Um povo sem memória é um povo sem futuro (a propósito do ataque à História no sistema de ensino)

A desvalorização, o desprezo com que as Ciências Sociais são encaradas, não é de hoje.
Ciências como a História, que nos dão o passado, a memória, a identidade, começam lentamente a ser apagadas do sistema de ensino.
Em algumas escolas, no 3. ciclo, História é unida à Geografia e à Cidadania (uma disciplina que engloba tudo como se fosse tudo a mesma coisa). Noutras escolas, vão mais longe e apagam mesmo o nome da História e da Geografia. Passam a chamar-lhes Ciências Sociais. Noutras ainda, História e Geografia já desapareceram do 7. ano. Ou deram-lhes 50 ou até 25 minutos semanais.
Do 3. ciclo, rapidamente se seguirá o secundário e depois o superior. Afinal, quem quererá seguir uma disciplina que não existe?
Compreende-se. Para o poder político, quanto mais ignorante for o povo, melhor. Mais fácil é de conduzir a manada. E nada melhor do que apagar toda a sua identidade, a sua memória, o seu passado.
Há quem chame a isto democracia.

Comments

  1. JgMenos says:

    A cambada apaga a memória como primeiro passo para a reconstruir segundo os padrões da sua idiotia.
    O que em tempos foi a saga da conquista e o esforço colonizador dos portugueses, está a ser reescrito como o imperialismo, e a exploração e – para cabrões que não querem saber da dívida que contraem em cada mês que passa – vão dizendo que os ‘povos independentes’ de hoje herdaram créditos de umas cem gerações e temos que ir a Melilha resgatá-los e instalá-los com todos aqueles ‘ter-que-ser’ que nos dizem serem indispensáveis a compor a ‘dignidade’.
    Dignidade que sempre recusam aos nossos antepassados por terem vivido no seu tempo e não no que dizem ser o nosso futuro.
    Cachorrada mais imbecil !!!.

    • Paulo Marques says:

      As políticas identitárias que interessam; o importante não é o conteúdo, que é o mesmo, é mesmo o nome. Como é o nome que se dá ao que defendem que os afecta, a descrição e equivalência até é um elogio.
      Florzinhas de estufa a precisar de validação constante.

  2. Joana Quelhas says:

    Já aqui escrevi isto mas nunca é demais.
    Lembram-se da narrativa não lembram ?
    A Idade Média ou a “Idade das Trevas”, em que tudo era mau por causa da religião.
    Depois para nos salvar veio a Renascença .
    O Iluminismo q nos levou ao Positivismo.
    O Homem racional finalmente matou Deus e com a ajuda da Razão faria o Homem Novo e consequentemente o Paraíso na Terra.
    Mas para isso era necessário Educação.

    Sabemos ao que nos conduziu:
    i)Eugenia
    ii)Duas mais sanguinárias ditaduras
    iii)2 guerras mundiais.

    Durante a idade média apenas a aristocracia tinha acesso à educação.
    Os nobres eram os únicos que tinham a possibilidade de pagar professores. Nessa altura os professores eram os membros do clero , eram os detentores do saber, ou seja eram os “cientistas” desse tempo ( inventarem a Universidade).
    A formação visava a a formação do Homem. O programa era constituído pelo Trivium e pelo Quadrivium : as sete artes liberais).
    Os pobres não tinham acesso aos estudos. Limitavam-se a aprender um oficio para poderem ganhar a vida.

    Tantos séculos passaram e o que temos ?

    Temos uma escola que ensina os alunos a terem uma profissão como Médico, Engenheiro, Professor, Advogado etc. , à semelhança dos pobres de outrora que apenas tinham acesso ao treino numa profissão nas oficinas.
    A educação com o objectivo de formação do Homem, pura e simplesmente não existe, é uma “violência” ensinar latim, os clássicos , história, geografia etc etc.

