«Ensinam quando não estão em greve»

O título deste texto faz parte das palavras cruzadas do último Expresso. A resposta, segundo parece, é “professores”.

Entre muita opinião pública ou publicada, gratuita ou a pagar, há muita gente a criticar as greves dos professores, criando-se, até, a ideia de que a classe docente passa grande parte do tempo em greve, num cenário de caos, com alunos privados de aulas e professores de papo para o ar ou em manifestações acéfalas comandadas por sindicalistas, comunistas e outros monstros. [Read more…]

Imprensa em queda livre

Da boa crítica literária

Numa altura em que tantas críticas se fazem ao jornalismo, creio ser igualmente importante sublinhar o que há de bom na imprensa. Algo que tem vindo a melhorar nos últimos anos, inclusive pelo acesso aberto aos artigos, são as secções de literatura de alguns jornais portugueses, notavelmente as do Público e as do Observador.

Nas últimas semanas, tive a sorte de encontrar excelentes críticas a livros. Excelentes porque me convenceram a comprar os livros que não planeava ler e aos quais não prestei grande atenção. Excelentes também porque estão exceptionalmente bem escritas.

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Do lapsus linguae à verdade é um instantinho

In Delgado they trust

Luís Delgado pegou em 10, 2 milhões e comprou vários objectos que Francisco Pinto Balsemão tinha em sua posse, nomeadamente revistas como Visão e Caras.

Delgado, que tem feito carreira como defensor das ideias mais indefensáveis da direita mundial, é dono de uma empresa com a irónica designação Trust in News. A primeira palavra pode, também, significar “confiança”. Luís Delgado é, sem dúvida, um homem de confiança, bastando lembrar o facto de ter defendido, como muitos outros, a bondade da guerra do Iraque. [Read more…]

Jornais para quem não lê

Marcelo fala na crise dos jornais como se não soubesse o que se passa. Mistério? Não. É que, dado o perfil das pessoas que ainda compram jornais, é natural que os compradores-leitores, sejam quais forem as suas opções políticas, tenham critérios de exigência de qualidade que nenhum – rigorosamente nenhum – jornal português minimamente satisfaz. Os poucos colaboradores de qualidade que ainda por eles andam são cada vez mais insuficientes para legitimar/compensar os desmandos. É que a maioria dos jornais, hoje, pretende dirigir-se a leitores que…não lêem. Nem jornais nem outras letras.

O Público e os empatas

esquerda_empata

Na primeira página do Público, podemos ler aquilo que está na imagem. Como sabemos, empatar na política ainda é mais feio do que no futebol ou na vida íntima de outros.

Se lermos apenas este título, que é o que fazemos muitas vezes, é evidente que a imagem da esquerda não ficará em bom estado, porque, aparentemente, não quer resolver determinados assuntos. Se a esquerda merece ter bom ou má imagem, poderemos discutir noutra altura, se não vos importais.

Se se quiser, apesar de tudo, pensar um bocadinho, levantar uma dúvida, poderemos perguntar-nos se este título será uma referência a toda a esquerda, PS incluído, ou se haverá algumas divisões.

Ao fazer essa coisa raríssima que é ler a reportagem, ficamos a saber que o PS recusou as propostas dos partidos de esquerda acerca da limitação dos salários dos reguladores, que o PS, ao contrário dos (outros) partidos de esquerda, quer diminuir paulatinamente o número de alunos por turma, que o PS não quer fazer alterações no mapa das freguesias antes das próximas eleições autárquicas, que o PS não quer resolver já muitas questões relacionadas com o sistema bancário ou com os offshores, que o PSD e o PCP não viabilizarão de imediato algumas medidas contra os maus tratos a animais, que há uma proposta do CDS acerca do envelhecimento activo que tarda em ser aprovada, que o PS anda a adiar uma resolução sobre o uso da produção nacional e regional nas cantinas públicas, e, enfim, que há um grupo de trabalho que tem a seu cargo dois diplomas do PCP e do BE acerca do regime jurídico da partilha de dados informáticos e dos direitos de autor. [Read more…]

