Trump, Chomsky e as línguas

Quem quer ouvir pintar em inglês do Mali?

— GNR

I’ll tell you what I want, what I really, really want
So tell me what you want, what you really, really want
I wanna, (ha) I wanna, (ha) I wanna, (ha) I wanna, (ha)
I wanna really, really, really wanna zigazig ah

— Elijah Wood (o original é este e eis um bónus)

***

Segundo a versão do Politico («Without the US, the French would be speaking German»), Donald Trump terá escrito que, sem a intervenção dos EUA na Segunda Guerra Mundial, hoje em dia, os franceses estariam a falar alemão — como língua dominante no território francês, entenda-se. Já agora, fica aqui uma nótula informativa a indicar que a paisagem linguística do hexágono é extremamente complexa e interessante e, já agora, há vida francófona além do hexágono.

Adiante.

Com esta asserção do presidente dos EUA (a veiculada pelo Politico, a original encontra-se no chilreio), depreende-se que Trump não lê, não escuta, não ouve (ou — existe sempre esta hipótese — não concorda linguisticamente com) Chomsky. Há uns anos, perante a pergunta de  Al Page “porque é que a língua francesa é tão diferente da alemã?”, Chomsky criticou implicitamente o ‘tão’, retorquindo que Page estava a partir do princípio de que a língua francesa era diferente da alemã.

Além desta pequena provocação, deixo-vos uma linda imagem do sítio do costume, desta vez, sem fatos, sem contatos, mas com um belíssimo panorama de um aspecto que só tenho difundido em dias de Orçamento do Estado. Tradutores Contra o Acordo Ortográfico, obrigado pelo mote.

Efectivamente, ontem, no sítio do costume.

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Grafias de fim-de-semana

Well the fact of the matter is: we can do just about anything. People like us, let’s say, we wouldn’t be here otherwise, are pretty privileged. We have the kind of privilege that few people have ever had in history or have now and if you have privilege you have opportunity and the opportunities are almost boundless. I mean thanks to the struggles of the past, it hasn’t always been like this, but thanks to the struggles in the past, there is a tremendous amount of freedom. The state may try to repress you, but they can’t do a lot.

Noam Chomsky

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Exactamente.

Efectivamente.

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Aristóteles, muito Chomsky, algum infinitivo e o Benfica-FC Porto

Global Imagens/DN (https://bit.ly/2GOVCht)

When I’m driving, I sometimes turn on the radio and I find very often that what I’m listening to is a discussion of sports. These are telephone conversations. People call in and have long and intricate discussions, and it’s plain that quite a high degree of thought and analysis is going into that. People know a tremendous amount. They know all sorts of complicated details and enter into far-reaching discussion about whether the coach made the right decision yesterday and so on. These are ordinary people, not professionals, who are applying their intelligence and analytic skills in these areas and accumulating quite a lot of knowledge and, for all I know, understanding.

Noam Chomsky

Professional sports are a way of building up jingoist fanaticism. You’re supposed to cheer for your home team. […] This idea of cheering for your home team, which you mentioned before, that’s a way of building into people irrational submissiveness to power. And it’s a very dangerous thing.

Noam Chomsky

Why do you care who wins? Why do you care who wins? Why do you have to associate yourself with a particular group of professionals, who you are told are your representatives, and they better win or else you’re going to commit suicide, when they’re perfectly interchangeable with the other group of professionals.

— Noam Chomsky

„Unter dem Entgegengesetzten aber hat der Widerspruch kein Mittleres; denn der Widerspruch ist ja eben eine Entgegensetzung, von deren beiden Gliedern eines jedem beliebigen Ding zukommt, ohne dass es zwischen ihnen ein Mittleres gibt.“

Aristóteles

Porque o árbitro se encontrava bem colocado e perto, cerca de 3/4 metros, e foi peremptório a assinalar a grande penalidade, aliado ao facto de não terem existido protestos de jogadores da equipa penalizada, que aceitaram pacificamente a decisão, com excepção do faltoso, único a esboçar contrariedade, damos-lhe o benefício da dúvida.

José Gonçalves

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Efectivamente, porque hoje é sábado.

