A lógica da batata austríaca

A Áustria iniciou esta terça-feira o segundo dia de um confinamento que durará duas semanas e que tem como objectivo conter o aumento de casos de covid-19. O país tinha decretado um confinamento para quem não estava vacinado, o que tinha já levado a um aumento maciço de pessoas nos centros de vacinação. Mas o chanceler, Alexander Schallenberg, disse que não chegou. “As medidas mais recentes aumentaram a vacinação diária, mas não o suficiente.” [PÚBLICO]

Portanto, não vacinados não podiam circular para não infectar. Sobraram os vacinados à solta mas o contágio não parou. Conclui-se uma de duas coisas. Ou a polícia austríaca é ineficaz a controlar os não vacinados e estes continuaram a sair de casa ou os vacinados transmitem a doença e a perseguição aos não vacinados é parva.

Cada um que faça a sua leitura. No meu círculo próximo conheço casos, vários, de vacinados e infectados. E até tem havido alguma admissão pública de que a vacina não impede que o vacinado contagie outros.

Alguma seriedade médica, já que ao nível da política a expectativa é nula, seria desejável. Começar por não chamar vacina aos medicamentos de redução dos efeitos da covid seria um bom começo. Porque é isso que estas “vacinas” são. Medicamentos que reduzem a gravidade dos efeitos mas que não impedem o contágio de forma sistemática.

Mas para isso acontecer era preciso mudar muita narrativa e muito negócio.

Se bem que, ao nível das definições, a mudança tem sido real. Por exemplo, a agência americana CDC mudou recentemente a definição de vacina.

Before the change, the definition for “vaccination” read, “the act of introducing a vaccine into the body to produce immunity to a specific disease.” Now, the word “immunity” has been switched to “protection.”

The term “vaccine” also got a makeover. The CDC’s definition changed from “a product that stimulates a person’s immune system to produce immunity to a specific disease” to the current “a preparation that is used to stimulate the body’s immune response against diseases.” [Miami Herald]

A CDC justifica-se dizendo que as vacinas nunca ofereceram protecção total e que esta justificação é mais correcta. Há a questão do momento em que a definição foi mudada – à mulher de César não o basta ser – e do pequeno detalhe destas “vacinas” serem particularmente ineficazes quando comparadas com o que anteriormente conhecíamos como vacinas. O que não haveria problema, dada a urgência médica quando foram introduzidas. Porém está em curso a implementação da Grande Mentira, possivelmente a maior a que a humanidade assistiu, o que muda o contexto do que é permitido dizer.

No mundo da Grande Mentira tudo é possível. Atropelos legais, como as discriminações austríacas e madeirenses, conceitos deturpados (vacina, Imunidade de grupo), silenciamento de quem destoar da Verdade Aprovada, coação, quebra de protocolos médicos (ciclo de aprovação de medicamentos), decisões sem lógica (por exemplo, ter-se fechado o comércio após sábados à tarde, levando a enchentes aos sábados de manhã), etc.

Tudo o que ponha em causa o caminho escolhido num momento em que os dados para decidir eram poucos, o início da pandemia, é liminarmente censurado e, por vezes, até punido. Que o digam os médicos que ousaram desafinar. Rever as decisões passadas é algo que nunca acontecerá. No mundo da política, nunca se erra.

Por exemplo, 1,404 casos de distúrbios menstruais na Noruega, dos quais 105 são graves? Isso nada importa. Afinal de contas, é só o sistema reprodutor que nos permite continuar a existir e enquanto espécie. A Grande Mentira alimenta-se da Verdade Única.

Vale a pena ler o anterior artigo, da Agência Norueguesa do Medicamento, para se perceber que é possível outro tipo de comunicação, de adultos para adultos, por oposição ao populismo que se pratica amiúde por cá e, de resto, à escala global.

Em vez disso, assistimos a medidas como o confinamento selectivo austríaco e posterior obrigação de vacinação, num contexto onde a justificação da medida evolui com o tempo.

Primeiro fecham-se os não vacinados porque estão a propagar a doença. Depois constata-se que a doença continua a espalhar-se e muda-se a explicação.

