SIRESP para totós

A ideia nasceu no governo de Guterres. A PT começou a montar antenas a título experimental e sem custos no governo do Durão Barroso – foi a estratégia do facto consumado. Quando veio a concurso, não surpreende que os restantes concorrentes dissessem que este já estava decidido. A seguir, o governo do Santana Lopes adjudicou, já em gestão. Por fim, o Costa assinou novo contrato, depois de ter cancelado o anterior, mas mantendo o essencial.

Resumidamente, foi isto. Com mais uns pozinhos engraçados, tais como a forma como isto foi cozinhado durante o governo de Durão Barroso.

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É hoje o aniversário

da cimeira da base das Lajes que marcou o inicio da guerra de agressão contra o Iraque. Pelos três criminosos e respectivo mordomo.

Devir

“Dos fundamentos da República (…) resulta com toda a evidência que o seu fim último não é dominar nem conter os homens pelo medo e submetê-los a um direito alheio; é, pelo contrário, libertar o indivíduo do medo a fim de que ele viva, tanto quanto possível, em segurança, isto é, a fim de que ele preserve o melhor possível, sem prejuízo para si ou para os outros, o seu direito natural a existir e a agir. O fim da República, repito, não é fazer passar os homens de seres racionais a bestas ou autómatos, é, pelo contrário, fazer com que a sua mente e o seu corpo exerçam em segurança as respectivas funções, que eles usem livremente da razão e que não se digladiem por ódio, cólera ou insídia, nem sejam intolerantes uns para com os outros. O verdadeiro fim da república é, de facto, a liberdade*”.

Bento Espinosa

*”A paixão que Espinosa coloca na origem última do Estado é, como faz Hobbes, o medo. Simplesmente, enquanto este considera que para afastar o medo recíproco que os homens têm uns dos outros é necessário que todos temam o Estado, o autor do TTP sustenta que a melhor forma de superar essa paixão é contrapor-lhe outra, a esperança, criando as condições para que todos possam, na medida do possível, ou melhor, do “compossível”, exercer em segurança a sua actividade. É a doutrina da Ética (IV parte, prop. 7): “uma paixão não pode ser reprimida ou contida a não ser mediante uma outra que lhe seja contrária e mais forte”. O verdadeiro fim do Estado não é, pois, como tantas vezes tem sido interpretado, fazer com que os homens usem da razão, mas sim que eles possam usar livremente da razão.”

Diogo Pires Aurélio

 

Evolução

Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo,
Tronco ou ramo na incógnita floresta…
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo…

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
Ou, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paul, glauco pascigo…

Hoje sou homem ‑ e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, na imensidade…
Interrogo o infinito e às vezes choro…

Mas, estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

Antero de Quental

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Guantánamo, a promessa de Obama

Retrato oficial do Presidente Barack Obama na Sala Oval da Casa Branca, 6 de Dezembro de 2012, por Pete Souza

Os anos passam depressa e a memória do homem é curta, convém por isso lembrar que na base naval americana de Guantánamo, em Cuba, existe há 15 anos uma infame prisão onde são enterrados vivos os suspeitos da guerra ao terrorismo. Trata-se de uma prisão onde os prisioneiros não têm direito a julgamento, onde se usam técnicas de controlo meticulosamente estudadas para destruir a vontade, para esvaziar de personalidade os encarcerados.

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O crime que compensa

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Cartoon via NBCnews

Em Janeiro, o Goldman Sachs pagou mais de cinco mil milhões de dólares para encerrar um processo instaurado pelas autoridades norte-americanas, por ter burlado milhares de investidores com produtos financeiros tóxicos, que estiveram na origem da crise financeira de 2008, a tal que afundou a economia mundial, Portugal incluído, e que geraram lucros incomparavelmente superiores para o banco de investimento. Moral da história: se fores um banco, daqueles mesmo grandes, o crime compensa. No limite pagas uns trocos para serenar a justiça, que é tua amiga mas tem que manter as aparências, e não se fala mais no assunto. Ou não andasses tu a financiar presidentes e políticos por esse Ocidente fora. [Read more…]

Isto é que é!

