A extrema-direita gosta muito de falar de uma coisa a que chama “identidade nacional”, porque acreditam, uns, ou fingem acreditar, outros, que há uma definição muito simples para isso.
Para essa gentinha, os portugueses são muito católicos, descendem todos directamente dos que assinaram o tratado de Zamora e têm sangue de cristãos que bateram nos mouros entre 1147 e 1249, quando conseguimos expulsar heroicamente a mourama, atirando-a ao mar. Os bravos descendentes desses mesmos portugueses fizeram-se aos oceanos e deram novos mundo ao mundo, espalhando desinteressadamente, e para ilustração dos selvagens, a cultura e a Fé.
A História deu as suas voltas, mas, para a gentinha, a identidade ficou esculpida no granito do tempo, ao ponto de ser facílimo identificar um verdadeiro português ao fim de um curto questionário. Há um nós que não se confunde com os outros. Identidade, aliás, vem de idem, o mesmo – o outro é alter, Deus nos livre de tal coisa, especialmente de for o Deus de Ourique, porque não há outro melhor.
A identidade é algo que só se pode descobrir na sua absoluta incompletude, tal como uma fotografia nunca será mais do que um momento de uma pessoa e, mesmo assim, um momento incompleto, porque nunca está ali a pessoa toda, porque a pessoa é um contínuo cheio de descontinuidades. Só um tolo ou um desonesto poderá cair no simplismo bacoco e na consequente arrogância de explicar o que é isso da identidade nacional.
O tribalismo idiota dos nossos valores leva a imposições, a movimentos violentos e a manifestações demagógicas e oportunistas contra uma imigração transformada em apocalipse, de modo a alcançar mais votos.
Note-se: um criminoso é um criminoso, seja ou imigrante ou não (a não ser que um português deixe de ser criminoso, porque o crime não faz parte da identidade nacional), mas a treta reaccionária é a mesma em todo o lado, inventar invasões, crimes, violações.
Combater a indústria do medo é muito difícil, porque não se consegue conversar com quem o cria nem com quem o sente. Não devemos ter medo da História.
Termino com uma citação de O Mito das Nações, de Patrick J. Geary: «Os povos da Europa, como os povos da África, da América, ou da Ásia, são processos, formados e reformados pela história, e não estruturas atómicas da história em si. Heraclito tinha razão: não se pode entrar duas vezes no mesmo rio. Os rios em que consistem os povos continuam a fluir, mas as águas do passado não são as do presente nem as do futuro. Os europeus têm de reconhecer a diferença entre o passado e o presente se quiserem construir um futuro.»






O mesmo cretino que provavelmente em passado recente era bem capaz de falar de uma identidade guineense ou angolana – obviamente negras – para justificar as acções armadas contra as tropas portuguesas, não vê caminho para encontrar uma identidade portuguesa.
Dêem-me um esquerdalho que logo vos encontro alguém sem temor ao ridículo.
Estimado Salazarento menor
Eu ingenuamente a pensar que esse papel de alguém sem temor ao ridículo, fosse vossa senhoria.
.Mas os seus colegas na escola da PIDE em Sete Rios, não lhe chamaram a atenção?
Não, porque o JgMenos desorientou-se lá por Sete Rios, viu umas jaulas e pensou que a PIDE era ali.
Quando o encontraram já tinha interrogado duas zebras e torturado um gorila que, coitado, foi tão apertado que denunciou uma data de leões, duas girafas e um gnu.
Tudo para mostrar serviço!
O cretino que tem sonhos molhados com a identidade nacional portuguesa, branca e cristã, não aceita outras identidades doutras cores. É um iludido, coitadinho, que não vai além do pensamento simplista e tribal que critica nos outros. O menos é o maior!
A argumentação esquerdalha e as arengas das jocistas do Cerejeira têm um fundamento comum: somos todos filhos do Senhor!
Ora pois!
As beatas e os sacristos eram uma coisa muito boa na era salazaresca, mas podiam, desejosamente, ficar-se por ir à missinha privada, “celebrada” em casa por um padreco amestrado (alguns com mais sorte na vida, chegavam conduzidos por um “chauffeur” às ordens num carrinho do Estado…).
O problema é que havia uma outra gentinha que, depois de rezar nas igrejas da cidade, ia por esses bairros adentro e vinha cá para fora dizer que os “filhos do Senhor” estavam na miséria, aproveitando ainda para perguntar o que andava aquela malta fardada a “salvar” em África.
Para ira dos ultrassalazarescos, tipo JgMenos. Pelos vistos, ainda não lhe passou a coisa.
Pois mas…
E vai encontrar bem depressa, ó Menos! Nem precisa de sair de casa, basta olhar para a parte de cima do pechiché!
Acho que o problema é que a nossa história ainda sofre do miasma da apropriação salazarista pela propaganda Estado Novo.
In portuguese, please
Use a dictionary
What. ?
O problema é que não nasceu com o estado novo, mas impediu que morresse.
Não. O problema é um nacionalismo xenófobo que põe o critério na etnia em vez da cultura.
«…O liberalismo é o partido dos arrivistas que se insinuaram entre o povo e os grandes homens.
Os liberais sentem-se indivíduos isolados, responsáveis por ninguém.
Não compartilham das tradições da Nação, são indiferentes ao seu passado e não têm ambições para o futuro. Eles buscam apenas o seu próprio benefício pessoal no presente.
O seu sonho é a grande Internacional, na qual as diferenças de povos e línguas, raças e culturas serão apagadas…» – Arthur Moeller Van Den Bruck
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