Postcards from Romania (25)

Elisabete Figueiredo

Cluj-Napoca é uma cidade grande mas o mundo será sempre pequeno (e ainda bem)

Chega o Kamil na sua bicicleta e chega também a pequena Elisa (Elisabeta) com ele. É linda e está ligeiramente envergonhada, porque não me conhece. O Kamil está igual. Quatro anos não é assim tanto tempo.
Vamos conversando até casa. A mesma simpatia, o mesmo olhar, como se tivesse sido só ontem que, em Montecatini Terme, o conheci e nos rimos como doidos, com a Eniko e o Antonio, a dizer disparates intermináveis. Conheço a Eniko desde 2007. Conhecia-a em Wageningen. Mal a conheci, inaugurei (inaugurámos) a palavra amigo, como naquele poema*.  

Chegámos à casa. Já não estou incomodada. Cheira a panquecas acabadas de fazer, há flores, ervas de cheiro e um gato, no jardim. A casa dos nossos amigos é como se fosse a nossa. Sabe-me bem entrar em casa. Um abraço imenso e uma ternura enorme. A Eniko. O humor da Eniko, os olhos da Eniko e as horas à conversa. A Eniko. O mesmo sorriso grande. A mesma pessoa grande. Sabe-me bem entrar em casa.

Cluj é uma cidade grande, a terceira maior da Roménia. Mas o mundo é também aqui do tamanho de um abraço. E tudo o resto não tem, não terá nunca, a mínima importância.

* O poema é Amigo, de Alexandre O’Neill

(Cluj-Napoca, 12 de Agosto de 2012)

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    É bonito escrever assim de forma simples – escrever como quem vive

  2. Elisabete Figueiredo says:

    Maria Celeste foi um grande e bonito elogio o seu. Não há outra maneira, me parece, de escrever e de viver 🙂

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