“You can’t go to a physics conference and say: I’ve got a great theory. It accounts for everything and is so simple it can be captured in two words: “Anything goes.””
— Noam Chomsky, 15 May 2022The Yorkists defeated and dispersed, their leader butchered on the field, it seemed, for a very brief season in the winter following upon the events already recorded, as if the House of Lancaster had finally triumphed over its foes.
— R.L. Stevenson, The Black Arrow
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Em primeiro lugar, convém distinguir obsessão e afins de obcecado e afins. Por causa do <s> e do <c>. E afins. Convém, de vez em quando, ser lexicalmente pouco sofisticado (os meus convém e afins), em nome da coerência.
Nada tenho contra Marcelo Rebelo de Sousa — nada! — , embora tenha recusado uma selfie com ele (sugerida por outrem note-se), por dispersão e insensivelmente, enfim, como finados o Império Romano e o Reno (obrigado, Eça e Ega) — e a recusa está devidamente documentada. Claro, também há o AO9O. Pois é. O AO90. Siga.
Felizmente, há vida além de Marcelo. Graças aos deuses. Infelizmente, no entanto, continuamos no espírito marcelista da ponte Salazar. Venha a geração do Eduardo (e do Ernesto). Não há pachorra (nem tempo, cf. infra) para parolices e cultos de personalidade.
Nas últimas semanas, por razões tristes, do foro familiar, tenho ido imenso a Portugal. Os telejornais (RTP, SIC, TVI) passam sempre qualquer coisa que nos possa meter Marcelo Rebelo de Sousa pelos olhos adentro. Eventos, exposições, inaugurações, eventos, exposições, eventos, inaugurações, exposições e tal, etc.
De facto, imensa coisa deve meter-nos pelos olhos adentro a personagem Marcelo Rebelo de Sousa, na esfera pública, enquanto Presidente da República. Todavia, assuntos secundários e vários pretextos desinteressantes também servem sempre para, mais uma vez, nos meterem de novo Marcelo Rebelo de Sousa pelos olhos adentro, fazendo-nos perder tempo e paciência com insignificâncias. Parecem os coisos do Porto Canal, torturando-nos com noticiazecas sobre o FC Porto (a propos, leia-se este meu modesto texto).
Actualmente, Marcelo Rebelo de Sousa só tem interesse público na função de Presidente da República. O resto é folclore. E como me dizia há uns anos um dos meus melhores professores: “I don’t have the time for this”. Nem eu. Mas é fim-de-semana, Ludovic. E o Glorioso só joga amanhã. Antes disso, depois da natação e da bicicleta, há cozido ao almoço. Uma coisa de cada vez.
Já sabia que Noam Chomsky e Gary Marcus iam dar uma bela aula sobre inteligência artificial, algures em Portugal. Por razões profissionais, ainda esta semana falei sobre a perspectiva do excelente Searle. E estive quase a escrever aqui, no Aventar, sobre a nota de 50 libras esterlinas do Turing que emoldurei e que se encontra em lugar de destaque no meu escritório da casa da aldeia. Trouxe a nota, há poucos meses, de Iorque. A velha Iorque, do concerto dos Duran Duran, do Castle Howard, do Brideshead Revisited, da Flecha Negra e do resto. E ainda esta semana falei com colegas de Lencastre. Lencastre e Iorque. Iorque e Lencastre.
Chomsky, Turing, Searle. Que maravilha. Três craques. Repetindo-me, há vida além do folclore marcelista. A minha sorte é ter assuntos a tratar que ultrapassam os noticiados pela TV portuguesa. Há quem não tenha a minha sorte. E há quem tenha a minha sorte e, mesmo assim, goste.
Até breve.
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E deixam-no entrar, assim, sem ser cancelado pela polícia dos bons costumes? Como isto anda…
“Chomsky e a doentia obsessão dos portugueses por Marcelo Rebelo de Sousa”, mas a culpa é do Putin. Também a Energia que os Estados Unidos irão vender a peso de ouro, mas a culpa é do Putin!