“Não são livres”.

Há coisas com importância em si mesmas, mas ainda maior do ponto de vista simbólico. Maria João Pires há mais de 10 anos, julgo, que não toca em Portugal porque não quer, porque se recusa. Este facto aparece como sintoma patente do funcionamento dos meios culturais portugueses e, sobretudo, mostra o estado do seu espaço público, nesta área: um lugar sufocado pelo medo e o compromisso. Ninguém fala deste assunto em nenhum media. Não são livres. Querer saber as razões (não as sei) seria talvez delicado para o meio musical institucional. A figura mais marcante do século XX e até hoje no seu campo, o primeiro Prémio Pessoa, quando este tinha maior significado, continua a ser quem era, faz concertos, mas não quer tocar aqui. O silêncio é a regra obediente, dirigida pelo medo do indizível, do inexplicável, do inaceitável.

António Pinho Vargas

« Em lugar de acusarem Costa por ter feito aquilo que disse que ia fazer

– terminar com “o arco da governação” – e apresentar uma alternativa, seria talvez mais instrutivo interrogarem-se sobre o seguinte: porque é que perdemos a maioria absoluta que tínhamos, mesmo concorrendo juntos?»
[Argumentos e falácias, António Pinho Vargas]

«Seguir-se-á talvez aquilo que Costa repete:

não fará cair nenhum governo se não tiver alternativa para apresentar.»
[Uma análise de António Pinho Vargas]