O Chega e a «traição de 74»

Num texto publicado hoje no Facebook, Bruno Nunes, deputado do Chega, comenta os problemas ocorridos em Ceuta, usando a previsível linguagem própria de um marialva, ao mesmo tempo que faz referência à «nossa civilização», à boa maneira dos fachos que não querem perder tempo a estudar História.

O que vale a pena realçar, no entanto, é o modo como Bruno se refere ao 25 de Abril: a «traição de 74». Nada que já não se soubesse, mas é sempre importante confirmar.

Não é especialmente preocupante haver gente que odeia a revolução dos cravos – muito preocupante é haver muita gente a votar em quem pensa assim, numa ilusão de que o regresso à ditadura, essa idade de ouro dos cheganos, irá trazer a ordem e a segurança, como se viver em ditadura significasse viver em ordem e em segurança.

Comments

  1. Preocupante é ser quase unanimemente normal não se saber o que se defende, excepto como uma misturada de valores inconsistentes e incompatíveis ao sabor das vibes. Os casos da extrema direita da loja de euro são só a versão extremada, onde nem chegam a estar errados porque nem chega a ter nenhum facto ou lógica subjacente fora de projectos de poder pessoal.

  2. JgMenos says:

    A ‘traição de 74’ é algo que ocorre depois do 25Abril desse ano.
    A canalha esquerdalha é que refere ao 25A todo o esterco que semeou após essa data.

    • António Fernando Nabais says:

      Ó menos, elabora, filho, elabora. Então o 25 de Abril não foi uma traição, mas foi traído em 1974? O Bruno Nunes é, então, um adorador da revolução e um crítico do que se lhe seguiu (e apenas em 1974?). Quer isso dizer que tu e o Brunho (uma mistura de Bruno com grunho) sois dois abrilistas revoltados com a traição ocorrida algures durante o resto do ano? Muito me contas, filho!

      • POIS! says:

        Esta agitação toda do eixo Brunho/Menos tem uma razão de ser.

        Amanhã comemora-se o 56º Dia Mundial da Cadeira de Repouso, que os costuma deixar bastante excitados.

        Que nos recorda um momento de decisiva viragem na carreira do nosso ditador, e que ilustra bem as diferenças entre os gloriosos ditadores nesses ensejos, nomeadamente sobre quem os acompanhava: o Adolfo estava com a mulher, o Benito com a amante, o D’Oliveira com o calista.

        Aliás, parece que o Brunho já está a puxar a traição mais para trás. Já passou a era Marcelesca e está a chegar à da queda da cadeira. Mas parece que não vai ficar por aqui. Descobriu recentemente que o D. Fuas Roupinho estava feito com os marroquinos, embora lhes tenha partido umas cabeças, para disfarçar.

        • POIS! says:

          Errata: amanhã comemora-se o 58º Dia Mundial da cadeira de Repouso. Nestas coisas da História Pátria há que ser muito rigoroso.

    • Rafael says:
    • POIS! says:

      Ora pois!

      A vivência do 25A de Menos pode ser resumida do seguinte modo. “primeiro estranha-se, depois entranha-se, a seguir amanha-se, posteriormente correio da manha-se”.

  3. JgMenos says:

    A cambada esquerdalha julga-se revolucionária e imagina o 25A como algo do foro revolucionário de esquerda, como se pudesse ter ocorrido sem a acção do Spínola na Guiné, a propaganda que essa acção teve no Expresso, o seu livro ‘Portugal e o Futuro’ e o imobilismo do regime pela mão do timorato Caetano.
    O que mais acima se pode ler traduz bem o tipo de cretinice que fez de uma revolta militar o pântano abrilesco, em que a irresponsabilidade de um bando de medíocres arvorados a terem voz, e a acção dos sempre serventuários de Moscovo, destruiu economias e matou dezenas de milhares.

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