Marcelino da Mata e outros instrumentos de propaganda

Não vou entrar no debate Herói VS Vilão. Na Guerra Colonial, o vilão era Salazar e o seu indissociável regime. Não havia outro. Todos os outros foram vítimas, umas mais que outras, e cada um fez as suas escolhas, mais ou menos condicionadas. Marcelino da Mata escolheu servir o regime fascista. Se o serviu por convicção, interesse ou medo, é dúvida que dificilmente será esclarecida. Podemos apenas especular. Mas isso também não interessa para nada! Porque a discussão que se gerou não foi sobre Marcelino da Mata, mas sobre o que certas forças quiseram que Marcelino da Mata representasse na hora da sua morte.

Digam o que disserem os saudosistas, Marcelino da Mata foi instrumentalizado pelo Estado Novo. Foi, literalmente, sem aspas, um instrumento de propaganda. Não está em causa se voluntariamente ou não. Poderá não o ter sido numa fase inicial, mas, seguramente, houve um momento em que percebeu qual o seu propósito e utilidade para o regime fascista: um negro leal ao regime opressor, que Salazar usou para dizer aos negros colonizados que aquela guerra não era entre a metrópole autoritária e as colónias subjugadas, mas entre um Portugal de todas as etnias e raças, que nunca existiu, e um bando de insurgentes criminosos, que calharam de ser todos negros e descendentes dos povos colonizados.

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Organograma: a repetitiva, populista e demagógica cassete do fascismo português


Neste organograma, podemos contemplar o funcionamento simplificado do falso patriotismo e do racismo primário, inerentes à condição de militante/simpatizante da extrema-direita portuguesa, ela própria uma existência simplificada, falsa e primária. Nunca falha. Vira a cassete e toca a mesma.

Notas sobre as Presidenciais 5: Deixem-se de tretas: os eleitores do Chega não são todos uns coitadinhos revoltados que não sabiam ao que iam

Não engulo a narrativa anti-sistema. Anti-sistema era o Tino de Rans. André Ventura veio do bloco central do sistema, teve um padrinho do sistema, foi recentemente acolhido pelo sistema, nos Açores, esteve ligado ao Correio da Manhã, andou no debate futebolístico, tira selfies com Luís Filipe Vieira, rodeia-se de pessoas com credenciais como ligações ao BES, aos Panama Papers, a contratos milionários com o estado, à evasão fiscal – em tempos uma das especialidades do próprio André Ventura – e a inúmeros outros esquemas, amplamente difundidos pela imprensa nacional, para não falar nos vários membros da elite endinheirada deste país que o apoiam e financiam, e agora é anti-sistema?

Vamos lá ter noção, sim?

Anti-sistema, repito, é o Tino de Rans. O Chega é do sistema, para além de herdeiro do sistema anterior, e tem ligações a todo o tipo de elites, abastadas, excêntricas e nada católicas. A única diferença entre ele e o restante sistema, é que André Ventura cruza constantemente a linha vermelha do racismo, da xenofobia, do fanatismo religioso, do ódio, enfim, uma série delas que já todos sabemos. Mas não é anti-sistema. É apenas a pior face dele. A que oprimiu Portugal durante mais de 40 anos. Aliás, o Chega é tão sistema, que o quartel general de Ventura já tem mais oficiais do CDS do que o Largo do Caldas. Tudo isto é público, tudo isto é apoiado em factos muito concretos, e nem Ventura, nem o Chega tentaram sequer o contraditório. E quem cala consente. [Read more…]

André Ventura, o português “de bem” que profanou uma missa fúnebre para fazer propaganda eleitoral

Esmiuçar o percurso e o modus operandi fundamentalista de André Ventura é uma missão quase impossível, na medida em que as ventiras, menturas e andrebices se sucedem, as ameaças à democracia são uma constante, o discurso renova-se diariamente de novos chavões absurdos e fanáticos, e a lavagem cerebral que a máquina de propaganda do Chega tenta impor ao país é incessante e de recursos quase ilimitados. Ser financiado pela elite do sistema tem as suas vantagens.

