Lucie enfrenta o nazi

Imagem captada pelo fotógrafo Vladimír Čičmanec, que retrata uma jovem escuteira firme contra um grunho nazi, numa manifestação da extrema-direita checa em Brno, República Checa. Haja esperança!

via Distractify

Gente sinistra

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Este indivíduo sinistro é Kay Nerstheimer, membro do partido alemão de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (Alternative für Deutschland – AfD), recentemente eleito para o parlamento de Berlim, nas regionais alemãs.

Entre os seus contributos para um melhor entendimento dos tempos que vivemos, Nerstheimer apresenta-se como um orgulhoso defensor da herança nazi, alinhando em teses alucinadas que procuram transformar Adolf Hitler numa vítima da Segunda Guerra Mundial, atribuindo culpas à Polónia.

É nestes momentos que sinto alguma pena de certas individualidades académicas e das suas comparações entre trogloditas como este e outros anormais, como Trump ou Viktor Orbán, e governantes da nova esquerda europeia como Alexis Tsipras. Como se extrema-direita, racista, xenófoba e apologista da violência, tivesse paralelo com qualquer governo de esquerda na Europa. Como se o elogio nazi fosse comparável à luta contra o radicalismo neoliberal.

Foto@The Telegraph

Angela Merkel baralha e torna a dar

Stupid Merkel

Depois do Presidente da República alemão se mostrar favorável à discussão de uma possível indemnização à Grécia, decorrente de reparações pendentes por empréstimos forçados e danos provocados pelo regime nazi, Angela Merkel surpreende ao afirmar:

Não se deve traçar um risco por cima da História. Nós podemos ver isso no debate que existe na Grécia e noutros países europeus. Nós, os alemães, temos a responsabilidade acrescida de estar alerta, sensíveis e conscientes do que fizemos durante a era nazi e dos danos causados a outros países. Tenho uma tremenda simpatia por isso

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Que a Alemanha reembolse a Grécia já!

Kai Littmann

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© Bundesarchiv via Wikimedia Commons

[Nos anos 1980, o alemão Kai Littmann passou um ano na ilha grega de Creta, numa aldeia recôndita onde não havia electricidade. Um dia, um velhote grego mostrou-lhe um cemitério onde haviam sido enterrados 150 resistentes gregos, fuzilados pelos nazis durante a Segunda Grande Guerra, e explicou-lhe alguns factos da História. As gerações alemãs (mas nem só) nascidas depois da Grande Guerra ignoram muita coisa que aconteceu, incluíndo os crimes de guerra perpetrados pelos nazis na Grécia, que não figuram nos manuais escolares de História. Não admira por isso que ninguém perceba muito bem do que falam os gregos quando agora, pela mão do Governo recentemente eleito, reclamam o pagamento de uma dívida que os alemães têm para com eles. Uma dívida que, ao contrário do que tem sido sugerido pelos media que chegam a Portugal, não corresponde a reparações de guerra. S.A.]

Para perceber de que dívida se trata (essa mesma cuja urgente liquidação o actual Governo grego reclama) é preciso saber que em 1942 os nazis obrigaram o Banco da Grécia a acordar-lhes um “crédito” de valor equivalente a 476 milhões de marcos da época, o que hoje, acrescido de juros de mora, soma algo que pode ascender aos 70 mil milhões de euros. Uma dívida que a Alemanha afirma ter honrado em 1960, quando transferiu para os cofres do Tesouro grego a quantia de 115 milhões de marcos. Sucede que esse valor foi na verdade pago a título de indemnizações às vítimas do nazismo na Grécia, que foram muitas, e não tem nenhuma relação com a dívida de que aqui é questão. [Read more…]

Hitler descobre que manuais escolares dizem que comunismo e nazismo são a mesma coisa

Chegou aos manuais, nem por isso às novas metas educativas do 9º ano, nem é por isso que se justifica este vídeo:

mas porque realmente virou moda, a partir de uma taxonomia das ditaduras que mede mais o horror e menos a natureza social, e económica, misturar uma ideologia que nasceu para combater a outra fazê-la igual à que a derrotou, coisa tão tola como esquecer que a Rússia em geral tem uma certa experiência nas vitórias contra a Alemanha, e esqueceram-se agora mesmo muito em Berlim.

Texto (não concordando com tudo, é um bom todo) do Bruno Carvalho.