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Na sequência do escândalo provocado pelo salto de Durão Barroso para a Goldman Sachs, Juncker quer mudar o código de ética da UE: em vez de 18 meses, um presidente da comissão europeia deverá passar a ter de esperar três anos até poder accionar a porta giratória de entrada no mundo do negócio; para os outros comissários o prolongamento deverá passar de 18 para 24 meses.

Ah grande Barroso! mesmo depois de sair da UE continua a deixar marcas indeléveis!

Um Durão enlameado

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Foto: Reuters

O Comité de Ética da União Europeia concluiu que Durão Barroso não violou as “regras de integridade” ao ir para a Goldman Sachs, terá sido somente insensato…

“Totalmente inaceitável” tinham sido as palavras de Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, mas pelos visto íntegro, segundo os critérios da comissão de ética.

De que nos servem estas regras rasteiras???  A provedora de justiça da UE, Emily O’Reilly, anunciou agora estar a considerar novas medidas, incluindo uma investigação sobre o caso, mas enfim…

Só da vergonha é que já não se safa, este servil adorador do deus mamon.

Barroso esqueceu-se de apagar a assinatura que usa no email da Goldman Sachs

Ex-presidente da Comissão Europeia“, assim assinou o empregado daquele banco.

À Atenção do Esquentador e do seu Antecessor

António Guterres aprovado no Conselho de Segurança da ONU. Sem vetos nem espinhas.

Os negócios de Durão, o primeiro-ministro, e o Goldman Sachs

caros e ruinosos, pois claro.

Bilhete do Canadá – Bumba no toutiço

Vi ontem um substancial naco da televisão francesa, incluído no serviço noticioso de uma hora que em Paris, creio, passa às 19 horas e no Canadá ao meio dia. Adianto estes pormenores de horário para se apreciar que audiências apanha.  Pois, como ia dizendo, desta vez, o naco foi condimentado por um Prof. de Direito Europeu, em Paris, que desancou o Barroso e depois, com um sorrisinho entendido, explicou que o primeiro  ataque de Juncker esperava por uma reacção em cadeia dos dirigentes dos países membros mas, afinal, só Hollande é que se chegou à frente. Dito à nossa moda do Ribatejo: foi uma pega dum maluco e dum rabejador que o safou de ficar ensarilhado nos cornos do animal.  Coisa mais sem jeito.  Ora, se somarmos tudo quanto já se disse e escreveu sobre a nobre escolha de emprego do Barroso, levantam-se umas perguntas: a Goldman Sachs ainda o quer? Ainda serve para alguma coisa?  Perguntas mais sérias do que parecem. Se, de facto, a Goldman Sachs persistir em ter o figurão nas suas hostes, então aquilo não é namoro recente. É mancebia antiga.  Daquelas que custam mais a a acabar do que um casamento canónico.

Durão Barroso e Goldman Sachs: uma relação de transparência

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O jornal Público divulgou ontem duas novas informações sobre a relação entre Durão Barroso e o Goldman Sachs. A primeira é que, ainda na qualidade de presidente da Comissão Europeia, Durão recebia, confidencialmente e com alguma frequência, “sugestões” de alterações a políticas comunitárias provenientes do banco norte-americano. A segunda diz respeito à inexistência de qualquer registo sobre uma visita de Barroso à sede do Goldman Sachs em 2013, algo que, para além falta de transparência, revela um regime de excepção, na medida em que não existe registo de outros contactos desta natureza que não tenham sido devidamente documentados. [Read more…]

Barroso, de cherne a escorpião

Durão Barroso apoia Guterres para secretário-geral da ONU (Fevereiro 2016)

Durão Barroso apoia candidata búlgara a Secretária-geral da ONU (Junho 2016)

Barroso desmente apoio a vice da Comissão para secretária-geral da ONU (Junho 2016)

… do papel do PPE [centro-direita] para levar Georgieva a Bielderberg e foi também “claro” que Jean-Claude Juncker tentou “promover a búlgara junto dos russos, ao tê-la levado consigo a Moscovo, num contexto sem sentido”. Mais recentemente, recorda, o chefe de gabinete da Comissão Europeia declarou na sua conta oficial nas redes sociais o forte desejo de ver Georgieva na ONU.
“Last but not least, sabe-se agora da campanha desenvolvida por Angela Merkel, durante o recente G20 na China, no sentido de tentar criar uma onda de fundo em favor da ainda comissária, por forma a conseguir travar Guterres”, afirma ainda Seixas da Costa no seu blog. (Setembro 2016)

… voltaram a surgir na imprensa referências ao alegado apoio de Durão Barroso a Giorgieva numa reunião do grupo de Bilderberg em junho – desmentidas na altura pelo ex-presidente da Comissão Europeia. (Setembro 2016)

O engraçado disto tudo é o tal grupo de Bielderberg ser muito mais do que uma teoria da conspiração.

