Vi (ouvi) com interesse os participantes no Prós&Contras de ontem, dedicado aos «conteúdos» jornalísticos do futuro (devir próximo, sem dúvida). Mas também com tristeza, por verificar a que ponto os jornalistas profissionais da minha geração andam de facto «aos papéis», como bem disse Ana Sá Lopes. E andam aos papéis porque, creio eu, têm andado demasiadamente preocupados com o «modelo de negócio» e insuficientemente com o jornalismo propriamente dito. O que é compreensível, atendendo àquela que tem sido a realidade da generalidade dos jornalistas desde a morte anunciada da imprensa que constituiu a massificação do acesso à Internet.
De costas largas, a Internet tem desde há vários anos servido para justificar a destruição dos jornais, o despedimento de jornalistas, a reconstituição das redacções com recurso a jornalistas precários e estagiários, a redução de todos os meios, humanos uns e financeiros outros, a dispensa de revisores (tão importantes para a manutenção da qualidade dos textos) e outras etapas que paulatinamente têm vindo a ser queimadas, suprimidas no processo de produção da informação jornalística. Acrescente-se a esse panorama, já de si desolador, o «tráfico» de crónicas, por vezes a soldo zero, que cria espaço nos jornais para a defesa de interesses particulares e/ou de classes específicas da sociedade portuguesa.
Mas mais largas ainda do que as da Internet serão as costas do «novo paradigma», à boleia do qual se têm cometido todo o tipo de «erros estratégicos», [Read more…]








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