Podemos falar de inúmeros casos, das assinaturas falsas entregues ao Tribunal Constitucional ao programa que prevê o desmantelamento do Estado Social, passando pelas ligações a criminosos, a militantes de organizações violentas, com provas dadas em espancamentos e até assassinatos de ódio, ou à elite financeira e económica, apesar da anedótica narrativa anti-sistema e anti-elites, onde não faltam as ligações ao caso BES, aos Panamá Papers ou a contratos públicos de milhões de euros com o Estado, via ajuste directo. Podemos falar no estilo decalcado do terrorista que ontem cessou funções na Casa Branca, na hostilização de jornalistas, com viaturas vandalizadas à mistura, na normalização do ódio, do racismo, da xenofobia ou da retórica reles, grosseira e ordinária, reveladora de um André Ventura com distúrbios de personalidade, que num dia afirma que o insulto é a arma dos fracos, para no outro dia chamar “avô bêbado” a Jerónimo de Sousa ou boneca insuflável a Marisa Matias. Podemos ficar horas nisto, revistar o cigano que não é cigano, a promessa da não-acumulação de funções, a ligação a fundamentalistas evangélicos, o clima de medo, intimidação e lei da rolha no seio do seu partido ou a validação do discurso anti-científico e negacionista da pandemia ou das alterações climáticas. [Read more…]

André Ventura e Marine Le Pen, ou a arte de se afirmar defensor dos portugueses de bem e promover quem os persegue e ameaça de morte

Historicamente, França tem sido o principal ponto de chegada para centenas de milhares de emigrantes portugueses, desde a década de 60, quando fugiam da miséria imposta pelo regime salazarista. Estima-se que vivam no país cerca de meio milhão de portugueses e luso-descendentes, a maioria dos quais perfeitamente integrada, sem historial relevante de associação a problemas sociais ou criminalidade, que, não raras vezes, diz “presente” quando se trata de desempenhar as funções que os franceses não querem fazer, das limpezas à construção civil.

Estes portugueses, tão portugueses como qualquer português que habite em solo nacional, são, apesar das vicissitudes, portugueses orgulhosos e patriotas, que investem em Portugal, que constroem casa em Portugal, onde regressam após se reformarem, que geram milhões para o sector do turismo, do Algarve ao Alto Minho, e que transferem milhões de divisas para o seu pé de meia, num qualquer banco português. Apenas para dar alguns exemplos. [Read more…]

Basta não falar dele?

Entre os adversários do Chega, há quem defenda que não se deve falar do Chega, que já chega.

Não tenho soluções. Contudo.

(Não tenho soluções, ficais já avisados, é, aliás, o título da autobiografia que nunca publicarei)

As pessoas que fazem afirmações destas têm uma crença definitiva no poder do silêncio. Nada tenho contra o silêncio, que prefiro mil vezes ao barulho, mas não consigo perceber como é que se combate um inimigo de que não se fala. Nem o demónio é ignorado na Bíblia e olhai que a Bíblia sempre é a Bíblia.

Imagine-se o comandante de um exército, rodeado pelos seus conselheiros, mapas espalhados pela mesa de campanha, alguns cachimbos, semblantes gravíssimos, cenhos franzidos. Um conselheiro mais inexperiente arrisca:

  • Talvez devêssemos atacar os ruinlandeses neste…

Não chega a acabar a frase porque sente imediatamente uma pasta com sabor a ferro na boca, percebendo que tem um dente partido. Depois de levar alguns pontapés no chão, o comandante, humano, sereno, levanta a mão:

  • Vamos parar com isso, não somos assim tão selvagens.

O desgraçado levanta-se, tentando perceber o que lhe aconteceu. O comandante, olhando para um infinito próximo, explica:

  • Aqui não se fala dessa gente, porque, se falarmos, eles passam a existir. Isso quer dizer que deixarão tanto mais de existir quanto mais não falarmos deles.

O politraumatizado ainda balbuciou:

  • Mas como vamos combater?

