O sexismo da Porto Editora já vem de longe

Dicionário da Língua Portuguesa, editado em 1986, Porto Editora

O João Mendes trouxe o texto do Ricardo Araújo Pereira (RAP) no qual se demonstra que, afinal, os cadernos não eram assim tão sexistas como se apregoou. E que o trabalho jornalístico à volta da questão deixou muito a desejar. Na verdade, os meios de comunicação social pegaram numa montagem de duas páginas para, a partir delas, tecerem ilações. E, por fim, a Comissão para a Igualdade de Género (CIG) laureou-se de poderes censórios e, “por orientação do Ministro Adjunto”, Eduardo Cabrita, recomendou à Porto Editora, que “retire[retirasse] estas duas publicações dos pontos de venda”.

RAP desmontou a questão, no programa Governo Sombra, implacavelmente e com graça, conforme se pode visualizar no vídeo seguinte. [Read more…]

Os polémicos blocos de actividades*

Inicialmente, de férias e afastado do mundo real, tomei conhecimento do polémico caso através das redes sociais. A tentação para me indignar foi imediata: havia um plano de discriminação de género em marcha, orquestrado pela Porto Editora e por um qualquer gangue de arrojas misóginos, através de cadernos de actividades que tratavam o macho como alfa e a fêmea como uma patega incapaz de concluir labirintos complexos. [Read more…]

Igualdade de género e censura

Na Constituição da República Portuguesa, a palavra “mulher” aparece cinco vezes, duas das quais em Artigos a ela especialmente dedicados. A primeira é no Artigo 59º, onde está escrito que incumbe ao Estado assegurar as condições de trabalho, retribuição e repouso a que os trabalhadores têm direito, nomeadamente “A especial protecção do trabalho das mulheres durante a gravidez e após o parto”. A segunda é no Artigo 68º, o qual estabelece que  “As mulheres têm direito a especial protecção durante a gravidez e após o parto, tendo as mulheres trabalhadoras ainda direito a dispensa do trabalho por período adequado, sem perda da retribuição ou de quaisquer regalias”. A palavra “homem” aparece duas vezes, nenhuma das quais referindo questões específicas do género masculino. A palavra “cidadão” aparece oitenta e nove vezes. Até nisto a Constituição está bem feita. Ela “sabe” que todos os cidadãos, independentemente do seu género, são iguais ante a Lei, mas que as mulheres devem ser alvo de uma atenção especial, por via de uma natureza também especial que as define e as distingue dos homens: gestam, dão à luz e são mães.

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Manuais escolares – Se for verdade, é crime!

Do muito que há para dizer sobre o vergonhoso negócio dos manuais escolares (a grande reportagem da TVI é imperdível), houve uma denúncia, feita por uma professora, que me chocou particularmente.
Diz essa professora, na reportagem, que em determinada escola os professores de um grupo disciplinar reuniam para adoptar o manual que iria ser utilizado nos 6 anos seguintes. E nesse momento exacto, irrompeu pela sala um representante de uma editora que, apresentado pela presidente da reunião, tentou convencer os professores presentes a adoptarem o seu manual.
Não sei se o manual dessa editora foi adoptado. Independentemente de ter sido ou não, estamos em presença de um crime. Não é apenas algo de imoral, de eticamente reprovável – é um crime, cometido pela editora e por aqueles que permitiram a entrada do sujeito na escola e, de forma agravada, naquela reunião.
E se é um crime, alguém tem de investigar.

Dêmos ou demos? Porto Editora aconselha a grafia de 1945

Volto a deambular, indeciso entre o choro e a gargalhada, pela página que a Porto Editora criou para responder a dúvidas frequentes sobre o alegado acordo ortográfico (AO90).

Desta vez, houve duas entradas que me chamaram a atenção: 18. Já não é obrigatório colocar acento em formas do passado como ganhámos? e 21. A forma verbal dêmos do conjuntivo deixa de ter acento?

Em ambas as respostas, os autores remetem para o texto do AO90, o que está de acordo com os objectivos da página, aparentando coerência. Na verdade, o acento nas formas referidas era obrigatório e passou a ser opcional. O leitor acentuou? Está certo. Não acentuou? Está igualmente certo.

No que respeita ao cor-de-rosa, a Porto Editora defende que se possa escrever com ou sem hífenes, contrariando o texto oficial do AO90 e socorrendo-se do VOP, ou seja, quando o chamado acordo ortográfico obriga a que se mantenha a grafia de 1945, o VOP estipula uma dupla grafia, sendo que uma delas estaria sempre errada à luz de qualquer um dos dois acordos ortográficos mais recentes.

A mesma Porto Editora, confrontada com a possibilidade de não se  usar acentos nas formas verbais acima mencionadas, recomenda, agora, que sejam acentuadas, mesmo que o AO90 seja preguiçosamente indiferente a isso. [Read more…]

Prémio Carreira

pintoveremhlo

Russians

America it’s them bad Russians.
Them Russians them Russians and them Chinamen. And them Russians.
The Russia wants to eat us alive. The Russia’s power mad. She wants to take our cars from out our garages.

— Allen Ginsberg, America

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Pois é.

Nem tudo depende da perspectiva e da concepção. Há outros aspectos a considerar.

intercetam eptam

Efectivamente, segundo o Houaiss (*), ‘interceptar‘ é um verbo [Read more…]