelecimento comercial, industrial ou agrícola que esteja abrangido por operações de reestruturação. E o que fez a EDP? Reestruturou-se.

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Os cifrões, ai os cifrões…

“Ao contrário do que foi dito, o ministro Matos Fernandes e o secretário de Estado João Galamba não começaram a ser investigados pelo DCIAP na sequência de uma denúncia anónima.

Os dois governantes já eram alvo de suspeitas de corrupção e tráfico de influências desde 2019, altura em que abriram caminho a uma concessão de lítio em Montalegre, um caso que foi revelado em primeira mão pelo Sexta às 9.”

“Como julgo que já toda a gente percebeu, o personagem que, entre nós, responde actualmente pela alcunha de ministro do Ambiente não é homem para essa função.”

“esta semana, a propósito da iminente aprovação de um projecto de construção turística no Mouchão do Lombo do Tejo, pondo em risco a preservação ambiental do estuário do Tejo, um grupo de 11 reputados especialistas no assunto, todos com responsabilidades passadas nessa área, vieram acusar o actual ministro de “envergonhar a sua missão, em pleno século XXI, num país da União Europeia”

“É Matos Fernandes no seu melhor, no seu habitual: há sempre um serviço que atrapalha, um departamento que complica, uma lei que não é clara, um parecer que não esclarece, um grão de areia que o deixa de mãos atadas, na impossibilidade funcional de ser outra coisa que não inútil.”

Hoje, fico-me pelas citações.

EDP e governo – juntos para sempre

Mais um enredo do Governo com a EDP em que, aos cidadãos, é destinado o papel de atraiçoados e espoliados.

Os embróglios foram muitos e obscuros e não garanto que os saiba deslindar a fundo e menos ainda conhecê-los todos, mas a coisa começou por uma privatização sem transparência  na contratação de assessores financeiros e sem acautelamento de conflitos de interesses nos processos de privatização da EDP, nem tomada de medidas legislativas que acautelassem os interesses estratégicos do Estado Português após a conclusão do processo de privatização.

Ele foram as baralhadas com os CMEC (Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual), sobre os quais a ERSE concluiu que a EDP cobrou abusivamente 510 milhões de euros e a Autoridade da Concorrência  afirmou que a EDP fez utilização abusiva do sistema; depois houve a EDP forçada a pagar 285 milhões de euros e os accionistas a ameaçarem recorrer ao mecanismo internacional de tribunais privados ISDS; pouco depois,  houve a “demissão geral”: Ministro, Secretário de Estado, Direcção da ERSE, tudo posto a andar. Em segundo acto, João Galamba, num passo de mágica, esclarece que vai rejeitar as recomendações do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre as rendas excessivas, na medida em que “representam litigância que o Estado perderá no futuro”. EDP não avança com acção ISDS, mas contesta a devolução em tribunal. [Read more…]

Os milhões de Mexia e “as melhores práticas do mercado”

António Mexia, Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações do XVI Governo Constitucional, chefiado por Pedro Santana Lopes (é sempre importante recordar estas coisas, que parece que só são tema quando os visados são antigos governantes do PS), posteriormente presidente do conselho de administração da EDP, cadeira à qual chegou exactamente um ano após abandonar funções governativas, que ocupou até Julho de 2020 e da qual foi obrigado a abdicar após ter sido acusado de subornar Manuel Pinho, Ministro da Economia de Sócrates, o seu Assessor, João Conceição, o ex-Secretário de Estado Artur Trindade e o antigo Diretor-Geral de Geologia e Energia, Miguel Barreto, está novamente nas bocas do mundo.

Felizmente – para ele, não para nós – não foi embora de mãos a abanar. E, seguramente, não lhe faltarão recursos para tentar o habitual brilharete das elites quando enfrentam a frágil justiça portuguesa: protelar, protelar e protelar, até à prescrição final. É que, graças ao acordo de cessação de funções e de não-concorrência, assinado com a empresa que geriu durante 14 anos – how convenient is that? – Mexia irá receber qualquer coisa como 800 mil euros por ano (mais uma série de extras, como um generoso seguro de saúde e um PPR gordinho), até 2023. Os valores envolvidos, sublinha a EDP, estão alinhados com “as melhores praticas do mercado”. E o que seria de nós, plebeus economicamente iletrados, sem o mercado e as suas melhores práticas?

