Postcards from Romania (26)

Elisabete Figueiredo

 O esmagador mistério da fé torna-se maior quando visitamos igrejas

A manhã vai dedicada às igrejas. Apesar de agnóstica ou lá o que sou, sempre gostei de igrejas e tenho visitado milhares em toda a parte. Sinagogas, igrejas católicas romanas, ortodoxas, reformistas, franciscanas, evangélicas… Mesquitas não, por dificuldades, à falta de melhor expressão, técnicas. Numa manhã visitei 5 igrejas de religiões diferentes. Em todas elas o mesmo deus, creio, a existir. A mesma fé, o mesmo mistério, a mesma submissão voluntária dos Homens a qualquer coisa que talvez entendam. Eu não. Mas tenho inveja, sei-o bem, destas pessoas que têm esta fé. Talvez aceitem melhor tudo. A vida. O que acontece. A morte. [Read more…]

Postcards from Romania (25)

Elisabete Figueiredo

Cluj-Napoca é uma cidade grande mas o mundo será sempre pequeno (e ainda bem)

Chega o Kamil na sua bicicleta e chega também a pequena Elisa (Elisabeta) com ele. É linda e está ligeiramente envergonhada, porque não me conhece. O Kamil está igual. Quatro anos não é assim tanto tempo.
Vamos conversando até casa. A mesma simpatia, o mesmo olhar, como se tivesse sido só ontem que, em Montecatini Terme, o conheci e nos rimos como doidos, com a Eniko e o Antonio, a dizer disparates intermináveis. Conheço a Eniko desde 2007. Conhecia-a em Wageningen. Mal a conheci, inaugurei (inaugurámos) a palavra amigo, como naquele poema*. [Read more…]

Postcards from Romania (23)

Elisabete Figueiredo

Entre Sighisoara e Cluj-Napoca

Digo que o dia não começa bem. Tomo um pequeno-almoço sem jeito e, não sei porquê, aliás sei, mas para o caso não interessa, há qualquer coisa, que me diz que este dia será esquisito.
Ao pequeno-almoço reencontro os romenos da noite anterior, os mesmos que me convidaram para um copo de vinho branco que não aceitei, mas com quem acabei por conversar durante um bocado, antes do jantar. São 9h30 da manhã e estão já a beber cerveja. Aliás, verifico que isso acontece em quase toda a parte, aqui. São simpáticos, especialmente um deles, que fala melhor inglês e tem opiniões sobre tudo. De qualquer maneira tenho de ir apanhar o comboio.

Este comboio é um inter-regional, bastante aceitável, se comparado com o regional que tomei entre Brasov e Sighisoara. Viajo agora entre esta última vila e Cluj-Napoca, a terceira maior cidade da Roménia. Avanço para norte, um pouco na diagonal, quase até à fronteira com a Hungria. E à medida que o comboio avança ‘entre a floresta’ (tradução literal de Transilvânia), apercebo-me que a paisagem se torna diversa. As aldeias não são tão arcaicas, não há tantas carroças de ciganos, as vacas substituem, nos campos, as ovelhas, e tudo tem um ar, como direi, mais asseado. [Read more…]