O comandante não consegue evitar que a voz lhe saia mais elevada. Academia Militar, condecorações, vitórias várias, umas, morais, outras, por falta de comparência, anos de experiência a anular o inimigo e ainda tinha de explicar o óbvio:

  • O combate faz-se calando. Nunca ouviu dizer que o calado é o melhor? E tirem-me daqui estes mapas, que ainda digo alguma coisa que não devo.

No campo dos ruinlandeses, diante do silêncio alheio, urdiam-se planos em sossego, a ventura sorria.

Colaboracionismo

Sandra Capela*

“La palabra colaboracionismo deriva del francés collaborationniste, término atribuido a todo aquello que tiende a auxiliar o cooperar con el enemigo. Entendida como forma de traición, se refiere a la cooperación del gobierno y de los ciudadanos de un país con las fuerzas de ocupación enemiga. La actitud opuesta al colaboracionismo –la lucha contra el invasor– es representada históricamente por los movimiento de resistencia.
Los “colaboracionistas'” suelen serlo por diferentes motivos: por afinidad ideológica, por simpatía por el enemigo, o por coincidencia en los objetivos, aunque también pueden serlo por coacción o incluso por miedo. En otros casos, los colaboracionistas esperan obtener ganancias, enriquecimiento o favores del enemigo.”

Link: https://es.wikipedia.org/wiki/Colaboracionismo

Sá Carneiro deve estar orgulhoso

Foto: João Miguel Rodrigues@Jornal de Negócios

Foi Rui Rio quem, no início do ano, assumiu abertura para dialogar com a extrema-direita, caso esta se moderasse, impossibilidade que decorre da sua natureza extremista. Rui Rio sabia com quem lidava, ou pelo menos tinha a obrigação de saber, porque não anda nisto há dois dias, como o próprio não se cansa de dizer. Tal não o impediu, contudo, de se comprometer e de fragilizar a sua posição, bem como a do partido que lidera.

Aliás, se recuarmos até Setembro de 2018, verificamos que a narrativa que está na base da criação do Chega aponta precisamente para a necessidade de fazer cair a direcção de Rui Rio. Na altura, e ainda na condição de militante do PSD, André Ventura cria o Chega como um movimento que visava reunir assinaturas suficientes para convocar um congresso extraordinário do PSD, com o qual pretendia derrubar a direcção Rio. [Read more…]

Fascismo Cultural

A democracia não é nem pode ser neutra. A democracia tem valores e princípios sobre a qual foi construída, e deve defendê-los com todos os recursos à sua disposição. Não poderia ser de outra maneira.

A sua natureza plural, contudo, encerra um perigo, que é o de permitir que os seus inimigos, aqueles que a querem destruir, possam ter uma palavra a dizer na sua condução. Alguns deles estão, estiveram e têm perspectivas de chegar ao poder, mas o seu líder acaba de cair. E o espectáculo não está a ser bonito de se ver.

Com Trump em modo meltdown conspiracy, os Proud Boys standing back and by, focos de contestação organizada à porta de estações de contagem de votos nos Estados que ainda continuam por fechar, o Bin Laden da extrema-direita internacional mostrou ao que vinha e acabou banido do Twitter. No seu canal, Steve Bannon, estratega da vitória de Trump em 2016, deixou um recado ao ainda presidente: despedir Fauci e Christopher Wray, director do FBI, mas só porque o “presidente é bondoso”. Se fosse ele, a coisa piava de outra forma:

Eu gostava de voltar atrás e estar nos bons velhos tempos da Inglaterra durante a dinastia Tudor e pôr a cabeça deles em estacas” e colocá-las de “cada lado da Casa Branca como um aviso aos burocratas federais

A democracia não é nem pode ser neutra. A democracia tem limites, linhas vermelhas, e uma delas é não tolerar métodos medievais de terror. Mas é essa, a alternativa que a extrema-direita tem para oferecer. Chamemos-lhes fascismo cultural. E os democratas a procrastinar, armados em Chamberlains, fiados na virgem e no wishful thinking.