Citações: O Mexia da EDP ainda mexe no seu bolso

É perfeitamente ultrajante que António Mexia, que abandonou a chefia da EDP por questões judiciais, vá receber 800 mil euros por ano até 2023. É uma vergonha tão grande que ninguém imaginou que possa vir a ser preso, e continue a mamar da eléctrica que paga dividendos e salários à custa da factura obscena que mensalmente pagamos, tal é a certeza de que os processos contra poderosos nunca chegam a uma sentença e na maior parte dos casos prescrevem. Mexia, na minha opinião e escrevo-a há muito tempo quando ele era todo-poderoso e todos se curvavam perante ele e paguei por isso como imaginam (contarei um dia qualquer), é o chefe de fila das elites medíocres e incultas que continuam a encarnar o pior do País. Quem hoje luta para salvar as suas empresas, quem batalha para salvar os seus postos de trabalho, ao ver esta notícia ignóbil só pode sentir nojo deste repelente marajá de triste figura.
Bom dia. Por Rui Calafate, Facebook

O Conselho Geral e de Supervisão da EDP é inútil e a culpa é do socialismo

EDP

Foto: Bruno Colaço/Jornal de Negócios

De um momento para o outro, o ex-ministro do PSD, António Mexia, passou de gestor premiado a socialista. Bastou para isso ser cozinhado em lume brando pelo justiceiro Alexandre, acrescentando-se 200 gramas de José Sócrates em pó e meio quilo de Manuel Pinho à receita, antes de ir ao forno do populismo chegófilo e liberacho. Admira-me como é que Durão Barroso ainda não foi grelhado, à conta do “porreiro, pá!”.

E enquanto ultraconservadores e neofascistas se entretêm a tratar as suas ovelhas como um rebanho de otários, o Conselho Geral e de Supervisão da EDP esteve estes anos todos sem ver a ponta de um corno à sua frente. Entre CAEs, criados por Cavaco Silva, e CMECs, criados por Santana Lopes, durante o tal governo socialista que teve Mexia como ministro, a EDP é o melhor espelho possível para o capitalismo rentista que parasita este país há décadas.

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Com toda a gente em casa, a factura da luz vai subir

Que fará a EDP?  Vai usar a almofada de 512 milhões de lucro em 2019 para minorar o impacto no bolso dos cidadãos ou facturar como de costume?

O sentido de justiça

Há uns dias, em conversa com um amigo alemão já velhote, desde sempre activo na política e na cidadania e membro de uma série de conselhos de direcção de entidades sem fins lucrativos, dizia ele que a justiça na Alemanha se vinha cada vez mais afastando do que era o sentido de justiça do cidadão comum – à custa de questões processuais como a legitimidade do acesso a provas ou as prescrições – e que essa era uma das razões que atirava as pessoas para os braços da extrema-direita (AfD).

Faz-me sentido. Claro que me ocorreu logo Rui Pinto e o modo absurdo como “em Portugal a Justiça preocupou-se com a invasão dos computadores, mas não com a evasão fiscal e com a desonestidade desportiva (o caso e-toupeira só convence ingénuos).” [Read more…]

A base legal, Galamba e a EDP

Cartoon de: Letícia Carmo

Os grandalhões da energia estão protegidos pelo Tratado Carta da Energia, do qual a UE é signatária, que lhes garante acesso a uma justiça privada e exclusiva (o chamado ISDS) para processarem governos que arrebitam cachimbo. Por uma passadeira VIP, mandam a soberania e a Justiça dos estados às urtigas e vão decidir o assunto lá no aconchego secreto dos quartos de hotel, onde a luz lhes é mais propícia. São os próprios estados que lhes oferecem de bandeja essa possibilidade, para os mimar. Mesmo em estados que se retirem do tratado, como fez a Itália em 2016, ele permanece em vigor durante mais 20 anos. Que tal? Isto é que é ser querido. As milionárias indemnizações exigidas são pagas por nós.

É à luz desta pouca vergonha que Galamba lida com paninhos quentes com a EDP: “A notícia (do BE) é falsa, porque o Governo não deixou cair o que quer que seja; simplesmente não somos o bloco de esquerda e, nestas matérias, importa avaliar base legal para agir”, escreveu o secretário de Estado da Energia, na rede social Facebook.

A base legal, não tenhamos dúvidas, coloca na balança o ISDS; já há um ano, a EDP tinha ameaçado a ele recorrer.