Inócuo

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A imprensa portuguesa está a dar grande destaque a uma carta enviada por Jean-Claude Juncker à Provedora de Justiça europeia, na qual o presidente da Comissão Europeia revela ter pedido explicações ao seu antecessor sobre as suas novas funções no poderoso Goldman Sachs, sem contudo deixar de referir o compromisso assumido por Durão Barroso para com um comportamento de integridade e descrição, duas especialidades do ex-primeiro-ministro que abandonou o país de tanga para exercer funções de mordomo em Bruxelas e no Clube Bilderberg. [Read more…]

Durão Barroso tratado como lobista? Finalmente!

lobbyistPelas europas eurocratas, vai uma espécie de alarido, com Jean-Claude Juncker a apoplexizar indignações pelo facto de Durão Barroso se ter transferido para a Goldman Sachs. Neste momento, existe, até, a ameaça de que Barroso passe a ser recebido em Bruxelas como um simples lobista, sem direito às honras de antigo presidente da comissão.

Se Durão fosse francês, Juncker tudo perdoaria, mas o que me traz aqui hoje é manifestar o meu regozijo, porque um reconhecimento tardio não deixa de ser reconfortante: é que o antigo primeiro-ministro português sempre foi um lobista. Na realidade, o que é que o homem esteve a fazer estes anos todos em Bruxelas que não fosse contribuir para que a Europa se pusesse ao serviço das grandes empresas mundiais e alemãs?

É, portanto, justo que passem a tratá-lo de acordo com a função que sempre desempenhou, como um rei que, finalmente, ocupa o trono depois de desesperar pacientemente por se sentar nele. A Europa poderia aproveitar, aliás, a ocasião e atribuir o mesmo título a muitos outros, começando por Juncker.

Aproveito para confessar que o meu ouvido tendencialmente purista lida mal com a palavra “lobista”. Neste e em muitos outros casos semelhantes, ficaria melhor utilizar “lobisomem”: o lobby continua a ouvir-se e faz muito mais sentido, nesta selva cheia de predadores que ao roubo chamam austeridade, palavra demasiado séria para estar na boca de lobistas.

Comissão Europeia tirou o tapete vermelho a Barroso

O mesmo a que ele limpou os pés à saída.

Das viagens

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Entre levar do gabinete para casa uma caixa de clipes e aproveitar a posição de primeiro ministro de Portugal para promover a invasão do Iraque, obtendo em troca o lugar de presidente da Comissão Europeia, vai toda uma longa escala de prevaricação e erro deontológico, ao longo da qual se vão também encontrar deputadas que passaram a trabalhar em regime de acumulação para empresas estrangeiras do ramo financeiro, cujo lucro advém do prejuízo de Portugal, com as quais, enquanto governantes, mantiveram relação próxima.
A lei, a ser aplicada com absoluto rigor, castiga quem leva os clipes e não toma conhecimento da ignóbil promoção à Goldman Sachs. O bom senso distinguirá o resto.

Factos

Carlos Paz

O melhor mordomo do mundo

DB

Foto: lainformacion.com

Já tínhamos o melhor jogador de futebol do mundo, o melhor treinador de futebol do mundo (e, se não estou em erro, o segundo melhor também), o melhor agente de futebol do mundo, o melhor corredor de maratonas BTT do mundo, o melhor praticante de jiu-jitsu do mundo (nem no Japão, toma!), o melhor lagar do mundo, o melhor peixe do mundo e, claro está, faltava-nos o melhor mordomo do mundo. Confesso que já acreditava nele antes mesmo do anúncio da mudança de bandeja e pano para o Financial District, mas o convite – chamemos-lhes assim – do Goldman Sachs é a grande confirmação que Portugal esperava. Nem sei como se deu tanta importância ao jogo da bola. [Read more…]

Bilhete do Canadá – A Gloriosa Carreira de Durão Barroso.

