
Imagem retirada de: AFP
Na imagem, vemos retratados um soldado e uma criança que o enfrenta, no que aparenta ser uma acção de valentia face ao poderio militar visível.
Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, esta imagem circulou o mundo. Na legenda, líamos que “uma menina ucraniana enfrenta soldado russo e diz-lhe que deixe o seu país em paz”. A internet comoveu-se, a imagem foi partilhada, uma e outra vez, enaltecendo a coragem da menina ucraniana face à vileza do exército russo. Tudo muito bonito, de facto; e inspirador.
Só que esta menina da imagem não é ucraniana. É palestiniana. E o soldado não é russo. É israelita.
A verdadeira origem da imagem remonta a 2012. Tudo se passou em Nabi Saleh, na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967. A menina, Ahed Al Tamimi, enfrentava, sozinha, soldados israelitas e implorava-lhes que libertassem o seu irmão de 15 anos.
Tamini acabaria presa, cinco anos depois, em 2017, depois de voltar a enfrentar soldados israelitas que invadiram a sua casa. Depois de ela e uma prima os abordarem, pedindo que se retirassem – pedido que foi ignorado pelos soldados das forças ocupantes -, Tamini e a prima muniram-se do que tinham (as mãos) e começaram a empurrar os israelitas para fora de casa. Foi presa e cumpriu 8 meses de pena.
E é esta fotografia – e as suas duas estórias, a falsa e a verdadeira – que ajudam a pintar o quadro da hipocrisia que o Ocidente orgulhosamente exibe, seja no apoio a Israel, seja na condenação à Rússia. Em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, a menina era “corajosa”, porque era “ucraniana” e pedia aos soldados que “deixassem o seu país em paz”; acredito que muitos dos que se comoviam com a fotografia, partindo da falsa premissa, não se comovam agora. Afinal, Tamini é capaz de ser uma perigosa terrorista. E Israel é que tem o direito a defender-se.
Em 2022, Tamini foi entrevistada pelo canal AJ+. A entrevista, abaixo.












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