Enquanto os governos (mesmo que se pomposamente se denominem socialistas) encolherem assim a cabeça perante as multinacionais, a Democracia continuará truncada e a Justiça mais do que injusta.


Contra o ISDS pode subscrever https://stopisds.org/pt/

Segurem-nos, que ainda não se lhes fez luz!

“O ministro do Ambiente reiterou que o Governo vê com muitos bons olhos os princípios da oferta pública de aquisição (OPA) da China Three Gorges (CTG) à elétrica liderada por António Mexia.”

Com “muitos bons olhos”??? É impressão minha ou ainda não perceberam que até a UE já fez marcha a ré (depois de ter partido um montão de loiça) e está numa de coordenar a análise dos investimentos provenientes de países terceiros em setores estratégicos, a fim de verificar se estes ameaçam ou não a segurança ou a ordem pública.” ???  E que “entre as infraestruturas críticas incluem-se a energia, os transportes, a água, a saúde, as comunicações, os media, (…)?

Alguém que lhes explique!!! E que lhes abra os “bons olhos” todos!!!

P.S. Se for preciso, peçam ao Rio para lhes explicar o que diz aqui.

Eu ajudo um bocadinho:

Com isto quero dizer que não somos ingénuos defensores do comércio livre. Precisamos de controlo sobre as aquisições de empresas estrangeiras que visem os objectivos estratégicos da Europa (…)” prosseguiu Juncker.

Odorico Paraguaçu é o Secretário de Estado da Energia

Odorico Paraguaçu é uma personagem aparentemente ficcional (porque é a realidade que, de tão absurda, parece verdadeira ficção). Odorico ganhou as eleições para a prefeitura de Sucupira, graças ao seu verbo e à promessa de criar um cemitério. Este espaço, depois de inaugurado, ficou às moscas, porque as pessoas insistiam em não morrer, para raiva e desgosto do prefeito.

João Galamba, uma criação socrática reciclada por António Costa, deslocou-se ao concelho da Guarda, na qualidade de Secretário de Estado da Energia, e, anunciando investimentos na região de uma empresa chinesa conhecida por EDP, levantou o queixo na direcção dos munícipes, exigindo-lhes que consumam mais, quase anunciando que, caso não o façam, serão mal agradecidos. Se coubesse ao Estado abrir bordéis, sendo Galamba secretário de Estado da prostituição, imagino o que estaria a exigir, neste momento, aos habitantes da Guarda.

Já se imagina, entretanto, nos lares egitanienses, as reprimendas que os pais passarão a dirigir aos filhos: “Então tu, minha besta quadrada, vens para a sala e apagas a luz da cozinha? Tu queres a ruína da Three Gorges, queres que o senhor Mexia tenha menos uma gravata  e que o senhor Galamba receba um puxão de orelhas do senhor primeiro-ministro? Vá lá acender a luz e aproveita e liga dois aquecedores, já! O que é que disseste?! Estamos no Verão? Ó rapaz, tu até me tiras do sério, pá! Vais já de castigo para o teu quarto e ligas o computador, a televisão e a playstation! Eu que veja que está escuro, meu animal!”

Dias Gomes está às voltas na tumba, triste por descobrir que, afinal, a realidade é um guionista verdadeiramente genial: Galamba será menos tétrico, mas não fica atrás de Odorico.

A falta de maneiras de Seguro Sanches

O ministro dos negócios estrangeiros salientou “que a State Grid (a energética chinesa e principal acionista da REN) tem sido “um parceiro fiável e não trouxe nenhuma dificuldade”, tal como aconteceu noutras empresas, com maioria de capital em mãos chinesas como a EDP ou o BCP, onde “a intervenção [chinesa] foi no sentido de estabilizar os acionistas”.

Sem dúvida, estabilizar os accionistas e atacar o estado quando as decisões deste não lhes convêm. Patente no caso da EDP, seja por meio de ameaças de recorrência ao ominoso mecanismo arbitral internacional investidor-estado (ISDS), seja agora por meio de um tribunal nacional. Os investidores estrangeiros estão à vontade, têm acesso às duas vias, opcionalmente, simultaneamente ou consecutivamente. Um direito todo exclusivo que assiste a actores globais deste calibre.

