Trump recusa-se a cumprimentar Merkel

Escândalo! Que português com coluna vertebral a cumprimentaria?

Adivinhação

“Os resultados representam um raro revés para Merkel, que procura um quarto mandato no próximo ano.” diz o artigo do Público sobre as eleições de domingo no estado de Mecklenburg-Vorpommern. Fantástico!!! O Público sabe mais sobre Merkel do que ela própria e do que a nação inteira, pois a Chanceler anunciou expressamente que ainda não se pronuncia sobre se vai, ou não, voltar a candidatar-se ao posto e que o comunicará “no momento apropriado”. Isso dependerá provavelmente de vir a obter, ou não, o apoio do CSU – o partido “irmão” do CDU de Merkel, na Baviera – para a sua candidatura. O que é duvidoso, sabendo que Horst Seehofer, presidente do CSU, é um crítico acérrimo da política de refugiados de Merkel, tendo já ameaçado que o seu partido apresentaria um candidato próprio – quem sabe até se estaria a pensar em si mesmo… E, presumivelmente, a forte queda da sua popularidade (42% numa sondagem recente) também terá alguma influência na decisão de Merkel… Por outro lado, é conhecida a sua citação “Não quero ser apenas um destroço meio-morto quando abandonar a política”… Enfim, pontos de interrogação atrás de pontos de interrogação… Pode ser que sim, pode ser que não.

Ai o rigor jornalístico…

 

Tourada turco-alemã

erdogan merkel

Cem Özdemir, presidente do partido alemão “Os Verdes”, foi, em 1994, o primeiro deputado de origem turca com assento no parlamento federal. Uma das suas bandeiras, o reconhecimento como genocídio dos massacres aos arménios, cometidos há mais de um século pelo Império Otomano, tornou-o um alvo do presidente Erdogan. Já no seu discurso em Maio de 2014, em Colónia, Erdogan se lhe referiu como “suposto turco” e declarou que não queria voltar a vê-lo no seu país. E desde que, no passado dia 2 de Junho, o parlamento alemão aprovou por grande maioria uma resolução que reconhece o genocídio ao povo arménio, Özdemir – bem como outros 10 deputados de origem turca – passou a receber ameaças, até de morte, tendo sido colocado sob protecção policial e fortemente desaconselhado de se deslocar à Turquia. Esta resolução tornou-se um espinho cravado na garganta de Erdoğan, que logo desancou verbalmente estes deputados como porta-vozes do PKK (o proibido Partido dos Trabalhadores do Curdistão) que, tal como os terroristas, teriam sangue degenerado, ou falta de carácter – duas opções para traduzir as palavras utilizadas por Erdogan. [Read more…]

Desespero

Calais2

A Selva de Calais é o acampamento ilegal onde mais de 7 mil refugiados sobrevivem no meio de um lamaçal, agarrados a uma única ideia fixa: passar o canal da Mancha escondidos num dos inúmeros camiões que atravessam o Eurotúnel para chegarem a Inglaterra. Dia a dia, aumenta a tensão e a raiva, aumenta a violência dos polícias, dos refugiados, dos camionistas. É uma das feridas vergonhosas incrustada nesta Europa desunida e incapaz de encontrar soluções responsáveis e humanitárias, fingindo que pode continuar no business as usual. Merkel acaba de receber novamente um não categórico dos quatro chefes de estado do grupo de Visegrado em relação a uma política de refugiados com quotas obrigatórias para o acolhimento dos mesmos. Em vez disso, a Hungria e a República Checa consideram a segurança como tema prioritário e defendem a criação de um exército europeu.

Imagem: arte

Bilhete do Canada – Depois queixem-se

Desde que estourou a bomba do Brexit tem havido duas preocupações por parte da nomenklatura de Bruxelas: enquanto Merkel afirma que não há pressa nas negociações de saída da Inglaterra, que não é preciso ser desagradável nesta rampa final, outros sublinham que até o processo estar terminado não cessam os deveres e os direitos de quem decidiu sair.

Cameron, que pôs o pé na argola e trata agora de limpar-se o melhor possível, respondeu à letra, em sede própria, no parlamento,  com aplauso geral: quem trata do timing somos nós, porque cá em casa mandamos nós.  E com isto deu a entender que percebeu a jogada da chanceler: fazer de conta, levar tudo em pianinho para que fique tudo na mesma.

Juncker é que, na primeira sessão depois do desastre, perdeu as estribeiras: invectivou a delegação britânica, foi desabrido. Farange não se ficou, passou rodas de inúteis a todos, acusando-os de nunca terem feito nada na vida, de não terem proporcionado um único posto de trabalho.

Se puxam mais por ele e acompanhantes, arriscam-se a que o Farange, que como os malucos diz tudo, conte ali pelo claro o caldinho da estrondosa fuga ao fisco que Juncker ajudou a medrar no Luxemburgo quando foi governante.  E mais coisas.  Mesmo muito mais coisas.

Ponham-se a puxar por eles e depois digam que têm pouca sorte na vida. Vai linda a peixeirada, vai.

De como uma sátira política conduz à revisão do código penal por via de um contencioso diplomático

erdogan spiegelFoto: Capa “Der Spiegel”

Isto foi um verdadeiro policial e uma galhofa que entreteve o pessoal durante toda a semana. É que no meio de assuntos tão confrangedores como a questão dos refugiados, crises financeiras, paraísos fiscais e que tais, de repente temos um caso satírico no centro das atenções, um caso simplesmente ridículo elevado à categoria de caso diplomático, com potencial para

  1. provocar um agravamento da relação com a Turquia com a inerente problemática relativa aos refugiados
  2. provocar uma desavença entre os partidos da coligação no governo
  3. provocar uma actualização do código penal alemão.

Aqui vai a história completa: Primeiro foi uma música com letra dedicada às brutais tropelias de Erdogan, apresentada num programa de sátira política alemão, que motivou Erdogan a convocar o embaixador alemão em Ancara para exigir a extinção do vídeo. Uma semana mais tarde, o governo federal alemão rejeitou o protesto, declarando que a liberdade de imprensa e opinião “não é negociável”.  Parecia assim estar encerrada a contenda. [Read more…]

Carro-chefe à deriva

merkelFoi consensual que, no período em que a crise das dívidas soberanas estava no centro das atenções da UE e do público, foi Merkel, através do seu Ministro das Finanças, Schäuble, quem impôs o rumo da austeridade; a Alemanha, com a força do seu peso económico, obrigou os países cuja dívida era insustentável às eufemísticas “reformas” – algumas até necessárias (p. ex. medidas contra a fuga ao fisco), mas outras absolutamente inaceitáveis (p. ex. privatizações, cortes na saúde pública, etc.). Bem clara foi a tomada de partido em favor do capital e contra os cidadãos, aquando dos resgates bancários. O que se mostra agora também claramente, é que a posição da Alemanha só prevaleceu porque era isso mesmo que os outros membros do clube queriam, os governos europeus de maioria conservadora, que mais não fizeram do que aproveitar para se encarrilarem atrás da locomotiva que não temia assumir o papel de mazona. A Grécia, que ousou entrar no ringue para mudar esse estado de coisas, viu-se pura e simplesmente isolada e foi reduzida à sua insignificância. [Read more…]