“What we’ve got here is failure to communicate“ (*)

Marcelo Rebelo de Sousa veio hoje deitar água na fervura, sobre as intervenções pouco felizes de governantes, no modo em como têm abordado, publicamente, a temática da catástrofe que se abateu sobre o Centro do país. Isto, após chegar do Vaticano para onde rumou, certamente para rezar mais de perto do Criador – ou de quem O representa na Terra -, em prol da nação.

Todavia, a preocupação de Marcelo Rebelo de Sousa – cuja sobriedade e discrição comunicacionais, são por demais conhecidas e exemplares -, percebe-se. Infelizmente, no palco da desgraça que atingiu o país, não têm faltado declarações infelizes, como, por exemplo:

Isto, após a triste tentativa de Leitão Amaro estrelar num vídeo promocional. Além da polémica em torno da visita de Nuno Melo ao local.

Pelos vistos, para se ser Ministro, não é preciso perceber uma coisa básica: existe escrutínio do que se diz, do que se faz, e de como se diz e se faz. Existem câmaras que registam o que se passa – até em telemóveis, imagine-se! -, e uma coisa chamada internet onde existem redes sociais onde a velocidade da informação é voraz.

A resposta dada à desgraça ocorrida, demonstrou todas as fragilidades organizacionais que o país enfrenta. Reflexo, também, de uma prevalecente lógica de nomeações políticas – directas ou por inerência de cargos -, ao invés de uma lógica de mais-valia técnica ou de ciência, em cargos de decisão e intervenção.

Acrescendo as “lições a tirar” de que toda classe política fala sempre que existe uma crise, mas das raramente se aprende alguma coisa. Como, recentemente, aconteceu com o apagão de 2025, e a falta de autonomia energética que sustente redes de abastecimento de água, telecomunicações, etc. Sendo duvidoso que, a acontecer novo episódio, alguma coisa de estrutural tenha mudado.

Mas, pior, demonstrou que não existe qualquer sentido da realidade por banda de quem governa. Um afastamento absoluto da realidade quotidiana do país. E, pior, uma total ausência de bom-senso ou razoabilidade. Acrescido de uma patente incompetência, que nem os gabinetes de comunicação são capazes de disfarçar.

Esta total inabilidade de comunicar, de fazer da mensagem informação e esclarecimento, aliada à incompetência e até ao despudor, é a manifestação clara da actual qualidade governativa.

Diz a sabedoria popular que somos donos dos nossos silêncios e escravos das nossas palavras. Mas, convenhamos: se um político não serve sequer para comunicar, então não serve para coisa nenhuma.

(*) Citação do discurso do Capitão, personagem interpretada por Strother Martin, no filme “Cool Hand Luke”, de 1967, realizado por Stuart Rosenberg, baseado na obra de Donn Pearce.

Comments

  1. francis says:

    a culpa é do Chega, pah, o Chega, pah, o Chega é que é uma desgraça…..Se fosse o PS a gerir esta crise, e se tivesse sido o PSD a gerir os incêndios de Pedrogão Grande……….isto era só eficiência

    • Just my 2 cents! says:

      Nem sei o que comentar a este comentário! Há uma coisa que é básica, ninguém bate a natureza, metam isso na cabeça! Nem nos incêndios, nem nas temspestades tropicais, nem (e eu vi isso ao vivo) num furacão! Não faltam exemplos no mundo em que todos estes fenómenos em qualquer país do mundo, não importa a preparação, têm efeitos catastróficos!
      Não metam política onde a política nada controla… a política pode ajudar a amenizar, mas nunca pode controlar!

    • Nenhum está perto de chegar ao necessário, mas é difícil perceber o que pedófilos, gatunos, e gunas acrescentavam.

    • POIS! says:

      Pois é, estamos de acordo! É uma desgraça!

      Aquela de levar três paletes de água para as vítimas do dilúvio não lembrava a um santo.

      O Quarto Pastorinho vai ter sérias dificuldades para trepar na carreira celeste!

  2. Whale project says:

    Ninguém bate a natureza então deixa arder, deixa afogar, deixa morrer. Não e assim meus psicopatas fachos de meia tigela?
    Ninguém bate e a psicopatia e a falta de humanidade desta gente que nos desgoverna. Se ao menos se calassem tornavam tudo isto um pouco menos difícil de aguentar.
    Quanto a Chega? Ainda não veio dizer que a culpa e dos ciganos e dos imigrantes do Bangladesh o que já e um adianto.
    Acham que se fosse o bandalho que diz que precisávamos de três Salazares a mandar isso tinha corrido melhor?
    Todos sabemos que no tempo do Salazar e sucessor a única especialidade do Governo era esconder vítimas debaixo do tapete.
    Os 700 mortos nas cheias de Lisboa transformaram se em 70.
    Vão ver se um tubarão branco cheio de larica já se perdeu nos rios.

  3. Just my 2 cents! says:

    Boa tarde a todos! Antes de mais de direita tenho muito pouco… mas aqui a discussão é sobre o aproveitamento político que é feito de desgraças que ninguém controla ou pode controlar… acham mesmo que, não importa o partido, os incêndios, as tempestades tropicais e os furações vão acabar? Força nessa crença! Se quissemos salvar o mundo, é disso que estamos a falar, teríamos de regressar aos hábitos de vida de há séculos atrás! E muitos falam mas depois não o fazem!