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Durão Barroso acaba de ser nomeado chairman do famigerado Goldman Sachs. E isto faz sentido num tempo em que, graças à direita, a política passou a estar ao serviço dos negócios, sejam eles da finança ou da construção. Portanto, a longa experiência de Durão Barroso como governante de Portugal, com relevantes serviços prestados à Guerra do Iraque e aos interesses de Bush, e a sua actuação como presidente da Comissão Europeia, onde foi um cãozinho de regaço da Alemanha, perfaz um acervo de informação preciosa para um banco de rapina como o Goldman Sachs.  Portugal que se cuide. E o Clube de Bilderberg que se regozije.

A imagem mais remota que guardo de Durão Barroso é a dum fedelho de sandálias e t-shirt foleira, com cara de papo-seco mal cozido, a berrar a favor do MRPP. Esse foi o viveiro de vários malteses que, oportunamente, saltaram para o PSD, a Maçonaria e outras casas mal afamadas.   Que a terra lhes seja leve.

Lambisgóias

Schäuble db

Tudo bons rapazes. Uns falam dada a sua natureza de lambe-botas e outros porque enquanto se aponta para os outros não se olha para nós. Mas, lá está, quem aponta com um dedo deixa três dedos a apontar para si.

Terroristas reuniram-se há 13 anos

Na base das Lajes. Será que Durão Barroso continua convencido que o Iraque tinha armas químicas? – Poderá ele mostrar essas provas ao mundo?

Bilhete do Canadá: Um Debate

guterres e barroso

O debate entre António Guterres e Durão Barroso só podia ter sido o que foi: morno e sem o impacto desejável. É que há misturas que não se fazem. [Read more…]

Dedicado aos ressabiados de direita que andam por aí a estrebuchar

Fiquei por estes dias a saber, pela turba que entoa cânticos de apoio ao PàF nas redes sociais, que a possibilidade de um governo que integre CDU e BE resultaria numa ditadura de esquerda. Que se prepara um golpe de Estado. Que os mercados serão implacáveis com a heresia democrática de haver quem à esquerda do PS se perfile para encontrar soluções governativas. O apocalipse ao virar da esquina. [Read more…]

Touché

Mas votaram em Durão Barroso para ele interromper o mandato de primeiro-ministro no meio de uma crise e ir laurear na União Europeia [Luís M. Jorge]

Um abraço para o deputado social-democrata Rodrigo Ribeiro

Rodrigo Ribeiro

Na sua página de Facebook, o deputado do PSD Rodrigo Ribeiro publicou esta fotomontagem com a legenda “Nós não esquecemos nem perdoamos…NÓS PAGÁMOS.“. Dedicado ao deputado, deixo aqui uma selecção de abraços e outros momentos de ternura, testemunhados por Santos, Estrelas e por todos os portugueses ao longo dos últimos anos. Estou certo que a esmagadora maioria dos portugueses não esqueceu, não perdoou mas, como vem sendo habitual por cá, pagou e não bufou. José Sócrates, António Costa, Cavaco Silva, Dias Loureiro, Pedro Passos Coelho, Alberto João Jardim, Luís Filipe Menezes, Marco António Costa, Teixeira dos Santos, Durão Barroso, Vítor Constâncio, Paulo Portas… Quanto pagamos nós por todos estes abraços?

Um abraço senhor deputado!

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epa04865535 President of PSD (Social Democratic Party), Pedro Passos Coelho (R), greets the CDS-PP (Social Democratic Party) president, Paulo Portas (L), in Lisbon, Portugal, 29 July 2015, during the presentation of the coalition electoral programme for the upcoming legislative elections that will take place 04 October. EPA/MARIO CRUZ

“É muito difícil dizer não a um amigo”

Retrato_oficial_Miguel_RelvasOntem, Miguel Relvas lançou um livro que terá alegadamente escrito. O facto de ter o seu nome na capa fará com que, no mínimo, tenha equivalência a autor. De qualquer modo, para bem do sucesso da obra, espero que a capacidade argumentativa de Relvas tenha melhorado ou sido melhorada.

