Mais um passo contra a liberdade

[Transcreve-se a seguir um artigo da “Associação D3 – Defesa dos Direitos Digitais”, uma associação portuguesa sem fins lucrativos, dedicada à defesa dos direitos fundamentais no contexto digital]


26 outubro 2017
Governo Português encabeça movimento pela censura na Internet

Conselheiro Português foi director-geral da Motion Picture Association – América Latina

 Vieram hoje a público documentos que comprovam que os governos de Portugal, Espanha e França têm tido um papel primordial no que respeita ao art. 13º. da proposta da reforma Europeia do Direito de Autor, relativo à introdução de filtros de censura prévia dos conteúdos que os utilizadores enviam para a rede (filtros de upload).

O conteúdo agora revelado nos documentos é extremamente preocupante. Portugal, Espanha e França estão a liderar as movimentações que visam garantir que sejam adoptadas as versões mais radicais da censura de conteúdos.

[Read more…]

Carrrrrrrrros em movimento

12823326_1002114216521289_4486616446841678581_o

Sabem que porra é esta? É uma feira. Para além de cavalos, vacas e chouriços que se emborracham à noite para troca de fluídos, são transaccionados circuitos e aplicações seminais (e não me estou a repetir) entre megawatts sukarnoputris de luz e toneladas messiânicas de graves. O pessoal anda todo numa cloud muito marada de ideias vendidas como jogos de lençóis de flanela e infalíveis elixires da juventude. Anuncia-se a next big thing e… zás!, up with the cock from Barcelos da Joana Vasconcelos, seguido de um sonzinho lounge. A insofismável cultura da era techie não pode faltar. Vhils, Kalaf e a Lisbon Fado Sin. O turismo esfrega-se todo por summits, e para todos os gostos que os há: o sunset summit, o surf summit, o farturas summit, o crunchie’s dog summit, o caralho que os foda summit, tudo pináculos da excitação mediática e da diarreia comunicacional: as televisões rapidamente se afeiçoam a este evento e os écrans enchem-se dos Caras de cú habituais. Ir ao Web Summit é, em termos de gente, como ir ao Dragão ver o Benfica fazer o Porto descer à terra ou como encher um concerto da Lady Gagabyte. Mas a um nível superlativo e expialidoso. Os bilhetes, qrido, para os pobres ficam a € 1000, os remediados arrotam € 3000 e os Premium, Platinium e Uranium entre €4.245 e € 5.245, mas estão todos sold out. Ou isso ou 3 fichas para os carrinhos de choque. Não será preciso dares uma de penetra porque estamos nos idílicos domínios do marketing. Especulação a bem da nação, com os putos MC Costa e Funky Cold Medina na área. Alguém me arranja um bilhete para ir ouvir o investidor e empreendedor Ronaldinho Gaúcho falar da sua fantastic new internet venture? É que há uma nerd activista curda que eu queria deglutir que vai lá estar…

Obra da internet

Como é que um jornalista canadiano que nunca esteve em Paris acaba na primeira página de um jornal espanhol, com a legenda “Um dos terroristas” debaixo da foto do seu rosto?

Foi “obra da internet”, mas também podia ter sido do demo.

Assim aconteceu por obra e graça do jornal ultraconservador (o adjectivo é meu) La Razón, que não teve pejo em usar uma foto manipulada a partir de uma selfie do jornalista Veerender Jubbal. Onde havia um ipad, passou haver o Corão. E por cima da camisa passou a estar um colete de bombista. O tom de pele é perfeito para a mistificação e pronto, é só pôr a circular pelas redes. Daí até que um jornal preguiçoso e desonesto faça uso da imagem é só meia dúzia de shares. [Read more…]

Geração Z

pensam com a ajuda da internet e estão permanentemente preocupados com a bateria do telemóvel

 

Revolucionário Obama?

Ou apenas um estratega e recuperar do esmagamento eleitoral da semana passada? É que isto de enfrentar lobbies não acontece todos os dias

Um jornal que ainda não foi inventado

brushes030-300_Iphone_finger_drawn_copyright_jorge_colombo
© Jorge Colombo

Vi (ouvi) com interesse os participantes no Prós&Contras de ontem, dedicado aos «conteúdos» jornalísticos do futuro (devir próximo, sem dúvida). Mas também com tristeza, por verificar a que ponto os jornalistas profissionais da minha geração andam de facto «aos papéis», como bem disse Ana Sá Lopes. E andam aos papéis porque, creio eu, têm andado demasiadamente preocupados com o «modelo de negócio» e insuficientemente com o jornalismo propriamente dito. O que é compreensível, atendendo àquela que tem sido a realidade da generalidade dos jornalistas desde a morte anunciada da imprensa que constituiu a massificação do acesso à Internet.

De costas largas, a Internet tem desde há vários anos servido para justificar a destruição dos jornais, o despedimento de jornalistas, a reconstituição das redacções com recurso a jornalistas precários e estagiários, a redução de todos os meios, humanos uns e financeiros outros, a dispensa de revisores (tão importantes para a manutenção da qualidade dos textos) e outras etapas que paulatinamente têm vindo a ser queimadas, suprimidas no processo de produção da informação jornalística. Acrescente-se a esse panorama, já de si desolador, o «tráfico» de crónicas, por vezes a soldo zero, que cria espaço nos jornais para a defesa de interesses particulares e/ou de classes específicas da sociedade portuguesa.

Mas mais largas ainda do que as da Internet serão as costas do «novo paradigma», à boleia do qual se têm cometido todo o tipo de «erros estratégicos», [Read more…]

Take it for granted!

all-seeing-eye

Ligação à internet? Naaaaaaaa! Isso é para piratas comuns. O grande irmão não precisa dela para vasculhar a tua vida. Como não poderia deixar de ser, tudo em nome da segurança e da luta anti-terrorismo!

Mas não nos deixemos alarmar: os cowboys da NSA garantem que esta tecnologia não é utilizada em computadores de cidadãos ditos “comuns”. A menos que, claro, tal garantia se enquadre na mesma categoria de garantias que davam como garantido a existência de armas de destruição maciça no Iraque. Não deve ser por ai. Estes gajos “olham” por nós. I take that for granted!

God bless America? Yeah right…