Liberdade

Sabem as incontáveis histórias sobre herdeiros que quando assumiram o património que lhes foi legado, espatifaram tudo? Apesar de não gostar que a analogia se baseie em dinheiro porque, desde logo, a premissa fica pervertida, o certo é que se pensarmos num património de liberdade, justiça e humanidade que nos foi deixado pelas gerações anteriores, esses herdeiros perdulários somos todos nós. Principalmente, nós os europeus.

Durante grande parte do século XX, mas como consequência de um processo evolutivo do pensamento estrutural, milhares de milhões de pessoas prescindiram consciente e, tantas vezes, voluntariamente do seu conforto, da sua segurança, da sua liberdade e até da sua própria vida para que os paradigmas políticos se modificassem substancialmente. Dum passado em que a força era a razão do poder para um futuro em que a equidade, a democracia e o respeito pelos mais fracos passariam a ser as linhas mestras da governação. Mas acima de tudo, um futuro onde a liberdade fosse o âmago da própria vida.

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«Como se diz “entre Cila e Caríbdis” em português?»,

pergunta Esteves Cardoso. Eu ajudo: “entre Cila e Caríbdis”.

Negócios de Paz

Na Arábia Saudita, uma ditadura tão ou mais violenta que a russa, Washington e Moscovo discutiram a paz para a Ucrânia. Sem a presença da Ucrânia ou de qualquer dirigente europeu. Será, tudo parece indicar, a paz que se previa desde o início: a paz que beneficia o agressor e que oficializará a ocupação de parte do território ucraniano. Ucranianos – e europeus – aprenderão uma importante lição, recentemente aprendida, da pior maneira, por afegãos e curdos: os EUA usam e deitam fora os seus proxys. E não, não é de agora.

Marco Rubio, que liderou a comitiva americana, deixou um aviso à UE: “terá que estar à mesa em algum momento, porque também tem sanções que foram impostas”, acrescentando que todas as partes devem fazer concessões, incluindo a parte que não foi tida nem achada nas negociações. Ou seja, o que Rubio nos está a dizer é que devemos deixar cair as sanções para garantir um acordo que não nos diz respeito.

Abanaremos o rabo, como Putin antecipou?

Tudo indica que sim. [Read more…]