Leitores vítimas de burla no Correio da Manhã

A história envolve uma empresa chamada Just Up, que produziu a série “Ministério do Tempo”, encomendada e transmitida pela RTP. A Just Up não terá pago aos actores, e o Correio da Manha apressou-se a noticiar a alegada burla, atribuindo-a sibilinamente à RTP.

É só mais um caso de manipulação descarada e nada inocente – agravado pelo facto de a “notícia” apenas estar disponível online para assinantes, pelo que o leitor comum fica apenas com a “informação” do título.

A “estratégia de ataque” está em curso desde há vários anos e tem objectivos bem definidos. Foi assim que já se assistiu a uma tentativa de tomada de assalto da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista por um grupo de homens-de-mão da Cofina, por sinal empresa proprietária do CM, que por sua vez é a publicação que detém o maior número de queixas na CCPJ. [Read more…]

Carlos Magno Demitiu-se

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Gerador de frases automático e ventoinha de discursos redondos, inócuos e inconsequentes, demitiu-se o director da Entidade Reguladora da Comunicação Social, doutor Carlos Magno Castanheira. Ou ainda não?

Arons de Carvalho, o paladino da independência

José António Cerejo

Alberto Arons de Carvalho, vice-presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social, ex-secretário de Estado, ex-deputado e ex-dirigente do PS, publicou há dias um artigo no PÚBLICO em que defende com unhas e dentes aquela coisa a que vice-preside. Não me passaria pela cabeça contraditar o insigne professor e teórico da comunicação social, paladino da sua independência e especialista em questões de ética e deontologia.
Mas ocorre-me contar uma história que diz mais sobre o senhor vice-presidente e ilustre académico do que todos os tratados que já produziu ou venha a produzir.
Faz agora 22 anos, o então vice-presidente da Bancada Parlamentar do PS e candidato a secretário de Estado da Comunicação Social, lugar que viria a ocupar poucos meses depois, agarrou no telefone e falou com um dos editores do PÚBLICO. Pouco depois, não fosse a mensagem perder-se no caminho, ligou para um dos directores do jornal, José Manuel Fernandes, e repetiu aquilo que tinha transmitido ao editor.
E o que disse então o senhor vice-presidente daquela coisa que, noticiou ontem o Expresso, decidiu não investigar os indícios de interferência de Sócrates na nomeação do actual director do Jornal de Notícias?  [Read more…]

José Sócrates e a (in)utilidade da ERC

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Contava-me um destes dias uma amiga jornalista, que há uns anos atrás, numa conferência sobre comunicação social regional em Famalicão, o presidente conselho regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) teria afirmado que o organismo a que preside não serve para fiscalizar. A ser verdade, estaríamos perante uma curiosa contradição: a entidade cuja função é regular a comunicação social não pode ou não é competente para fiscalizar a área que regula. Se não é, quem será? [Read more…]

É preciso combater e denunciar esta pouca-vergonha

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No final de Outubro, a propósito dos Miguéis Abrantes desta vida, trouxe até ao Aventar o caso da Trofa, governada por um executivo PSD/CDS-PP que, meses antes das Autárquicas de 2013, deu à luz um jornal, o Correio da Trofa, que desempenhou um importante papel no abate do executivo socialista. Vencidas as eleições, este jornal ocupou a sede de campanha da coligação, transformando-a na sua própria sede (será que alguma vez teve outra?) e vários foram os ajustes directos celebrados entre colaboradores deste jornal e o novo executivo camarário. Com o tempo, descobri que o director que figura na ficha técnica do jornal era também assessor do PSD de Santo Tirso, incompatível à luz da lei que regula a imprensa, entre outros factos dignos de figurar na página d’Os truques da imprensa portuguesa. A história completa está aqui. [Read more…]

Cheiro a mijo

Quando um jornal de referência publica um título como “Ricardo Araújo Pereira não mijou fora do penico, considera ERC”, o dia está ganho, porque é como se uma pessoa muito circunspecta usasse um palavrão raríssimo e porque permite imaginar uma votação da ERC com o presidente a dizer algo como “Quem considera que Ricardo Araújo Pereira mijou fora do penico? Muito obrigado! Quem considera que Ricardo Araújo Pereira não mijou fora do penico? Certo! Quem se abstém? Pronto, nesse caso, fica aprovado que Ricardo Araújo Pereira não mijou fora do penico. Vamos, agora, analisar a queixa do doutor Marinho e Pinto relativa ao programa de Ricardo Araújo Pereira.”

Da leitura da notícia, é importante, ainda, realçar a seguinte afirmação de Marinho e Pinto: “Não se pode urinar na cara das pessoas num programa de televisão.” Depreende-se, portanto, que possamos dedicar-nos a essa higiénica actividade, desde que não o façamos no pequeno ecrã. Prevejo, a propósito, o nascimento de um novo nicho de mercado, o da produção e venda da fralda-máscara, que uma pessoa nunca mais estará segura, de acordo com a jurisprudência involuntariamente criada por Marinho e Pinto.

Para que o leitor possa também formar uma opinião sobre assunto tão momentoso, seguem-se dois vídeos: o que motivou a queixa e um, mais antigo, em que Ricardo Araújo Pereira entrevistou Marinho e Pinto, correndo, portanto, todos os riscos menos o de levar com um monumental fluxo urinário nas trombas. [Read more…]

TDT – Televisão de Todos*

Estamos no ano de 2016 D.C. e toda a Europa tem uma política para a Televisão Digital Terrestre (TDT) que garante a distribuição universal de televisão a toda a população. Toda? Não. Há um país, povoado por irredutíveis portugueses, que resiste aos ganhos de cidadania, de coesão e de integração social, assim como à dinamização do mercado audiovisual, resultantes de tal solução.

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fonte: Observatório Europeu do Audiovisual

Com 5 canais na TDT, olhamos para o quadro acima e espantamo-nos com os 118 canais da Itália (67 dos quais sem custos para o espectador), 85 da Inglaterra (81 são gratuitos), 43 da Alemanha (41 não são pagos), 40 da França (31 em acesso livre) ou com os 27 em Espanha (só um é pago). E verificamos que podem existir 39 canais na TDT austríaca (13 em aberto), 26 na checa (todos de acesso livre), 25 na eslovaca (13 free-to-air), 17 na cipriota (11 grátis), 13 na búlgara e na grega (esta com apenas 2 canais pagos), ou mesmo 10 na belga ou na irlandesa (todos de acesso livre), para falar de países com população e dimensão de mercado semelhantes ou inferiores ao nosso.

As razões para esta discrepância são, no entanto, muito claras: as políticas públicas para a comunicação social têm sido sucessivamente negligenciadas e a regulação sectorial encontra-se, nesta área crucial, capturada pelas conveniências do sector das comunicações e pelos interesses dos operadores de televisão instalados. Nunca é demais lembrar que a ERC não tem, como devia ter, competências decisórias em matéria de reserva e utilização do espaço hertziano pela comunicação social.

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