Professores: O regresso dos mortos-vivos

Estão doentes durante o ano lectivo inteiro, mas ė vê-los a regressar todos ao serviço na última semana de aulas.
Parecem os mortos-vivos.
Nada de grave. Em Setembro, voltarão a cair de cama gravemente enfermos.
É uma minoria, eu sei. Mas uma minoria extremamente ruidosa. Fazem tanto pela má imagem pública dos professores como fez a escumalha de Maria de Jesus Rodrigues há uns anos.
Como é que eu explico isto a quem se queixa da escola?
O ensino público resistirá. Porque, apesar deles, continua a ser o único sistema justo, democrático e inclusivo.
Lições de moral não recebo. Sou de Esquerda, sou professor e nunca renunciei a alunos nem mandei outros colegas para o desemprego só porque as aulas tinham acabado.
Ao pessoal de Direita que pensa poder usar isto como guerra ideológica, pode dar meia volta.

Lisboa antiga, Lisboa moderna

Na Lisboa antiga, quem lá trabalha sabe que não pode lá viver, pois para quem trabalha não é suportável pagar rendas excessivas ou andar de airbnb em airbnb.

Na Lisboa moderna, tudo é diferente. Há rooftops, sunsets, beers em pubs e chefs com Michelin, onde só os que usam anel no mindinho são livres de circular.

Duas Lisboas, na mesma Lisboa. Obrigado, neo-liberalismo.

Porque é que o Chega odeia a dona Rosa?

Eis Rosa Pinto, uma mulher que trabalha desde os 11 anos, que comeu o pão que diabo amassou e que recebe 189 miseráveis euros de RSI. Ou, nas palavras da extrema-direita muito católica e pela família, uma parasita subsídio-dependente.

Porque é que o CH e o exército de André Ventura odeiam a dona Rosa?

Liberdade para matar crianças

Esta era a Makeena.

A Makeena tinha 10 anos, andava na quarta classe e foi uma das 19 crianças assassinadas pelo terrorista americano de 18 anos, que há duas semanas fuzilou 21 pessoas na Robb Elementary School, no Texas.

O massacre de Uvalde foi o 30 tiroteio ocorrido em solo americano, ao longo de 2022. Só em escolas do ensino básico e secundário. Se incluirmos universidades, o número sobe para 39 casos. 39 tiroteios em instituições de ensino, em menos de cinco meses. E o massacre de 24 de Maio foi o mais violento e mortal dos últimos 10 anos. Teríamos que regressar a Sandy Hook, 2012, para encontrar um número de vítimas mortais mais elevado.

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O ódio mata

Bruno Pereira, activista brasileiro pelos direitos das comunidades indígenas, e Dom Philips, jornalista britânico ligado a várias publicações de renome, como o Guardian, estão desaparecidos há vários dias.

Os dois encontravam-se na Amazónia, a trabalhar numa investigação que apontava para graves ilegalidades cometidas por madeireiros, garimpeiros e caçadores. Foram ameaçados, continuaram, desapareceram. O mais certo é estarem ambos mortos.

Questionado sobre o sucedido, Jair Bolsonaro apressou-se a colocar em cima da mesa as duas opções que lhe ocorreram: “acidente” ou homicídio. É natural que assim seja. Poucos, como ele, têm sido tão eficazes a promover e propagar o ódio contra qualquer activista que denuncie a sua negligência e os crimes cometidos contra a floresta amazónica. E menos ainda, principalmente na sua posição, têm incentivado à violência contra a comunicação social.

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