A bruxa

Cá no bairro todos os negócios vão mal excepto o da bruxa. Chamo-lhe bruxa de um modo se calhar abusivo, ou simplista, porque ela intitula-se “conselheira e terapeuta espiritual”. Mas tenho a atenuante de que sou do norte, e, nas duas margens do rio Minho, ser bruxa ou meiga não só não chega a ser insulto como até pode ser elogio.

Esta nossa bruxa é a mulher mais elegante da rua, tanto assim que parece sempre desenquadrada, como se se tivesse materializado de repente, com os seus vestidos negros de veludo e os sapatos de salto alto, num bairro de mercearias e casas antigas. Quando sai de casa deixa na rua um eco de tacones lejanos e um perfume denso, enjoativo, que sempre me faz pensar em plantas carnívoras, cheirem elas ao que cheirarem. Tem um olhar duro, demasiado impiedoso para quem aconselha e cura, e é isso, mais do que a sua linha de negócio, que me faz desconfiar das suas intenções. [Read more…]

A chave para a inovação – onde te apertam os sapatos?

“O sucesso consiste em ser bem sucedido, não em ter potencial para o sucesso”.

Fernando Pessoa

 

Ficando cada vez mais óbvio que não podemos esperar que “eles” resolvam os nossos problemas – socorro! –, temos que fazê-lo nós próprios. Vai aqui um dos muitos milhares de casos que mostra como é que se faz – mudando de estratégia sob observação de determinadas regras.

 

É o exemplo de um homem que cresceu com a resistência precisamente fazendo “crescer” os seus clientes com a resistência. Diga-se de passagem: ouvi esta história de sucesso em pormenor da própria boca do seu autor.

 

Cada um é capaz e com a crise, o mais tardar quando verificamos que não há mais nada para ninguém, vamos ter motivos para experimentar. Basta perguntarmos ao próximo onde é que “lhe aperta o sapato”. Assim já temos matéria para a inovação – sem interferências atrapalhadoras de agências estatais onde gente muito esperta, seguindo ideiais e critérios teóricos que na prática não funcionam, vai distribuindo dinheiros públicos que acabam por caír em saco roto porque distorcem a homeoestase. E veremos: com cada caso bem sucedido criado por nós próprios, por mais modesto que seja, nos aproximamos da mudança e da saída da crise,

 

Ah, e temos que começar a abstrair-nos de vez do eterno lema do “eu cá não sei, eu sei lá”. Desta vez vamos mesmo precisar “saber cá”!

 

RD

 

http://www.janelanaweb.com/manageme/eks_caso4.html