Portugal não é Cristiano

Confesso que reflecti um bocado antes de avançar para este texto. Mas a irritação é demasiada e não consegui evitar.

Estou farto desta narrativa de que temos de estar gratos a um jogador de futebol pela “identidade nacional” ou por “colocar Portugal no mapa”. Cansa. É redutor. É ignorante e, no limite, é até bastante anti-patriota pensar assim. Se Portugal, enquanto país, deixa a sua imagem depender de um jogador de futebol, para o bem e para o mal, então Portugal não é um país. É um entreposto de néscios deslumbrados com a grandeza de um só um homem.

Portugal tem mais de novecentos anos de História. Já éramos Portugal antes do jogador de futebol e continuaremos a ser Portugal depois do jogador de futebol. Seja esse jogador de futebol quem for. Sim, Cristiano Ronaldo é uma marca e, como tal, usa o marketing e a publicidade a seu favor. E aprendeu-o, sobretudo, em Madrid, no clube que melhor faz lavagem de imagem na Europa. Na Arábia, cimentou-o: depois de lavada a sua própria imagem, especialmente depois da fuga ao fisco espanhol e da violação de Kathryn Mayorga, foi lavar a imagem da pior ditadura do Mundo a troco de muito dinheiro. A carreira futebolística de Cristiano acabou quando saiu da Juventus; tendo, a partir daí, virado a antena para os negócios, sendo o futebol apenas a linha férrea que transportava o comboio até ao destino final.

Um estupendo jogador de futebol que como pessoa deixa muito a desejar, por tudo o que tem mostrado ser neste final de carreira.  [Read more…]

Crepúsculo

Não pretendo fazer uma análise ao Portugal – Espanha que ditou a eliminação da Selecção nos oitavos de final do Mundial 2026. Após o final do jogo, o capitão Cristiano Ronaldo afirmou ter ganho 3 títulos internacionais ao serviço de Portugal, que anteriormente à sua chegada nada ganhava.

Uma vez que Cristiano para o bem e para o mal chama a si o protagonismo, permito-me escrever estas linhas que não pretendem de forma alguma menosprezar a carreira do melhor jogador que o futebol português já produziu.

O futebol é um desporto colectivo, que permite que os executantes talentosos se destaquem, para gáudio dos adeptos que por vezes os elevam ao patamar de Deuses. Mas são sempre as equipas que ganham ou perdem, Léo Messi não seria Campeão do Mundo em título se D. Martinez não tem defendido no último minuto o remate de K. Muani, por exemplo. E tantos outros exemplos poderiam ser apontados a comprovar que ninguém ganha sozinho uma partida de futebol, embora por vezes assim pareça. [Read more…]

Clube dos Pensadores com Fernando Gomes

O Clube dos Pensadores continua a ser uma excelente ideia.

Hoje, às 21h30 em Vila Nova de Gaia, Fernando Gomes, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol é o convidado do Clube dos Pensadores.

Confesso que não vou muito à bola com alguém que me surge claramente como parte do problema do nosso futebol, mas de qualquer modo gostaria de lhe perguntar que estratégia tem para melhorar a relação entre a formação de jovens jogadores e o desporto escolar.

Será que não faria sentido que até aos 14/15 anos a formação fosse, do ponto de vista do financiamento público, apenas concretizada através do sistema escolar (público e privado), fazendo-se depois a ponte para  a competição através dos clubes locais, que alimentariam no escalão seguinte (juvenis) os grandes clubes?

Difícil de Digerir

O almoço caiu-me mal. O bacalhau gratinado estava jeitoso, mas a mistura de notícias ouvidas e vistas na TV, acompanhadas do Jornal de Notícias, deixou-me mal disposta.

121 mil euros é o que a FPF vai pagar pela estadia da Seleção no Hotel Remes (Opalenica, Polónia), ou seja, 8.120 euros por noite (a FPF já tinha o hotel reservado desde outubo de 2010- que organização!!) e a Fundação Champalimaud ofereceu hoje um almoço às estrelas. Há dias, os nossos jogadores «perderam» tempo a «provar» os fatos oficiais para o Euro 2012 desenhados pela estilista Fátima Lopes … tempo que teria sido muito útil se investido no treino para o jogo com a Turquia no passado sábado…

À mistura destas notícias, o outro lado da moeda portuguesa: a dívida pública irá atingir os 118% do PIB em 2013.

É difícil engolir tanto esbanjar de dinheiro quando o país está neste estado…

O dinheiro gasto com o Euro 2012, antes, durante e depois, sei lá, não podia ser canalizado para outro lado? (Fala uma leiga em futebol e assuntos da FPF…).

«Seleção Portuguesa de Futebol não participa no Euro 2012: Vitor Gaspar e a troika não permitem despesas supérfulas». Como eu gostava de ver isto!!

E para terminar… Vejo menos bandeiras de Portugal nas varandas, comparativamente a 2004. Por que será??

Uma seleção rica representando um país paupérrimo…

Gilberto Madaíl, pá, a sério que não era preciso

Os homens providenciais sempre me assustaram. O mundo pula e avança graças a um conjunto de indivíduos e nunca por obra e graça de um só. Mesmo que esse homem especial tenha uma importância extra no desenrolar da história.

Gilberto Madail

Messi pode ser determinante no Barcelona mas se não tiver outros dez jogadores a ajudar não ganha nenhum jogo. Há um anos, quando Cavaco Silva garantiu que ou era ele ou o caos, tremi. Foi por isso que nunca fui fã do reeleito presidente da República. Por isso e por causa do episódio do consumo de bolo-rei com a boca aberta. É um crime comer bolo-rei daquela forma.

Há dias, Gilberto Madaíl admitiu recandidatar-se à liderança da FPF, depois de ter dito, várias vezes, que não, que não faria mais nenhum mandato. Comecei a ficar assustado.

Depois, já hoje, Horácio Antunes anunciou que desistia. O pior estava para aconter e, pumba, aconteceu. Hoje, Madaíl confirmou: se os novos estatutos forem aprovados, ele recandidata-se.

É que não era preciso. A saúde já não ajuda, a idade começa a pesar e a FPF até funciona em piloto automático.

Política do pão e circo

image Há coisas que me fazem confusão. Uma delas é não me sair a lotaria mas isso consigo explicar por não jogar. Outra, para a qual boçal é o epíteto que me ocorre, consiste no insistente uso de títulos académicos entre as pessoas ligadas ao desporto. Lembra-me amiúde a comparação com um paliativo que se usa para compor uma lacuna. Mas não é isto que aqui me traz.

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Mau selecionador, mas bom negociador

Fiquei hoje a saber que o contrato de Carlos Queiroz prevê um prémio de dez por cento do valor pago pela FIFA à Federação Portuguesa de Futebol pela presença no Mundial 2010. O homem pode errar a torto e a direito dentro do campo, mas é bom na secretaria. Já Madaíl, como negociador, apresenta-se ao nível a que joga futebol a Coreia do Norte. Resultado: uma cabazada das antigas.