Postcards from Scotland #7 & 8 (Aberdeen and Inverness)

Being inside a David Lodge’s book for a while* or… not so much, after all

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O postal de ontem (que só publiquei no facebook) foi curto, basicamente dizia que havia muito para contar, mas o cansaço era extremo (ainda é) e que um grupo de europeus do sul, entre os quais me encontrava eu, tinha ‘coletivizado’ a caixa de bolachas que a comissão organizadora do congresso ofereceu ao Apostolos por integrar a comissão científica. Sendo todos de esquerda, a coletivização das bolachas pareceu-nos bem, uma vez que o Apostolos não estava presente no jantar. As bolachinhas foram comidas, assim, por mim, por uma espanhola e três ou quatro gregos. Eram bem boas.

Fiz as minhas duas comunicações ontem mesmo, na sessão das nove da manhã. Correram bem, suponho. A seguir assisti a outra sessão, almocei, mais duas sessões e bebidas ao fim da tarde, no centro, entre o antigo e o novo comité executivo, para que fui eleita no dia 19. A seguir, o jantar do congresso e a noite acabou, passava das duas da manhã, num pub local, com música ao vivo e danças escocesas que também se dançaram no jantar. Dancei uma em cada sítio e é violento ou então estou velha. É capaz de ser mais isso.

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Postcards from Scotland #6 (Aberdeen)

The grey city between Don and Dee*

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Aberdeen não é uma cidade particularmente bonita. É a capital europeia do petróleo. Tem um porto muito grande e cheio de atividade e as gaivotas parecem gatos. As gaivotas têm acompanhado a minha viagem desde Liverpool, com os seus lamentos. Em Glasgow havia menos no centro da cidade, mas aqui, parecem, como disse, gatos. Estão por toda a parte, pousam no meio das ruas indiferentes aos carros, em cima dos caixotes de lixo e das paragens de autocarro. Há bocado enquanto esperava pelo autocarro, com o Renato, para regressarmos dos centro aos nossos hoteis, havia tantas gaivotas a voar tão baixo que parecia que estávamos no filme ‘Birds’, do Hitchcock. Antes de vir para o Reino Unido passou-me pelos olhos uma notícia sobre o País de Gales que falava, justamente, de gaivotas. De gaivotas que mordiam as pessoas e os cães. Um pouco assustador, portanto, estar ao princípio da noite na Union Street com tantas gaivotas a voar tão baixo. E a ouvir os seus lamentos.

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Postcards from Scotland #5 (Aberdeen)

We, the great people of the South…

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Este postal vai escrito sem muito cuidado. Estou cansada. Passei o dia praticamente todo fechada em salas a ouvir os colegas, moderei uma sessão, falei com muitas pessoas em várias línguas, sobretudo em inglês, é certo, mas com pessoas com sotaques muito diferentes. E amanhã tenho de acordar cedíssimo para mais um dia (uma parte dele, pelo menos) fechada em salas a ouvir pessoas falar em inglês com diferentes sotaques. Não é que não goste, que gosto, acho que se percebe que uma das coisas que mais me dá prazer na vida é o meu trabalho, mas, reparem, um congresso no meio das férias, mesmo que reencontremos amigos, não é exatamente a melhor das ideias. E depois os congressos são sempre muito cansativos, a começar pelos horários estapafúrdios, e a acabar na sobrecarga de sessões e na quantidade de gente com quem se fala. Claro que há a outra parte, a mais agradável de todas, jantar com os amigos que vemos apenas de vez em quando, beber umas cervejas com eles, falar de política, dizer piadas, rir.

O dia começou relativamente cedo e chovia quando acordei. A custo levantei-me da cama antes das oito e meia. Ontem fiquei até bastante tarde a ler mais do fabuloso ‘The First Bad Man’, da Miranda July. Já vos contei como estou fascinada com a escrita dela e completamente rendida à história que nos conta neste romance. Quando acordei chovia, como já disse. Era suposto que eu visse o mar da janela do meu quarto, mas quando abro as cortinas só vejo água e névoa. O tempo escocês, ao que dizem. Suponho que até agora tive sorte na minha viagem. Só ontem e hoje de manhã choveu verdadeiramente. Mas hoje, depois de almoço, o sol brilhava outra vez e estava até ligeiramente quente. Para a Escócia, quero dizer.

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Postcards from Scotland #4 (between Glasgow and Aberdeen, by train)

«Tenha um dia bonito», disse-me o condutor do autocarro, em português

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As férias estão oficialmente interrompidas até sexta-feira. Quanto aos postais, não tenho a certeza, já que creio que o que acontece num congresso de sociologia rural interessará pouco aos que não tiverem este assunto como objeto de estudo. Claro que num congresso – mesmo que seja de sociologia rural – acontecem mais coisas para além do congresso. Mas, ainda, assim, veremos se haverá material não académico suficiente para escrever postais.

Por falar em escrever postais, hoje ao meu lado no comboio que me trouxe de Glasgow para Aberdeen (a cidade ‘between Don and Dee’) uma rapariga escrevia postais para alguém na Hungria. Lembrei-me que tenho de escrever um postal a sério para Itália. Devo esta carta ou este postal há mais de 4 meses e começo já a ficar envergonhada com a minha demora. É verdade que há sms, emails, telefonemas, e talvez por isso, porque essas coisas são rápidas e usamo-las logo ali, no momento em que nos apetece ou temos um bocadinho de tempo. As cartas e os postais, sobretudo escritos à mão e numa língua diferente da minha, ainda que a mais bela do mundo, levam tempo a escrever. Levam mais cuidado a serem compostas, trabalhadas, palavra a palavra, com a caneta sobre o papel – branco, geralmente. Mas vejo a rapariga escrever postais e lembro-me disto. Tenho de comprar um postal aqui em Aberdeen ou depois em algum outro local e escrever, com vagar, a quem devo carta. Gosto, além do mais, da expressão ‘devo carta’. Devo carta, e cuidado e tempo a uma pessoa, portanto. Uma pessoa que conheci noutra viagem, que fala a língua mais bonita do mundo (à parte o napolitano, claro) e que vive num país bastante mais quente do que este onde agora me encontro.

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