Com 85% de vacinados continua a haver infecção em crescendo em Portugal? Vacinam-se as crianças de 5 anos, que devem ser os 15% ainda não vacinados.

As crianças não são praticamente afectadas pela covid? Isso nada importa. Há que proteger a restante população. Mas essa restante população, os fantásticos 85% vacinados, sendo 100% para maiores de 50 anos, o grupo de maior risco, não estava já protegida pela vacina? Parece que não, já que a vacina não é totalmente eficaz. Apesar de nos ter sido dito até à exaustão que era fundamental para atingir a imunidade de grupo. A qual, afinal, nunca será atingida no caso do covid. Por isso, vão-se vacinar as crianças que não precisam de ser protegidas, para proteger os mais velhos que não serão protegidos pela vacinação das crianças.

Bem-vindos ao mundo da Grande Mentira.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    A lógica da batata foi o chanceller dizer que “já estavam a tomar efeito”, quando os efeitos de qualquer medida, ou afastamento da mesma, demorou sempre 10 a 14 dias. Que ainda não passaram, funcionando ou não. Outra é achar que não vale a pena tomar vacinas que não são vacinas, e sarampo, rubéola, malária, raiva, etc também não vale a pena.
    E são 89%, já agora, razão pelo qual não passa pela cabeça fazer semelhante.

    Já se funciona, ou se é aceitável, já tou farto do peditório, e a realidade demonstrará a utlidade. Só sei que gosto de poder ir ao médico.

    • j. manuel cordeiro says:

      “Outra é achar que não vale a pena tomar vacinas que não são vacinas, e sarampo, rubéola, malária, raiva, etc também não vale a pena.”

      Não é o que está escrito nem é o que defendo.

      • Paulo Marques says:

        «Começar por não chamar vacina aos medicamentos de redução dos efeitos […] seria um bom começo. Porque é isso que estas “vacinas” são. Medicamentos que reduzem a gravidade dos efeitos mas que não impedem o contágio de forma sistemática.»

        Retirando a referência à Covid19, aplica-se a practicamente todas as vacinas; se esta não serve, as outras também não. Se juntarmos o factor idade, Polio e HPV eram as primeiras a ir.

        • j. manuel cordeiro says:

          Talvez esteja a ver mal o caso.


          Polio Vaccine Effectiveness and Duration of Protection
          Vaccine Effectiveness

          Two doses of inactivated polio vaccine (IPV) are 90% effective or more against polio; three doses are 99% to 100% effective.

          A person is considered to be fully vaccinated if he or she has received:

          four doses of any combination of IPV and tOPV, or
          a primary series of at least three doses of IPV or trivalent oral poliovirus vaccine (tOPV)

          AND

          The last dose in either series should be given after 4 years of age and at least 6 months after the previous dose.

          Duration of Protection
          It is not known how long people who received IPV will be immune to poliovirus, but they are most likely protected for many years after a complete series of IPV.

          https://www.cdc.gov/vaccines/vpd/polio/hcp/effectiveness-duration-protection.html


          HPV Vaccine Effectiveness
          The HPV vaccine works extremely well. In the 10 years after the vaccine was recommended in 2006 in the United States, quadrivalent type HPV infections decreased by 86% in female teens aged 14 to 19 years and 71% in women in their early 20s. Research has also shown that fewer teens and young adults are getting genital warts and that cervical precancers are decreasing since HPV vaccines have been in use in the United States. Decreases in vaccine-type prevalence, genital warts, and cervical precancers have also been observed in other countries with HPV vaccination programs.

          HPV vaccination prevents new HPV infections but does not treat existing HPV infections or diseases. HPV vaccine works best when given before any exposure to HPV. Most sexually active adults have already been exposed to HPV, although not necessarily all of the HPV types targeted by vaccination.

          Cervical cancer screening is recommended for women beginning at age 21 years and continuing through age 65 years. Women who have received the HPV vaccine series should still be screened for cervical cancer beginning at age 21 years, in accordance with current cervical cancer screening guidelines.

