Li Bai

Li Bai, ou Li Po, foi um poeta chinês do século VIII, nascido em Tokmuk, na actual República do Kirghizistão. Dizia-se descendente de Lao Tsé, o patriarca do Taoismo, e viveu uma vida atribulada, peregrinando por terras da China e envolvendo-se em episódios que foram sedimentando uma lenda que hoje faz dele um dos grandes vultos da cultura chinesa.

Conta-se que, numa das suas peregrinações, Li Bai terá encontrado um grupo de soldados que conduziam um condenado à morte a caminho do seu trágico destino. Aproximando-se, Li Bai fixou o olhar do prisioneiro, observou-o profundamente e concluiu que não se tratava de um mero ladrão, mas de um homem superior. Como trazia uma bolsa cheia de ouro, herdado da última mulher com que fora casado e que entretanto falecera, despejou em frente aos soldados uma parte desse ouro, pedindo em troca que salvassem a vida do condenado. Perguntou-lhe o nome, Guo Ziyi, fixou-o nos olhos e seguiu viagem. Diz-se que muitos anos mais tarde, Li Bai e Guo Ziyi ter-se-ão novamente encontrado e que, dessa vez, terá sido Guo Ziyi a salvar a vida ao poeta.

Diz a lenda que Li Bai terá morrido afogado, quando se lançou a um lago para tentar abraçar o reflexo da lua.

 

Três poemas de Li Bai:

 

A um pirilampo
A chuva não apaga o teu fulgor,
o vento aumenta o teu ardor.
Porque não voas para o céu distante
e és, ao luar, uma estrela cintilante?

Este é considerado o primeiro poema de Li Bai, escrito aos dez anos de idade

 

Aos pardais do campo
Porquê voar como o martim-pescador?
Porquê voar como as andorinhas do palácio de Wu?
Grandes redes caçam o martim-pescador,
se há fogo no palácio, os ninho são queimados.
Melhor é voar simplesmente entre os canaviais,
nem águia nem falcão vos poderão agarrar.

 

Ode à Primavera
O coração da Primavera agitado, como vagas.
As mágoas da Primavera esvoaçam confusas, como flocos de neve.
As emoções despertas, enlaçadas em alegria e sofrimento.
Que sinto dentro de mim na mais doce de todas as estações?

Poesia de bêbados

Ao Cuidado dos ” Aventarias ” desta vida.

 

” Porque ”

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

in Mar Novo (1958) de Sophia de Mello Breyner Andresen

Da ignorância da nossa burguesia

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Descubro pelo José Simões que os nossos parolos, a malta da patronal, andam a viralizar isto, um erro, dizem eles.

No princípio era o verbo, ó analfacoisas.  Isto é um verso, um belo verso, até a poesia popular ultrapassou há muito a fase das quadras. Mas não lhes podemos exigir que lá cheguem, ainda pensam que o hino da mocidade é um poema.

Ribomba o Trovão

Poema alusivo, de um anónimo, dito por mim, a propósito de um desafio…

 

raios-trovao

 

ver e ouvir, aqui: http://wp.me/p29WGc-BJ

Herberto Helder, telúrico

Mulheres correndo, correndo pela noite

Mulheres correndo, correndo pela noite.
O som de mulheres correndo, lembradas, correndo
como éguas abertas, como sonoras
corredores magnólias.
Mulheres pela noite dentro levando nas patas
grandiosos lenços brancos.
Correndo com lenços muito vivos nas patas
pela noite dentro.
Lenços vivos com suas patas abertas
como magnólias
correndo, lembradas, patas pela noite
viva. Levando, lembrando, correndo. [Read more…]

Concerto “Al Mutamid, Rei Poeta do Al Andalus”

Nos próximos dias 15 de Fevereiro no Teatro São Luiz em Lisboa e 16 de Fevereiro no Teatro Pax Julia em Beja, estreia o concerto “Al Mutamid, Rei Poeta do Al Andalus”, baseado na vida e obra poética de Al Mutamid Ibn Abbad, no seu percurso dramático entre Beja, onde nasceu, Silves, onde se afirmou como o grande expoente da poesia da sua época, Sevilha, onde foi Rei da Taifa Abádida do Al Andalus, e Aghmat, nos arredores de Marraquexe, onde morreu no cativeiro. Um concerto com a direcção artística do arquitecto, realizador e produtor Carlos Gomes, com a direcção musical de Filipe Raposo, compositor e pianista, e que reúne outros músicos de Portugal, Espanha e Marrocos, como Janita Salomé, Eduardo Paniagua, Cezar Carazo, El Arabí Serghini, Jamal Ben Allal e Quiné Teles.

O projecto conta com o apoio da Direcção Geral das Artes e, para além do concerto, existe a intenção de gravar um CD e realizar um filme documentário durante o ano de 2014.

Link da página facebook https://www.facebook.com/almutamidreipoetadoalandalus

Link da iniciativa de crowdfunding do projecto http://ppl.com.pt/pt/prj/almutamidreipoetadoalandalus [Read more…]