Nostalgia sindical

E de súbito deu-me para recordar a CGT (sem P). O combate dos trabalhadores portugueses enquanto ela durou não era para meninos, ou sindicalistas de profissão e carreira: muitos foram presos, deportados, assassinados. Mas não vergavam: iam à luta, e assim se foram conquistando pequenas vitórias, alguns direitos.

a_batalha_manif_13fev1925Outros tempos. Subitamente senti saudades da velha CGT anarco-sindicalista. Muito portuguesa, a saudade em Alcântara.

a batalha

A “Glorificação” do Trabalhador

glorificacao do trabalhadorSimpática oferta da Direcção Geral de Arquivos, hoje no seu Facebook, este panfleto da Confederação Geral do Trabalho sobre o 1º de Maio, que me parece datável de c. 1931.

Das alfuras reaccionarias do capitalismo espoliador, servidas pelos molossos e rafeiros duma imprensa imunda, surgiu a peregrina ideia da “Glorificação” do Trabalhador, especie de mea culpa hipocrita de todos os bandidos que vivem á custa do esforço e miseria do proletariado.

Relembrando os camaradas  anarco-sindicalistas que sofreram a repressão da monarquia, da república e do fascismo, aqui fica a imagem editada do panfleto: [Read more…]

Não Há Nada Como Realmente

Viva, vamos ter uma nova greve geral!

Estes senhores são uns pândegos. Mas a pãndega deles pode lixar o País.

Mais uma vez têm de mostrar que, logo que chegados ao poleiro do poder, são os maiores lá da rua deles, e que eles é que sabem, e que eles é que são bons.
Não descansam enquanto não nos colocam ao lado dos gregos.
Não poderiam aproveitar esta vontade toda e irem trabalhar? É capaz de se arranjar por aí muito para fazer, mesmo que e apesar de, com ordenados baixos,
O que vale é que os Portugueses são mais inteligentes do que eles julgam!
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Memória descritiva: o 18 de Janeiro de 1934

No dia 18 de Janeiro de 1934, faz hoje 76 anos, eclodiu uma insurreição armada na Marinha Grande. O vídeo que antecede este texto parece estar carregado de simbologia partidária do PCP, mas não é bem assim. O hino «A Internacional», foi composto durante a Comuna de Paris, em 1888, por Pierre Degeyter, operário anarquista de origem belga. A letra foi escrita pelo anarquista francês Eugène Pottier. Foi a partir de 1896, após a realização do congresso do Partido Operário Francês realizado em Lille e durante o qual foi tocado e cantado, que o hino se difundiu por toda a Europa através dos delegados presentes.

O autor da versão portuguesa da letra foi o anarco-sindicalista Neno Vasco (Gregório Nazianzeno Moreira de Queiroz e Vasconcelos) que, no ano de 1909, traduziu para o português a letra do hino, a qual segue o original francês, reflectindo a influência da literatura e poesia inspiradas pelo socialismo utópico que ficara da geração de 70, quando não mesmo pelo anarco-sindicalismo, maioritário no movimento operário português nas primeiras décadas do século passado. Dei esta explicação, pois «A Internacional» não é exclusivamente comunista, mas sim o hino de quase todas as correntes de esquerda. Portanto, a carga partidária do vídeo não está no hino, mas sim na referência exclusiva a vítimas do PCP. [Read more…]