O deputado Jerónimo de Sousa vai abandonar o cargo de secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), dezoito anos depois.
Como deputado, é o parlamentar mais antigo em funções, contribuiu largamente para a instalação e manutenção do regime democrático, foi sempre sério, honesto e assumiu sempre as suas posições sem rodeios ou pruridos, concorde-se, ou não, com muitas das posições do PCP.
Não sendo eu votante do PCP, nem comunista, Jerónimo de Sousa foi dos poucos que me fez, desde cedo, olhar a política, analisá-la e gostar muito dela. Foi o único líder do PCP na minha, ainda, curta vida – lembro-me vagamente de Carlos Carvalhas, mas era demasiado jovem para sentir qualquer ligação. Íntegro, o ex-operário metalúrgico assumiu sempre uma postura de rectidão em relação à sociedade portuguesa, na luta pelos trabalhadores portugueses, pelo povo que ajudou a libertar, ainda na clandestinidade durante o Estado Novo e, depois do PREC, ajustando as visões comunistas à democracia liberal, que fez com que o PCP sobreviva ainda hoje, mesmo que, de ano para ano, cada vez mais gente lhe vaticine uma morte anunciada, tão anunciada que nunca se chega a concretizar (nem me parece que será tão cedo).
A Jerónimo de Sousa, o país só tem de agradecer, pela postura democrática, pela cordialidade, pela educação e pela defesa dos valores democráticos em Portugal. Será, sempre, um dos cravos que Abril nos deu.
Ao sucessor, que não conheço, desejo que consiga manter o PCP como um dos baluartes da democracia portuguesa e que rejuvenesça o mesmo, adaptando a mensagem comunista aos dias de hoje, pois sem o PCP, Portugal será sempre menor. Boa sorte, “não é tempo de tratar de poéticas agora”.

Jerónimo de Sousa nas comemorações do 1.º de Maio, em 2021. Fotografia: João L. Maio






Impressionou-me particularmente o seu empenho na luta contra o imperialismo russo!
Pois foi!
E a prova é que a Merkel, o Macron, o Hollande, Schröder, o Barroso e o Passos sempre lhe agradeceram não estarem sozinhos!
Particularmente o Barroso e o Passos.
O Barroso, porque o Putin lhe confidenciou numa conversa que ia dar cabo da Ucrânia, ele fartou-se de avisar e ninguém o ouviu.
O Passos porque tomou aquela grande decisão de não deixar os russos adquirirem mansões e apartamentos de luxo no Algarve e ninguém ter compreendido. Na primeira hipótese, puseram-no logo a mexer, coitadinho.
E também houve aquela cimeira dos Direitrolhas Europeus em que a Le Pen, o Salvini e o Quarto Pastorinho também lhe mostraram a conjunta gratidão.
Consola-te tótó.
Estás com azia, Menos. Só és gozado porque és um verdadeiro néscio, com mania de intelectual.
Se lesses uma segunda vez as alarvidades que debitas, antes de as publicares, talvez alguém te levasse a sério.
Assim só tens o que mereces. Escárnio e gozo, à boa moda da idade média. Aliás aquela em que vives.
Pois, não preciso!
Não tenho as limitações de Vosselência!
Ayto-console-se Vosselência a contemplar o “poster” do batalhão de fuzileiros que lhe enfeita o quarto. Ao lado da foto do Oliveira da Cerejeira de corpo inteiro.
Os anos do perdoam. Nesta vida todos temos um prazo de validade, por muito boa vontade que tenhamos em servir uma causa. Jerónimo é a essência do PCP, como partido político enraizado como muito poucos no proletariado.
Já a escolha do novo líder, só é uma surpresa para quem não conhece a orgânica do PCP.
É o partido mais previsível e coerente de todos os nossos partidos políticos. Daí os outros estranharem o seu modo de vida. Tem dogmas na sua agenda. Alguns pouco compreensíveis à luz duma certa racionalidade burguesa, onde nos inserimos. Como por exemplo, a sua fobia ao imperialismo anglo saxónico, o norte americano em particular, que combate por vezes de forma pouco racional, defendendo ditadores, como o da Correia do Norte, entre muitos outros.
O PCP tem uma enorme aversão ao liberalismo, que rejeita liminarmente.
