Genocídio à vista no gueto de Gaza?

Conhecendo Israel como qualquer político americano conhece, Joe Biden deixou um recado, após declarar total apoio à ofensiva.

Recordou que a guerra tem regras. Mesmo quando estamos muito zangados.

E não foi o único a dar ênfase ao direito internacional.

E porque o fez?

Porque Israel comete crimes de guerra há décadas, por questões menores, pese embora raramente se lhe aplique qualquer tipo de consequência.

Ter o tio Sam como padrinho tem as suas vantagens.

Como tal, é preciso ter sangue-frio e contenção, até porque isto está a correr muito bem à Rússia, ao Irão e ao Hamas.

Acontece que a ofensiva israelita já começou a violar as regras. E a desumanizar o adversário, tal como Hitler fez com os judeus.

E a matar crianças.

Estranhamente, a morte de uma criança às mãos do Hamas parece causar mais comoção e indignação que a morte de uma criança às mãos dos bombardeamentos indiscriminados de Israel, que, como sublinhou o general Daniel Hagari, porta-voz das IDF, deve privilegiar o dano, não a precisão.

E isto é todo um tratado.

Convenhamos que, em bom rigor, não há nada de novo aqui. Israel sempre respondeu com muito mais violência, muitas mais mortes. E a sua retaliação é tão indiscriminada que já despejou em Gaza 4 milhões de KG de bombas, matando, inclusive, 23 operacionais da ONU envolvidos em missões humanitárias na região.

Não satisfeito, o governo de Netanyahu ordenou a evacuação de Gaza em 24 horas. Sabendo, claro, que tal não só não é possível, como criará uma situação de caos e pânico que tornará a situação ainda mais aflitiva e mortal.

Sim, ainda mais. Parece impossível, mas há sempre maneira de regar a fogueira com um pouco mais de gasolina.

Por falar em gasolina, o colonialismo de Israel, com os seus bombardeamentos indiscriminados, os seus crimes de guerra e os seus cercos aos desumanizados “animais”, a quem cortam a água e o abastecimento de bens de primeira necessidade, quais tiranos medievais dispostos a matar à fome e à sede, é o melhor combustível para reforçar as fileiras do Hamas.

Fechados numa prisão ao ar livre, privados de bens de primeira necessidade e a observar a chuva de bombas, que lhes destroem a família, a casa e o sustento, os palestinianos tornam-se mais permeáveis à possibilidade de pegar em armas para combater o invasor. A alternativa que lhes resta é ficarem quietos à espera de morrer.

Como é que se evita isto? Ou pelo menos se minimiza?

Cumprindo as normas de direito internacional.

Respondendo à barbárie com diplomacia e negociação, como é apanágio dos democratas.

Felizmente, nem todos os israelitas defendem o colonialismo, ou sequer os métodos de Netanyahu, que em pouco ou nada se distinguem dos do seu amigo Putin. O artigo do advogado israelita Michael Sfard, no Haaretz, é um bom exemplo disso.

Infelizmente, de pouco ou nada valerão vozes como a de Sfard. Porque aquilo que nos espera, nos próximos dias, poderá muito bem terminar em genocídio.

Parecido – mas não igual – àquilo que os nazis fizeram aos judeus, depois de os fecharem em prisões ao ar livre.

Comments

  1. Anonimo says:

    Quem julga estes crimes de guerra? Aquele tribunal que nem todos reconhecem? Ou que só é credível para os adversários?

    Há quem defenda que o Hamas prefere o quanto pior melhor, e que a ideia seria mesmo “obrigar” Israel a retaliar com desproporção, seja lá isso o que for…
    Um Estado militarista, contra uma organização político-militar.

  2. balio says:

    genocídio [… p]arecido – mas não igual – àquilo que os nazis fizeram aos judeus

    Não tem nada a ver uma coisa com a outra.

    Os nazis pretenderam matar sistematicamente todas as pessoas de uma determinada etnia.