Biden não será a alternativa óptima, mas é o analgésico possível para uma América em carne viva. A democracia está estilhaçada, mas sobreviverá para viver mais um dia. Caberá aos democratas decidir se estão verdadeiramente dispostos a lutar por ela, contra a pandemia do nacional-trumpismo.

O Index e a nova Inquisição

Quem nunca ouviu aquela boa velha linha, que vai mais ou menos assim: “só dás valor às coisas quando já não as tens”? Eu já ouvi, várias vezes, em vários contextos e por vários motivos. A propósito dela, da boa velha linha, há algo que, em certos países, se está a perder. Um algo ao qual talvez não estejamos a dar o devido valor, e que, suspeito, estamos em risco de perder. E não é um algo qualquer. É o jornalismo, um dos pilares que sustenta o edifício das sociedades democráticas. Mais ou menos independente, a morte do jornalismo profissional é uma tragédia para a democracia. E está a acontecer. Aqui e agora, na União Europeia dos direitos humanos e da liberdade de expressão.

O jornalismo pode morrer de muitas maneiras. A mais comum e eficaz é a morte por autoritarismo. Chame-se o que se lhe quiser chamar: autoritarismo, nacionalismo, democracia iliberal ou totalitarismo. Ou o bolsoliberalismo evangélico, subespécie alternativa e ainda pouco estudada, que destrói o jornalismo ao mesmo tempo que cria páginas no Facebook e no Twitter, com pastores evangélicos que pregam o criacionismo e a teologia da prosperidade, através da qual burlam a ignorância e compram bons helicópteros. Com mais ou menos porrada, mais ou menos exploração, vai tudo dar – literalmente – ao mesmo. [Read more…]

Esquerdofrenia

[João L. Maio]

O pior da esquerda é a constante falta de unidade. A dar tiros nos pés somos os maiores.

Num momento em que a esquerda precisa de estar unida, debater e chegar a consensos sobre a melhor forma de reagir (não gosto da palavra, mas é a correcta neste caso) ao avanço de uns certos iluminados sem luz, eis que prefere medir a pilinha do “eu sou mais anti-fascista do que tu” com os outros camaradas do mesmo espectro político.

As sondagens que vão saindo valem o que valem (ainda para mais quando as próximas Legislativas são apenas em 2023). No entanto, são sempre sintomáticas de alguma coisa, não fossem elas… amostras representativas. E essas dizem-nos que os desventurados vão galgando terreno. Um deputado fascista na Assembleia da República é um empecilho que temos tentado combater e desconstruir; agora imaginem fazer esse trabalho com quinze ratazanas lá metidas por outros milhares de ratazanas que os elegerão. Tudo isto se torna mais urgente quando ouvimos o líder da oposição dizer que não põe de parte uma coligação com os mini-hitleres cá da rua. Não acordes, esquerda…

Unam-se. Não se arruma com um fascista atirando o tiro para o ar. Separados e de costas voltadas não se combate o presente e muito menos se constrói o futuro.

“Tudo depende da bala e da pontaria/Tudo depende da raiva e da alegria”.

Lições do fascismo português: como casar uma professora do Ensino Primário

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No tempo do Salazar é que isto era um país às direitas. Literal e orgulhosamente. Reparem no exemplo das professoras do ensino primário que pretendiam casar, e que só precisavam de aprovação do pai, de um parecer positivo do director do distrito escolar e da autorização do Ministro da Educação Nacional. Nada mais. Era ter estas três aprovações e estava resolvido o problema. Nada dessas modernices vagabundas, que estão a destruir a família cristã, em que a mulher escolhe o seu caminho e faz as suas próprias opções. Com Salazar e o seu grupo de forcados, poucas vergonhas como essa não passavam.

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Um sapo para o Chega

CH

Eis o sapo que os adeptos do Chega se preparam para engolir, após terem lido a reportagem da Visão e descoberto que o seu herói anti-sistema e anti-elite se reúne com o sistema no nada elitista Hotel Palácio, no Estoril, de onde regressa cheio de dinheiro e apoios de banqueiros e empresários do sistema, alguns deles com passado ligado a instituições tão nobres como o BES.