O nome certo é nazismo

Equivalências segundo Vítor Cunha:

noite de cristalsocas

Entra a Alemanha na dança e a densidade do azeite comprova uma velha lei da física. É a sua música.

O mundo em que Vasco Pulido Valente entrou

Vasco Pulido Valente, todos o conhecem, não fala de si próprio. Mas agora que completou 71 anos (quarta-feira) deu-lhe para, com alguma “perversidade”, pensar no mundo em que entrou.

Gosto desta expressão “o mundo em que entrei“. Ora Pulido Valente nasceu a 21 de Novembro de 1941, quando “Hitler ocupava a Áustria, a Eslováquia, a República Checa, a Polónia, a Dinamarca, a Noruega (…)” e Portugal «neutro», numa neutralidade “arriscada e mais do que duvidosa”.

Gosto desta frase também: “O mundo não servia para se começar a vida“.

Ainda as suas palavras, para terminar a crónica dos «71 anos»: “É triste, ao fim de tanto tempo, chegar ao desespero a que nós chegámos. Mas, depois de 71 anos, talvez seja melhor do que nascer com a sombra de Hitler a 60 quilómetros de Moscovo. Portugal precisa de sair do seu isolamento e da sua complacência. E, agora, por uma vez, não tem outro remédio.” [Read more…]

Salvo por uma paixão

Morreu o «fotógrafo de Auschwitz», Wilhelm Brasse (1917-2012), o antigo prisioneiro que foi obrigado a fotografar os milhares de novos prisioneiros que chegavam àquele campo de concentração.

O polaco cedo se apaixonou pelos segredos da fotografia, “sem nunca imaginar que este seria o seu passaporte de sobrevivência no campo de extermínio nazi”: um certo dia, corria o ano de 1941, o comandante do campo incumbiu-o de fotografar os prisioneiros, já que ele era o único fotógrafo profissional da unidade. Os alemães precisaram dele e isso permitiu-lhe sobreviver!

O Museu Auschwitz-Birkenau conta com mais de 39 mil fotografias de Brasse…

Banhos de água fria

Sem mudar de assunto… Parece que ultimamente tudo vai dar ao mesmo…

Etty Hillesum –  uma judia holandesa que morreu em Auschwitz em Novembro de 1943 e que escreveu um diário entre 1941-1943 – viu-se privada de muita coisa pelo regime nazi, apesar de ter sido, como dizia muitas vezes, afortunada comparativamente a outros.

Os decretos contra os judeus sucederam-se:  era precisa uma autorização para comprar pasta de dentes, deixaram de poder ir aos lugares de hortaliças, tiveram que entregar as bicicletas,  andar de eléctrico foi proibido e foram obrigados recolher a partir das oito, etc.

Neste momento, estamos, também nós, cada vez mais condicionados e pobres e revoltados e impotentes e desesperados face às medidas levadas a cabo pelos políticos que nos saiem na rifa.

Transcrevo, então, uma passagem, escrita a 4 de julho de 1942):

Cada camisa lavada que vestes é ainda uma espécie de festa. E cada vez que te lavas com um sabonete bem cheiroso numa casa de banho, que é só para ti durante meia hora, também.

Espero que não cheguemos a este ponto. Que não sejamos enviados para uma espécie de campo de concentração…

Comecemos desde já a dar valor a estas «insignificâncias» como uma roupa lavada ou um banho de água quente (que nos aquecem por dentro também) antes que delas sejamos privados…

A 25ª Hora

THE 25TH HOUR DVD ANTHONY QUINN VIRNA LISI MICHAEL REDGRAVE HENRI VERNEUIL R2 25Vinte anos depois da sua morte, reencontro A 25ª Hora (1949), a mais conhecida obra de C. Virgil Gheorghiu (1916-1992) e provavelmente indisponível nas livrarias…

O jornal The New York Times escreveu:  “who denounced Nazism and Communism in a best-selling novel, “The 25th Hour”.

Transcrevo algumas frases da edição que tenho da Difel, traduzida por Vitorino Nemésio e cujo prefácio é dedicado a Aldous Huxley!:

– Não haverá homem livre à superfície do Globo – disse Traian.

– Definharemos então, sem culpa, nas prisões? -perguntou o delegado.