    Israel não pretende matar sistematicamente todos os árabes, nem sequer todos os árabes palestinianos, nem sequer todos os árabes palestinianos habitantes de Gaza.

    Pode matar muitos, mas não os quer matar a todos, de forma nenhuma.

    Aliás, estes bombardeamentos horríveis que Israel tem levado a cabo são geralmente feitos com aviso prévio – Israel avisa os palestinianos de que vai bombardear este ou aquele bairro, este ou aquele edifício , dando tempo para que muitas pessoas fujam.

  3. Tuga says:

    Muito suspeito que os serviços secretos de Israel, que sabem tudo em todo o lado, conseguem até entrar nos telemóveis de quem lhes interessa, não tenham detetados movimentos que procederam o ataque do Hamas. Mesmo quando alertados pelo Egipto segundo informações de um embaixador americano.
    Nada foi feito até ao Hamas ter assassinado muitos inocentes
    Será que lhes deu jeito para retaliação futura

    Muito estranho

    Note-se que desde 1947, ficou acordado entre as partes israelita e palestiniana que seriam criados 2 Estados soberanos e independentes. Só foi criado o estado de Israel

    Acordos que são assinados e não cumpridos fazem parte da técnica

  4. Tuga says:

    Como um ato colonial do século XX empurra o enclave de Gaza para a guerra

    Da RTP

    https://www.rtp.pt/noticias/mundo/como-um-ato-colonial-do-seculo-xx-empurra-o-enclave-de-gaza-para-a-guerra_n1520027

    Quando os acordos assinados não são respeitados é assim.
    E como as resoluções da ONU não cumpridas

  5. Santiago says:

    Israel desrespeita, todos os dias desde a sua criação, a memória de todos aqueles sofreram e pereceram às mãos dos nazis adoptando um tecido ideológico-prático em nada diferente do NSDAP.

    • Douriense says:

      E preciso entender o ponto de vista deles.
      Consideram-se o Povo Eleito de DEUS e perfeitamente racistas em relação a todos os outros povos que não tenham a religião deles, sejam esses povos muçulmanos, cristãos indus ou budistas.
      Todos os outros são gente de 2ª categoria de quem têm desprezo e ódio.
      Para toda a gente que não concorde com isto inventaram o anti semitismo que é uma treta para os proteger e aos seus crimes.

      Fizeram um acordo de respeitar os lugares sagrados de todas a religiões não celebrando praticas religiosas hebraicas nesses locais. Mas como os outros acordos que assinaram, não o respeitaram

      Mas ainda há pouco tempo rasgaram esse acordo e interromperam uma pratica religiosa muçulmana dentro do período sagrado para os muçulmanos que é o Ramadão, na Esplanada das Mesquitas.

      O que é que aconteceria em Portugal se nos dias 12 e 13 de Maio em Fátima, as cerimonias religiosas fossem perturbadas e interrompidas por gente de outra religião

      E tudo muito bonito para quem esta de fora, mas para os Palestinianos que estão há 50 anos na faixa de Gaza a serem maltratados. diariamente pelos ultra ortodoxos, não deve ser fácil aguentar.

      A pressão durante muitos anos, pode explicar porque nos anos de 1490, o povo de Lisboa vinha para o Terreiro do Paço, festejar o triste espectáculo.

      E provavelmente nenhum deles tinha razão de queixa de nenhum judeu em particular

      • A religião já tem muito pouco a ver com o assunto.

        • Douriense says:

          Conhecendo essa gente como eu conheço, vem tudo da religião, mesmo para as novas gerações não fundamentalistas, mas que são igualmente profundamente racistas em relação a todos os outros não hebreus

          Claro que as maiores empresas da economia mundial estarem na mão dessa gente é também muito importante, bem como os donos do poder politico serem desse grupo multinacional é determinante.

      • Santiago says:

        Até entre eles, os judeus etíopes são sujeitos às mais duras sevícias.

  6. Arlindo da Costa says:

    Vergonha para a Europa.
    Extermínio em massa.
    (isto nao absolve aos terroristas)

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