Ouve-me

Liliana Garcia

E se em vez de um apagão feminino fizermos antes um clarão feminino?
Séculos de história já trataram de apagar o feminino. Nós conseguimos melhor que apagões. Colocar a mulher na obscuridade não me parece a melhor forma de luta para aumentar a visibilidade do papel da mulher na sociedade, seja para lutar contra a violência doméstica, seja para lutar pela igualdade de direitos. É no silêncio que se vão apagando mulheres vítimas de violência doméstica.
A igualdade de género não vai lá com apagões, mas sim com clareza, a começar pela clareza de pensamento. Quantas de nós se questionam sobre os papéis que assumem como seus (são uma clara vontade da mulher ou imposição social)? Quantas de nós educam os filhos, ou as filhas, no sentido da igualdade de género? [Read more…]

Aquelas coincidências do camandro

perto de 8000 milhões correspondem a operações ordenadas a partir do colapsado Banco Espírito Santo (BES), sendo que 98% dos fluxos de capital colocados em offshores em 2014 (o ano da derrocada do banco) ficaram omissos da base de dados.

As coincidências começam logo aqui. Havia um banco em vias de ser intervencionado e 98% das transferências do BES para offshores caíram no apagão. Sendo que 80% do apagão corresponde ao BES.

O “apagão” que se verificou no registo das transferências realizadas de 2011 a 2014 só ocorreu consecutivamente em três dos quatro anos nos ficheiros informáticos XML submetidos por dois bancos, o BES e o Montepio. O relatório de auditoria elaborado pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF) – que atribui os erros a uma “combinação complexa de factores tecnológicos” e considerou “improvável” ter existido mão humana no processamento parcial dos dados – referiu que os problemas aconteceram em três anos apenas em duas entidades financeiras.

Eis a coincidência explicada. Uma “combinação complexa de factores tecnológicos”. Com improvável intervenção de mão humana. Será, então, à mão divina a quem devemos apontar culpas? Na minha terra, o software ainda não nasce sozinho e há erros que vêm mesmo a calhar.

E o fisco, tão eficaz a lembrar-me que tenho uma factura para confirmar se o soro que comprei no supermercado tem receita médica ou não, deixa passar um buracão destes em três anos consecutivos?

Só tenho pena que estas coincidências tenham apenas incidência em possuidores de contas em offshores. Espero que o Bloco de Esquerda detecte esta desigualdade e que, prontamente, proponha uma lei para todos terem a sua conta fora de terra.

As citações são de uma notícia do Público.

Homenagem ao SL Benfica

O SL Benfica é o maior clube português. Para além de ser, embora com uma curta distância, aquele que detém mais títulos no futebol (entre os quais se incluem os 29 títulos de Campeão Nacional contra os 24 do FC do Porto – não 32 contra 25, como a imprensa gosta de dizer), é também o que tem mais adeptos espalhados por todo o país. Graças, sobretudo, aos espantosos anos dourados de Eusébio e Companhia durante os anos 60 e 70.
Desde miúdo, aprendi a ver no SL Benfica o rival maior do meu FC do Porto. O meu clube, quando comecei a gostar de futebol, tinha apenas 5 títulos de Campeão Nacional – o último tinha sido conquistado 11 anos antes de eu nascer.
A partir de finais dos anos 70, com Pedroto e Pinto da Costa ao leme, tudo mudou. O FC do Porto começou a ganhar títulos e a rivalizar com o SL Benfica. A chegada à Final da Taça das Taças em 1984 e a vitória na Final da Taça dos Campeões Europeus em 1987, no Prater, foi o culminar desse processo e, no fundo, significou a passagem de testemunho em termos de hegemonia do futebol português.
Habituei-me a ver no Benfica um adversário digno e merecedor do maior respeito. Desejando que perdesse sempre nas provas nacionais, claro, mas nunca deixando de reconhecer o seu valor. Com Luis Filipe Vieira, numa linha que já vem desde Vale e Azevedo, percebi que, afinal, há um benfiquinha capaz de imitar o pior de um portinho que, infelzimente, também existe. Percebi que uma certa gente do Benfica entende desde há algum tempo que a melhor forma de combater o FC do Porto é imitar os discursos, as atitudes e os métodos de Pinto da Costa. [Read more…]

O meu Benfica não apaga a Luz

O meu Benfica não apaga a Luz, rega o relvado a horas próprias, não se sente menorizado quando um campeão faz aquilo que faz o Benfica ao ganhar títulos: festeja-os com a legitimidade do vencedor.

O meu Benfica demarca-se do Benfica igual aos outros, do Benfica que copia e imita o pior dos rivais. O meu Benfica não perde tudo numa centena de minutos, o jogo, a postura, a dignidade. O meu Benfica não é uma massa de seguidores acéfalos, questiona os dirigentes, exige explicações e chama os bois pelos nomes.

Consola-me que exista um Benfica dentro do benfiquinha. Porque eu, do benfiquinha, não sou.