Enquanto a maioria dos Partidos Comunistas da Europa Ocidental foram quase sempre dominados por uma elite intelectual filiada nesses partidos, daí terem enveredado a certa altura, pela chamada via “eurocomunista”, a espanhola, italiana e francesa, que acabou mais tarde ou mais cedo na extinção desses partidos, ou se quisermos ser mais singelos, na sua integração noutras correntes mais social democratas, o nosso PCP sempre foi dominado pelo sector operário. Se quisermos, pelo sector sindical. Eles são quem detém a última palavra, e não os intelectuais. A Inter Sindical é o seu “braço armado na rua”.
O PCP nunca abandonou o Leninismo. Para estes comunistas a luta de classes existe, tal como no final do século XIX. Para este PCP o capitalismo, mesmo que mitigado por um Estado Social forte, como acontece nos países nórdicos, é para destruir em prol duma sociedade socialista controlada pelo Estado. Onde só pequenos negócios privados à escala local podem subsistir.
O problema é que o Estado e o PCP se confundem como acontece em todas as ditaduras comunistas, sendo a China, um bom exemplo. Mas há muitos mais.
O PCP nunca nos surpreende. A ideia peregrina de termos um João Oliveira ou um João Ferreira na liderança do PCP, só mesmo numa telenovela ficcional cor de rosa.
Claro que o líder do PCP hoje, mais do que nunca, tinha de ser um ex operário.
Estavam à espera de quê?
Excelente comentário.
Compreender o PCP. hoje, cumprido que foi o seu papel internacionalista de seguir os soviéticos em todo o seu esplendor de império colonial promotor da descolonização dos outros, tem que ser procurado no mais restrito provincianismo: o funcionário que dá assistência psicológica no centro de trabalho; o comício cantante; a passeata protestante; a autarquia prestante; o passado sofredor; o futuro …a Deus pertence!
Um mérito os distingue da esquerdalhada e o acreditam: falam do trabalho, respeitando-o.
Pois vejo que Vosselência…
Seguiu o conselho: autoconsolou-se a contemplar o “poster” do batalhão de fuzileiros que lhe enfeita o quarto. Ao lado da foto do Oliveira da Cerejeira de corpo inteiro.
A pesporrência comentarial evidenciada só se compreende no âmbito de um clímax incontinentemente atingido por mão própria.
Coitadinho do Menos. Vê o cisco no olho do vizinho comunista, esquecendo-se que o inverso também é verdade.
Se houve seguidismo do PCP em relação à URSS, e mais recentemente em relação à China, o mesmo se passou e passa com os outros partidos mais à direita, em relação aos EUA. Ou não foi sempre assim?
O que fazem quase todos os membros da NATO, em especial os de origem anglo saxónica, em relação ao imperialismo dos EUA?
Colaboramos
O que fazem os partidos democrata cristãos, liberais e uma boa parte dos sociais democratas, em relação â política externa dos EUA?
Colaboramos
É olharmos para o Médio Oriente, para constatarmos a monumental hipocrisia dos Europeus e Norte Americanos, onde nem a Rússia escapa à onda.
É olharmos para a América do Sul e não faltam exemplos, de interferências norte americanas com a complacência dos Europeus.
O que é que os EUA foram fazer ao Vietname, ao Iraque e ao Afeganistão?
Cócegas?
Explica-nos lá ó Menos, qual é, nessa matéria, a diferença entre o Durão Barroso, o Aznar ou o Blair e Jerónimo?
Os EUA fizeram e fazem o que é essencial: livraram-nos da URSS e defendem-nos da tirania russa.
E enquanto isso, os europeus dão mimo a todo o esquerdalho, subsidiam toda indigência, gastam poucochinho em armas, poupam vidas.
Quanto ao mais, seguramente cometem erros, mas o essencial vem sendo garantido.
Quem é que, no fim das contas, derrotou Hitler?
Foi aquele tio avô do Menos, que era comunista, o General Gueorgui Júkov.
Mas como o homem era bolchevique não conta para a história. Para ele, só as tropas desembarcadas na costa francesa contam.
Os outros andavam aos cogumelos.
Eu digo-te, quem deu mais carne para canhão:
– Quem fez uma aliança com o Hitler, que repartiu com ele a Polónia, e assim viabilizou o começo da IIGG e que, confiado no aliado, não se preparou para a guerra.
– Quem a seguir teve que fornecer pessoal mal armado e que ou avançava ou era abatido pelos comissários políticos.
– O que precisou dos camiões americanos, entre muito outro material. para não ir a pé para a guerra,
– Quem mais roubou, violou, assassinou, no estilo que ainda hoje podes ver exemplificado na Ucrânia.
Mas para comunas materialistas-marxistas vidas humanas é material reprodutível.