(…)

Mas não aceito que outros, a não ser eu, me indiquem a maneira como devo viver – e que julgam melhor – e me obriguem a conformar-me com ela. A minha vida é minha. A minha vida não pertence nem ao kolkhose, nem à comunidade, nem ao comissário político. Portanto, tenho o direito de a viver do modo que eu próprio houver escolhido. (…) E recuso-me a viver esta vida à moda soviética. Aqui está porque me mato.

Nora pôs-se a chorar. Traian continuava a atar a corda. Nora segurava com firmeza a outra ponta. (…) A melhor ocasião para nos evadirmos há-se ser quando as sentinelas russas renderem as americanas. (…)

Às seis horas da tarde mandaram sair Traian e Nora da sua cela e meteram-nos num camião americano com outros detidos.

(…)

Em 1967 foi adaptado ao cinema por Carlo Ponti  e com a participação de Anthony Quinn e Serge Reggiani (no papel de Traian).

Os livros não são caros

Os livros não são caros.

Os livros são-nos caros, excedem em muito o valor real, são-nos queridos. Estimamos os livros: «Cuidado com o livro», «não rasgues», «não risques os livros», «não escrevas no meu livro», «não empresto a ninguém», etc.

Pegar num livro, abrir um livro e lê-lo com atenção, é um acto de magia e um “acto de amor” como escreveu, Manuel A. Pina. Entrar no livro, dar a mão ao seu autor ou à sua autora deixando-nos guiar, é qualquer coisa. Não há dinheiro que pague essa magia, esse tempo «perdido», esse tempo que dispendemos a ouvir alguém, a sua alma. Alguém que já não está entre nós, muitas vezes e que se torna imortal através dessa «coisa» que é o livro…

Digo isto a propósito do livro que comecei a ler ontem à noite. Duma assentada, li sessenta páginas.

Há tempos fiz referência ao Diário 1941-1943 de Etty Hilesum, uma escritora holandesa de família judia que morreu em Auschwitz em Novembro de 1943 com apenas 29 anos. Comprei-o ontem de manhã. Esperei por ele vários dias. Finalmente chegou o e-mail da livraria: «pode vir buscá-lo». Peguei nele, sopesei-o, cheirei-o. À noite, comecei a lê-lo, «enfim sós»:

(…) querem o nosso extermínio. (…) Não vou incomodar outros com os meus medos (…) e acho a vida prenhe de sentido, cheia de sentido apesar de tudo, embora já não me atrava a dizer uma coisa destas em grupo. (…) tenho de viver a minha vida tão bem e tão completa e convincentemente quanto possível até ao meu derradeiro suspiro, para que o que vem a seguir a mim não precise de começar de novo nem tenha as mesmas dificuldades.

Estas palavras estão escritas numa página apenas de um volume com mais de 300 páginas. Valem ouro, quanto a mim.

A descobrir. Da Assírio & Alvim (colecção Teofanias), com prefácio do padre Tolentino Mendonça.

Etty

Um nome tão pequenino para se chamar a alguém tão grande…

Etty foi uma judia holandesa que, tal como Anne Frank, escreveu um Diário durante a ocupação nazi. Morreu em Auschwitz. Tinha apenas 28 anos.

Soube de Etty ontem, ao ler a crónica de Frei Bento Domingues no Público.

O Diário (1941-1943) de Etty Hillesum está traduzido para português e publicado pela Assírio e Alvim. Transcrevo algumas passagens desse texto incómodo e inquietante:

Podem tornar-nos as coisas algo complicadas,

podem roubar-nos alguns bens materiais, alguma aparente liberdade de movimentos,

mas somos nós que cometemos o maior roubo a nós próprios,

roubamo-nos as nossas melhores forças através da nossa mentalidade errada.

Através de nos sentirmos perseguidos, humilhados e oprimidos. Através do nosso ódio. Através de fanfarronice que esconde o medo. Bem podemos, às vezes, sentirmo-nos tristes e abatidos por causa daquilo que nos fazem, isso é humano e compreensível. Porém, o maior roubo que nos é feito somos nós mesmo que o fazemos.

Eu acho a vida bela e sinto-me livre. Os céus dentro de mim são tão vastos como os que estão por cima de mim. Creio em Deus e creio na humanidade, e aos poucos vou-me atrevendo a dizê-lo sem falsa vergonha.

