Borba, uma tragédia que podia ter facilmente sido evitada

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Fotografia: Nuno Veiga/Lusa

Passam hoje precisamente quatro anos. A 1 de Dezembro de 2014, a Direcção Regional de Economia do Alentejo enviou, para Governo e para Câmara Municipal de Borba, informação detalhada sobre o estado da estrada 255, num documento de 22 páginas que descrevia e alertava para os perigos daquela via, concluindo que se encontrava em risco de colapso.

Para a CM da Borba, os alertas não eram novos. Meses antes, havia sido alertada para o perigo da 255 através de um memorando assinado por quatro empresas a operar na zona, que sublinhavam o risco que se veio a confirmar com a recente tragédia. [Read more…]

quem me dera ser criança e saber perdoar…

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Para a Sua Excelência, o Presidente Allende.

Estou certo de ter publicado este texto na nossa Revista Educação, Sociedades e Culturas, bem como na Página da Educação quando era jornal com José Paula Serralheiro, e talvez, neste blogue. Mas, estamos em época de eleições, a todo minuto somos chamados a votar com antecipação. Os Presidentes dos paridos, especialmente o PSD, com o seu líder Pedro Passos Coelho, estão certos de obter maioria! Mas há dois grupos políticos que lutam pelo poder de forma desalmada. Durante o período de governo do Partido Socialista e seu Primeiro-ministro José Sócrates, Passos Coelho e o seu grupo minoritário do PSD, hostilizaram até obriga-lo a se demitir. Facto que nos leva a todos pensar que foi uma rasteira muito bem fabricada com intervenção do Presidente da República quem, na sua reeleição, no quis intervir. Mas o discurso de toma de posse para um segundo mandato, era clara a sua preferência: criticou ao Governo, esqueceu que era Presidente de todos nós portugueses, o que fez desmaiar o ânimo aguerrido do PS e do seu líder, José Manuel Sócrates. O poder executivo não deve nunca abandonar o poder, como fez Mário Guterres no seu tempo. Se um político bem formado e que sabe governar abandona o cargo, ficamos expostos a sermos vítimas de um governo de salvação nacional. No meu ver, o PM devia ter continuado o seu

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Esta cidade morre a cada dia

Rua Formosa, ontem à noite No Porto ruiu mais uma casa. Desta vez foi um primeiro andar inteiro e só o facto de àquela hora, cerca das 23h00, não ir a passar ninguém, evitou que alguém ficasse ferido. É assim esta cidade, arruína-se aos poucos. Todos os dias caem pedaços de azulejos das fachadas, bocados de estuque, fragmentos de telhas. Não vai há muito, passava eu do outro lado da rua, vi cair umas enormes lâminas de vidro do prédio que ruiu ontem à noite. Mais uma vez por sorte, não passava ninguém nesse momento. Esta cidade desintegra-se minuto a minuto. Esvoaçam das fachadas arruinadas uns farrapos de cortina enegrecida pelo tempo e pelo pó. Vemos a cidade morrer a cada dia à nossa passagem, e as ruínas que ainda se aguentam de pé acabarão por desabar, em dia e hora incertas. Passam as caravanas partidárias, absurdamente ruidosas, e fica o silêncio de uma cidade envelhecida, empobrecida, desolada na sua solidão de granito que se vai esboroando.

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