Chega de quê?

André Ventura ARRASA LIBERDADE DE EXPRESSÃO e PROMETE CENSURA nas redes sociais

AV

Se for eleito, André Ventura promete acabar com a “bandalheira” que é o Twitter. Uma bandalheira onde Ventura chafurda diariamente, como tantos porcos fascistas, e que o deputado de extrema-direita pretende monitorizar a censurar, caso vença as próximas Legislativas. Está ficar crescido, este aspirante a Estaline. Será que já começou a apagar os dissidentes das fotos?

Sem surpresas, André Ventura continua a imitar as piores práticas de Donald Trump, referência máxima dos neofascistas portugueses, a par de Salazar, Bolsonaro e Hitler. Apesar de inexistente no panorama político internacional, Ventura sonha já com o fact checker do Twitter, a sinalizar as fake news que debita diariamente, no processo contínuo de tratar os chegófilos como otários acéfalos, o que, em bom rigor, não anda muito longe da verdade. [Read more…]

Um molho de Nuno Melo, Salazar e Pavlov

O eurodeputado Nuno Melo criticou a presença de Rui Tavares num dos programas da nova tele-escola, como se pode ler no tuíte que encima esta prosa.

Como ainda não tinha assistido a nenhuma aula, resolvi ir ver, não fosse, por uma vez, Nuno Melo ter razão, algo de que ninguém está livre (peço desculpa pelo adjectivo, porque pode ser visto como uma alusão subliminar ao partido fundado por Rui Tavares).

Na realidade, Rui Tavares é um homem de esquerda, com passagens por alguns partidos. Nunca se sabe se poderia ter aproveitado a oportunidade para catequizar as pobres criancinhas de 5.º e 6.º ano. Por outro lado, Rui Tavares é doutorado em História, com obras publicadas na área, o que, por estranho que possa parecer, faz dele alguém especialmente habilitado para ensinar História. Há pessoas assim multifacetadas: tenho um amigo bancário cuja condição profissional não o impede de conceber uma magnífica carne de porco à alentejana. [Read more…]

Pedro Passos Coelho, o Dr. Frankenstein de André Ventura

Quando se questionarem sobre quem foi o Dr. Frankenstein de André Ventura, façam um pequeno exercício mental e recuem até à campanha para as Autárquicas de 2017.

Vão ver os elogios que Passos Coelho e respectivos generais lhe fizeram. Os mesmos generais que agora se posicionam para depor Rui Rio e tomar o PSD de assalto.

Vão ler o contorcionismo daqueles que agora o renegam, quando há dois anos o defendiam com unhas e dentes e lhe elogiavam a coragem de ser xenófobo. [Read more…]

A Amazónia a arder no fogo do fascismo

A Amazónia continua a arder e o presidente Bolsonaro acusa as ONG ambientalistas de ter ateado os fogos. O mesmo Bolsonaro que colocou uma lobbista do agro-negócio na pasta da agricultura, que acabou com a fiscalização das invasões às reservas indígenas e que permitiu que o desmatamento avançasse sem freio e sem precedentes. O que levou a um aumento desenfreado da poluição para níveis recorde. Confrontado com os factos, Bolsonaro demitiu o presidente do INPE, responsável pelos estudos sobre o desmatamento da Amazónia, e colocou um fantoche seu no lugar. O mesmo aconteceu com a FUNAI. [Read more…]

Fake news, Expresso?

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via Expresso

Bolsonaro surpreende com cocó e prisão para jornalistas“? Mas surpreende quem? E com o quê? Com o cocó não é de certeza, que se há coisa que Bolsonaro faz bem, é dizer e fazer merda. Com ameaças de prisão para jornalistas também não deve ser. Fascista que se preze não tolera a liberdade de imprensa e pune exemplarmente os prevaricadores. E o nazi paulista não se cansa de os avisar. Junte-se-lhe o fundamentalismo religioso, e não se admirem se um dia destes descobrirem que um jornalista brasileiro foi fatiado a mando do ayatollah do Whatsapp. As parecenças deste Brasil com a Arábia Saudita não se esgotam no nepotismo e no espírito totalitário.

