Uma pergunta….

Nesta fase de falta de médicos: os alunos que finalizam o secundário com média de 15, 16, 17 ou 18 não servem para entrar em medicina porquê???
Era só isto.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    O regime de exclusividade no exercício da medicina dentro do SNS foi inaugurado por Leonor Beleza, ex Ministra da Saúde de Cavaco Silva, em 1990.
    Quem diria!!
    Quem o extinguiu foi José Sócrates, pela mão da sua ex Ministra da Saúde, Ana Jorge, em 2009.
    Quem diria!!

    Somos um país com 7 faculdades de medicina.
    2 em Lisboa, 2 no Porto, 1 em Braga, 1 em Coimbra e 1 na Covilhã. Cada uma inicia um novo ano lectivo com 100 novos alunos, no mínimo. Mas devem ser mais.
    Temos a acrescentar a estes, os alunos que frequentam os 3 primeiros anos de medicina, na Universidade dos Açores e na Universidade da Madeira. Alunos que pretendem concluir o curso, os quais vão preencher as vagas por desistências e reprovações a partir do 3° ano, nas Faculdades do continente. Estes integram-se posteriormente nas outras escolas.
    Temos ainda os cursos de medicina para alunos já formados nas áreas científicas das ciências, (enfermeiros, veterinários, técnicos auxiliares de diagnóstico, biólogos, análises clínicas, etc) na Universidade do Algarve, por exemplo. Até a Universidade de Aveiro aderiu a este sistema de ensino, com um número reduzido de vagas, desistindo posteriormente por falta de meios, que o governo prometeu mas não deu.
    Dito isto, intuo na minha ignorância que saiam por ano, no mínimo, 800 médicos das nossas faculdades.
    Num passado recente ainda acresciam a este número, os formados na universidade de Santiago de Compostela e os formados na Escola Médica da Univerdidade da Extremadura, Espanha, em Badajoz, pela proximidade geográfica.
    Não há falta de Médicos. Há sim falta de vontade política.

    • JgMenos says:

      Uma rara concordância!

    • JMaurício says:

      100 alunos por faculdade! 800 médicos por ano!
      Com a indicação dada pelos profissionais de saúde, faltam milhares de médicos. Quem define as vagas?
      Os 800 diplomados, ainda têm de passar pelo internato e especialidade. Qual a duração? Só ao fim desse período é que temos ginecologistas, obstetras (o que está na ordem do dia). Mas até o acesso à especialidade tem vagas definidas por quem? O que acontece se o estado aumentar as vagas para um número acima do estipulado?
      Julgo que a resposta é Ordem dos Médicos, que é uma entidade de defesa dos interesses dos médicos. Muitos médicos, corresponde a muita oferta, muita oferta leva a baixa de preços.
      Lei do mercado.
      E assim temos a resposta para parte dos problemas.

      • Rui Naldinho says:

        O seu raciocínio é perverso.
        Senão vejamos:
        Os tais internatos não começaram no dia em que decretaram a falência do sistema. Nem no dia em que começou a generalizar-se a Covid 19. Nem quando se formou a Geringonça. Nem sequer quando veio Passos Coelho.
        Existem há décadas uma sequência de processos que alimenta o sistema. Como há em muitas outras profissões, por exemplo, professores.
        Pelo seu texto, parece que os internatos da especialidade nunca existiram no passado.
        O número de médicos segundo se consta é até superior a 800. Mas o Estado só admite esse número nos internatos da especialidade, por razões que desconheço, mas presumo que seja por uma questão de eficiência e qualidade formativa.
        O verdadeiro problema é uma espécie de ”numerus clausus” criado pelo governo nas várias especialidades, e os baixos salários pagos neste momento. Desde que acabaram com o regime de exclusividade dos médicos, regime esse que garantia um salário digno aos médicos das várias especialidades que se queriam dedicar em pleno ao SNS, iniciou-se o definhamento do sistema.

        • José Maurício says:

          Não, não é perverso. Em tempos ouve a tentativa de aumentar o número de vagas para internatos, numa notícia dada na SIC, o bastonário da Ordem dos Médicos, veio dizer que se o número de vagas aumentasse, a OM não reconhecia os recém especialistas, por alegada falta de qualidade de formação.
          Outro facto que passou despercebido, foi o último relatório sobre horas extra pagas no SNS.
          O valor pago aos médicos foi mais de metade do valor total.
          O número de horas atribuídas aos médicos foi menos de metade do total das horas.
          Como é que se chegou a esta situação?

