A distribuição tem nome

Os agricultores estão na rua a lutar pela sua sobrevivência. A comunicação social fala na ministra, nas políticas ambientais europeias, nos custo de produção e na “grande distribuição”.

Essa tal “grande distribuição” é a grande responsável pela asfixia dos agricultores. E essa tal de “grande distribuição” tem um nome. Um, não. Vários: Modelo Continente, Pingo Doce, Mercadona, Lidl, etc. Sim, é preciso que a comunicação social largue o chavão “grande distribuição” e chame a coisa pelos seus nomes. Para que o consumidor saiba que o Continente, o Pingo Doce, Lidl, Mercadona e tantos outros com a sua política de preços asfixia os agricultores. A ministra é uma incompetente? É. As políticas europeias são hipócritas? São. O preço do petróleo é um problema? Claro que sim. Estes três exemplos são a ponta do iceberg. O corpo da coisa que asfixia os agricultores: a grande distribuição.

Cujos actores são nossos conhecidos. Diariamente. Seja na publicidade com que alimentam a comunicação social, seja por serem o sítio onde vamos comprar as verduras, a fruta ou a carne. A grande distribuição que matou as mercearias ou os talhos e que agora tenta matar os cafés e os restaurantes. Enquanto asfixia os produtores. Continente, Pingo Doce, Mercadona ou Lidl, entre outros. Sim, os seus vizinhos.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Caríssimo. Muito bom este seu texto.
    Só que há um problema. Quem paga aqueles anúncios todos, alguns antes da abertura do telejornal, são os:

    Continente / Modelo
    Intetmarché
    Pingo Doce
    Lidl
    Mercadona
    Auchan
    ALDI

    Você lembra-se quando a Fórmula 1 teve de se libertar da publicidade às marcas tabaco? Foi um imbróglio do caraças. E ainda assim mantêm a publicidade, penso eu, a bebidas alcoólicas.
    Como você e tantos outros escreveram, de forma directa ou intuitiva:
    “ O mundo é uma coisa muito complicada de gerir”

    • POIS! says:

      Re-citando…

      “ O mundo é uma coisa muito complicada de gerir”.

      Não para todos. Para pastorícios e liberalescos é canja!

  2. balio says:

    A grande distribuição que matou as mercearias ou os talhos

    !!!

    Nunca vi tantas mercearias em Lisboa. É verdade que pertencem todas a nepaleses ou bengalis, mas são mercearias.

    E talhos, não há falta deles. No mercado municipal há meia dúzia. Aqui em frente ao meu trabalho há outro. No meu caminho para casa passo por ainda outro. Sem falar de talhos halal, que na Rua do Benformoso são porta sim, porta não.

    • O país é Lisboa.

      • balio says:

        O país não é Lisboa, mas alhures também há mercearias e talhos. Na aldeia de onde o meu pai era natural, que tem 1000 habitantes e diversos supermercados a 3 quilómetros de distância, há duas mercearias e um talho.

        • Ninguém disse todas. Também vivo, e vivi, em áreas com muita gente onde sempre houve, e ainda há, mas ter locais que estão sempre a abrir e fechar com novos donos não me parece muito tranquilizador.

  3. A robotização está a chegar e os agricultores em breve serão meia dúzia de engenheiros da SONAE e outros……

    • Rui Naldinho says:

      Eheheh!
      Já estou a imaginar toda a gente a votar no Chega, porque estamos fartos dos Robots, essa estirpe migratória, a roubarem-nos o emprego, o trabalho e os direitos. E não pagam impostos.
      Não nada como correr com os gajos todos para a terra deles! 🤣😂🤣😂

    • Tendo em conta que ainda encravam quando vêm um cone à frente, nah.

  4. POIS! says:

    Pois tá bem mas…

    Asfixia dos agricultores? Abuso de quem domina? Não é o “mercado” a funcionar?

    “Somos” liberais às segundas quartas e sextas e intervencionistas às terças quintas e sábados??? (Aos domingos, já se sabe, é para ir à missa rezar a São Hayek e ouvir os sermões do Padre Calhau e do Cardeal Cotrrintintin).

    Se os agricultores acham que os preços são baixos, não vendam a estes mastodontes. Mandem-nos às favas, que o “balio” conhece uma data de malta alternativa pronta a abrir os cordões à bolsa.

    E já agora: os ativistas do clima que foram algemados e as ativistas que foram mandadas despir por duas vezes e são acusados de atentado à segurança de transporte rodoviário, por terem cortado a segunda circular durante uns minutos, são perigosos criminosos esquerdeiros…

    …e os tratoreiros que cortaram autoestradas e a Ponte Vasco da Gama estão liberalmente a manifestar-se e são portugueses de bem, ordeiros e bonzinhos? (*)

    (*) Consta até que o Ministério Público vai lançar uma coleção de cromos com os principais ativistas.