Aliás, às tantas, na visão do ministro esta “dificuldade” não foi causada pelo “parceiro fiável”, mas pelo desplante do ex-secretário de estado da energia, Jorge Seguro Sanches, de enfrentar o “parceiro fiável” para defender os cidadãos. Tudo por uns ridículos 285 milhõezitos que a EDP foi obrigada a devolver (o suficiente, por exemplo, para financiar durante um ano o funcionamento de 250 escolas).

De facto, Seguro Sanches não foi nada diplomático, pois não?

Para os cidadãos, fica o pagamento das facturas, sem esquecer as das custas judiciais. Não, sr. ministro, nenhuma dificuldade à vista.

A poderosa arma da EDP

Cartoon por: Letícia Carmo

O Tratado da Carta da Energia (TCE) é um daqueles bombardeamentos perpetrados por Estados contra os interesses dos cidadãos, para servirem magnanimamente os dos investidores transnacionais; ocorrem tipicamente sem conhecimento da esmagadora maioria dos cidadãos e os seus efeitos tóxicos mantêm-se por muitas e muitas décadas.

O TCE entrou em vigor em 1998; actualmente fazem parte dele cerca de 50 Estados, incluindo Portugal, e continua em expansão. Descreve-o a legislação da UE nos seguintes termos:

O Tratado tem por objectivo estabelecer um quadro jurídico que permita promover a cooperação a longo prazo no domínio da energia, com base nos princípios enunciados na Carta Europeia da Energia. As disposições mais importantes do Tratado referem-se à protecção dos investimentos, ao comércio dos materiais e produtos energéticos, ao trânsito e à resolução dos litígios.“ (…)

E concretizando o que já deixava adivinhar: “Em caso de diferendo entre um investidor e um Estado, o investidor pode decidir submetê-lo a um processo de arbitragem internacional.”

Ora cá está ele, o tristemente famoso ISDS (sigla em inglês de Investor-State Dispute Settlement) que, de tão escandaloso, até pelo Parlamento Europeu foi recusado, assim como por mais de uma centena de juristas académicos internacionalmente reconhecidos e por numerosas organizações da sociedade civil europeia. [Read more…]

Pena não ter querido controlar os apetites da EDP

Centeno tem mérito de ter gerido a Geringonça e controlado os apetites

A primeira medida de João Galamba como Secretário de Estado da Energia

Pedir humildemente uma reunião a António Mexia na 24 de Julho. Magnânimo, Mexia vai consultar a sua agenda para ver se pode ser.

Quando for grande, vou mandar fazer leis só para mim

Lei prevê que sejam os consumidores a pagar à EDP prejuízos do Leslie

Robert Mapplethorpe: É isto que choca os puritanos de Serralves?*


Ou isto?

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Os politólogos estão estupefactos: O PS consegue governar mais à Direita do que o PSD

Podia dar o exemplo da Educação, em que uma imbatível Maria de Lurdes Rodrigues, no que diz respeito ao ataque à Escola Pública em geral e aos professores em particular, é perseguida nos seus feitos pelo actual titular da pasta.
Podia dar o exemplo da Saúde, cujo SNS está pior do que alguma vez esteve – cortesia do Partido que o fundou.
Podia dar ainda o exemplo da Energia – no meio de todas as vergonhas de Pinho e Sócrates, o actual Governo consegue transformar uma dívida da EDP ao Estado numa dívida do Estado à EDP.
Pois, não há dinheiro. Mas para os mesmos de sempre há sempre dinheiro.
Podia dar n exemplos, mas não é preciso. O fim da austeridade é uma treta e a merda é a mesma de sempre. Desde o início mas sobretudo desde que é presidente do Eurogrupo, o ministro dos bilhetes do Benfica mais não faz do que sacar aqui e ali, cativar tudo o que mexe, meter-se com quem tem menos e acobardar-se perante os poderosos. Um corrupto moral que não passa disso mesmo – de um corrupto moral.
Quanto à Esquerda, continuará até ao fim da Legislatura refém do PS. A engolir sapos perante um Governo mortinho por que o façam cair para depois poder governar em maioria absoluta. Perante um Governo que actualmente está mais próximo do PSD do que da Esquerda.
Alguma vez esteve mais longe?