Jornal ao fundo

Ontem, fechou mais um jornal ou, pelo menos, a sua edição em papel. Não faltarão justificações e teorizações sobre este facto e, de caminho, sobre as raquíticas tiragens dos auto-proclamados jornais de referência. Claro que a culpa vai ser atribuída aos potenciais leitores. Ora permitam-me que contribua com um singelo argumento: os jornais não se vendem, não porque os portugueses não gostem de ler e não gostem, sobretudo, de ler jornais, mas porque os jornais não são feitos para os leitores; são feitos para os “outros”. E de tanto tentar manipular ingénuos e iletrados – ou reduzir o máximo de pessoas a essas condições -, esquecem que estes não são leitores lá muito fiéis ou consistentes. Assim, os jornais vão deixando de o ser para se transformarem em entidades que designaremos por “correio da manhã”. E à medida em que se vão aproximando desta execrável condição, vão perdendo os leitores que…lêem.

Bilhete do Canadá = ronda pelas gordas dos jornais

PASSOS COELHO: “PSD estará sempre preparado para governar”.

TRADUÇÃO: Dirigido pela dupla imbativel Passos-Relvas, o PSD está sempre pronto para ir ao pote.

ANTÓNIO BARRETO: “Sem capital mas com berreiro” (referindo o orçamento aprovado)

TRADUÇÃO: está com ouvidos delicados desde que trabalha para aquele merceeiro a quem não falta capital e está a fazê-las pela calada.

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Os milionários que ganham 2000 euros por mês

A experiência diz-me que terei muito tempo para dizer mal do Governo, do Primeiro-Ministro, do Ministro das Finanças e de muitos outros que se ocupam das funções executivas. A mesma experiência diz-me que já não deve faltar muito, porque os governos começam muito depressa a dizer e a fazer asneiras.

Hoje, vou limitar-me a apontar um dedo preguiçoso a jornais e a jornalistas.

O DN faz a chamada para uma entrevista ao Ministro das Finanças usando uma citação: “Quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada.”

Não sendo eu um queixinhas, a verdade é que não me sinto propriamente um privilegiado, pelo menos no que toca a rendimentos, que privilégios há muitos.

Quando estava a preparar-me para soltar um impropério, pensei: “Deixa lá ler a parte da entrevista acerca disto dos rendimentos.” E lá me deixei ir ler.

Deixo-vos a citação completa da resposta, porque  uma pessoa lê as gordas e depois está no quentinho e não lhe apetece ir mais além. Aqui fica. Do título ao texto vai um passo gigante: é assim que se arranjam entorses e é assim que se vendem jornais. [Read more…]

A Trofa, os jornalistas e a imprensa regional

Foi ontem, numa terra onde eu nunca tinha estado, que senti o quanto valeu a pena. Decorria em Vila Nova de Famalicão  o [primeiro] Encontro de Imprensa Regional e lá fui, à procura dos pares, saber como páram as modas a norte – onde os jornais são mais antigos, são muitos e ainda empregam muita gente. Tinham passado apenas umas horas desde que o Sindicato dos Jornalistas emitiu um comunicado a propósito do (inenarrável, mas real) caso da apresentação pública na Trofa, a semana passada, de que tive conhecimento por aqui mesmo, num post do João Mendes. [Read more…]

Golpe de manchete

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Olha para isto, pá! Olha-me só para este título do Diário de Notícias! Os alunos, ali, prontos para terem aulas, se calhar sentados na sala e tudo, e os professores, esses malandros, vão-se embora, pá, e deixam os miúdos sem aulas! Isto é uma vergonha, é o que é! E para fazer campanha, imagina! Com um bocado de jeito, ainda vão fazer campanha por algum partido que não devem. E isto dos políticos são todos iguais, ainda são piores que os professores. Um professor político deve ser lindo, deve! É que devem estar tanto na campanha como nas aulas. Ler o quê? Ler a notícia? Estás parvo ou quê? Mas então tu achas que iam pôr um título destes, que se está mesmo a ver que estão a chamar malandros aos profes, e iam escrever uma notícia ao contrário? Isto é escrito por jornalistas, amigo! Se não fossem eles, estas coisas não passavam cá para fora. Chulos do caraças, pá! Vou já ligar ao meu puto, a dizer-lhe que não vá para as aulas, que vá mas é para a campanha, pode ser que aprenda qualquer coisa.