Reparar (opção minha, i.e., intencional, para o caso em apreço, não vá andar por aí o Ciberdúvidas, de gramática normativa em riste e corrector em punho) nos infinitivos de Duarte Gomes, árbitro que tinha dificuldade na detecção de inofensivos saltos do Jardel (o Mário) na área do Benfica, confundindo-os com lances para grande penalidade.

Isso foi há muitos anos, mas o sempiterno tema da arbitragem no futebol voltou à ordem do dia cá de casa, aqui, aqui e aqui (toma e embrulha, JJC). 

Comecemos pelo mais importante, pelos infinitivos — os tempos indicados (m:s) dizem respeito ao vídeo que aparece lá em baixo, em (*):

recordar isso em casa’ (20:49); ‘dizer também’ (20:50); ‘e dizer-vos antes’ (21:58), ‘e convidar‘ (21:59), ‘e recordar‘ (22:44), ‘e dizer‘ (23:04), ‘fazer alguma pedagogia lá em casa’ (25:33); ‘recordar que estamos no âmbito das opiniões’ (26:02); ‘ver a imagem com o dinamismo’ (26:14) ou ‘Paulo, focar, focar no braço direito’ (26:30-2), ‘Paulo, perceber que isto está em dinâmica, OK?’ (26:43-5).

De facto, esta tendência sintáctica de infinitivo isolado em início de oração aparece aqui de forma abundante, através de um falante de português europeu. Pense-se neste caso em que escrevo pense-se neste caso, em vez de pensar neste caso. Convém de facto pensar neste caso, em que não dispenso o ‘convém’ (e o ‘de facto’), para não começar a frase com pensar neste caso. Pegando num dos exemplos de Duarte Gomes, em vez de recordar isso em casa, pense-se em recorde-se isso em casa e é importante também pensar em soluções como é importante recordar isso em casa. Mas este fenómeno é assunto que vou deixar para entretenimento e discussão em aulas e em clubes de sintaxe, isto é, fica para outra altura, depois do Benfica-FC Porto de amanhã. Para um benfiquista portuense como eu, dias de Benfica-FC Porto e de FC Porto-Benfica são dias mágicos: mais do que dias de Benfica-Sporting ou de Sporting-Benfica.

Por isso, vou meter a minha colherada na celeuma futebolística da semana, aqui no Aventar — quem não gostar nem de futebol, nem de discussões sobre futebol ou sobre o árbitro, o ovo e a galinha pode ficar por aqui, em vez de ler mais.

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Qual é o país, qual é ele, parecido com a Emma Watson?

Now… I actually changed my mind, just about a year after saying this particular dumb thing.

Paul Krugman

‘Health of the economy’ is defined in such a way that the economy can be extremely healthy while just about everybody is starving to death. Those two things are uncorrelated.

Noam Chomsky

I’d rather ride a horse than drive a car.

— Sam Shepard

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Quanto ao país parecido com a Emma Watson, efectivamente, o país é… Portugal!

Há cerca de uma semana, Emma Watson «usou tatuagem com erro ortográfico».

No outro dia (muito obrigado ao extraordinário leitor do costume), o jornal A Bola voltou a impressionar-nos com questões de alfaiataria, confrontando o porta-voz do FCP com um fato a usar.

Sim, porque o original da revista Sábado não tem fatos.

No mesmo jornal, também houve estes aborrecimentos com uma grafia (‘factor’) problemática em traduções, como sabemos desde os “human fator issues”:

Hoje, temos o panorama habitual, no sítio do costume.

Pegando num dos assuntos da semana passada, [Read more…]

“As pessoas já não acreditam nos fatos”,

diz Chomsky. Em Portugal, começaram a acreditar. Quando? Em Janeiro de 2012.

Um atoleiro de fatos e defeitos

To talk of Nicaragua as a security threat [to the United States and to the hemisphere] is a bit like asking what security threat Luxembourg poses to the Soviet Union.

Noam Chomsky

These beings seem completely indifferent to my progress. In fact I might just as well not be here at all as far as they’re concerned. I’ve tried talking them into banishing me entirely—then at least I’d be rid of them. Excommunication. But they don’t speak my language. They don’t speak no language at all. They just hover and moan. Water and blow. Like I’m not here at all.

