Desculpa nº47 and counting…

A chocante falta de razão de quem não está solidário com a Ucrânia revela-se na forma como vão sucessivamente descobrindo argumentos que também sucessivamente são obrigados a deixar cair por… óbvia falta de razão.
Agora são o “maniqueísmo” ou o “macarthismo” dominantes.

Vamos lá ver, reduzir um sentimento generalizado, sincero e avassalador à submissão a dogmas impostos ou a uma básica e imbecil perspectiva a “preto e branco” é desonesto e insultuoso.
Há mínimos éticos cuja violação não é possível relativizar como tem sido moda para quase tudo

Esses mínimos que até nem deveriam ser tão mínimos assim, definem-nos como sociedade e como humanidade. Recusar essa evidência é recusar, por exemplo, um conjunto de direitos essenciais. Direitos que, contraditória, curiosa mas correctamente, são os que permitem formular essa mesma recusa

Já agora para os “whataboutistas”, diga-se que a enumeração de situações similares, não retira qualquer razão ao presente sentimento. Pelo contrário. Quanto muito pode enunciar comportamentos errados em outras ocasiões.

Há realmente momentos em que é perceptível e determinável a existência de um lado bom e de um lado mau.


Ou também é singelicamente maniqueísta a valorização que há muito fazemos de Adolf Hitler e do Holocausto Judeu?

Comments

  1. POIS! says:

    Ora pois!

    E digo isto porque também gosto muito de dizer coisas.

  2. Rui Naldinho says:

    “Há realmente momentos em que é perceptível e determinável a existência de um lado bom e de um lado mau”

    Claro. Sempre houve. Mas esse lado bom ou mau, é determinado só e apenas por cada uma das partes, segundo os seus critérios. Não há um critério, digamos que, apolítico ou asséptico. Nem arbitrado por nenhuma entidade divina, equidistante das partes. Nem sequer, por vezes, pelas circunstâncias.
    O lado bom e o lado mau, depende sempre da posição sociológica que ocupamos no mundo real, ou no mínimo, num determinado contexto político.
    Até num banalíssimo jogo de futebol, se vê conflitualidade fora dos padrões normais da racionalidade.
    Há um lado bom? Qual? O do meu clube?
    Qual a razão para toda essa disputa?
    Para mim, o meu lado, claro, só há uma. Porque o futebol tornou-se hoje numa indústria altamente rentável. Com um enorme poder económico, mediático, alienatório, e por isso mesmo, político. Caso contrário, o futebol era um jogo de solteiros e casados.

    Em todos os conflitos sociais, e uma guerra entre dois ou mais Estados, enquadra-se nesses parâmetros, há dois lados em contenda.
    Qual o certo?
    Claro que é o meu, segundo a minha forma de pensar e segundo os meus interesses. Mas do outro lado também ele se questiona. Do outro lado também há um “meu”, que não sou eu, mas um ele.
    Os alemães sempre foram um povo com uma forte componente de inteligência e eficácia. Sempre estiveram no patamar superior da ciência, da música, da literatura, da tecnologia, eu sei lá que mais, … mas nem por isso Hitler deixou de acender ao poder. De os dominar. No início do conflito que deu origem à II Guerra Mundial, eu arriscaria dizer que no mínimo, 3/4 da Alemanha 🇩🇪 o apoiava.
    Ora, questiono-me se aquele povo, tão evoluído num vasto conjunto de parâmetros que medem o desenvolvimento das nações, se tornou assim tão estúpido e irracional, apoiando um tirano?
    Será que a ideia da reconstrução do Império Austro Húngaro, os motivava a tal ponto de perderem a sensatez? Será que Hitler pretendia ombrear com os EUA, criando um império continental, que ocupasse toda a Europa dos Urais ao Mediterrâneo e à Finisterra?
    Essa ideia peregrina do lado bom, e do filho da puta bom, porque é o meu lado, deixa-me alguns pruridos.
    Eu estou do lado da Ucrânia só e apenas porque há um invasor e um invadido. Porque uma das partes está ser completamente destruída numa guerra imperialista entre duas super potências. Esses sim ambos culpados, por interesses geo políticos. Estou do lado dos milhões de vítimas inocentes, neste caso, a maioria ucranianos.
    Mas também estou do lado dos palestinianos, dos iraquianos, dos sírios, mesmo tendo simpatia pelo povo judaico, até por razões familiares, o que não significa estar do lado do governo israelita, ou concordar com as ações armadas contra o estado de Israel de alguns grupos terroristas.
    A guerras são sempre más, e, ou estamos sempre do lado das vítimas, dos invadidos, do lado dos agredidos, ou então que se lixe essa teoria do lado bom e do lado mau.

  3. Paulo Marques says:

    Só para perceber, o lado bom é o lado do califado evangélico a financiar e armar vários golpes de estado e limpezas étnicas por aí? Se for, acabem o mundo de uma vez.

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