Jornal de Notícias e AO90 prejudicam alunos nos exames nacionais

wp_20150206_08_53_59_pro (1)Esta semana, o destaque do Jornal de Notícias de 6 de Fevereiro foi aquele que se pode ver na imagem.

O JN é um dos jornais que, sem que se perceba porquê, decidiram adoptar o chamado acordo ortográfico (AO90).

Ora, o acento agudo de “pára”, segundo a Base IX, 9º, é para suprimir. No 5.4.1. da Nota Explicativa, os autores do AO90 tentam explicar por que motivo se tomou essa decisão, recorrendo, em parte, ao segundo mantra do acordismo.

A manchete do JN, dotada, eventualmente, de uma vontade própria, contraria, assim, a ortografia adoptada pelo prestigiado jornal. Embora defenda, no mínimo, a suspensão imediata do AO90, percebo que isso tenha de se fazer gradualmente: hoje, a manchete; a notícia local, amanhã. [Read more…]

Jornais

Uma das tristezas quotidianas que muitos de nós partilham é a da frustração que se segue aos momentos em que, não resistindo ao síndroma de privação adquirido desde tenra idade, que consiste na compra e leitura – cada vez mais rápida – de jornais, nos deixamos tentar pelas folhas de couve que se vendem sob essa nobre designação.

Só uma coisa é certa: seja qual for o jornal que compremos, arrependemo-nos de não ter comprado outro. Má escrita, servilismo, auto-censura, aldrabice e manipulação pura e dura é o que recebemos em troca do nosso dinheiro. Cada vez mais rareiam os bons jornalistas e mais abundam os pedantes e ignorantes. [Read more…]

Um jornal que ainda não foi inventado

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© Jorge Colombo

Vi (ouvi) com interesse os participantes no Prós&Contras de ontem, dedicado aos «conteúdos» jornalísticos do futuro (devir próximo, sem dúvida). Mas também com tristeza, por verificar a que ponto os jornalistas profissionais da minha geração andam de facto «aos papéis», como bem disse Ana Sá Lopes. E andam aos papéis porque, creio eu, têm andado demasiadamente preocupados com o «modelo de negócio» e insuficientemente com o jornalismo propriamente dito. O que é compreensível, atendendo àquela que tem sido a realidade da generalidade dos jornalistas desde a morte anunciada da imprensa que constituiu a massificação do acesso à Internet.

De costas largas, a Internet tem desde há vários anos servido para justificar a destruição dos jornais, o despedimento de jornalistas, a reconstituição das redacções com recurso a jornalistas precários e estagiários, a redução de todos os meios, humanos uns e financeiros outros, a dispensa de revisores (tão importantes para a manutenção da qualidade dos textos) e outras etapas que paulatinamente têm vindo a ser queimadas, suprimidas no processo de produção da informação jornalística. Acrescente-se a esse panorama, já de si desolador, o «tráfico» de crónicas, por vezes a soldo zero, que cria espaço nos jornais para a defesa de interesses particulares e/ou de classes específicas da sociedade portuguesa.

Mas mais largas ainda do que as da Internet serão as costas do «novo paradigma», à boleia do qual se têm cometido todo o tipo de «erros estratégicos», [Read more…]

Isenção para quê?

Perceber a greve de ontem pelas capas dos jornais de hoje, é como ler sobre o FCP na Bola ou no Record.

O Expresso emigrou

telescópio ópticoSerá que este título do Expresso constitui mais uma prova de que o prestigiado semanário está a abandonar o chamado acordo ortográfico (AO90), tal como o Francisco tinha anunciado?

