Apagão na selva

Esta é uma imagem real de um Mercadona na zona do Porto.

E diz-nos quase tudo o que precisamos de saber sobre o que se passou ontem.

Basta um apagão de algumas horas para entrarmos todos em paranoia e correr para os supermercados para comprar 100 litros de água, 500 rolos de papel higiénico e latas de atum para alimentar 10 pessoas durante 1 ano.

Pelo caminho, também dá para que alguns trogloditas resolvam diferendos sobre enlatados à chapada, como foi reportado em vários pontos do país.

Eu estive no Continente da Trofa por volta das 14h. Queria comprar uma lanterna para não jantar às escuras. E fiquei abismado com a quantidade de gente. Parecia véspera de Natal.

Horas antes, quando a luz falhou, e ninguém sabia ainda muito bem o que se passava, aproveitei a falha que julguei temporária para ir ao Mercadona buscar o almoço, porque não tinha nada em casa para comer e estava sem tempo para cozinhar. Ainda não eram 12h, ninguém sabia muito bem o que se passava, e já o açambarcamento tinha começado.

O que será de nós se um dia nos virmos confrontados com uma crise a sério, que dure vários dias?

Prefiro nem pensar.

A linha que nos separa de ter Portugal transformado numa selva é mais ténue do que imaginamos. E os brandos costumes, a julgar pelo que se passou ontem e pela violência gratuita distribuída por fascistas e neonazis no 25 de Abril, só funcionam sob ditadura.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Esta foto demonstra bem a razão pela qual o Ventura tem uma legião de adeptos.
    Perguntarão o que é que uma coisa tem a ver com a outra?
    Simples. A forma de captar fenómeno, a mensagem, se quiserem, de raciocinar!

  2. Nuno Oliveira says:

    Ainda não percebi, quando há uma merda qualquer, vai tudo comprar papel higiénico e latas de atum..

    • POIS! says:

      Bem, citando…

      “quando há uma merda qualquer, vai tudo comprar papel higiénico(…)

      Claro! Onde está a admiração? Não é lógico? Merda…papel higiénico… Ou queria que a malta se limpasse às silvas?

  3. Nuno Oliveira says:

    esquci !
    E água…

    • POIS! says:

      É para dissolver o papel higiénico! De outro modo os aterros ficavam atolados. Nem quero pensar nas consequências!

  4. Tref says:

    Acho que as redes sociais estão cheias de histéricos.

    É a minha opinião, não especializada – histeria.

    Tudo é dramático. Misturado com falta de memória (nos anos 1980 e princípios dos anos 1990, falhas energéticas em Lisboa, por ex., eram mais comuns) e um medo do apocalipse que só existe no mundo das redes sociais, e temos uma histeria colectiva.
    já não existe informação, sim espectáculo dramático. Vemos isso também na cmtv – é o “desespero”, dizem eles.

    Outra coisa que também fica provado é que a moda que a tecnologia mais avançada destrói a mais antiga é falsa – o mundo analógico não irá desaparecer tão cedo.

  5. Então vêm aí os Russos, os Chineses, o ISIS (mas não o do Iémen) e a Al-Qaeda (mas não o da Síria), Cuba e a Venezuela, enquanto o gangue espera que seja o dono do monopólio a esclarecer alguma coisa, abastecer para uns dias nem é muito caótico, até porque há quem fique sem água.
    Podia alguém ter dito que ficava resolvido em menos de um dia? Podia, mas para isso precisava de governar.
    Continuo à espera da mensagem do SIRESP, já agora.

  6. Alberto Mendes says:

    E é por isto que o comunismo e socialismo não funcionam. Porque somos humanos e agimos como humanos.

    • Carlos Almeida says:

      E essa a opinião de muita gente como os Espíritos Santos, Musk, e o sr Trump.
      Faz todo o sentido do ponto de vista dos multimilionários.Musk. etc
      Estava a esquecer do Zuckerberg que enriquece a custa dos trouxas com conta no Facebook

      A bem da nação como dizia o outro

      • Asnonimo says:

        O zuckerbergas não obriga ninguém a ter conta no facebocas. Só lá vai quem quer, tal como à chafarica X.

        • Nortenho says:

          O marrrano não tem culpa coitadinho dele

        • Tuga says:

          “O zuckerbergas não obriga ninguém ”

          Os traficantes de droga, tambem não obrigam ninguém a injetar-se
          As tascas também não obrigam ninguém a beber vinho.
          O difícil é entrar no processo. Mesmo deixar de fumar é muito difícil para muita gente mesmo com pouca saude e com problemas respiratórios.
          Se acham que são coisas muito diferentes é porque não conhecem as mais valias que os donos das redes sociais têm com os seus utilizadores, quer do ponto de visto económico e político. Porque é que acham que o Boer comprou o X ?

          • Asnonimo says:

            Porque o que não faltam são activistas moralistas que compram um telemóvel novo pela Amazon e a primeira coisa que fazem com ele é escrever um tweet a falar mal do Bezos e do Musk.

    • E, sei lá, essa opinião for propaganda com base em aldrabices? Que não nasceu com as redes sociais.

      https://chrisgregorybooks.wordpress.com/2020/11/05/humankind-rutger-bregman-a-review/

  7. Carlos Almeida says:

    “Acho que as redes sociais estão cheias de histéricos”

    Claro. Porque é que acha que foram inventadas as redes sociais, para alem de encheram de milhões os Zuckerberg, Musk e quejandos.

    “Outra coisa que também fica provado é que a moda que a tecnologia mais avançada destrói a mais antiga é falsa – o mundo analógico não irá desaparecer tão cedo.”

    Pode ser que seja ignorância minha, mas não conheço meios digitais de transmissão de energia. Os processos analógicos irão logicamente continuar nesta área e em muitas outras.
    A sua gestão e controle é por processos e meios digitais obviamente.

    Não dar importância à chamadas “redes sociais é o que faço.

  8. Anonimo says:

    Em Espanha foi diferente

  9. E o Marcelo, já apareceu? Fosse noutras paragens, já se dizia que o monte de aldrabices lhe tinha acertado o passo.

  10. balio says:

    Onde é que o João Mendes encontrou um supermercado aberto durante o apagão?
    Tenho a impressão de que este post é uma tanga, fake news. Os supermercados fecharam todos logo que puderam. Somente algumas mercearias e lojas chinesas permaneceram abertas.

    • João Mendes says:

      Quando a luz falhou, por volta das 11h30, fui ao Mercadona buscar o meu almoço, convencido de que seria algo temporário. Fica a 2 minutos a pé da minha casa. Claro que estava aberto.

      Quando já se sabia que a coisa era mais grave, fui tentar comprar uma lanterna. Eram 14h. Na loja junto a minha casa estavam esgotadas. Fui ao Continente onde havia luz e pagamentos por MB activos.

      Tanga e fake news é o caralho que te foda.

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