Às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência

Santana Castilho*

 

As últimas notícias sobre o nosso sistema de ensino ilustram quão certeiro foi o pensamento de António Aleixo, poeta do povo: “Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência”.

  1. João Costa veio, em artigo de 30 de Maio passado (Observador), defender-se das críticas às suas teorias sobre flexibilidade e inclusão. Abalroada pela demagogia que a domina, a prosa do secretário de Estado assentou num maniqueísmo primário e populista. Segundo ele, uns querem sucesso e inclusão para todos (ele e prosélitos), outros (os que lhe criticam os métodos), preferem reprovar os alunos. Escapou-lhe considerar que o que separa a turma dele (perita em baixar a fasquia dos pobres em vez de lhes conferir os meios para chegarem onde os ricos chegam) da turma dos outros é a recusa, por parte dos segundos, a certificar a ignorância. E que o grande combate a favor da inclusão começa fora da Escola, sob responsabilidade alheia aos professores, colada, outrossim, à pele dos políticos promotores da mediocridade. E continuará na Escola, quando substituirmos proclamações palavrosas, papéis e burocracia por meios, recursos e dignidade para quem ensina.
  2. Outro Costa, este António, fez-me recordar a eloquência de Américo Tomás (nos anos 60, disse o então Presidente da República numa inauguração: “É a primeira vez que estou cá desde a última vez que cá estive”). [Read more…]

1969-2014

1969-2014
Ninguém gosta de ser interrompido numa Universidade… e isso vê-se na expressão…

Memória descritiva: a comédia do ditador

No dia 3 de Agosto de 1968, no Forte de Santo António, no Estoril, onde habitualmente passava as suas férias de Verão, António de Oliveira Salazar teria caído de uma cadeira de lona. Segundo a versão que depois circulou, o chefe do Governo quando se preparava para tratar os pés com o calista Hilário, sentou-se pesadamente numa cadeira de lona no terraço do Forte. A cadeira não terá aguentado o peso e Salazar bateu violentamente com a cabeça nas lajes. Conta Franco Nogueira que queixando-se de dores no corpo, o ditador não autorizou a chamada de um médico, como queria a sua governanta, a D. Maria de Jesus. [Read more…]