Apagão na selva

Esta é uma imagem real de um Mercadona na zona do Porto.

E diz-nos quase tudo o que precisamos de saber sobre o que se passou ontem.

Basta um apagão de algumas horas para entrarmos todos em paranoia e correr para os supermercados para comprar 100 litros de água, 500 rolos de papel higiénico e latas de atum para alimentar 10 pessoas durante 1 ano.

Pelo caminho, também dá para que alguns trogloditas resolvam diferendos sobre enlatados à chapada, como foi reportado em vários pontos do país. [Read more…]

A distribuição tem nome

Os agricultores estão na rua a lutar pela sua sobrevivência. A comunicação social fala na ministra, nas políticas ambientais europeias, nos custo de produção e na “grande distribuição”.

Essa tal “grande distribuição” é a grande responsável pela asfixia dos agricultores. E essa tal de “grande distribuição” tem um nome. Um, não. Vários: Modelo Continente, Pingo Doce, Mercadona, Lidl, etc. Sim, é preciso que a comunicação social largue o chavão “grande distribuição” e chame a coisa pelos seus nomes. Para que o consumidor saiba que o Continente, o Pingo Doce, Lidl, Mercadona e tantos outros com a sua política de preços asfixia os agricultores. A ministra é uma incompetente? É. As políticas europeias são hipócritas? São. O preço do petróleo é um problema? Claro que sim. Estes três exemplos são a ponta do iceberg. O corpo da coisa que asfixia os agricultores: a grande distribuição.

Cujos actores são nossos conhecidos. Diariamente. Seja na publicidade com que alimentam a comunicação social, seja por serem o sítio onde vamos comprar as verduras, a fruta ou a carne. A grande distribuição que matou as mercearias ou os talhos e que agora tenta matar os cafés e os restaurantes. Enquanto asfixia os produtores. Continente, Pingo Doce, Mercadona ou Lidl, entre outros. Sim, os seus vizinhos.