O califa de Mar-a-Lago

No espaço de uma semana, três atentados terroristas nos EUA ceifaram a vida a mais de 30 pessoas. Primeiro na cidade californiana de Gilroy, de seguida em El Paso, cidade fronteiriça de New Mexico, e, finalmente, em Dayton, Ohio. E se é certo que tiroteios são o prato do dia nos EUA, o elevado número de atentados em tão curto espaço de tempo é revelador destes tempos sombrios, ainda mais sombrios do que aqueles a que fomos habituados pelo Tio Sam. [Read more…]

Putin e os eurofachos

Salvini teve uma vitória estrondosa. Marine Le Pen venceu em França, Farage no Reino Unido e Orban, do respeitável PPE, confirmou o domínio absoluto sobre a Hungria. O que une estes quatro vencedores das Europeias, dois dos quais em estados fundadores da Comunidade que deu origem à União?

Para além da preferência pelo fascismo, une-os um ideólogo, Steve Bannon, incansável durante os meses que antecederam a eleição e focado em destruir o que resta da União, e um líder, função que, em alguns casos, acumula com a de financiador. O seu nome é Vladimir Putin.

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O fascismo é de esquerda ou de direita?

Tal como as ditaduras comunistas de inspiração estalinista, o fascismo é um regime totalitário, opressor, inimigo da liberdade individual, que não respeita nem o homem nem as ideias, que prende e mata pessoas por pensarem diferente, pelo que todos os democratas de direita e de esquerda, do centro, do centro-direita ou do centro-esquerda, TODOS, devem activamente opor-se com todas as suas forças!
A Democracia é um regime que, para se manter, depende da defesa dos democatas empenhados em exercício permanente de uma cidadania activa , enquanto os regimes totalitários dependem de um ditador apoiado em forças policiais, militares ou para-militares.

Terrorismo fascista

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A Nova Zelândia, um país pacífico que ocupa o topo da cadeia alimentar das nações mais desenvolvidas e com maior qualidade de vida do planeta, foi na Sexta-feira palco de um atentado terrorista, o mais grave da sua história (se é que houve outro), que resultou em dezenas mortos e feridos.

O autor do atentado é um terrorista de extrema-direita, que afirma inspirar-se em personagens sinistras como Anders Breivik, e que elogia Marine Le Pen e Donald Trump como “símbolo de identidade branca renovada”. A agenda da violência, da intolerância, do racismo e da islamofobia começa a colher os seus frutos. [Read more…]

Reféns da nossa irrelevância militar

GF

Quase 30 anos depois do fim da Guerra Fria, o palerma americano e o czar russo entretêm-se a rasgar contratos de não proliferação e a falar abertamente sobre a instalação de mísseis na Europa, como quem fala de um corte numa prestação social. E nós aqui no meio, reféns da na nossa irrelevância militar, a ser tomados de assalto por fascistas apoiados pelos dois.

Isto sim, tresanda a estalinismo e fascismo por todos os lados

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Imagem: Fernando Pessoa – Heterónimo, 1978, óleo sobre tela de António Costa Pinheiro

Vivem-se tempos de polarização, de radicalizações mil, marcados pelo regresso de fantasmas de outros tempos, que procuram usar a democracia e a liberdade de expressão na tentativa de as suprimir.

Fruto deste extremar de posições, que alimenta discursos cada vez mais carregados de ódio e ignorância, termos como “fascista” ou “estalinista” são usados e abusados, e servem hoje para tudo e mais alguma coisa. O governo português, por exemplo, é estalinista. Os conservadores, por seu lado, são fascistas. Hitler, segundo algumas almas perdidas que deambulam pelas redes sociais (e em alguns projectos políticos travestidos de jornais), era socialista, porque o nome do seu partido incluía o termo. Qualquer dia, ainda nos tentam convencer que a República Popular Democrática da Coreia do Norte é uma democracia. [Read more…]

