Afirmar a laicidade republicana, perseguir e desmantelar todas as formas de fundamentalismo religioso

Hadi Matar, o norte-americano de ascendência libanesa que há dias esfaqueou Salman Rushdie, afirmou tê-lo feito por aversão ao escritor e à polémica obra Os Versículos Satânicos, que admitiu não ter lido, em entrevista ao tabloide The New York Post.

Um fanático religioso é isto: organiza um atentado e esfaqueia a vítima para matar, movido pela aversão a um livro que não leu. Nem precisa. Um fanático não precisa de ter provas de nada. Precisa de ter fé. E a fé dos fanáticos é mais perigosa que 666 fascismos.

As democracias devem ser absolutamente intolerantes com o fanatismo religioso, venha ele de onde vier. Devem salvaguardar o seu modo de vida e ser impiedosas com estes e outros fanatismos. Devem proteger e afirmar a sua laicidade, e reduzir ao mínimo indispensável as suas relações com Estados que, como o Irão ou a Arábia Saudita, emitem o terror por decreto, enquanto os seus Breitbarts celebram a navalha que “rasgou o pescoço do demónio”.

E afirmar a laicidade republicana do Estado implica monitorizar, perseguir – sim, perseguir – e desmantelar todas as madraças em solo europeu, prendendo e deportando todos os extremistas que pregam o terror. E sim, isto também vale para o braço religioso da extrema-direita, que cada vez menos se distingue do xiismo iraniano ou do sunismo wahhabita. O fundamentalismo religioso é para destruir, sem contemplações.

Comments

  1. Fernando Manuel Dias de Lemos Rodrigues says:

    “Um fanático é isto: organiza um atentado e esfaqueia a vítima para matar, movido pela aversão. Um fanático não precisa de ter provas de nada.” (as correcções são minhas, já que o Mendes parece que discrimina os fanáticos)

    No próximo dia 5 de Setembro (daqui a cinco dias, portanto) faz 50 anos que um grupo terrorista islâmico auto-intitulado “Setembro Negro” fez reféns a acabaria por matar diversos atletas israelitas.

    Queria só deixar aqui essa recordação, para memória futura.

  2. Fernando Manuel Rodrigues says:

    O fanatismo assume muitas formas, e a religião é apenas um dos pretextos. Deixo aqui algumas organizações de fanáticos assassinos que nada tiveram de religiosas:

    Facção do Exército Vermelho (mais conhecida por Grupo Baader-Meinhof)
    Brigadas Vermelhas
    ETA
    IRA
    FP25

    Convém esclarecer que fanatismo e religiosidade são duas coisas completamente diferentes.

  3. Anonimo says:

    E o fundamentalismo não religioso?

  4. JgMenos says:

    «o braço religioso da extrema-direita» …e eu à espera de saber se há um Deus da extrema-direita ou se Deus é da extrema-direita!

    • Paulo Marques says:

      Deve haver, pelo menos das palavras do filho não gostam. Aquelas coisas dos vendilhões do templo, dos ricos não entrarem no céu, do jubileu, ser contra a usúria, amar o próximo, oferecer a outra face, e muitas outras coisas não lhes entram na cabeça.

      • JgMenos says:

        Tudo isso são meios que dão acesso ao Reino de Deus; não se aplica a laicos e a ateus, que só se propõem serem beneficiados pelos crentes.

        • Paulo Marques says:

          Ufa, o que vale é que a extrema-direita nunca diz que está a defender a profanação da palavra de Deus.

  5. Paulo Marques says:

    Estão bons a dar tiros nos pés e a oferecer argumentos simplistas que os nossos amigos estão fartos de saber aproveitar. Vai ficar tudo bem, é só encontrar um outro e tá-se.
    Mas adiante, o João sabe bem que isso não dá. Num caso, por muito que possa não querer, precisamos da torneira aberta no futuro previsível. No outro, há que o manter como maior inimigo quando dá jeito. E ao pedir o “mínimo indispensável”, os “centristas responsáveis” querem o retorno do fundo saudita e as execuções ilegais por drone de líderes políticos de países soberanos (feitos no mesmo, ou, pior, noutro), bem como o apoio ao outro estado fanático que por acaso faz genocídios do bem.
    Fazia-se bem em começar pelo início, afinal qual é o objectivo? Sei que está fora de moda na política e geopolítica, mas dá jeito para ter vitórias. É que se o objectivo é prevenir a violência e a desumanização pelo lado mais fraco, se calhar é importante não sustentar que seja continuado pelo lado mais forte. O falhado, e quem o ensinou, só estava a replicar a violência como continuação da política por outros meios. Quem não tem drones e A-10, caça com faca.
    E, na verdade, sabe bem que a monitorização já é feita, e não só eles, como todos somos espiados e catalogados em armazéns de dados. Sente que resultou e quer mais, e consequentemente que o Assange e Snowden se lixem por estragar o esquema? Ou se calhar o problema não é esse, como nunca foi?
    É uma pena ver a esquerda a usar os argumentos do imperialismo, quando este podia, se queria, e bem, ter o seu troféu, tê-lo protegido permanentemente com seguranças bem mais baratos e eficientes do que o que fez.

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