Sam Shepard, “The One Inside” (p. 141)

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Há quase dois anos, indiquei o tratamento dado pela Assembleia da República à ortografia como um excelente exemplo de assimetria entre a vontade do eleitor e a atitude do eleito. Felizmente, no dia em que o Projecto de Resolução do Partido Comunista Português estava a ser discutido, encontrava-me já longe de Chicago, estrada fora, a conduzir na América profunda, em direcção a Bloomington, Indiana, para apresentar uma comunicação numa conferência de Fonologia. Assim, para minha imensa alegria, andei a ouvir a WASKa WBPE, a WLIT (*) e a WBOW e a abastecer-me de víveres no excelente Pilot Travel Center de Remington.

US Highway 24, Remington, IN, 22 de Fevereiro de 2018

Por isso, fui poupado quer a mais este acto, quer às consequèncias que advêm deste acto e de actos semelhantes a este.

Efectivamente, ovação de pé para o PCP, para o PEV e para Filipe Lobo d’Ávila e Ilda Araújo Novo, deputados do CDS-PP. Exactamente: “um atoleiro“.

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(*) Curiosamente, ao chegar à estação de serviço de Remington, era esta a canção que a 93.9 Lite FM transmitia — vai já para a lista da 66. E a Ann Wilson (cf. AiC) cantou imenso este clássico:

Pourquoi ceci se passe-t-il ?

It’s always nice to have a friend in the audience.

Noam Chomsky

Il s’agit de ceci, d’un incident un peu gros, entre autres de ce qui peut se pas­ser tout le temps dans ce qu’on appelle les sociétés analytiques. Pourquoi ceci se passe-t-il ?

Jacques Lacan

If you open your mouth, make a glottal stop, and flick a finger against your neck just to the side and below the jaw, you will hear a note, just as you would if you tapped on a bottle. If you tilt your head slightly backward so that the skin of the neck is stretched while you tap, you may be able to hear this sound somewhat better.

– Ladefoged & Johnson

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Há muito tempo, no Diário da República de 24 de Março de 2015, apareceu-nos este

Quase três anos depois, verificamos que

nada mudou.

Está tudo exactamente na mesma, de forma sistemática, desde Janeiro de 2012. [Read more…]

Há uma grafia rasca em Portugal

Quem te não viu anda cego

Zeca Afonso

DOC: Symptoms, ma’am, symptoms.

SALEM: Symptoms!

SONNY: Things that show on the outside what the inside might be up to.

— Sam Shepard, “La Turista

O penalty é penalty.

— Rodolfo Reis. 27/8/2017

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Durante as férias, depois dos arredores de Putzu Idu, algures em Portugal, porque era efectivamente sábado e se calhar havia vento de Gibraltar,

Algures em Portugal, Agosto de 2017

apareceu-me este texto de Vítor Serpa, director do jornal da irresponsável resistência silenciosa.

En passant, acho deliciosa a avaliação “excelente”,

feita pelo director do jornal A Bola, de um trabalho “apresentado com rigor”, [Read more…]

»Es war spätabends, als K. ankam«

Back to the 1890s, there was a very famous campaign manager, Mark Hanna, who was a star of campaign management. He was asked once: “what does it take to win an election?”. And he said: “it takes two things, the first one is money… and I’ve forgotten what the second one is”.

— Noam Chomsky

O que eu pergunto são coisas verdadeiras, correctas e reais.

— Rodolfo Reis, 3/6/2017

And it seems like twenty-five years of
Promises

Gary Marx & Andrew Eldritch

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Muitos fatos e muitos contatos.

Onde? No sítio do costume. Quando? Hoje.

Contatos

Fatos: [Read more…]

Efectivamente, não pode ser

The people ahead of them are shooting up to the stratosphere, and then comes the scapegoating.

Noam Chomsky

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Amigo atento enviou-me esta primeira página, com palavra criada exclusivamente para a norma portuguesa pelo Acordo Ortográfico de 1990. É sabido, desde d’Andrade e Viana, que a ‘rutura’, além de inventada, é “injustificada”. Contudo, ei-la.