      • Paulo Marques says:

        “Julgo que a resposta é Ordem dos Médicos, que é uma entidade de defesa dos interesses dos médicos. Muitos médicos, ”

        Uma Ordem não é um sindicato. E se estes não são imunes ao fechamento e aos interesses, nas Ordens mono-segmento é garantido.

  2. Paulo Marques says:

    Porque quem é contra sindicatos gosta muito de ordens do negócio privado e redes de interesses – não se safa uma. Aliado a um desejo de criar acumulação de capital como uma reza para que caia investimento, é para ir colapsando até não haver alternativa.
    Bem, e aliado a um desejo de ser bom aluno achando que é bom para a economia, borrifando-se para os efeitos inevitáveis do mau funcionamento da infraestructura.

    • JgMenos says:

      Isto de sindicatos nada tem a ver com interesses, são organizações da ordem do espiritual…

      • Paulo Marques says:

        Claro que tem a ver com interesses; tudo são interesses, tudo é política. A questão é os interesses de quem, uma elite preocupada com os interesses da própria elite pouco preocupada com o trabalho não interessa.
        Ou dito em linguagem vulgar, alguma ordem fez greve por chover no local de trabalho, ou longas horas extraordinárias comprometeram a qualidade, ou ferramentas desapropriadas?

      • POIS! says:

        Pois mas essa espiritualidade…

        Era muito mais acentuada no tempo dos saudosos Sindicatos Nacionais de adesão obrigatória.

        Sobre eles descia o espírito salazaristico-cerejesco de amor pelo patrãozinho, que era quem punha o pão e o vinho sobre a mesa duma casa portuguesa com certeza.

  3. José Fisga says:

    Que vontade política pode levar um médico que encontra sem qualquer esforço trabalho em Lisboa , Porto ou Coimbra a mudar-se para o interior ou até mesmo para o Algarve sendo que neste caso até tem havido apoios extraordinários a esta deslocaçào? vontade política?? Formemos mais médicos e vamos ver se não haverá mais gente interessada (ou empurrada pela necessidade de trabalhar) em ir para o interior , para a província etc. As ordens profissionais devem ser coartadas nos seus poderes de limitação do número de pessoas que se formam preocupando-se mais com a qualidade do ensino e do exercício da profissào O corporativismo deveria ter desaparecido com o 25 de Abril mas continua forte e pujante prejudicando o país.
    Quanto à questão notas de acesso é sempre bom lembrar que em Portugal se formaram excelentes médicos alguns dos quais foram também excelentes professores que entraram para as faculdades sem estás limitações absurdas de notas ( símeis sei que naquele tempo não abundavam os 20s …)

    • JgMenos says:

      E a capacidade de ensinar com meios bastantes não em si uma limitação?

    • Rui Naldinho says:

      Todos os médicos que entraram nas nossas faculdades, nomeadamente os que estão agora na berlinda, por estarem perto da idade da reforma, entraram com notas altas.
      Eu ainda sou do tempo, e já vou nos 60, em que os alunos finalistas que só tinham 15 e 16 valores de média final dos liceus, entravam em veterinária, na altura só havia uma Faculdade e em Lisboa, e terminado o primeiro ano, transferiam-se para medicina, uma vez que parte das cadeiras eram comuns no primeiro ano.
      A ideia peregrina de que os actuais médicos entraram algures nos últimos 40 anos, na faculdade de medicina, com médias de 13 e 14 valores, os do regime geral, claro, excluem-se como é óbvio, uma minoria, os do regime especial, tal como atletas de alta competição, militares, alunos de nacionalidade portuguesa, com a formação lineal feita no estrangeiro, etc. é pura ficção.

      • José Fisga says:

        Pois eu que já vou para lá dos 70 vi entrar na faculdade de medicina muitos dos meus colegas de liceu com 12 ,13, e até com menos mas depois de fazerem um exame de admissão . Claro que havia os que dispensavam deste exame e entravam com 14 ou mais valores obtidos nos liceu. Entravam muitos e no primeiro e segundo anos havia um “desbaste” que limpava os incapazes.Hoje entram menos é uma vez entrados têem que acabar o seu curso já que os apoios estatais as faculdades estão relacionados com o número. De alunos…

        • Paulo Marques says:

          Não sou desse tempo, mas segundo me contam, notas mais altas era para quem decorava tudo o que se pode e deve consultar, além de passar graxa e ser de boas famílias. Não eram propriamente indicadoras de qualidades úteis.

  4. Piedade Roberto says:

    boa questão!

  5. José Ferreira says:

    muito bem, perdem-se grandes médicos por terem uma nota baixa mas dedicados e formam-se sapateiros com nota alta que alguns nem deviam de exercer medicina…

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