    • Não pode ninguém impedir a natureza,m as o regime pode-se preparar antes para o que fazer durante e depois , além de tentar minimizar. Pelo andar da carruagem, vai haver países bem mais pobres muito mais preparados do que qualquer um na eurolândia, a cortar tudo a eito e depois é cada um por si, e a até a economia paciência.
      Também não é preciso salvar o mundo, ele fica cá uns milhares de milhões de anos. Já as condições para a sobrevivência de sociedade moderna, quanto mais para uma com milhares de milhões de pessoas, pioram para além das piores previsões; portanto, mais depressa regressamos aos “hábitos de vida de há séculos atrás” se não controlarmos fortemente o desperdício (e já agora, o resto dos recursos também não dura assim tanto). Mas isso exigia menos bombas e mais planeamento e parcerias internacionais, como as economias que mais crescem no mundo.
      A “boa notícia” é que a eurolândia já escolheu encolher de outra maneira, à custa de se ajoelhar frente ao paizinho, por exemplo, em relação à energia, à tecnologia, e também já em relação à alimentação.

      • Just my 2 cents! says:

        Peço desculpa mas permita-me perguntar-lhe. Como é que algo ou alguém se pode preparar para uma situação que espera mas da qual não sabe, porque não se adivinha, de como e onde serão sentidos os seus efeitos?
        Diga-me um país em que alguma vez tudo foi previsto e acautelado! Nem cá, nem em Espanha, nem em França, nem na Suécia, nem nos USA ou mesmo no Canada… esse grau de prevenção (quiçá adivinhação) e preparação é um sonho! Podemos ter atitudes preventivas e devemos ser mais ágeis nas situações de resposta a que podemos dar resposta porque, acredite-me, há muitos fatores numa situação destas em que a natureza pode bem mais do que nós!
        Não gosto de puxar de “galões” mas já tive a minha dose de luta contra situações destas e há muitas decisões que têm de ser tomadas e não são as que queriamos, são as que podemos tomar.

        • Just my 2 cents! says:

          Boa noite! Já agora, só uma achega, porque muito me orgulho disso. Eu fui, há 40 anos, um daqueles que vemos hoje, de uniforme camuflado vestido, a ajudar populações! Sempre com sentido de missão e sempre tentando ter as melhores decisões… felizmente, comigo e com as minhas tropas, sempre estivémos à altura do desafio e o que vivemos com as pessoas e o que fizémos deu-me(nos), literalmente, uma nova vida! Não sei se todos puderam experimentar isto mas o povo português, na emergência e no desconhecido, é mesmo muito bom! A resiliência e a reação, mesmo no desespero, é muito bom!
          Deixem o circo para os “pavões” que nós, os portugueses, tratamos do assunto!

        • Há uma grande diferença entre tudo, e nada, deixando as pessoas entregues a si próprias; com algo que é há muito previsível, e se vai tornar mais recorrente. Ou então se calhar os rios mudaram de sítio e ninguém me disse.

          • Just my 2 cents! says:

            Boa tarde! Eu também gostaria de viver num mundo ideal em que tudo se pudesse prever/evitar e a tudo se pudesse acorrer! A má notícia é que isso é impossível de fazer!
            Se reparar estamos a falar de efeitos que vão para além de cheias, foi a água mas também foi o vento… e milhares de locais foram afetados!
            É fácil dizer que “ninguém veio cá”… não temos, ninguém tem, a capacidade para estar em todo o lado sem ser os que lá estão! É a vida! è uma realidade com que temos de viver!

          • Não têm capacidade, nem tão pouco vontade, para estar em lado nenhum, que é diferente. Como não têm para a saúde, educação, habitação, e tudo o que não seja negócios de empresas familiares.

          • Just my 2 cents! says:

            Bem isto já é falar muito para além da calamidade!
            “Como não têm para a saúde, educação, habitação, e tudo o que não seja negócios de empresas familiares.”
            Aponte casos concretos e ajude, aponte caminhos e soluções que não sejam apenas vacuidades de declarações! Fico-lhe muito agradecido pela sua importante ajuda!

          • Caraças, ter um plano de distribuição de geradores, estudar os pontos mais vulneráveis que possam limitar a comunicação e acesso e como os ultrapassar antes ou depois, de mobilizar os meios para as situações críticas onde são mais competentes (invés de ficarem todos a olhar uns para os outros), de centros de refúgio temporário onde seja possível garantir segurança, energia e comunicação limitadas, portais de entre-ajuda, apoio psicológico local e remoto, previsão de áreas ou de pessoas com debilidades a evacuar com antecedência, não voltar a implementar um penso sem investir na mitigação de ocorrências futuras, tornar menos desmoralizadoras as condições materiais e de trabalho das forças de salvamento, seriam um começo não percebendo nada do assunto. Não esquecendo de não o fazer no gabinete de Lisboa sem ir coordenar com quem conhece o terreno.
            Só que isso custa dinheiro e não é sexy, por muito que seja bom para a economia e poupe a longo prazo.

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