Além disso, tratando-se do presidente da direcção do Sporting, a grafia correcta é ‘ruptura’.

Exactamente.

Aliás, como é sabido, pelo menos desde que se leu aquilo que ainda há pouco escrevi («palavra criada exclusivamente para a norma portuguesa pelo Acordo Ortográfico de 1990»), no Brasil, [Read more…]

É muito fácil

Every word I said is what I mean

Chris Cornell & Hunter Shepherd

May I continue?

— Noam Chomsky

“Somos Porto”. É fácil dizer [ˌsomuʃˈpoɾtu].

— Rodolfo Reis, 14/5/2017

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De facto, também é fácil dizer “Portugal vinculou-se ao Acordo Ortográfico“.

Repare-se: [puɾtuˌɡaɫ vĩkuˌɫosɨˌau̯ ɐˌkoɾdu ɔɾtuˈɡɾafiku].

Muito fácil.

Efectivamente.

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Chris Cornell (1964-2017)

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Contatos e horários

© Ronaldo Schemidt/AFP/Getty Images (http://bit.ly/2jYOF1w)

Chomsky made a clear claim – recursion is fundamental to having language. And my paper did in fact present a counterexample. Recursion cannot be fundamental to language if there are languages without it, even just one language without

Daniel Everett

If some tribe were found in which everyone wears a black patch over one eye, it would have no bearing on the study of binocular vision in the human visual system. [1]

In contrast, descriptive generalizations should be expected to have exceptions, because many factors enter into the observed phenomena. Discovery of such exceptions is often a valuable stimulus for scientific research. [2]

— Noam Chomsky [1] [2]

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dre1812017

Recentemente, pelos vistos, António Costa esperou, “sereno”, «por palavra de Marcelo». Curioso, eu também. Mas foi há muito mais tempo.

Agora, quanto ao tema em epígrafe, [Read more…]

Donald Trump e o Acordo Ortográfico de 1990

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© F.M.Valada (Washington Square Park, 4/11/2016)

Hablo de estructura como podríamos decir la estructura de esta mesa o de esta taza; es una palabra que me parece un poco más rica y más amplia que la palabra forma porque estructura tiene además algo de intencional: la forma puede ser algo dado por la naturaleza y una estructura supone una inteligencia y una voluntad que organizan algo para articularlo y darle una estructura..

— Julio Cortázar, “Clases de literatura – Berkeley, 1980

[P]sychological laws for Husserl express causally determined, exceptionless, connections in successions of events, stated with respect to an idealization similar to Chomsky’s ideal speaker.

— Jerrold J. Katz, “Language & Other Abstract Objects

Have you read Tom Wolfe’s book?

It’s so uninformed and distorted that it hardly rises to the level of meeting a laugh test.

Noam Chomsky

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Há cerca de dois dias, algures no Rockefeller Center, assisti a uma entrevista concedida por Anthony Scaramucci e fiquei a saber que  vários economistas, entre os quais oito vencedores do Nobel [Read more…]

Como lidam eles com a França?

Em 26 de Abril Yanis Varoufakis e Noam Chomsky tiveram uma interessante conversa na biblioteca pública de Nova York. A certa altura Noam Chomsky perguntou a Varoufakis, “E como lidam eles como a França?”, sendo que “eles” se refere, neste contexto, à Alemanha e à Troika. A resposta é surpreendente para quem está habituado a observar a “Europa” pelos filtros da comunicação social.

Pode assistir à conversa completa aqui.

Meteram a viola no saco

red hook

© Red Hook Terminals (http://bit.ly/25qLQw7)

There have always been benevolent aristocrats. That doesn’t make me fall in love with the feudal system.

Noam Chomsky

Alfieri: But this is Red Hook, not Sicily. This is the slum that faces the bay on the seaward side of Brooklyn Bridge. This is the gullet of New York swallowing the tonnage of the world.

