
“O Governo caiu de podre” disse Montenegro no discurso de abertura do Congresso do PSD e quem estava a ouvir também estava a cair. Não de podre mas de sono.
O PSD, hoje, com esta liderança e olhando para aquela “bancada” onde se senta Luís Montenegro no congresso, não consegue empolgar ninguém. Fala na “onda laranja” que “está imparável” e só se vê gente a bocejar. Quando o país vê um PS em eleições internas, com um PM em roda livre contra o Presidente da República e este ainda mais solto a conspirar contra aquele, com a saúde perigosamente num caos, a educação numa crise sem paralelo, a justiça em bolandas, os portugueses sem acesso a habitação condigna, os proprietários de AL em fúria contra este governo, os sindicatos na rua, os jovens em fuga e o Galamba a “continuar a andar por aí”, mesmo perante tal cenário adverso o PSD de Montenegro continua a não excitar, sem um golpe de asa, nada. Um longo bocejo. Uma nulidade.
Boa sorte, Portugal.






O PSD é um partido em permanente ebulição à procura do seu Messias, que, com raras excepções; Cavaco Silva foi o único, e ajudado por Soares, que desejava ver-se livre de Ramalho Eanes e do seu PRD; nunca tem disponível um líder eloquente que trace um rumo credível e perceptível para o eleitorado. Nem mesmo Passos Coelho teve essa capacidade. Ganhou as eleições porque toda a gente estava farta de Sócrates. Este começou com a guerra aos professores, os cortes na função pública, veio o resgate, etc, etc.
Em 49 anos de democracia o PSD já fez 41 congressos. Penso que na Europa não deverá haver coisa igual a nível partidário. O que dá a módica quantia de 1 Congresso em cada 14 meses. É impossível ter-se alguma estabilidade política num partido destes, a não ser quando estão no poder.
Daí a célebre frase de Passos Coelho:” O importante é ser-se poder “. Fora dele é uma desgraça.
Não sei se o PS vai perder as eleições. Mesmo assim tenho algumas dúvidas. Acredito no entanto que a direita toda junta alcance uma maioria absoluta. Nessa medida será bom perceber como é que tudo aquilo vai funcionar. Porque a haver maioria à direita, mesmo com o PSD em segundo, vai haver governo à direita.
Já agora convinha que o PSD não embandeirasse em arco, com aquele discurso demagógico do “futuro do país”. O futuro do país é agora. E se pensam que vão governar 4 anos como governou Passos Coelho, desenganem-se, que voltam de novo para o vosso lugar cativo, a oposição.
Cavaco Silva esteve lá 10 anos. Mas abriu os cordões à bolsa. Aliás, como dizia Sousa Franco, foi ele o verdadeiro pai do monstro. Mas quem se quer perpetuar no poder, só tem duas alternativas. Ou distribui o bodo aos pobres, ou se escolhe um dos lados, está irremediavelmente perdido.
Sempre foi assim em democracia, e não é agora que vai mudar.
Mesmo que os soundbytes fossem verdade, e depois? Que há no “futuro do país” de Montenegro além de falar do passado? Ao menos o mitológico passado da idade do respeitinho ou o da prosperidade modernizadora do bom aluno contam com a passagem do tempo e nas falhas de memória, do desastre de Coelho ainda todos se lembram. Além do direito divino a que lhe caia no colo, que mais há no vazio do populismo centrista no culto da morte à política?
Nada a não ser que alguém há-de resolver. Boa sorte com isso.