O meu umbigo é melhor do que o teu

Celebrada por alguns, tomada como uma vitória sobre a poderosa Alemanha de Merkel, a mal sucedida cartada inglesa na cimeira de líderes europeus nada tem de europeísta, de defesa dos direitos dos europeus, ou de contributo para a ultrapassagem do impasse político com que a europa se debate. É apenas mais do mesmo e insistência no poderio desregulamentado dos mercados.

Cameron nada acrescentou (nem sequer tentou), excepto nacionalismo, liberalismo e autismo a uma conjuntura que sofre precisamente do excesso desses males. Louvá-lo é apostar no desmembramento da europa e na predominância dos mercados sobre os interesses dos povos e dos estados. Persistir nos erros que conduziram a este túnel cada vez mais apertado é estúpido e, na prática, não passa da outra face da moeda Merkozy. Não há nada a festejar quando as coisas são como estão.

Se há falta de políticos, a Standard & Poor’s faz política

A discussão sobre o papel das agências de notação na economia e dos interesses que representam já vai longa. A discussão sobre a influência política destas agências na “política, política” ainda mal começou.

A Standard & Poor’s ameaçou cortar os ratings de 15 países do euro, incluindo a Alemanha e a França. Curiosa é a forma como o aviso foi feito, em forma de comunicado político e com intenções deliberadamente políticas (e económicas, claro), de forma a condicionar a cimeira de líderes europeus:

O alerta – explicado em comunicados separados para cada um dos países – é justificado pela intensificação de situações de stress nas últimas semanas “na zona euro como um todo” e foi deliberadamente lançado antes da cimeira de líderes da zona euro e da União Europeia (UE) de quinta e sexta-feira, assume a agência.

Segundo uma nota com perguntas e respostas sobre esta decisão, a agência diz que a cimeira é “uma oportunidade para os responsáveis europeus quebrarem o padrão” que têm mantido: acordos sobre “medidas defensivas e tomadas aos poucos até agora”.

Também curioso é o facto de instituições e pessoas que preconizam soluções e caminhos diametralmente opostos ( ver declarações de Mário Soares ) convirjam em dois pontos: estes líderes não servem e as suas políticas também não.