Cesar Sayoc e a alvorada do terrorismo liberal-fascista

Fotografia via New York Magazine

Chama-se Cesar Sayoc, tem 56 anos e um extenso registo criminal (esteve preso em 2015), e, avança a imprensa nacional e internacional, é o principal suspeito pelo envio de engenhos explosivos para a casa de várias figuras do Partido Democrata. Sayoc é também membro do Partido Republicano e apoiante entusiástico de Donald Trump, daqueles que se dedicam, com afinco, a destilar ódio e a partilhar propaganda e conspirações do Breitbart nas redes sociais. Um dos muitos mujahedines produzidos na fábrica de androides fascistas do trumpismo.

Cesar Sayoc, a confirmarem-se as suspeitas da justiça norte-americana, conspirou para assassinar várias pessoas, por motivos ideológicos. Uma consequência directa desta nova narrativa de divisão e ódio, alimentada diariamente por um presidente bélico, que destrata os aliados da NATO com a mesma convicção com que declara o seu amor por Kim Jong-un. Com a mesma determinação com que procurou amparar o cliente saudita, após o brutal (e encomendado) homicídio de Jamal Khashoggi. Com a mesma paz de espírito com que desvaloriza a violência racial. [Read more…]

Saudades do 24 de Abril

Se Cristas votasse no Brasil, não votaria nem em Haddad nem em Bolsonaro. Abstinha-se.

Entre um democrata declarado e um ditador em potência, a senhora Assunção prefere não escolher. Sendo que escolhe na mesma – escolhe não contrariar o favorito, que é o mesmo que votar no fachosolnaro.

O resto é paleio de encher. Clarinho que nem água é que, para a senhora Cristas, o mal menor não é repudiar o sujeito que ameaça aniquilar os opositores, que defende a tortura e a polícia que atire a matar, que classifica as mulheres como seres humanos de segunda e os homossexuais como uma aberração e que os pobres devem ser capados para que não tenham filhos.

Estará esta cartilha fachista em linha com o seu credo cristão? E com o seu desejo de evitar o populismo? Onde é que encaixa aqui o Centro Democrático Social / Partido Popular?

Mais do que as palavras, os actos definem as pessoas. E esta senhora, se votasse no Brasil, ficava em casa. Tal como no dia 24 de Abril.

A ignorância é a mãe de todos os males

Rosali Henriques

Estou à espera da consulta da médica ginecologista no centro de saúde.
Várias brasileiras aguardando consulta na sala de espera, algumas grávidas.
Começam a falar sobre política brasileira. O marido de uma delas começam a falar bem do Bolsonaro. Não pude me conter e começa uma discussão. Eu digo que o Bolsonaro é fascista e vai ser como o Salazar.
O brasileiro diz que mora aqui há 30 anos e nem sabe quem foi Salazar, mas diz que o filho do Lula tem fazendas e jatinhos. Olha o naipe da gente que vota nele aqui.

Ignorância, ódio e instrumentalização do medo: Bolsonaro, o Messias da violência

A Vice arriscou-se pelos covis do fascismo que alimentam a ascensão do próximo ditador da América Latina.

O elogio da tortura e a exaltação da violência, o fundamentalismo religioso acéfalo (passo a redundância), a cultura da ignorância e da desinformação e o ódio contra minorias e instituições democráticas atravessam os 25 minutos deste curto, mas esclarecedor documentário. [Read more…]

O Bolsonazi é tão, mas tão mau

que a própria extrema-direita não o suporta.

17,6%

Foi o resultado dos Democratas da Suécia, nas Legislativas deste Domingo. Apesar da ironia presente na nomenclatura, trata-se de um partido de extrema-direita, alinhado com os seus congéneres da nova vaga fascista que ameaça a Europa. Uma vaga que já governa Itália, Hungria, Áustria e Polónia, com as melhorias que lhe são conhecidas no sistema democrático, e que espreita em França, na Alemanha e na Holanda, para não falar da malta do Brexit, que se deixou levar pelos Nigel Farages desta vida. [Read more…]