Sócrates e as Presidenciais de 2016

José Sócrates assume que nunca quis diálogo com a Oposição nos últimos 4 anos e que nunca se esforçou minimamente para obtê-lo. Porque não precisava. «A situação política mudou e o meu dever é dialogar com todos os partidos».

O tempo de duração deste Governo vai depender em grande parte da estratégia do próprio primeiro-ministro. Hábil nestas coisas, usará a arma da vitimização para evitar ser derrubado ou, ao invés, forçará a queda para haver novas eleições e reconquistar a maioria absoluta perdida.

Resta saber qual será o «timing» da preferência de Sócrates, visto que a Assembleia só pode ser dissolvida entre Março e Setembro de 2010 e, depois disso, só a partir de Março de 2011. Ora, não se espera que um Presidente da República, como primeira medida de um mandato, dissolva a Assembleia. E sendo assim, estaremos a menos de dois anos do fim da Legislatura. E haver eleições nessa altura significaria que novo mandato de Sócrates com maioria levá-lo-ia como primeiro-ministro até finais de 2015.

O problema, e já o disse aqui, é que o horizonte temporal de José Sócrates é as Presidenciais de 2016. 

 Mas para concorrer, não pode ser primeiro-ministro até finais de 2015, caso contrário arrisca-se a perder. Assim, ou termina o mandato em 2013 e agurda dois anos até anunciar a sua candidatura à Presidência da República, dedicando-se entretanto «à família e aos livros»; ou força a dissolução da Assembleia já entre Setembro e Março de 2010 para conseguir depois nova maioria absouta e poder governar até 2014. Dedicar-se-á então apenas um ano à família e aos livros (chega-lhe muito bem, porque as citações já ele as decorou todas) antes de anunciar, em nome do interesse nacional, a candidatura à Assembleia da República.