É “Proíbido” correr no Colégio de Gaia

Se não resultar, há sempre a Ritalina. Ou o dicionário.

15894930_10209607087547926_3542016878550273601_n-2

Vamos dicionarizar Camilo Lourenço

basta+de+camilo+lourenco
Não é muito frequente nome próprio virar substantivo ou adjectivo, mas acontece; Miguel de Vasconcelos que o diga. Camilo Lourenço merece.

O Luís M. Jorge já nos legou uma primeira tentativa de sistematização do conceito de Camilo:

O mundo dos Camilos obedece a valores testados em séculos de miséria abjecta e desespero universal. Antigamente eram feitores e capatazes, hoje são jornalistas e lideres de opinião. Os Camilos Lourenços dão imenso jeito. Todos os ricos deviam ter um.

A mais recente aparição camilolourençiana (muito cuidado com o isolar do Camilo, não se ofenda o Castelo Branco) acrescenta a noção de ignorante e pregador da indigência cultural, essa salazarenta reaparição do culto das habilitações mínimas para que se obtenha a exploração salarial máxima.

Miguel Relvas, por exemplo, é um autêntico Camilo Lourenço camilourenço da política, e fico-me por aqui antes que resvale para o pleonasmo. No território educativo és um camilolourenço camilourenço substitui com vantagem o gasto e usado cábula, tal como de um curandeiro armado em médico alternativo se dirá com vantagem: eis um camilolourenço camilourenço da medicina.  Os exemplos, a utilidade e enriquecimento da língua portuguesa tendem para o infinito. Vamos a isto, a língua por enquanto ainda é nossa, e se alguém reclamar do neologismo, grandola-se para ficar sossegado.

Adenda: corrigido camilolourenço por camilourenço.

A palavra do ano é enrabado, diz-se entroikado na presença de estranhos

Sobre o evento “palavra do ano” com que a Porto Editora tenta copiar instituições de outras línguas, ficam uns dislates da minha lavra.
Infopédia regista enrabado, como “particípio passado de enrabar”Já o Houaiss acha enrabado um adjectivo, que se enrabou.
Para a Porto Editora a palavra mais votada, entroikado, é um adjectivo, aliás, um adjetivo. Não serei eu nesta casa a dissertar sobre este detalhe gramatical. O verbo neologismar, que aprendi com o velho e sábio José Pedro Machado e eles aceitam mas não dicionarizam, diz-me ao ouvido que o povo inventa quando precisa, ou acha graça, mas com um certo sentido, uma lógica. Raras vezes se neologisma a partir do vazio, sem uma raiz que seja sua mãe fonética, sem um pai etimológico, uma afenidade, enfim, o neologismo não usa ser órfão.
Ler a palavra entroikado como significando que está numa situação difícil; tramado, lixadoé digno dos pudores da Porto Editora, a que quando meteu o caralho nos seus dicionários já gerações de liceais se  tinham rido com a sua ausência.
Afirmo: a  palavra do ano é enrabado, eufemística, humorada e propositadamente dita entroikado. A língua ainda somos nós que a fazemos, se precisarem de referências procurem nos facebooks deste mundo; a troika não entroika, nem tal faria sentido – enraba; uns gostam, outros não.
Ah, e o mais das vezes, a palavra no ânus tem sido aplicada sem preservativo nem vaselina.

cu

Cu português contraindo-se perante a ameaça de novo entroikanço

Dicionário à vara

VARAPEDIA

 

Assalto à Vara – Assalto de fato e gravata

Varómetro – Medidor de corrupção

Varapau – A vara que julga o Vara

Varapau de corrida – Carapau corrupto

Vara verde – Corrupto inexperiente

Varamento – Acto de bater em corruptos

Varação – Encalhar a corrupção na PGR

Varar um barco – Encher o barco de corruptos

Vara de porcos – Partido Socialista

Vardade – Mentira                                                       

Varado – só dez mil euros?

Varada – escuta ao Vara

 

PS: enviado pela nosa leitora Adélia