Agora, se queres saber o que derrotou o Hitler, foi a resistência inglesa, os EUA e a incompetência dos italianos que atrasaram a invasão da Rússia por alguns meses.
Pois é!
Ao contrário do que acontecia na gloriosa Época Salazaresca. Nessa altura comprámos aos americanos armas muito mais que poucochinhas. Ele era resmas de tanques, centenas de mísseis, aviões de último grito, 27 submarinos e um porta-aviões. E tudo nos saldos, de borla, ou a pagar em suaves prestações mensais.
E, preocupados com a possível perda das nossas colónias poucochinhas, mandaram-nos umas tropas avantajadinhas, que ensinaram a falar portuense, alentejano e açoriano, para passarem despercebidas lá nas áfricas.
É por isso que há quem diga que ninguém as viu, tão eficiente foi o disfarce. E até nos arranjaram um movimento de libertação poucochinho, chamado FêNêLêAhh!, comandado por um Roberto, para inimigo poucochinho, não fosse tanto material fornecido estragar-se.
Entretanto, por amor ao Oliveira da Cerejeira, iam deitando o olho para o petróleo poucochinho que havia lá pela Cabinda do Pau antes que ele o deixasse fugir, porque em São Bento já tinha um fogão elétrico e achava que já não era preciso.
E assim nos ajudaram, até hoje, a manter o nosso Império Poucochinho, livrando-nos dos soviéticos, dos chineses, das pragas de gafanhotos e da pitríase versicolor.
Carissimo Salazarista
Os Americanos entraram na guerra porque Stalinegrado não estava a correr como queriam.
Escusam os actuais neonazis reescrever a historia
Mais um treteiro…. que até Pearl Harbour foi uma encenação de holywodesca… Stalinegrado foi a chave!
Uau, combatem o próprio espantalho que criaram, a troco da singela contribuição da completa desindustrialização da Europa, o continente que faltava colonizar por completo. Tão fofos.
Percebe-se, nem a história da II guerra é capaz de entender a não ser por mitos de propaganda. Tenho tanta pena da sua inteligência que lhe dou uma ajuda, as negociações a recriminar não são as para o MR – não que que isso interesse para coisa nenhuma.
Foi o único líder do PCP na minha, ainda, curta vida
Que idade tem o João Maio?
Quase nos 27.
Ah, bom, eu julgava que tivesse o dobro, veja lá.
É por isso que o João Maio não consegue conceber que muitos atuais membros da Iniciativa Liberal tenham em tempos longínquos sido membros (alguns, até fundadores) do Bloco de Esquerda. É que, sabe, quando o Bloco de Esquerda foi fundado (ainda o João Maio andava de fraldas) tinha muito de liberal. Só mais tarde é que infletiu em direção ao comunismo puro e duro.
É curioso, porque eu conheço a história do Bloco e alguns dos seus fundadores, e do que sei a maioria ainda se encontra no Bloco e, quem saiu, está hoje em associações menores da esquerda radical (muitos deles acabaram por fundar o MAS).
Outra curiosidade é o Luís dizer que outrora o Bloco era mais liberal (talvez quisesse dizer libertário), quando a crítica interna (e não só) aponta exactamente o contrário: o Bloco, que nasceu como um agregador à esquerda entre aqueles que não se reviam na social-democracia do PS e na ortodoxia do PCP, com traços trotskistas e neo-comunistas ou alter-mundialistas, virou, desde a saída de Louça e do fim da liderança Martins-Semedo, um partido social-democrata, longe dos tempos de protesto que culminaram no catapultar do Bloco a terceira força política em 2015.
Se haverá meia dúzia de ex-BE hoje na IL? Claro, como há no BE gente que, jovem, era PSD. São é muito poucos. Se me disser que há jovens com 22-30 anos que já votaram no Bloco e hoje, com interesses e vidas diferentes, votam na IL, acredito piamente.
Sr Lavoura
O BE tinha imensa gente que era liberocas e não sabia:
A UDP
O PCP (R)
O grito do Povo no Porto
Os grupos trotsquistas
etc etc
tudo perigosos liberocas como o sr Lavouro
Ao que chega a pouca vergonha destes inventores
Por amor de deus, o BE hoje em dia não anda longe de citar as mesmas coisas que o +Liberdade dos amanhãs que cantam da eurolândia que não são para sair do papel, ou até do consenso de Washington, qual comunismo puro e duro.
Eles a ir para um lado, e eu para o outro, e, como diz o Maio, nem é de hoje.