    Hoje em dia o bom bom é “ensinar a aprender” e não “cavar” desigualdades com a tretas de exames e avaliações.
    E preencher todo o tempo com as chamadas Ciências Sociais e Aulas de Cidadania (Ideologia).
    A designação de “Ciências” Sociais tenta-se convencer as pessoas que as Ciências Sociais são ciências em que também se aplica o método cientifico, para se “encostarem” à credibilidade das Ciências Naturais.

    Isto é uma optima receita para impedir a mobilidade social daqueles jovens inteligentes curiosos que nascem em qualquer extracto social e neste cenário nunca saberão que podiam, via escola mudar o seu destino e das suas famílias.

    E no fim temos aquilo que tínhamos na Idade Média, só que o oficio á aprendido nas Universidades e a formação do Homem é só para alguns em algumas escolas privadas.

    Grande progresso …

    Joana Quelhas


    • “Durante a idade média apenas a aristocracia tinha acesso à educação.”
      Dai o o dito de um general alemão importado para organizar as tropas portuguesas: “Um sargento deverá saber ler e escrever pois o seu comandante, por ser fidalgo, poderá não o saber”.
      Os nobres estavam-se borrifando para a educação. O que lhes interessava era caçar veados ou andar á porrada.
      Uns marialvas.

    • Paulo Marques says:

      Ensinam apenas para uma profissão… ensinando-os a aprender a aprender independentemente.
      Um non-sequitor de quem despreza as ciências socais, ou a lógica? Bem, não se sabe. Mas sabe-se que se as ciências sociais, diz a autora, não são científicas, então vale qualquer coisa, e martela-se a história e a qualidade das escolas privadas, o non-sequitor da pós-verdade.

      • Paulo Marques says:

        Só falta dizer que foi o socialismo que criou a ideia da formação para optimização do trabalho industrial.


  3. Não aceito este tom apocalíptico sobre uma suposta conspiração contra as “ciências sociais”.
    Nos meus tempos a biologia, física e química eram agrupadas numa disciplina de “ciências naturais”. A física e a química só se divorciavam no 12º ano. Mais recentemente casaram a biologia com a geologia. Na epoca ninguém se indignou e estamos todos vivos.

    • Pimba! says:

      Lá por terem feito mal no passado näo valida que façam mal no presente!

      “recentemente casaram a biologia com a geologia”, que deve ser um rico casamento, seres vivos com seres… bem, quer dizer… inanimados! Faz algum sentido?

      Assim como näo faz sentido casar História com Geografia. Mas desde quando a Geografia é uma “ciência social”?
      Só se for na parte das fronteiras, agora de resto, as montanhas e os oceanos estäo-se a borrifar para os míseros humanos… já cá estavam antes, e estaräo cá depois!

      • Ricardo Pinto says:

        Em algumas escolas, já estão a unir Educação Visual com TIC. E há quem queira unir Francês e Inglês.
        Começam assim, devagarinho, e daqui a uns anos chegam à conclusão de que basta um professor em vez de dois para dar a disciplina. O sonho de qualquer gestor.
        Eles pensam muito à frente.


      • É fantástico como é que um português consegue dizer que oceanos não influenciam nada na historia. Se calhar não teve nem historia nem geografia na escola. A biologia e a geologia não têm ligação possível? Nunca deve ter ouvido falar nem do ciclo do carbono nem do ciclo do cálcio.

      • Paulo Marques says:

        O que não faz sentido é achar que há disciplinas independentes, e que não está tudo ligado. O que não é o mesmo que deva ser tudo na mesma cadeira ou por qualquer um, mas casados sempre estiveram.

    • Pimba! says:

      “e estamos todos vivos” não é argumento.
      Afinal, até na Idade Média também estávamos…
      entre uma peste e outra.

  4. Amora de Bruegas says:

    Muuuito bem observado! Os democratas vermelhos, à semelhança de Hitler, Mao ou Estalije, querem um povo manso, conduzido em manada…., e o s portugueses a troco de euro-esmolas, aceitam!

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