A peça do Público é absolutamente exemplar, ao permitir que a realidade se mostre a si mesma. Basta ver a quantidade de vezes que palavras como “amigo” ou “amizade” foram utilizadas pelos entrevistados para justificar o título do texto: “O outro lado da governação são os amigos”.

Numa assistência constituída sobretudo por políticos, todos negaram ou, no mínimo, omitiram essa qualidade, substituindo-a pela de “amigo”. Paula Teixeira da Cruz classificou mesmo a sua presença como “um acto pessoal, muito pessoal”, talvez por oposição a actos menos pessoais ou pouco pessoais e num contraponto às justificações dos assassinos mafiosos que pedem desculpa ao iminente assassinado dizendo-lhe: “Não é pessoal, é negócio.”

Face às afirmações de alguns dos presentes, ou seja, dos amigos, fico, no entanto, com a impressão de que há, por vezes, a confissão de que a sua presença implicou, aparentemente, alguns sacrifícios. [Read more…]

As lições de propaganda de Marques Mendes

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Em artigo de despedida do painel de cronistas da visão, Marques Mendes dedicou algumas linhas a elogiar Jorge Sampaio, recentemente distinguido com o Prémio Nelson Mandela. Não irei discutir a justiça na entrega do galardão mas apenas a conclusão genial do barão social-democrata: esta distinção é relevante por ser ilustrativa da afirmação de personalidades portuguesas à escala planetária. E aproveita a deixa, claro, para fazer um mimo ao amigo Durão Barroso.

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O alcarnache

Na lavoura, o alcarnache é sobejamente conhecido. Corta-se-lhe a rama mas basta um pedaço de raiz para a erva regressar com igual esplendor. Adapta-se aos herbicidas, torna-se forte com as adversidades e só desaparece quando tudo o resto secou.

Há personagens assim na política e a apresentação do livro de Miguel Relvas reuniu uma parte delas. A revista Sábado publicou esta semana um depoimento de Norberto Pires, ex-presidente da CCDR Centro, a denunciar como funcionam as pressões partidárias, no caso do PSD/CDS mas podia perfeitamente ser do PS, os partidos que têm passado pelo poder. É o mundo de Relvas, e de outros, como Marco António Costa, os homens do partido, que decidem lugares nas listas de deputados e nas nomeações. A corte esteve presente na apresentação do doutor por prescrição. [Read more…]

Como está o teu nível de sinceridade, Durão?

Durão Balsemão

Há pouco mais de duas semanas, nas Conferências do Estoril, Durão Barroso afirmava perante a plateia que, desde a sua saída da Comissão Europeia, o seu “nível de sinceridade aumenta todos os dias“.

Apesar das dúvidas óbvias que tais declarações suscitam, tentemos por um momento abstrair-nos daquilo que é o historial do primeiro-ministro que abandonou o país por dinheiro e prestígio e assumir que as declarações do mordomo das Lajes, excepcionalmente, são verdadeiramente honestas. Partindo deste princípio, agrada-me a possibilidade de virmos em breve a saber um pouco mais sobre os meandros do nebuloso Clube Bilderberg, no seio do qual alguns acreditam que se decidem os destinos do globo. É que o magnata da comunicação social Francisco Pinto Balsemão prepara-se para passar a pasta de membro residente do steering committee desta organização ao senhor cherne, pelo que, dado o recente aumento do seu nível de sinceridade, talvez fiquemos em breve a saber um pouco mais sobre estas reuniões que juntam a elite europeia e norte-americana, sempre envoltas em total secretismo, patrulhadas por exércitos locais e cuja esmagadora maioria dos participantes partilham a extraordinária coincidência de serem eleitos ou seleccionados para cargos de relevo nos seus países e/ou em organizações internacionais pouco depois de por lá passarem. Alguns chegam mesmo a demitir-se dos cargos que anteriormente ocupavam, um mês depois de lá terem estado. Vale tudo.

Agora a sério: é claro que não vamos saber coisa nenhuma. Perguntar-lhe o que quer que seja sobre esta organização terá o mesmo efeito que a tentativa frustrada da jornalista Marisa Moura em 2013: silêncio. O nível de sinceridade de Durão, a existir, nunca chegará a tanto. Para além de que importa manter a maior parte dos ainda portugueses na ignorância. Eles não iam perceber…