  5. Pimba! says:

    Comparar Lidl e Aldi com Continente e Pingo Doce…
    É sabido que os produtores preferem vender aos alemäes (sim, eles pagam impostos) a preço mais barato que aos fuga-ao-fisco holandeses e luxemburgueses Cont. e PD, porque os alemäes Lidl e Aldi pelo menos pagam a tempo e horas, enquanto os fuga-ao-fisco prometem mundos e fundos, mas no fim do ano dizem “ah, descontámos as despesas de marketing desses produtos e concluímos que se calhar até säo vocês agricultores a dever-nos dinheiro.”
    Pois é.
    Os preços de 2/3 dos produtos do Cont. e PD estäo ao nível dos da Finlândia, que até fico parvo ao ver isso!

  6. Figueiredo says:

    Os super-mercados vende pães, broas, e salgados, feitos com crustáceos, tremoços, aipo, peixe… onde anda a fiscalização? Padaria feita com crustáceos, tremoços, aipo, peixe?

    • Feitos, ou contaminados?

    • Pimba! says:

      Salgados com crustáceos… tipo, rissóis de camaräo?
      Entäo e a padaria com carne… tipo, pão com chouriço?

    • POIS! says:

      Pois pois, ó Figueiredo…

      Por favor, aprenda a ler os rótulos e depois comente…

      E que mistura…crustáceos e tremoço…afinal há mesmo gente que confunde o tremoço com marisco, que era uma piada de índole racista para apoucar.
      o malogrado Eusébio muito vulgarizada na época salazaresca…

      Pois fique sabendo que o tremoço, reduzido a farinha, há muito que entrou na confeção de formas de pão, mesmo tradicional…

      Vosselência confunde os avisos de possibilidade de presença de alergénios num certo produto, que os produtores incluem por precaução por poder haver resíduos resultantes das unidades de embalagem industriais, por onde podem transitar produtos de natureza diferente, e apesar das precauções.

      É que basta, por vezes, menos de um miligrama ou menos de um alergénio para provocar uma crise alérgica numa pessoa sensível.

      Sei do que falo. Há uma criança da minha família com fortes restrições alimentares. Um aviso desse tipo impede logo que consuma tal produto.

      Depois de ler o comentário, já nada me admira sobre a credulidade parola de Vosselência. Engole qualquer patranha!

  7. JgMenos says:

    Aquela cena do David e do Golias dá uma má ideia da cena possível.
    Onde as grandes cooperativas de produtores para enfrentar os grandes da distribuição.

    • POIS! says:

      Pois claro!

      Há cenas que não grande ideia das possíveis a cenas. É um mal há muito diagnosticado lá em Hollywood.

      Neste caso, a melhor cena é o David enfrentar o Golias quando este está de costas. E, espanto dos espantos, estão a pensar em Vosselência para assumir o papel de Golias!

      Sensacional! O primeiro Óscar português está no papo!

      • POIS! says:

        Falta uma palavra na segunda linha: “Há cenas que não dão grande ideia (…)”

    • E se assim fosse, só uma das partes estava dependente da outra na mesma.

  8. Jacinto leite says:

    Numa capa de jornal os títulos eram “Revolta dos Agricultores – vendi a maçã a 25 cêntimos e no super está a dois euros”.

    O agricultor vender a perder dinheiro, e abaixo do custo de produção, às grandes superfícies, para depois ser compensado do prejuízo pelo Estado com o dinheiro dos nossos impostos, enquanto os hipers e os supers geram mais-valias astronómicas já não levanta problema nenhum.

    “É o mercado a funcionar”, diz a direita e dizem os novos liberais (aqueles da IL, porque no meu dicionário liberal tem outro significado), que são contra a intervenção do Estado e contra a subsidio-dependência e o desbarato do dinheiro do contribuinte…

    • Ana Moreno says:

      Têm vergonha de se chamarem neoliberais, que é o que são.

    • É quase como se quem tem que planear a produção perecível com meses de avanço fique vulnerável a quem tem capacidade de vender a uma grande percentagem, que também usa para tornar os contractos mais e mais enviesados.
      Na, é o mercado livre.

  9. Ana Moreno says:

    Belo post, só falta acrescentar os acordos de comércio livre que abrem as portas a produtos cheios de pesticidas e sem outras normas a que os agricultores europeus estão sujeitos. E por isso, bem como pela falta de incorporação das externalidades, a preços mais baratos. Esta economia enviesada há-de dar o berro, mas como quem lhe segura as rédeas são os mais poderosos, quando cair vamos todos agarrados para o fundo.

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