— Arthur Miller, A View from the Bridge

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«Perceberam que não tinham razão e meteram a viola no saco», disse hoje António Costa, acerca da forma como Assembleia da República e Governo têm gerido a matéria Acordo Ortográfico de 1990. Efectivamente, depois de terem lido os pareceres (ver nota 13), os deputados e os ministros acabaram por meter a viola … Ah! Não foi sobre o Acordo Ortográfico de…? Foi sobre os colégios. Segundo o primeiro-ministro, os deputados da oposição terão percebido que não tinham razão e meteram a viola no saco. Sobre os colégios. Ah! Não foi sobre o Acordo… OK. Que grande confusão a minha. Peço imensa desculpa. Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

 

Os contatos são regulares

Chomsky

Foto: Graeme Robertson/The Guardian

It’s like seeing a child in the street and a truck coming rapidly. Do you say, “Look, I’m too busy thinking about interesting questions, so I’ll let the truck kill the child”? Or do you go out into the street and pull the child back?

Noam Chomsky

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Efectivamente, os fatos são constantes. Contudo, os contatos são regulares. Exactamente. Desde Janeiro de 2012. No sítio do costume.

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No sítio do costume e alhures.

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Os fatos são constantes

Chomsky

Foto: Graeme Robertson/The Guardian

«unfortunately the world won’t go away»

Noam Chomsky

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Como é público, os “fatos constantes” portugueses nasceram em Janeiro de 2012, no Diário da República.

Exactamente: em Janeiro de 2012.

Efectivamente, são constantes.

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Nick Menza (1964-2016)

Manufacturing Consent: Noam Chomsky and the Media

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Manufacturing Consent: Noam Chomsky and the Media – documentário de 1992 que explora as ideias do linguista Noam Chomsky sobre a forma como informação é moldada de forma a aparesentar um certo ponto de vista, de uma forma quase orgânica.

Legendado em português. Página IMDB.

A população deve ser avisada e mantida informada durante a ocorrência

Sim, porque houve ocorrências. Quando? Hoje. Onde? No sítio do costume.

Houve contato,

contato dre

houve mais contato e houve [Read more…]

Charlie Hebdo

A opinião de Noam Chomsky.

Desvios, divergências e diversões

When you see a bird that you’ve never seen before, or that very few people have seen, there’s a special thrill.

Richard Rorty

Similar remarks carry over to the system of pragmatic competence, hence the capacity to use a language appropriately.

Noam Chomsky

Esperava desejar um óptimo fim-de-semana com este vídeo (obrigado, Sir David Attenborough), divulgado hoje pelo Cornell Lab of Ornithology.

Contudo, estas imagens divertiram-me imenso e desviaram-me do meu objectivo inicial:

divergido

Factos:

1 – Na RTP, escreve-se e diz-se ‘desviado’;

2 – Um passageiro refere “um avião que foi desviado para o Porto”;

3 – No painel das chegadas do aeroporto, encontra-se ‘divergido‘.

Agora, sim.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Já toda a gente sabe

Sim, a história já chegou ao Financial Times e ao Wall Street Journal. Até no MIT já devem saber.

Sezon ogórkowy

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Francisco Sosa Wagner (Reuters/UE: http://bit.ly/1cngda6)


Revejam o primeiro ‘Machete’, por favor: é um péssimo filme, mas tem uma cena em que Danny Trejo abre a barriga a um tipo e usa os seus intestinos para fugir pela janela de um hospital. É a imagem perfeita deste país: esquartejado e, ainda assim, cheio de penduras. Não admira que o Portugal de hoje dê a volta à tripa a qualquer pessoa de bem.

João Miguel Tavares, Público, 30/7/2013

Em trânsito para voluntário retiro nas margens do Neckar e depois de reflectir profundamente acerca de alguns dos episódios mais interessantes deste Verão (como as linhas em epígrafe), confesso a minha indecisão entre redigir uns dois ou três parágrafos sobre esta excelente série, com desnecessária incursão por memórias das minhas peregrinações a Tormes e a S. Miguel (se Seide ou Ceide, lá mais para a frente, passada a época dos pepinos, falaremos), compor umas nótulas soltas acerca da surpreendente querela Chomsky / Žižek  – a propósito, ofereço-vos quatro episódios (Chomsky Ataca, Žižek Responde, Chomsky Contra-Ataca  e Žižek Volta à Carga) e dois bónus (Afirma Thompson e Investigações Starkianas) – ou tecer umas inoportunas e estivais considerações, depois de conhecido este momento histórico (vale a pena ler o artigo de Teresa Firmino, no Público).

