Cartas a Sócrates – [9]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Quero que saibas, amor, que desta terra apenas levo um 
coração limpo e tenebroso; que a fome não corrompe o meu 
desejo (amor); que não sabendo amar, aprendi contigo a ver 
o mundo tão distinto, tão diferente: calmo, transparente, 
passando por mim, ao meu lado, passando por mim ( amor) – 
como tu. Como tu me abriste o coração que já só de rojo me 
obrigara a caminhar?!, sem nada ver, indiferente. Mas é 
tenebrosa a escuridão invadindo esse medo de te perder, apenas 
dentro de mim, ou de te ter a meu lado, amor.

Amor, quero que saibas, o meu pavor de nada saber, de nada 
saber dar, de não saber amar-te no teu desejo, na tua fome, na 
tua sede privando noutro caminho. Como sinto terror, amor. 
Quero que saibas, amor, que há muito, nesta terra, o meu 
coração é limpo e tenebroso.

Agora que já sabes, amor, é teu o poder de assombrar.

PS.: #ILoveSocrates Day by Day 🙂

Publicado no F-Se! 

Cartas a Sócrates – [8]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Se soubesse, amor, o caminho mais fácil, fugiria lamentando-
-me. Assim, amor, só me resta percorrer avidamente, sem
cansaço, esta via sinuosa, derrotando-me solidão ante solidão.
    
                                 
Se eu soubesse, amor, quando coincides, também, solidão, não
rejeitaria o caminho mais ágil.
     
Mas, no interior há uma prece aclamando: quão diferente
poderia suceder se soubesses, amor, combater esta forma
estranha de resistir distância dissuadindo-me no meu corpo,
transformando-me para outra vida evidenciar.

PS.: #ILoveSocrates Night & Day 🙂

Publicado no F-Se!

Cartas a Sócrates – [2]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Quando saio, amor, à tua procura, é um mundo visivelmente
 novo que anseio. (Só tu me retiras do meu recolhimento e me
abres secretamente o desconhecido.). Saio todos os dias e todas
as noites, amor, sabendo que não me procuras, que não sentes a
privação nos meus gestos desastrados e incorruptos: à tua
procura. Não pressentes a minha voz, amor, somente delicada
para ti? Não, não reparas nem ouves os meus apelos
definhando tímidos, enfraquecendo à tua mercê, amor? Porque
não me procuras, amor?, eu que me abandonei e abandono
todos os dias e todas as noites para te encontrar diante de mim
abandonado à minha procura, procurando, procurando
inevitáveis amor.
Porquê amor? É forçoso que esta procura seja apenas

docemente desesperada e perdida enquanto saio todos os dias e
todas as noites não sabendo nunca que mundo desconhecido
anseias? Porquê, amor, desconheço?


PS.: #ILoveSocrates + 🙂

Publicado no F-Se!

Cartas a Sócrates – [1]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Acontece anoitecer, amor, sem suspeita aos teus olhos –
o meu corpo peregrino vai tombando no seu caminho: solitário,

triste e vazio, como vazios, tristes e solitários ficam os meus
olhos exilados do teu aparecer. E apenas a chuva generosa
o reconforta, amor, de sucumbir distante e inacontecido. Essa
água abundante é a única presença toldando e embriagando,
quando já sem forças regresso, lentamente, sem querer revisitar
os acontecimentos de mais um dia inútil e gasto à espera do
possível (des)embaraço. E açulada pela minha fraqueza, amor,
acontece anoitecer amortecendo para fugir ou para reter o que é
possível. Como se fosse possível saberes ou adivinhares que
anoiteço com uma mordaça que me impede de dizer tudo o que
poderia acontecer se doente não estivesse (amor), se em tudo
pudesse ser diferente ao teu lado, anoitecendo em silêncio. O
silêncio à tua volta – voltada do avesso para acontecer,
anoitecer amor junto a ti.


PS.: #ILoveSocrates 🙂

*Publicado no F-Se!

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