Se for verdade, nota-se alguma resistência: o mês com inicial minúscula e “projecto” ainda sem C, mas aquele P do adjectivo “óptico” poderá ser um sinal de que a ortografia está prestes a recuperar o brilho perdido. Seria preferível que a recuperação se desse toda de uma vez, mas aceita-se que o jornal queira ir salvando a face. Óptico seria óptimo, portanto. [Read more…]

Acabou o corrupio?

corrupioUm velho amigo, jornalista experiente e resmungão, mostrava-se sempre muito irritado com os erros dados pelos seus colegas de profissão, explicando, entre muito vernáculo, que não seria admissível que um mecânico de aviões se descuidasse com um parafuso que fosse. Se a ferramenta de um jornalista é a língua em que escreve, substitua-se o parafuso por sílaba e o avião por ortografia ou por construção da frase.

Na página do ionline, esteve bem visível um erro ortográfico: corropio. Entre tantos dicionários, prontuários e correctores, como se explica que uma palavra como “corrupio” possa aparecer mal escrita? Retomando a imagem do parafuso e do avião, estamos diante de um provável despenhamento: há um jornalista que não domina a ferramenta e há uma multidão de leitores que é arrastada para um erro ortográfico.

Jornal, café, sonho e cidadania

Neste tempo em que até o jornalismo entrou em crise, com greves e despedimentos colectivos como no PÚBLICO, há que fazer a sua justíssima defesa.
Precisamos do bom jornalismo que nos traz as diárias notícias da austeridade e afins, mas também das outras sobre um mundo que «pula e avança» apesar de tudo, do não obstante, do contudo.
Procuramos e necessitamos da verdade, como do pão para a boca e do café pela manhã antes de começar o dia (seja ele como for)! E da verdade não apenas da realidade, mas também a dos sonhos de cada um. Não serão eles mais reais? Os sonhos são o futuro – deviam contar mais. E o país tem que os ter e se não os tem, que os tenhamos nós, individualmente. Sonhos pequeninos, não faz mal, mas que todos juntos constroem algo grande. ( Já estou a divagar. É o que dá fumar um post…)
Faço hoje o meu post com um texto do geógrafo João Seixas (PÚBLICO, 28/10) defensor dos jornais e que subscrevo totalmente: [Read more…]

Mau estar?

É mal-estar, senhores jornalistas da Lusa, da Visão, do i ou do Público.

As fotografias do Príncipe Harry nu

O tipo tem piada. Temos que reconhecer que ele dá alma à coisa.

Desta vez, de férias nos States, divertiu-se com os amigos. Ou antes, com as amigas e parece que há por aí fotos de Sua Alteza sem roupa.

Confesso que tenho muitas dúvidas sobre a publicação deste tipo de imagens, do foro privado, por jornais como o Público ou como o Diário de Notícias.

Não me parece que seja pública uma dimensão claramente privada da vida de alguém que é, sem dúvida, uma figura pública. Uma coisa é alguém, intencionalmente, mostrar algo mais do que a sua dimensão pública, como fez a Nicole Kidman. Outra coisa bem diferente é o uso deste tipo de imagens do Harry que se limita a viver a vida.

 

Os blogues e os media

Vai e vem

Sem notícias

Mais uma ideia maluca, à Céu Mota. E se, de um dia para o outro, optar por não ouvir, ler ou querer saber o que se passa no meu país e no mundo? Não comprar o jornal, mudar de emissora de rádio quando viajo de carro, não ver as notícias na TV, etc.?

Nas férias não é difícil, mas prolongar essa escolha para o resto do ano?

Será alienação? Indiferença? Como será viver sem tanta informação?

Por todos os lados ela nos chega. Tanta, que ficamos imobilizados… sem saber para onde nos virar, sem conseguir filtrar e assimilar. Ficamos loucos. Não agimos.

Provavelmente, escreveria menos no Aventar…

Não há como experimentar!

Nos 18 anos do Diário As Beiras

Paulo Marques, Jornalista

As Beiras faz hoje 18 anos de jornal diário. Parabéns.

Não estão fáceis os tempos para o negócio da Imprensa. Tão-pouco para o exercício do jornalismo. Mas à angústia dos dias prefiro inquietação de sempre. Eu, que escrevo As Beiras todos os dias desde o primeiro.

As Beiras é um caso raro de sobrevivência empresarial e editorial. Em Coimbra, cidade e região de tradições na edição de jornais, mas também no cenário nacional, em que os diários de difusão local e regional se contam pelos dedos.