No entanto, em vez de redigir, compor, tecer, ou de me deixar enredar no espírito época dos pepinos ou serpientes de verano, preferi debruçar-me sobre outro assunto importante (sim, aquele) e a culpa é da minha Ministra da Educação. [Read more…]

Subsídios para uma teoria geral da resistência silenciosa

duran adam

http://bit.ly/1035x9Q

O conceito “resistência silenciosa” voltou à ordem do dia, com o duran adam.

Como podemos ler no Público (via agências), o protesto mais visível

[F]oi protagonizado na segunda-feira pelo artista Erdem Gunduz, que, durante várias horas, ficou, de pé e em silêncio, frente ao retrato de Kemal Ataturk, fundador da moderna Turquia, na Praça Taksim. Centenas de pessoas juntaram-se ao mudo protesto, antes de serem dispersadas pela polícia, mas nesta terça-feira dezenas de outros turcos seguiram-lhe o exemplo, permanecendo de pé, e em silêncio, na emblemática praça que se tornou símbolo da revolta.

Para a resistência silenciosa ter impacto, precisa de ser perceptível ou, em última análise, visível. Contudo, como sabemos, há quem prefira pôr o Tarnhelm e deturpar o campo semântico de “manifesta apatia”, confundindo-o com o de “silenciosa resistência”.

Como exemplo prático de resistência silenciosa, desaconselha-se, obviamente, o da direcção d’A Bola e recomenda-se, vivamente, o de Erdem Gündüz. Como epígrafe, sugere-se este parágrafo do Marx in Soho:

HZ Marx in Soho

Post scriptum: Outro potencial contributo para [Read more…]

O Chimpsky e o Dan

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Depois de Nim Chimpsky ter servido para Herbert Terrace tentar provar que a capacidade de produção de enunciados respeitando regras gramaticais não é um exclusivo dos seres humanos (ao contrário do que muitos pensam, o próprio Terrace já admitiu que os resultados obtidos e publicados deram, afinal, um ‘falso positivo‘), agora surge o babuíno DAN (no artigo do Courrier International, surge ‘Dan’ que, convenhamos, é mais carinhoso: a adopção de maiúsculas em DAN distancia-nos dele, como de certa forma acontecia com o HAL: Heuristically programmed ALgorithmic computer)) como estrela da companhia de projecto chefiado por Jonathan Grainger (numa equipa que conta com, entre outros, o excelente Johannes Ziegler), em que os autores pretendem demonstrar poderem as competências de base para processamento ortográfico na direcção da leitura  ser adquiridas sem a pré-existência de representações linguísticas.

A seguir com atenção.

May Day

(Photo by Lee Lockwood//Time Life Pictures/Getty Images)

The effectiveness of the state-corporate propaganda system is illustrated by the fate of May Day, a workers’ holiday throughout the world that originated in response to the judicial murder of several anarchists after the Haymarket affair of May 1886, in a campaign of international solidarity with U.S. workers struggling for an eight-hour day. In the United States, all has been forgotten. May Day has become “Law Day,” a jingoist celebration of our “200-year-old partnership between law and liberty” as Ronald Reagan declared while designating May 1 as Law Day 1984, adding that without law there can be only “chaos and disorder.”

Noam Chomsky. Necessary Illusions: Thought Control in Democratic Societies.Boston: South End Press, 1989, p. 29.

Noam Chomsky sobre o ataque israelita ao navio de ajuda humanitária

Este perigoso terrorista, perdão, muçulmano, perdão, talibã, perdão, membro da Al Kaeda, perdão, palestino, perdão, Gazeado, chama-se Noam Chomsky e deu ontem a entrevista que se segue ao programa de televisão Ce soir ou jamais.

Não fala apenas sobre Israel, naturalmente. Por alguma razão Chomsky é, por muitos, considerado o maior pensador americano vivo.

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