          Duration of Vaccine Protection
          Studies suggest that HPV vaccines offer long-lasting protection against HPV infection and therefore disease caused by HPV infection. Studies of the bivalent and quadrivalent vaccines have followed vaccinated individuals for more than 10 years and have found no evidence of protection decreasing over time. Duration of protection provided by HPV vaccination will continue to be studied.

          https://www.cdc.gov/vaccines/vpd/hpv/hcp/safety-effectiveness.html


          Já a “vacina” da gripe… mais uma.

          Novamente, nada contra estes medicamentos. Mas se se fizesse um inquérito de larga escala sobre o que é que as pessoas entendem como sendo uma vacina, certamente que apanhar a doença depois de vacinado não será das respostas mais populares.

          • Paulo Marques says:

            Exacto, pelo mesmo critério, são medicamentos, já que não tornam ninguém invulnerável ou impedem totalmente a transmissão.
            O resto é politiquice.

    • j. manuel cordeiro says:

      89%? Mais ajuda ao argumento. Por exemplo, para quê vacinar crianças de 5 anos? Especialmente quando estas não são praticamente afectadas e quando se saltaram etapas na aprovação da vacina?

      • Paulo Marques says:

        Isso não comento, nem tenho grande opinião. Foi aprovada nos EUA, mas é uma situação diferente para recomendar.

        • Paulo Marques says:

          E na eurolândia, esse lugar de culto que seguimos quando queremos vergastar-nos, mas agora é diferente, porque a pica custa mais que a fome.

  2. Luís Lavoura says:

    ou os vacinados transmitem a doença e a perseguição aos não vacinados é parva

    A perseguição aos não-vacinados nunca é parva, porque os não-vacinados enchem as enfermarias dos hospitais causando sobrecarga e eventual colapso do serviço de saúde.

    • Tuga says:

      Se obrigassem os que se não querem vacinar, a assinar um papel em que se responsabilizam pelo pagamento itegral dos tratamentos caso tenham que ser hospitalizados, haveria muita gente a pesar 2 x

  3. Luís Lavoura says:

    não chamar vacina aos medicamentos de redução dos efeitos da covid seria um bom começo

    Não. Trata-se efetivamente de vacinas. Protegem eficazmente a pessoa que as toma de contrair doença grave. Não protegem é os outros de serem infetados por essa pessoa.

    Lá por vacinas para outras doenças terem também esse efeito – o de impedirem a propagação do vírus – não é razão para se pedir esse efeito para que se designe algo por “vacina”.

  4. JgMenos says:

    Ou te vacinas ou te chateio!

    Muito difícil de entender …é melhor reunir o conselho científico!


  5. Deve ser por isso tudo que Israel, o país mais vacinado do mundo, tem os hospitais cheios de vacinados e o governo já administra a 4ª dose. Nada como insistir na mesma receita que já comprovou a sua ineficácia. Tratamentos à doença, isso é que nunca, nunquinha. Autópsias aos mortos pela vacina ainda menos. Podia-se descobrir uma quantidade de tromboses cerebrais e cardíacas, embolias, coagulações, destruição de tecidos das artérias e eu sei lá que mais. Não, Não. Nada disso. Vamos matando a maralha, fazê-la adoecer gravemente e depois dizemos: Olha, tiveram azar…temos pena. Crimes contra a Humanidade? Ora, ora, tretas. Tá tudo bem, no melhor dos mundos, como dizia o tal professor português, personagem do Candide…

    • Paulo Marques says:

      Podes pagar tu. Mas sabe-se bem uma doença com esses efeitos, dizem que ainda por aí e tudo.

      • Paulo Marques says:

        Acho piada preocuparem-se com o que se gasta em vacinas e o lucro, para depois quererem correr o mundo a medicamentos 100x mais caros, ainda a escalar a produção, e autopsiar tudo e todos, quando para detectar a gripezinha era tudo exagerado.

    • Tuga says:

      Aparte vacinas ou medicamentos, são comportamentos como estes que espalham o virus :

      Ainda não se encontrou vacina para a estupidificação colectiva e falta de civismo.
      Mas a carneirada tem que fazer o mesmo que vêm os outros fazer, não há nada a fazer

      “https://www.rtp.pt/noticias/pais/latada-em-coimbra-leva-infecao-covid-a-42-concelhos_a1365878”

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  1. […] da Grande Mentira. Basta seguir a argumentação de geometria variável. […]

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