No início, a energia militante de fazer uma cidade e um mundo novos foi determinante no romper de uma barreira de imobilismos locais. À frente, o Diário de Coimbra acumulava 60 e tal anos e não parecia disposto a arrojos. Ao lado, outro título valioso, o Jornal de Coimbra, vivia já o seu estertor. À parte, alguns cabeçalhos de quase nicho apenas existiam. A todos As Beiras trouxe desafios que nem todos souberam ou lograram vencer. [Read more…]

Mulheres no desporto – dia Internacional da mulher

As personagens mais procuradas no google luso não deixam margem para dúvidas – a Ana Malhoa é uma pessoa muito importante, tal como a Shakira ou o Carlos Cruz, por motivos naturalmente diversos. Não, o Carlos Cruz não colocou silicone e a Ana Malhoa não namora com o Messi.

Não impressiona também nenhum dos leitores que o Cristiano Ronaldo, seja no seu mais recente veículo – aqui mesmo, no Aventar – seja a marcar golos ou com inveja do Messi, esteja também sempre presente nos tops.

O que já me impressiona mais é a forma pornográfica como os jornais desportivos – os três em papel e outros tantos em formato digital – usam meninas sem roupa (aposto que este vai ser o link mais clicado neste post logo a seguir ao da Ana Malhoa lá em cima) para fazer subir as audiências. [Read more…]

Que diferença faz uma vagina?

Nas vésperas do Dia Internacional da Mulher, pode parecer que vou cometer a heresia de criticar algumas mulheres ou uma certa visão sobre as mulheres, mas, na realidade, vou escrever sobre o medo que temos de confirmar o lado negro da nossa História.

O politicamente correcto é mais uma importação dos Estados Unidos que nos chegou juntamente com os hambúrgueres e muitas outras coisas prejudiciais à saúde e o mesmo país que dizimou os índios chama-lhes nativos-americanos, numa espécie de expiação tardia, pagando em moeda linguística o que roubou em vidas impagáveis.

A preocupação com a susceptibilidade alheia ou o medo de descobrirmos que dentro de nós está algum monstro inesperado leva-nos a tentar calar a História que está marcada nas cicatrizes da língua e da linguagem que somos porque fomos. Quando a História não se cala ou é mal entendida, há quem tente reescrevê-la, retorcê-la, fazendo de conta que a interpreta.

É verdade que a História é brutal e violentamente masculina e todas as mulheres que sofreram e sofrem com isso nunca poderão ser compensadas das violações de toda a espécie a que foram sujeitas, restando-nos a possibilidade de sermos todos melhores e mulheres no futuro.

Dilma Roussef, Presidente do Brasil, passou pelo Porto e aproveitou para comer bacalhau, o que é, evidentemente, notícia. Também é, infelizmente, notícia o servilismo de alguma comunicação social que reproduz o “Presidenta” com que a Chefe de Estado brasileiro exige ser tratada, agredindo, ao mesmo tempo, a língua portuguesa que nos é comum.

Esta ânsia de encontrar um feminino que não existe revela, afinal, um estranho machismo ao contrário, ou, para ser considerado completamente preconceituoso, um machismo de saias. Há uns meses, Pilar del Rio considerou “néscio” qualquer um que não lhe chamasse Presidenta da Fundação José Saramago. A todos os que queiram merecer conscientemente esse epíteto aconselho a leitura deste texto do Francisco Miguel Valada.

Terrorismo ataca nos jornais

Esta manhã ainda não tinha visto a manchete do I. É uma obra-prima do terrorismo jornalístico nacional:

Como quem semeia colhe frutos, é passar os olhos pelas caixas de comentários, por exemplo do Público. Debaixo de um título ao nível desta manchete, versão aspas:

Suspeito detido é um “fundamentalista cristão”

(encontrem-me no mesmo jornal fundamentalismo islâmico escrito com as mesmas aspas, sff) nascem teorias fantásticas, ao pé das quais a ressurreição de Lázaro é uma brincadeira de putos. Vejam esta:

pode um muçulmano invocar, de um modo legítimo e ortodoxo, a sua fé para cometer actos de terrorismo? Sim, pode!: os seus textos religiosos estão cheios de apelos ao “dar a morte” a quem não segue a sua fé… Pode um cristão invocar, de um modo legítimo e ortodoxo, a sua fé para cometer actos de terrorismo? Não, não pode!: nada nos textos cristãos o permite… Mais: este acto foi justificado por este bárbaro como tendo a base na sua crença? não! são os actos cometidos por terroristas islâmicos justificados pela sua fé? Sim. Donde a questão é: porque é que, por exemplo no Público, se omite aquela e se refere esta?