A vida é difícil, mas isso não faz mal. Uma pessoa deve começar a levar-se a sério e o resto segue por si mesmo. E ‘trabalhar a própria personalidade’ não é certamente um individualismo doentio. E uma paz só pode ser verdadeiramente uma paz mais tarde, depois de cada indivíduo criar paz dentro de si e banir o ódio contra o seu semelhante, seja ele de que raça ou povo for, e o vença e o mude em algo que deixede ser ódio, talvez até em amor ao fim de um tempo, ou será isto pedir demasiado? Contudo é a única solução.

Apesar de todo o sofrimento, Etty acreditou na humanidade…

Perante o seu testemunho, tornam-se fúteis os nossos queixumes.

 

Hitler era de esquerda?

Aquele primarismo que vê num partido o nome que invoca (tipo o PSD ser social-democrata) continua a dar com força no pessoal centrista democrático e social.

Esta resposta diz tudo, mas nem tento ir pela natureza de classe dos apoios do nazismo. Como toda a gente sabe as classes sociais nunca existiram.

o saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade III

Beethoven Für Elisen Bagatela en lá menor

Falar de amor à beira do abismo refere-se àqueles que superam um traumatismo e experimentam muitas vezes uma impressão de sursis[1], que multiplica o gosto da felicidade e o prazer de viver o que ainda é possível. Neste ensaio vibrante sobre a vida, o autor mostra que mesmo os que têm graves feridas afectivas podem transformá-las em grande felicidade. O título traz uma figura de retórica que o autor transforma em conceito para caracterizar os resilientes. Trata-se do oximoro, que consiste em associar dois termos antinómicos: falar de amor/beira do abismo. [Read more…]

Em tempo de berreiro…


Uma oportuna crónica, para ler aqui:
“Bombacci foi líder do Partido Socialista Italiano com Mussolini e, depois, um dos fundadores do Partido Comunista Italiano. Após a Marcha sobre Roma, com o consenso mussoliniano com o velho liberalismo, a Igreja e a Monarquia, Bombacci manteve-se fora. Com a ruptura do consenso, com a derrota militar e a criação da República de Salò- um Estado fantoche manipulado pelos alemães – deu-se aos “velhos fascistas” poder para reeditarem as premissas do movimento. Não podendo governar (os alemães não o deixavam), empenharam-se na “purificação” do fascismo. E o que nasceu desse esforço ? Republicanismo, defesa das nacionalizações, formulação de uma teoria de co-gestão empresarial, sindicalismo revolucionário, anti-catolicismo militante.
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Vaticano cúmplice do nazismo e do fascismo


Por mais desculpas que venham pedir…

A libertação de Auschwitz

Hoje comemora-se a libertação de Auschwitz, campo de extermínio onde ciganos, judeus, homossexuais, polacos, comunistas e outros resistentes fora assassinados.

É também um dia de propaganda sionista, na bem sucedida campanha de revisionismo histórico que tenta limitar os crimes e obsessões nazis aos judeus, “esquecendo” que acima de tudo foi a humanidade a vítima de Hitler e seus seguidores, e tentando desta forma justificar a ocupação da Palestina e os sucessivos massacres sobre os que aí residiam. Revisionismo que tem o seu irmão negacionista naqueles que tentam demonstrar que o nazismo nunca existiu, e contam com o prestimoso contributo de quem confunde propaganda com factos históricos,

Pode ver o resto do documentário A libertação de Auschwitz seguindo esta hiperligação.

A máquina do tempo: esquecer ou não esquecer

 Dizem-me que já não tem interesse falar nestas questões do fascismo, do nazismo, do Holocausto, da resistência à tirania… Que já não se usa, que são temas muito batidos. É precisamente por isso, por «já não ter interesse» que não me calo e nunca deixarei de falar nesses temas que já foram vistos por milhares de ângulos e que, mesmo quando julgamos estar a ser originais, mais não fazemos do que repetir o que outros já disseram. Não me importa, pois trata-se, não de uma questão de originalidade, mas de um imperativo – não esquecer.

 Tenho aqui falado da grande quantidade de franceses que, durante a ocupação alemã (1939-1944), colaborou com os invasores nazis. Porém, é preciso dizer-se que muitos outros, resistiram, organizando-se e lutando. Muitos deles pagaram com a vida essa patriótica atitude. Dizer-se que a França resistiu heroicamente à ocupação germânica, seria um exagero e um falseamento da verdade histórica. Tão grande e tão grave como dizer-se o contrário. É que a verdade tem sempre, no mínimo, duas faces.
 

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