Sabes que cheira (ainda mais) a esturro

quando José Sócrates sai em defesa de Manuel Pinho. Birds of a feather…

Um cemitério chamado Vale do Tua

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[Carlos Almendra Barca Dalva]

Não é de hoje ou de ontem. A oferta do vale do Tua à EDP e ao António Mexia não é coisa que se faça de um dia para o outro. Demora seu tempo. Uma década, coisa menos coisa. Pelo meio, houve tempo para encontrar justificações, as vantagens e lugares-prémio para os judas do costume. A seguir, encontrou-se forma de entregar a exploração turística das águas a um empresário amigo, Mário Ferreira que em breve nos brindará com barcos-churrasco redondos e uma espécie de “comboio turístico” a fazer lembrar a Disneyland de Paris ou mesmo a original, na América. Sobre essa peça de mau humor, dediquei a Mário Ferreira duas cartas abertas. Na primeira delas, aqui no Aventar, surge uma fotografia da “locomotiva” (com altifalantes) que o visionário empresário imaginou para o vale do Tua e o que restar de uma via férrea como não há muitas na Europa. Um brinquedo, portanto. No comentário que lhe fez, Mário Ferreira estava obviamente equivocado.
Mas, claro está, porque os tempos são modernos e interactivos, o afogamento de um vale inteiro pela EDP tem que ser celebrado. Há que celebrar o assassinato que acaba de se cometer, como a querer dizer que tudo isto era inevitável, não havia nada que pudéssemos fazer contra este atentado, com esta parede de 90 metros de altura com vista para o vale vinhateiro do Douro, ainda Património da Humanidade.
Matem o Rei! Viva o Rei!
Vai daí, nasceu o “Centro Interpretativo do Vale do Tua” na estação ferroviária homónima que, diz a CP, “é um espaço que desvenda a riqueza natural e histórica de um território”. A sério?

As rendas excessivas da EDP no país da imprensa comunista

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Fotografia: Paula Nunes@ECO

António Mexia é o exemplo acabado de um homem de sucesso em Portugal. Deu aulas, foi para a política, daí para organismos e empresas públicas, com a passagem da praxe pelo BES, e regressou à política, de onde em bom rigor nunca chegou a sair, para integrar o executivo Santana Lopes, entre Julho de 2004 e Março de 2005. Dai seguiu directo para a cadeira de presidente do Conselho de Administração da EDP, onde continua, hoje sob a batuta do regime chinês. Em 2014 recebeu de Cavaco Silva a mais alta condecoração da Ordem de Mérito Empresarial. Três anos depois, foi constituído arguido no caso relacionado com as rendas excessivas da EDP. Aquele percurso clássico.  [Read more…]

Eduardo Catroga, um liberal ao serviço do regime comuno-capitalista chinês

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via ECO

Eduardo Catroga esteve 12 anos no topo da hierarquia da EDP, tendo lá chegado uns anos antes da avalanche privatizadora do governo de Pedro Passos Coelho, do qual foi conselheiro e emissário ao mais alto nível, ter entregue a maior fatia da outrora eléctrica portuguesa ao gigante energético China Three Gorges, uma empresa estatal de um daqueles países que, se não ordena execuções em Londres com gás Novichok, faz parecido com localizações e ferramentas diferentes.

Porém, foi com a chegada do regime chinês ao comando das operações da EDP que Catroga chegou mais alto, chamado a exercer funções de presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, em 2012. Resta saber se pelas suas qualidades técnicas, se por algum eventual contributo para o programa eleitoral que o PSD levou a sufrágio em 2011, no seio do qual a política de privatizações era todo um programa em si. Ou não fosse Catroga um homem que percebe de corredores. [Read more…]

Dança de boys na EDP

Apesar de estar hoje sob a égide de outro estado, uma ditadura à qual os pseudo-liberais que engavetaram a social-democracia alegremente entregaram o controle estratégico de uma das mais importantes empresas nacionais, a EDP continua a ser um prestigiado viveiro de boys do bloco central e do seu pequeno táxi populista. Hoje ficamos a saber que Eduardo Catroga, boy de Pedro Passos Coelho, será substituído por Luís Amado, destacado boy socialista, para integrar um órgão repleto de profissionais do tacho como Braga de Macedo, Celeste Cardona ou Ilídio Pinho. Avante, camaradas!

O PS é permeável aos grandes interesses económicos. Qual é a novidade?