Pode sempre invocar-se a ignorância, sendo a religião coisa da fé contra a razão não podem saber que o cristianismo é historicamente muito mais terrorista que o islamismo. Aliás é escusado explicar-lhes: não acreditam. Guerras santas, inquisição, ou coisas bem mais próximas de nós como a invocação do catolicismo para defender o império colonial, é escusado explicá-lo a fundamentalistas: a fé cega, ensurdece e provoca a emissão sistemática de disparates. Esperemos que fiquem por aqui. Quando em Portugal também pegarem em explosivos e espingardas a coisa ficará muito mais complicada.

A blogosfera e a comunicação social

As incriminações sobre a blogosfera são conhecidas. Em especial da parte de intelectuais ou ‘pseudo-essa coisa’, tipo Miguel Sousa Tavares.

Todavia, e o ‘Aventar’ já o provou à exaustão com a tradução do ‘memorando da troika’, o mundo da blogosfera é dinamizado por muitos, bem habilitados a prestar o serviço público da informação oportuna, íntegra e, portanto, útil.

Ontem, aqui no ‘Aventar’, já havíamos trazido ao conhecimento público os gastos faustosos de José Manuel Barroso e seus comissários, com o ‘link’ para o jornal britânico ‘The Guardian’. Apenas hoje, como este exemplo o demonstra, a imprensa escrita traz o assunto a público. A blogosfera, esse diabólico mundo, mais uma vez venceu, mesmo sem a intenção de competir.

O Flagelo do mundo moderno

Ontem houve duas más notícias. Primeira e mais grave: o Times vai passar a ser pago. E agora? Como é que eu vou ler as notícias? Como é que vou ver o ranking das Universidades? Como é que vou ler os comentários? Como é vou ter acesso a debates do género: “IB or A-levels which is the best”? Ou “Oxford student explores the myths”? Senhores, como é que vou ler o Jeremy Clarkson? E pior! Como é que eu vou ler o Times Literary Supplement, onde uma vez um historiador arruinou outro quando disse que a sua análise das cartas de Charles I estavam erradas?! Isto é o flagelo do mundo moderno e já me estou a ver a poupar para pagar oa 1.5 euros por acesso de um dia.

Segundo, o Passos Coelho ganhou. Desde aquele debate desastroso que eu já suspeitava disto. Não há nada que eu mais deteste do que aquele papel do velho do Restelo mas não tenho dúvidas que muitos se vão arrepender. Passos Coelho como primeiro-ministro não é o que Portugal precisa. A sério, se a situação do país não fosse tão grave eu até achava piada a estas experiências. Por outro lado, posso agora dizer que de todos os políticos activos na cena política portuguesa identifico-me como menos de três. Qualquer dia deixo de defender coisas e torno-me hippie. Uma hippie que ainda por cima não lê o Times, ora bolas.

Já alguém viu outro alguém correr atrás do prejuízo?

 fut

A coisa nasceu há já uns bons anos. Na rádio. Primeiro surgiu devagar, depois, como os coelhos, foi-se reproduzindo de forma rápida e imparável. Generalizou-se por muitos dos relatadores e comentadores futebolísticos das rádios, das nacionais às locais, passou a ocupar espaço no léxico dos narradores e comentadores de futebol das televisões e até chegou aos jornais, num contágio fulminante.

A frase é simples e até pode soar bem: “correr atrás do prejuízo”. Sim, todos sabemos o que pretende dizer. Mas, já agora, um esclarecimento: alguém no seu perfeito juízo corre atrás do prejuízo?

Já calculava que a resposta fosse não. Então e se deixassem de usar a frasezinha parva, hem?