Ontem, ou talvez até na Quinta-feira, recebi uma notificação de um jornal, penso que do Diário de Notícias, que fazia referência à tensão no seio do PS, a propósito das declarações de Catarina Martins. Fui espreitar, curioso, e percebo que fui enganado. Afinal, era apenas Francisco Assis a exigir que o seu partido defendesse a sua honradez. E todos sabemos que Assis é tão representativo deste PS como Pacheco Pereira do PSD passista.

Como ainda não tinha ouvido as declarações da líder do Bloco, aproveitei a deixa. Vou a ver e a senhora não diz nada de novo. O PS é permeável aos grandes interesses económicos? Oh my fucking God, por esta é que eu não esperava! Qual é mesmo a novidade? [Read more…]

Substituição de boys à vista na EDP?

sai Eduardo Catroga, boy de Passos Coelho, por acumulação de mandatos, talvez entre Diogo Lacerda Machado, boy de António Costa que está em todas. O dinheiro, esse, continua a entrar nos cofres dos camaradas do PC Chinês.

Rendas EDP/CMEC: Manuel Pinho constituído arguido

Enquanto se multiplicam os pedidos de demissão de alguns ministros deste governo, recordamos hoje um ministro que incorreu na palermice ilustrada pela foto em cima, acabando no olho da rua, despedido pelo messias do século XXI, José Sócrates. Depois de ter voltado à ribalta mediática nos últimos dias, Manuel Pinho volta a fazer manchetes, uma vez mais pelos piores motivos, ao ter sido constituído arguido no processo que investiga as rendas da EDP e a aprovação do regime remuneratório dos CMEC. [Read more…]

António Costa ou a cobardia na luta contra os poderosos

Não me custa admitir que António Costa nasceu para governar. Ali é que ele se sente bem. Todos nos lembramos quão desastrosa foi a sua prestação como líder da Oposição, ao ponto de conseguir perder as eleições para um Governo miserável que vinha de 4 anos de Troika.
A constatação deste facto não me leva a sentir maior simpatia por ele. Pelo contrário. Não gosto de António Costa e gosto ainda menos do PS, um Partido que desde o início traiu a sua matriz ideológica. O facto de estar neste momento aliado à Esquerda é puramente circunstancial. Era a única forma que o primeiro-ministro tinha de chegar ao poder e salvar a sua carreira política. Da próxima vez, se necessário for, aliar-se-á ao CDS com o mesmo à-vontade e com o mesmo sorriso cínico de sempre.
Apesar de tudo, ao votar no Bloco, contribuí para a actual solução governativa. Não me arrependo porque, no fim de contas, a alternativa passista seria bem pior. Mas não escondo que esperava muito mais de um Governo que se ancora nos Partidos de Esquerda e que precisa deles para desenvolver as suas políticas.
A política energética e as rendas excessivas da EDP são um bom exemplo. Como é que não se consegue cortar um cêntimo que seja nestas rendas escandalosas? Foi o PS que as criou, é o PS que tem rectificar o erro e acabar com elas. Ou a coragem de lutar contra os poderosos e os grandes grupos económicos esgotou-se toda com a questão dos colégios privados? [Read more…]

Mexia em dinheiro sujo

Não sei se trata de um verbo ou de um nome.

O presidente executivo da EDP, António Mexia, foi constituído arguido na investigação do Departamento Central de Investigação Criminal e Acção Penal (DCIAP) aos contratos entre o Estado e a EDP sobre rendas garantidas (os chamados CMEC). A notícia, avançada pela TVI e pela SIC Notícias, foi confirmada pelo PÚBLICO e mais tarde pelo próprio DCIAP. [PÚBLICO]

Sei que se trata de uma empresa estratégica para o país, que foi privatizada e que tem uma figura de topo a ser investigada.

O estado a que isto chegou…

Um partido perde eleições e imediatamente um seu ministro salta para a administração de uma grande empresa pública, nomeado pelo governo sucessor. Supostamente a empresa aldraba contas, o ministro da tutela aprova, contribuintes e empresas pagam. Finalmente o ministro consegue um emprego como professor universitário nos USA, não por ter sido convidado pela universidade, mas porque a empresa anteriormente tutelada financiou o curso que a universidade introduziu no seu programa. Lembram-se quem à época dos factos governava Portugal?

É de chamar aqueles que venderam os anéis e os dedos

China recebe em dividendos um terço do que pagou pela EDP. Cedo descobriremos o preço de se ter vendido a REN e outras áreas de soberania.